I still here
Ecos de Poder e o Peso da Coroa
A semana que se seguiu à visita de Maya à JYP foi um borrão de flashes, manchetes internacionais e uma mudança sísmica na indústria do entretenimento coreano. A notícia de que a bilionária Maya Isabel não era apenas a namorada de Hwang Hyunjin, mas agora uma das principais investidoras por trás das campanhas globais do Stray Kids, enviou ondas de choque através dos portais de notícias. Onde antes havia críticas ácidas, agora surgia um respeito cauteloso, misturado com uma curiosidade insaciável.
No entanto, o poder trazia consigo novos tipos de sombras.
Maya estava sentada em sua suíte particular no hotel, revisando contratos de patrocínio, quando Felix entrou sem bater, algo que apenas ele tinha permissão para fazer. Ele parecia cansado; as olheiras sob seus olhos castanhos eram um testamento das noites mal dormidas preparando o novo álbum.
— Você está forçando a barra, Maya — disse Felix, jogando-se em uma poltrona de veludo à frente dela. — A empresa está feliz com o dinheiro, claro, mas o clima nos bastidores está estranho. O Hyunjin está se sentindo... observado.
Maya levantou os olhos verdes do tablet, ajustando uma mecha do cabelo loiro atrás da orelha. Suas sardas pareciam brilhar sob a luz quente do abajur.
— Observado por quem, Lix? Pela mídia ou pelos próprios colegas?
— Pelos dois — suspirou Felix. — O Lee Know está sendo mais rígido do que o normal nos ensaios. Ele não gosta da ideia de que o grupo esteja "sob proteção" de alguém de fora, mesmo que esse alguém seja você. E o Hyunjin... ele sente que precisa provar que merece estar onde está por mérito próprio, não porque a namorada bilionária está limpando o caminho dele.
Maya suspirou, sentindo o peso de suas escolhas. Ela sabia que sua entrada triunfal na JYP teria consequências.
— Eu não fiz isso para diminuí-lo, Felix. Eu fiz para protegê-lo de lobos que ele não deveria ter que enfrentar sozinho.
— Eu sei disso — disse ele, levantando-se e caminhando até ela para lhe dar um abraço rápido. — Mas você o conhece. Ele é sensível. Ele quer ser o seu cavaleiro, não o contrário.
Poucas horas depois, no dormitório do Stray Kids, a tensão mencionada por Felix era quase palpável. Changbin estava na pequena academia improvisada, levantando pesos com uma intensidade furiosa. O suor escorria por seus músculos massivos, o som do ferro batendo contra o chão pontuando o silêncio tenso da sala.
Hyunjin estava sentado no sofá da sala de estar, observando a chuva bater contra a janela. Ele parecia uma pintura melancólica, com seus cabelos pretos caindo sobre os olhos castanhos claros.
— Você vai ficar aí sentado o dia todo ou vai vir treinar a parte nova da coreografia? — a voz de Lee Know cortou o ar como uma navalha.
Hyunjin olhou para o segundo membro mais velho. Lee Know estava parado na porta, os braços cruzados, a expressão ilegível que ele costumava usar quando estava prestes a ser brutalmente honesto.
— Eu já decorei a sequência, Hyung — respondeu Hyunjin, a voz baixa.
— Decorar não é o mesmo que executar com perfeição — retrucou Lee Know. — Ou você acha que, agora que a Maya comprou metade das ações da campanha, você pode relaxar?
Hyunjin levantou-se abruptamente, a raiva finalmente borbulhando na superfície.
— Você sabe que eu não pedi por isso! Eu trabalho tanto quanto qualquer um de vocês.
— Então prove — disse Lee Know, sem recuar. — Porque, lá fora, ninguém está olhando para o seu talento agora. Estão olhando para o tamanho da carteira da sua namorada.
Bangchan, que estava na cozinha preparando café, interveio antes que a discussão escalasse.
— Já chega, os dois. Lee Know, você sabe que o Hyunjin é um dos nossos trabalhadores mais árduos. Hyunjin, entenda que o Minho está apenas preocupado com a imagem do grupo como um todo.
— Eu só quero que as coisas voltem ao normal — murmurou Hyunjin, pegando sua jaqueta e saindo do dormitório sem olhar para trás.
Ele precisava vê-la. Não a bilionária, não a investidora, mas a sua Maya.
Ele dirigiu até a cobertura dela, o coração batendo forte contra as costelas. Quando a porta se abriu e ele a viu usando apenas uma camiseta larga dele e com o cabelo preso em um coque desleixado, toda a sua raiva evaporou, sendo substituída por uma necessidade avassaladora de contato.
Hyunjin entrou e a prensou contra a porta fechada, enterrando o rosto no pescoço dela.
— Jinnie? O que aconteceu? — perguntou Maya, suas mãos subindo automaticamente para acariciar os cabelos dele.
— Eu odeio isso, Maya — sussurrou ele contra a pele dela. — Eu odeio que as pessoas pensem que eu sou um projeto de caridade. Eu odeio que o Lee Know me olhe como se eu fosse um estranho agora.
Maya o afastou levemente para olhar em seus olhos. Ela viu a dor e a insegurança ali, e isso partiu seu coração.
— Eu sinto muito — disse ela, a voz carregada de sinceridade. — Eu agi por instinto. No meu mundo, quando alguém ataca o que é meu, eu destruo a fonte do ataque. Esqueci que o seu mundo funciona de forma diferente.
— Eu não quero que você peça desculpas por me amar — disse Hyunjin, suas mãos descendo para a cintura fina de Maya, puxando-a para mais perto, sentindo a curva de seus quadris maravilhosos sob o tecido fino. — Mas eu preciso que você me deixe lutar minhas próprias batalhas. Se eu não for bom o suficiente por conta própria, então nada disso vale a pena.
Maya sorriu, um sorriso triste, e beijou a ponta do nariz dele, onde as sardas dela costumavam roçar nas dele.
— Você é o melhor, Hyunjin. Com ou sem o meu dinheiro. Você é o motivo de eu estar aqui.
O clima mudou rapidamente. O toque de Hyunjin tornou-se mais urgente, sua necessidade de se reafirmar e de se perder nela assumindo o controle. Ele a pegou no colo, as pernas fortes de Maya se prendendo ao redor da cintura dele, e a carregou para o sofá de couro branco da sala.
— Mostre-me que você ainda é o meu Hyunjin — sussurrou ela, desafiadora e safada, seus olhos verdes brilhando com desejo.
Hyunjin não precisou de um segundo convite. Ele a beijou com uma paixão que beirava o desespero, suas mãos explorando cada curva do corpo dela que ele conhecia tão bem. Ele a despiu com uma reverência que contrastava com a força de seus movimentos. Sob a luz da lua que entrava pelas enormes janelas, Maya parecia uma deusa de mármore e seda.
— Você é minha — rosnou ele, a voz rouca, enquanto descia beijos pelo seu pescoço até os seios fartos. — Só minha.
— Sempre — respondeu Maya, arqueando as costas, as unhas cravando-se nos ombros musculosos de Hyunjin.
Naquela noite, eles não eram celebridades ou figuras públicas. Eram apenas dois jovens tentando encontrar equilíbrio em um mundo que queria rotulá-los. Hyunjin foi carinhoso, mas possessivo, marcando a pele dela com beijos que prometiam proteção, enquanto Maya respondia com a confiança de quem sabia exatamente o poder que exercia sobre ele.
Horas depois, deitados no tapete felpudo da sala, envoltos em um cobertor descartado, o silêncio era confortável.
— Amanhã eu vou falar com o grupo — disse Maya, quebrando o silêncio. — Vou deixar claro que meu investimento é estritamente comercial e que eu não vou interferir nas decisões criativas ou na dinâmica de vocês.
Hyunjin, que estava traçando padrões invisíveis nas costas dela, parou.
— E você acha que eles vão acreditar?
— Se o Seungmin não acreditar, ninguém acredita — brincou ela, fazendo Hyunjin rir. — Mas eu vou ser sincera. Vou dizer que fiz isso porque sou uma jogadora e não gosto de perder. E perder você, ou ver você sofrer, é a única derrota que eu não aceito.
Na manhã seguinte, Maya Isabel cumpriu sua palavra. Ela apareceu na sala de prática do Stray Kids novamente, mas desta vez não havia câmeras, não havia seguranças e ela não usava um terno de poder. Ela estava de calça de moletom e uma regata simples, parecendo muito mais com a atleta que um dia dominou as quadras da NBA.
Os membros estavam sentados no chão, formando um círculo. Bangchan parecia aliviado por ela estar ali de forma menos formal.
— Olá, pessoal — começou Maya, sua voz firme, mas amigável. — Eu sei que causei um rebuliço. E eu sei que alguns de vocês, especialmente o Lee Know e o Seungmin, estão preocupados com o que a minha "proteção" significa para a integridade do Stray Kids.
Lee Know apenas inclinou a cabeça, esperando.
— Eu não sou a dona de vocês — continuou ela, olhando nos olhos de cada um. — Eu sou uma fã, uma amiga e, sim, namorada do Hyunjin. O dinheiro que eu investi é porque eu acredito no potencial lucrativo global de vocês. É um negócio. Mas a proteção digital... isso foi pessoal. E se eu passei dos limites, eu peço desculpas. A partir de agora, a minha equipe de segurança vai trabalhar sob as ordens do Bangchan. Ele decide o que é filtrado ou não.
Um silêncio pairou na sala. Han foi o primeiro a falar, quebrando o gelo com sua energia habitual.
— Espera, então eu ainda posso ver os memes que as fãs fazem de mim? Porque alguns são realmente bons!
Maya riu, e a tensão na sala pareceu evaporar instantaneamente.
— Sim, Han. Você pode ver todos os memes.
Seungmin limpou a garganta.
— É uma atitude nobre, Maya. Mas você sabe que, para o mundo, a narrativa nunca vai ser tão simples.
— Eu não me importo com o mundo, Seungmin — respondeu ela, olhando brevemente para Hyunjin, que sorria para ela do outro lado do círculo. — Eu me importo com o que acontece dentro desta sala.
Changbin, que estava sentado com as pernas cruzadas, exibindo seus braços massivos, deu um soco leve no ar.
— Bem, se temos a bilionária mais durona do mundo ao nosso lado, acho que podemos enfrentar qualquer coisa. Mas você ainda nos deve um jantar, Maya. Um daqueles que custam o preço de um carro.
— Está prometido, Changbin — riu Maya.
A reunião terminou com um sentimento de camaradagem restaurado. Hyunjin sentia-se mais leve do que em dias. Ele caminhou até Maya enquanto os outros começavam a se preparar para o ensaio.
— Você foi ótima — sussurrou ele.
— Eu sou sempre ótima, Jinnie. Você deveria saber disso.
— Convencida — ele brincou, dando um selinho rápido nela antes que Lee Know pudesse reclamar.
No entanto, enquanto Maya saía do prédio, seu telefone vibrou com uma mensagem de um número desconhecido. Era uma foto dela e de Hyunjin na noite anterior, através da janela da cobertura. A legenda dizia apenas: *“O amor é caro, Maya Isabel. Vamos ver quanto você está disposta a pagar quando o escândalo real estourar.”*
Maya parou no meio da calçada, seus olhos verdes escurecendo. Ela olhou ao redor, mas a rua estava cheia de pedestres comuns. Ela não sentiu medo; sentiu uma fúria fria e calculista.
Ela ligou para sua chefe de segurança enquanto entrava no carro blindado.
— Sarah, temos um problema de vigilância na cobertura. Alguém conseguiu um ângulo das janelas do lado norte. Eu quero o nome, o endereço e a vida social de quem quer que tenha tirado essa foto em minha mesa até o pôr do sol. E Sarah?
— Sim, senhora?
— Certifique-se de que eles entendam que eu não jogo para empatar.
Maya Isabel desligou o telefone e olhou para o horizonte de Seul. Ela havia prometido a Hyunjin que o deixaria lutar suas próprias batalhas, e ela cumpriria isso no que diz respeito ao palco e à música. Mas quando se tratava de chantagem e invasão de privacidade, ela era a única jogadora em campo.
Ela sabia que a guerra estava apenas começando. As fãs extremistas eram o menor dos seus problemas; havia tubarões na indústria que queriam vê-la cair, usando Hyunjin como isca. Mas eles haviam cometido um erro fatal: eles achavam que ela era apenas uma celebridade bonita com dinheiro.
Eles esqueceram que ela era uma campeã. E campeões não entregam o troféu sem lutar até o último segundo.
À noite, quando Hyunjin ligou para ela, exausto e feliz após um dia produtivo de ensaios, Maya manteve a voz suave e tranquila.
— Como foi o dia, meu amor? — perguntou ela, enquanto observava seus especialistas em segurança cibernética rastrearem o sinal da mensagem ameaçadora.
— Foi incrível, Maya. O Lee Know até me elogiou. Acho que as coisas estão voltando aos trilhos. E você? O que fez hoje?
Maya olhou para a tela do computador, onde o rosto de um paparazzi conhecido por destruir carreiras acabara de aparecer.
— Ah, você sabe — disse ela, com um sorriso predatório que Hyunjin não podia ver. — Apenas cuidando dos negócios. Descanse bem, Jinnie. Amanhã será um grande dia.
Ao desligar, Maya Isabel levantou-se e caminhou até a janela. O reflexo de seus olhos verdes no vidro mostrava uma mulher que não tinha medo da escuridão. Se alguém queria jogar sujo com o homem que ela amava, ela lhes mostraria como se jogava no nível profissional.
A coroa de bilionária podia ser pesada, mas ela a usava como uma armadura. E qualquer um que tentasse atingir Hyunjin teria que passar por cima dela primeiro. E Maya Isabel nunca havia sido derrubada em toda a sua vida.