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I still here

Xeque-Mate nas Sombras

A noite em Seul nunca era verdadeiramente escura, mas para Maya Isabel, a escuridão não vinha da ausência de luz, e sim das intenções ocultas de quem espreitava nas frestas da fama. Ela estava sentada em sua poltrona de couro italiano, no centro do comando de segurança de sua cobertura, observando as telas que brilhavam com códigos, mapas de localização e o rosto de um homem que ela já havia identificado.

O homem na tela era Park Ji-hoon, um fotógrafo freelancer conhecido no submundo das fofocas por extorquir ídolos em ascensão. Ele achava que tinha o bilhete premiado: fotos de Maya e Hyunjin em um momento de vulnerabilidade absoluta. O que ele não sabia era que Maya não era uma "ídolo em ascensão" vulnerável às leis de conduta das agências coreanas. Ela era uma força global que possuía os bancos onde ele guardava seu dinheiro sujo.

— Senhora, localizamos o sinal original da mensagem — disse Sarah, a chefe de segurança, aproximando-se com um tablet. — Ele está operando de um pequeno estúdio em Gangnam. Ele já enviou prévias para dois tabloides de segunda categoria, mas eles estão hesitando em publicar devido ao... bem, devido ao seu nome estar envolvido.

Maya girou a cadeira lentamente, cruzando as pernas torneadas. O tecido de sua calça de seda deslizou suavemente, revelando a postura de quem estava prestes a finalizar uma partida de basquete decisiva.

— Eles têm medo de processos — comentou Maya, com um sorriso gélido. — Mas o Park não tem medo porque ele acha que eu vou pagar. Ele acha que eu sou como as agências que compram o silêncio para proteger a imagem de seus artistas.

— E o que faremos, senhora? — perguntou Sarah.

— Nós não vamos comprar o silêncio dele, Sarah. Nós vamos comprar o barulho dele. Quero que você derrube todos os servidores dele agora. Não deixe um único arquivo digital intacto. E quanto às cópias físicas... eu mesma vou lidar com isso.

Enquanto sua equipe iniciava o ataque cibernético, o celular de Maya vibrou. Era uma chamada de vídeo de Hyunjin. Ela mudou sua expressão instantaneamente, suavizando o olhar e forçando um sorriso caloroso antes de atender.

— Oi, meu amor — disse ela, a voz doce escondendo a tempestade que rugia em seu peito.

Na tela, Hyunjin apareceu deitado em sua cama, o cabelo preto espalhado pelo travesseiro e os olhos castanhos claros brilhando com um cansaço feliz.

— Eu não conseguia dormir sem ver o seu rosto — disse Hyunjin, a voz rouca. — O ensaio hoje foi exaustivo, mas o Chan disse que estamos prontos para o comeback. Você vai estar lá na primeira fila, não vai?

— Eu não perderia por nada no mundo, Jinnie — respondeu ela, sentindo uma pontada de culpa por esconder a ameaça dele. — Você sabe que eu sou sua fã número um.

— Maya... — Hyunjin hesitou, observando-a mais de perto através da câmera. — Você parece tensa. Aconteceu alguma coisa com os negócios?

— Apenas o estresse habitual de ser bilionária, querido — brincou ela, tentando dissipar a suspeita dele. — Vá dormir. Você precisa de energia para brilhar amanhã.

— Eu te amo — sussurrou ele.

— Eu também te amo. Mais do que você imagina.

Ao desligar, o rosto de Maya voltou a ser uma máscara de determinação. Ela se levantou e caminhou até o closet, trocando sua roupa de descanso por um conjunto de alfaiataria preto, elegante e imponente. Ela pegou as chaves de seu carro esportivo e olhou para Sarah.

— Vamos. É hora de encerrar esse jogo.

O estúdio de Park Ji-hoon era um lugar bagunçado, escondido no porão de um prédio comercial antigo. Quando Maya entrou, acompanhada por dois de seus seguranças mais discretos, o fotógrafo estava freneticamente batendo no teclado de seu computador, tentando entender por que todos os seus arquivos estavam desaparecendo diante de seus olhos.

— Problemas técnicos, Sr. Park? — a voz de Maya ecoou pelo espaço pequeno e úmido.

Park pulou da cadeira, derrubando uma lata de café energético. Seus olhos se arregalaram ao ver a mulher que ele estava tentando chantagear parada em sua frente, parecendo mais uma imperatriz do que uma vítima.

— Você... como você entrou aqui? — gaguejou ele, tentando esconder um envelope pardo sobre a mesa.

— Eu sou dona do prédio, Sr. Park. Comprei-o há exatamente vinte minutos — disse Maya, caminhando calmamente pelo estúdio, seus saltos estalando no chão de concreto. — E, como sua nova senhoria, vim informar que seu contrato de aluguel foi rescindido por violação de conduta moral.

Park tentou recuperar a compostura, um sorriso nervoso surgindo em seu rosto.

— Você acha que pode me assustar com dinheiro? Eu tenho fotos, Maya Isabel. Fotos que vão destruir a carreira do seu namoradinho. Se você não depositar o valor que pedi, o mundo inteiro vai ver o que o "anjo" do Stray Kids faz entre quatro paredes.

Maya parou a poucos centímetros dele. Ela era mais alta do que ele esperava, e a aura de poder que emanava dela era sufocante.

— Você cometeu dois erros fatais, Park — disse ela, a voz baixa e perigosa. — O primeiro foi achar que eu me importo com o que o mundo pensa de mim. O segundo foi ameaçar a única pessoa que me faz sentir humana neste mundo de plástico.

Ela pegou o envelope pardo da mesa antes que ele pudesse reagir. Dentro, estavam as impressões das fotos da cobertura. Maya olhou para elas por um segundo — imagens de um momento puro de afeto — e depois as rasgou em pedaços pequenos, deixando-os cair no chão como neve suja.

— Meus advogados já enviaram uma notificação para todos os veículos de imprensa — continuou Maya. — Qualquer um que publicar essas imagens, ou qualquer menção a elas, será processado até a falência. E quanto a você... eu não vou te denunciar à polícia. Isso seria fácil demais.

Park engoliu em seco, o suor escorrendo por sua testa.

— O que você quer?

— Eu quero que você desapareça — disse ela. — Você vai sair de Seul esta noite. Vou garantir que você nunca mais consiga um emprego como fotógrafo, ou em qualquer outra área que envolva uma câmera, em qualquer lugar do planeta. Se eu vir seu nome ou sua sombra perto do Hyunjin ou de qualquer membro do Stray Kids novamente, eu não usarei advogados. Eu usarei meus recursos para garantir que você deseje nunca ter nascido.

Maya sinalizou para seus seguranças, que entregaram a Park uma passagem de ida para uma cidade remota e uma quantia pequena de dinheiro, apenas o suficiente para recomeçar do zero absoluto.

— Considere isso um ato de caridade — finalizou ela, virando as costas. — Agora, saia da minha vista.

Ao sair do prédio, o ar fresco da noite de Seul pareceu limpar a toxicidade do encontro. Maya entrou no carro e respirou fundo. O problema estava resolvido, mas ela sabia que, enquanto estivesse com Hyunjin, outros "Parks" apareceriam.

Na manhã seguinte, Maya apareceu na JYP Entertainment para acompanhar o ensaio final antes do comeback. O clima no prédio era de pura eletricidade. Os membros do Stray Kids estavam no auge de sua forma física e mental.

Changbin estava em um canto, fazendo flexões explosivas que destacavam seus tríceps massivos. Seungmin e Jeongin revisavam as harmonias vocais, enquanto Han e Felix tentavam ensinar um novo passo de dança para um Bangchan risonho. Lee Know, como sempre, observava tudo com seu olhar clínico, garantindo que ninguém perdesse o ritmo.

Quando Maya entrou, Hyunjin correu até ela, pegando-a pela cintura e girando-a no ar.

— Você veio! — exclamou ele, o rosto iluminado. — Eu tive um sonho estranho ontem à noite, como se algo estivesse errado, mas acordar e ver você aqui faz tudo parecer perfeito.

Maya sorriu, acariciando o rosto dele. Suas sardas pareciam brilhar sob as luzes da sala de ensaio.

— Nada está errado, Jinnie. Eu prometi que estaria aqui, não prometi?

— Ei, Maya! — gritou Felix, aproximando-se com seu sorriso ensolarado. — Você viu os gráficos de pré-venda? Estamos batendo todos os recordes. As pessoas estão loucas pelo conceito desse álbum.

— Eu vi, Lix. É o talento de vocês sendo reconhecido — respondeu ela, embora soubesse que sua equipe de marketing também havia dado um "empurrãozinho" estratégico nos algoritmos globais.

Bangchan aproximou-se, limpando o suor da testa com uma toalha.

— Maya, posso falar com você um minuto? — pediu o líder, com uma expressão séria mas gentil.

Eles se afastaram para o canto da sala, perto dos grandes espelhos que refletiam a dedicação do grupo.

— Eu sei o que você fez ontem à noite — disse Bangchan em voz baixa.

Maya congelou por um milésimo de segundo, mas manteve a postura.

— Eu não sei do que você está falando, Chan.

— Minha equipe de segurança é boa, Maya, mas a sua é de nível governamental — disse ele, com um sorriso de canto. — Recebemos um alerta de que o sinal de um chantagista que estava nos rondando simplesmente... desapareceu do mapa. E coincidentemente, você estava fora até tarde.

Maya suspirou, olhando para Hyunjin, que estava rindo de alguma piada do Han do outro lado da sala.

— Ele não precisava saber disso, Chan. Ele tem um coração muito gentil para lidar com a sujeira desse negócio.

— Eu concordo — disse Bangchan, colocando uma mão fraternal no ombro dela. — Mas obrigado. Eu tento proteger esses meninos com tudo o que tenho, mas às vezes eu não tenho o alcance que você tem. Só... tome cuidado. Hyunjin te ama de verdade. Se ele descobrir que você está se sujando para mantê-lo limpo, ele vai se sentir culpado.

— Eu sei — respondeu Maya. — É por isso que ele nunca vai descobrir.

O ensaio começou e Maya sentou-se no chão, encostada na parede, observando-os. A música "LALALALA" explodiu nos alto-falantes, e o Stray Kids transformou-se. A coordenação era absoluta, a energia era avassaladora. Hyunjin, no centro da formação, era um furacão de graça e poder. Cada movimento de seus quadris, cada olhar intenso para o espelho, era uma prova de por que ele era uma estrela mundial.

Maya sentiu um orgulho imenso, mas também uma determinação renovada. Ela era a guardiã daquele brilho. Se o mundo era um tabuleiro de xadrez, ela era a rainha, movendo-se em todas as direções para garantir que seu rei nunca fosse colocado em xeque.

Após o ensaio, o grupo decidiu pedir comida para comemorar o fim da preparação. Eles se sentaram em um círculo no chão da sala de prática, rodeados por caixas de frango frito, pizza e refrigerantes.

— Isso é o que eu chamo de banquete de campeões! — exclamou Changbin, atacando uma coxa de frango com um entusiasmo que fazia seus músculos do braço saltarem.

— Você come como se não tivesse visto comida em uma semana, Binnie — brincou Lee Know, embora ele mesmo estivesse servindo-se de uma fatia generosa de pizza.

— Eu preciso de proteína para manter isso aqui — respondeu Changbin, apontando para o bíceps, arrancando risadas de todos.

— Maya, você tem que provar esse molho picante — disse Jeongin, o caçula, estendendo um pedaço de frango para ela com um sorriso doce. — É o favorito do Hyunjin-hyung.

Maya aceitou, sentindo-se parte daquela família improvisada. Ali, entre as risadas de Han e as observações sarcásticas de Seungmin, o peso de ser uma bilionária e os perigos da noite anterior pareciam distantes.

— Sabe — disse Hyunjin, passando o braço pelos ombros de Maya e puxando-a para perto —, às vezes eu esqueço que você é a Maya Isabel, a estrela da NBA e a atriz famosa. Para mim, você é apenas a garota que gosta de ler roteiros comigo e que tem as sardas mais bonitas que eu já vi.

— E para mim — respondeu ela, sussurrando para que apenas ele ouvisse —, você é apenas o garoto que dança como se a vida dependesse disso e que me faz querer ser alguém melhor todos os dias.

— Ugh, vocês dois são tão melosos que eu vou ter cáries — interrompeu Seungmin, com sua sinceridade habitual, embora seus olhos brilhassem com diversão.

— Deixe-os, Seungmin — disse Felix, piscando para Maya. — Eles merecem ser felizes. O mundo já é complicado o suficiente.

A noite terminou com todos exaustos, mas com o espírito elevado. Quando Maya e Hyunjin finalmente ficaram sozinhos no estacionamento subterrâneo da JYP, o silêncio era preenchido apenas pelo som distante da cidade.

Hyunjin a puxou para um abraço apertado, escondendo o rosto na curva do pescoço dela.

— Obrigado por estar aqui, Maya. Eu sei que sua agenda é louca, e que você tem reuniões em três fusos horários diferentes, mas você sempre arranja tempo para nós.

— Você é minha prioridade, Jinnie — disse ela, segurando o rosto dele com as duas mãos. — Sempre será.

Ela o beijou, um beijo que carregava toda a proteção e o amor que ela sentia. Enquanto o via entrar na van do grupo e acenar para ela, Maya Isabel pegou seu celular. Havia uma nova mensagem de Sarah.

*“Park Ji-hoon está em um ônibus para o interior. Todos os arquivos foram destruídos. A mídia está sob controle. O caminho está limpo, senhora.”*

Maya guardou o telefone e entrou em seu carro. Ela olhou para o próprio reflexo no retrovisor — os olhos verdes decididos, a cintura fina realçada pelo cinto de grife, a postura de uma vencedora. O mundo podia tentar derrubá-los, mas ela era Maya Isabel. E no jogo da vida e do amor, ela nunca perdia.

Ela deu partida no motor, o ronco potente do carro ecoando pelo estacionamento. O comeback do Stray Kids seria um sucesso, Hyunjin seria aclamado como o rei que era, e ela estaria nas sombras, garantindo que nenhuma escuridão chegasse perto de sua luz.

Porque para Maya, o amor não era apenas um sentimento; era uma estratégia, uma defesa e, acima de tudo, uma vitória absoluta. E ela estava apenas começando.

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