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I still here

Sombras no Paraíso e Laços de Sangue

A luz da manhã em Seul tinha uma tonalidade azulada e fria, contrastando com o calor que ainda emanava da cama de Hyunjin. Maya Isabel terminou de abotoar sua blusa de seda, sentindo o olhar intenso de Hyunjin seguir cada um de seus movimentos. Ele estava sentado na borda da cama, os cabelos pretos levemente bagunçados e o peito nu exibindo a definição muscular que, embora ele raramente ostentasse de forma agressiva, era impossível de ignorar.

— Você tem mesmo que ir agora? — perguntou Hyunjin, sua voz ainda rouca pelo sono e pela noite intensa que compartilharam.

Maya caminhou até ele, inclinando-se para selar seus lábios nos dele. O contraste entre seus olhos verdes vibrantes e as sardas delicadas sob a luz matinal sempre fazia o coração de Hyunjin disparar.

— Tenho uma reunião com os produtores do meu novo filme às nove, Jinnie — respondeu ela, passando a mão pelo rosto esculpido dele. — E você tem ensaio com o grupo. Bangchan vai me matar se eu for o motivo do seu atraso.

Hyunjin soltou uma risada baixa, segurando a cintura fina de Maya e puxando-a para um último abraço.

— O Chan gosta mais de você do que de mim, Maya. Ele provavelmente te convidaria para o ensaio só para garantir que eu esteja de bom humor.

Maya riu, pegando sua bolsa e saindo do quarto com a elegância de quem dominava tanto as quadras de basquete quanto os tapetes vermelhos. No entanto, assim que cruzou a porta do prédio de luxo, a realidade do mundo exterior a atingiu. O flash de uma câmera disparou à distância, escondido atrás de uma van preta. Ela não mudou a expressão; como bilionária e estrela mundial, o escrutínio era seu café da manhã. Mas, por dentro, ela sentia a pontada de preocupação. Não por ela, mas por ele.

Duas horas depois, na sede da JYP Entertainment, o ambiente estava carregado. O Stray Kids estava em uma pausa entre as coreografias de "LALALALA". Changbin, cujos braços pareciam ainda maiores sob a regata de treino, secava o suor da testa enquanto observava Hyunjin, que parecia estar em outro planeta, olhando fixamente para o celular.

— Se você suspirar mais uma vez, eu vou pedir para o Lee Know te dar um chute — brincou Changbin, sua voz potente ecoando pela sala de espelhos.

Lee Know, que estava alongando as pernas com uma expressão séria e concentrada, apenas levantou uma sobrancelha.

— Não me dê ideias, Changbin. Eu já estou sem paciência com a falta de foco dele hoje.

— Deixem o cara em paz — interveio Felix, aproximando-se com duas garrafas de água. Ele entregou uma a Hyunjin e deu um tapinha encorajador no ombro do amigo. — Ele está apaixonado. É uma doença grave, vocês sabem.

Hyunjin finalmente guardou o celular, um sorriso tímido surgindo em seus lábios.

— Não é doença, Lix. É só que... as coisas estão ficando complicadas lá fora. Vocês viram os fóruns hoje?

Bangchan, que estava conversando com um dos coreógrafos, aproximou-se do círculo. O líder tinha um olhar compreensivo, mas firme.

— Eu vi, Hyunjin. A empresa também viu. O fato de a Maya ser quem ela é — uma ex-atriz da NBA, uma das mulheres mais ricas do mundo e uma atriz premiada — torna tudo um circo. Eles não estão acostumados com alguém que tenha mais poder que a própria indústria.

— O problema não é o poder dela — disse Seungmin, sendo o mais sincero do grupo, como de costume. — O problema é que as pessoas odeiam ver alguém que parece ter tudo. Eles acham que ela é uma distração para o grupo. E, honestamente, se você continuar errando o tempo do segundo refrão, eles vão ter razão.

Hyunjin suspirou, passando a mão pelos cabelos.

— Eu sei, Seungmin. Eu vou acertar. Eu só... eu me preocupo com ela. Ela é forte, mas ninguém merece ler as coisas que estão escrevendo.

Han, sempre o mais animado, saltou no meio da conversa, tentando aliviar a tensão.

— Cara, ela é a Maya Isabel! Ela enfrentou os maiores armadores da liga americana e ganhou anéis de campeonato. Você acha que um bando de haters de internet vai assustar uma mulher que faz enterradas de salto alto?

— O Han tem razão — disse Jeongin, o caçula, sorrindo de forma doce. — Ela é incrível, Hyunjin-hyung. E ela gosta de você. Isso é o que importa.

Enquanto isso, do outro lado da cidade, Maya estava em seu escritório particular, um espaço minimalista no topo de um arranha-céu com vista para o Rio Han. Ela não estava lendo roteiros. Seus olhos verdes estavam fixos em um relatório de análise de dados que sua equipe de relações públicas havia preparado.

— Os ataques estão coordenados — disse sua assistente, uma mulher eficiente que a acompanhava desde os tempos de basquete. — Não são apenas fãs aleatórias. Parece que há um esforço para manchar sua imagem na Coreia, tentando pintá-la como a "estrangeira arrogante" que está arruinando a carreira de um ídolo nacional.

Maya inclinou-se para trás em sua cadeira de couro, cruzando as pernas e revelando a força de suas coxas de atleta. Ela soltou um riso seco.

— Eles estão usando o manual antigo, então. Eles esquecem que eu não sou apenas uma namorada de celebridade. Eu sou a dona de metade das marcas que patrocinam esses eventos.

O telefone de Maya tocou. Era Felix.

— Oi, Lix — atendeu ela, sua voz suavizando instantaneamente.

— Maya, você viu as notícias? — A voz de Felix soava preocupada. — Estão dizendo que você foi vista saindo do apartamento do Hyunjin hoje cedo. As fotos estão em todo lugar.

— Eu vi, Felix. Eu já estou cuidando disso. Como ele está?

— Ele está tentando disfarçar, mas está tenso. O Lee Know deu um sermão nele, e o Chan está em uma reunião com os gestores agora. O clima aqui não está dos melhores.

Maya sentiu uma onda de proteção percorrer seu corpo. Ela odiava que sua presença causasse problemas para as pessoas que amava.

— Diga a ele para não se preocupar. Eu vou resolver isso do meu jeito. E Felix? Obrigada por cuidar dele.

— Sempre, Maya. Você sabe que é minha melhor amiga. Mas tome cuidado, a mídia aqui é implacável.

Assim que desligou, Maya se levantou. Ela tinha uma aura de comando que fazia todos na sala pararem o que estavam fazendo.

— Preparem o carro — ordenou Maya à sua assistente. — E liguem para o Bang Chan. Diga a ele que eu vou passar na JYP em trinta minutos. Não como namorada do Hyunjin, mas como investidora majoritária da nova campanha global que eles querem fechar.

Quando Maya Isabel entrou no prédio da JYP, o tempo pareceu parar. Ela usava um terno sob medida que acentuava sua cintura fina e realçava suas curvas de forma profissional, porém intimidadora. Seus cabelos loiros estavam presos em um rabo de cavalo alto, e seu olhar verde era como lâminas de esmeralda.

Ela passou pela recepção sem precisar de crachá; todos sabiam quem ela era. Ao chegar à sala de prática do Stray Kids, ela não bateu. Apenas abriu a porta.

O grupo estava no meio de uma discussão sobre a coreografia. Hyunjin parou no lugar, os olhos castanhos claros arregalados de surpresa.

— Maya? O que você está fazendo aqui? — perguntou ele, dando um passo à frente.

Bangchan cruzou os braços, um sorriso de canto começando a surgir. Ele já imaginava o que estava por vir.

— Eu vim tratar de negócios — disse Maya, sua voz projetando-se com a autoridade de quem já comandou estádios lotados. — E também para garantir que ninguém aqui esteja perdendo o sono por causa de comentários de internet.

Ela caminhou até o centro da sala, parando diante de Hyunjin. Por um momento, a fachada de empresária bilionária caiu, e ela tocou o rosto dele com carinho.

— Você está bem? — sussurrou ela.

— Agora estou — respondeu Hyunjin, cobrindo a mão dela com a sua. — Mas você não deveria ter vindo. A imprensa está lá fora como abutres.

Maya virou-se para os outros membros.

— Ouçam bem. Eu sei que a minha presença na vida do Hyunjin traz um holofote que vocês não pediram. Mas eu não sou uma distração. Eu sou uma aliada. A partir de hoje, minha empresa de segurança vai cuidar da filtragem de comentários e da proteção digital de vocês. E quanto aos patrocinadores que estão "preocupados" com a imagem do grupo... digamos que eles mudaram de ideia depois de uma conversa rápida com o meu conselho financeiro.

Changbin soltou um assobio baixo.

— Caramba, Hyunjin. Ela realmente é a "Boss" — comentou o rapper, impressionado.

Lee Know, que raramente se impressionava, deu um aceno respeitoso com a cabeça.

— Eficiente. Eu gosto disso.

Seungmin apenas sorriu de lado.

— Acho que isso encerra a discussão sobre distrações, não é?

Maya voltou sua atenção para Bangchan.

— Chan, desculpe interromper o ensaio. Mas eu precisava que eles soubessem que eu estou no jogo com vocês. Ninguém vai derrubar o Hyunjin, nem o Stray Kids, enquanto eu estiver aqui.

Bangchan caminhou até ela e estendeu a mão.

— Obrigado, Maya. Honestamente, é um alívio ter você do nosso lado.

Hyunjin puxou Maya para um canto da sala, longe dos ouvidos atentos dos outros, embora Han estivesse claramente tentando escutar enquanto fingia beber água.

— Você é incrível, sabia? — disse Hyunjin, os olhos brilhando com uma mistura de luxúria e admiração profunda. — Mas eu não quero que você sinta que tem que comprar a nossa paz.

Maya passou os braços pelo pescoço dele, ignorando as câmeras de segurança ou a possibilidade de alguém entrar.

— Eu não estou comprando nada, Jinnie. Eu estou protegendo o que é meu. E você é meu.

Hyunjin a puxou pela cintura, sentindo a curva perfeita de seus quadris contra suas mãos. O desejo que sentira na noite anterior voltou com força total, mas desta vez misturado com um orgulho imenso.

— Se você continuar falando assim, eu vou esquecer que o grupo está aqui e vou te beijar na frente de todo mundo — ameaçou ele, a voz safada e baixa no ouvido dela.

— Duvido — desafiou Maya, com um sorriso provocante.

Hyunjin não hesitou. Ele a puxou para um beijo profundo e possessivo, silenciando a sala de ensaio. Felix soltou um grito de comemoração, Han começou a aplaudir, e até Lee Know revirou os olhos com um sorriso escondido.

Quando se separaram, Maya estava levemente ofegante, suas sardas parecendo mais evidentes com o rubor em suas bochechas.

— Certo — disse ela, recompondo-se. — Agora, voltem ao trabalho. Eu tenho uma empresa para gerir e um império para manter. Hyunjin, te vejo em casa?

— Com certeza — respondeu ele, observando-a sair com o mesmo impacto com que entrou.

A tarde seguiu com uma energia renovada. O Stray Kids ensaiou com uma precisão que nunca haviam alcançado antes. O medo da repercussão negativa havia sido substituído pela certeza de que tinham uma força imparável ao lado deles.

À noite, o apartamento de Maya estava silencioso, iluminado apenas pelas luzes da cidade de Seul. Ela estava sentada no sofá, com um tablet na mão, quando ouviu o som da senha da porta sendo digitada. Hyunjin entrou, parecendo exausto, mas seus olhos brilharam ao vê-la.

Ele não disse nada. Apenas caminhou até ela, tirou o tablet de suas mãos e a puxou para o seu colo.

— Obrigado por hoje — sussurrou ele, escondendo o rosto no pescoço dela, inalando o perfume caro e doce que ela usava.

— Não precisa agradecer, Jinnie. Eu faria de novo.

Hyunjin a olhou nos olhos, a seriedade voltando à sua expressão.

— Eu sei que o mundo vai continuar tentando nos separar. Eu sei que sou apenas um cantor e você é... bem, você é a dona do mundo. Mas eu te amo, Maya. E eu não me importo com o que as câmeras dizem.

Maya sentiu uma lágrima solitária de felicidade ameaçar cair, mas ela a conteve. Ela era uma jogadora, uma vencedora. E, naquele momento, Hyunjin era seu prêmio mais valioso.

— Eu também te amo, seu bobo — respondeu ela, puxando-o para mais perto. — Agora, chega de conversa séria. Eu senti sua falta o dia todo.

Hyunjin sorriu, aquele sorriso safado que ela tanto amava, e a carregou em direção ao quarto. O mundo lá fora podia estar em chamas, mas dentro daquelas paredes, eles eram apenas Hyunjin e Maya, e isso era mais do que suficiente para enfrentar qualquer tempestade.

A noite foi longa, preenchida com promessas sussurradas e a intensidade de dois corpos que se conheciam cada vez melhor. Entre carinhos e momentos de pura paixão, eles selaram um pacto silencioso: não importava o quão alto fosse o barulho da fama, o som do amor deles sempre seria mais forte. E Maya Isabel, com sua inteligência e poder, garantiria que nada, absolutamente nada, apagasse o brilho do que eles haviam construído.

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