Indesejada e amada
O Labirinto do Desejo e o Refúgio dos Herdeiros
A noite em Tempest havia caído como um manto de seda escura, pontilhada pelas luzes mágicas da cidade que brilhava ao longe. No palácio, o silêncio era uma raridade preciosa, finalmente conquistada após Shuna e Diablo levarem os pequenos Shizu e Yumeno para os seus respectivos aposentos. Rimuru estava exausto, mas havia um brilho de antecipação em seus olhos dourados enquanto ele fechava a porta dupla de seu quarto, ouvindo o clique da tranca mágica que Guy fizera questão de reforçar.
— Finalmente — a voz de Guy Crimson surgiu das sombras, profunda e vibrante como o rosnado de um predador que finalmente encurralou sua presa favorita.
Guy estava encostado na cabeceira da imensa cama de dossel, sua túnica já descartada no chão. A luz das velas dançava sobre os músculos definidos de seu peito e abdômen, e seus olhos vermelhos brilhavam com uma fome que Rimuru conhecia bem. Era a fome de um homem que passara o dia inteiro sendo privado do que considerava sua propriedade mais sagrada.
— Você está agindo como se eu tivesse passado anos longe, Guy — Rimuru brincou, caminhando lentamente em direção a ele, desfazendo o laço de seu vestido de seda.
— Cada minuto que aqueles dois pequenos tiranos passam pendurados em você parece um século de tortura para mim — Guy respondeu, esticando o braço e puxando Rimuru para o meio de suas pernas com uma força possessiva. — Eu deixei que eles tivessem você o dia todo. Agora, Rimuru, você é meu. Inteiramente meu.
Guy não esperou por uma resposta. Suas mãos grandes e quentes subiram pelas coxas de Rimuru, puxando-o para um beijo devastador. Não era um beijo gentil; era uma reivindicação. Suas línguas se encontraram em uma batalha familiar, e o sabor de Rimuru — doce, etéreo e viciante — fez com que o autocontrole de Guy se estilhaçasse.
— Guy... devagar... — Rimuru arquejou entre os beijos, sentindo as mãos do demônio apertarem seus quadris com uma urgência que o fazia estremecer.
— Eu não quero ir devagar — Guy rosnou contra sua pele, descendo os beijos pelo pescoço de Rimuru, marcando-o com mordidas leves que deixariam marcas arroxeadas. — Eu quero cada centímetro de você. Quero que você esqueça que existe qualquer outra coisa neste mundo além do que eu estou fazendo com você agora.
As roupas de Rimuru foram removidas com uma eficiência impaciente. Guy o deitou sobre os lençóis de cetim, posicionando-se entre suas pernas. A visão de Rimuru — nu, com a pele brilhando sob a luz tênue e os cabelos prateados espalhados como um halo — era quase demais para o Primordial suportar. Guy começou a explorar o corpo de Rimuru com as mãos e a boca, subindo pelos seios que ainda guardavam a sensibilidade da amamentação, provocando gemidos altos que ecoavam pelo quarto.
— Diga meu nome, Rimuru — Guy comandou, sua voz rouca enquanto ele mordia suavemente a curva do ombro de seu amado.
— Guy... Guy, por favor! — Rimuru gritou, as unhas cravando-se nas costas musculosas do demônio.
Quando Guy finalmente se uniu a ele, o impacto foi avassalador. Rimuru arqueou as costas, a respiração falhando enquanto sentia a plenitude de Guy preenchê-lo. O ritmo que Guy impôs era intenso, uma cadência de desejo puro que não deixava espaço para o pensamento. Guy o apertava, o girava, explorava cada ângulo, como se estivesse tentando fundir suas essências permanentemente.
— Você é magnífico — Guy sussurrou, o suor brilhando em sua testa enquanto ele olhava nos olhos dourados e nublados de Rimuru. — Meu slime, meu rei... meu.
O clímax veio como uma explosão de mana pura, deixando ambos ofegantes e trêmulos. Eles ficaram abraçados por um longo tempo, o silêncio apenas interrompido pela respiração pesada que voltava ao normal.
Após um banho relaxante em que Guy insistiu em lavar cada centímetro de Rimuru com uma devoção quase religiosa, Rimuru decidiu vestir algo confortável. Ele escolheu uma camisola de cetim azul-escuro, extremamente curta e debruada com uma renda preta delicada. A peça era justa, abraçando as curvas de seu corpo de uma forma que fazia os olhos de Guy escurecerem de desejo novamente.
— Você está tentando me matar, não está? — Guy perguntou, já se aproximando com as mãos estendidas para rasgar aquela renda provocante. — Essa roupa é um convite para um segundo round que durará até o amanhecer.
Rimuru deu um sorriso travesso, mas antes que Guy pudesse tocá-lo, três batidas curtas e desesperadas soaram na porta.
— Mama! Papa! — A voz de Shizu, embargada pelo choro, atravessou a madeira pesada.
— Tá escuro! O monstro da sombra! — Yumeno gritou logo em seguida, sua voz infantil carregada de um pânico genuíno.
Guy congelou. Sua mão, que estava prestes a deslizar pela coxa de Rimuru, fechou-se em um punho. Uma veia saltou em sua têmpora.
— Não pode ser possível — Guy murmurou, a voz vibrando de irritação. — Eu coloquei selos de proteção! Eu coloquei o Diablo de guarda no corredor! Como eles escaparam?!
— Guy, eles são crianças — Rimuru disse, já se afastando e indo em direção à porta, o extinto materno falando mais alto que qualquer desejo carnal. — E eles tiveram um pesadelo.
— Eles são Lordes Demônios em miniatura, Rimuru! — Guy exclamou, jogando-se de costas na cama com um suspiro dramático. — Eles não têm medo de monstros, eles SÃO os monstros! Isso é uma tática deliberada para me privar de você!
Rimuru abriu a porta e, instantaneamente, dois pequenos vultos se jogaram contra suas pernas. Shizu estava com o rosto vermelho de tanto chorar, e Yumeno abraçava seu travesseirinho com força, tremendo.
— Oh, meus pequenos... venham aqui — Rimuru os pegou no colo, um em cada braço, apesar do peso considerável de sua prole poderosa. — O que aconteceu?
— Um dragão feio... ele queria comer o pudim do Reino! — Shizu soluçou, escondendo o rosto no pescoço de Rimuru.
— E ele tinha olhos de fogo! Igual ao Papa quando tá bravo! — Yumeno completou, olhando timidamente para a cama, onde Guy estava sentado, parecendo, de fato, um dragão muito bravo.
Rimuru caminhou até a cama e sentou-se na beirada. Guy olhou para os dois intrusos com um olhar que poderia derreter aço, mas ao ver as lágrimas genuínas nos olhos de Shizu, seu coração — por mais que ele odiasse admitir — amoleceu um pouco.
— Não existem monstros de sombra neste palácio — Guy disse, sua voz soando mais como um trovão distante do que como um consolo. — Se existissem, eu já os teria incinerado. Agora, voltem para o quarto de vocês.
— Não! — Yumeno protestou, escalando a cama e se enfiando debaixo das cobertas de Guy. — Aqui é seguro. O Papa é grande e assusta o monstro.
Guy olhou para o filho, que agora o usava como um escudo humano. A ironia de ser chamado de "seguro" por um ser que ele frequentemente chamava de "pequeno usurpador" não passou despercebida.
— Eles não vão conseguir dormir se não se sentirem protegidos, Guy — Rimuru disse suavemente, sentando-se no meio da cama.
Shizu, ainda soluçando baixo, começou a puxar a camisola de Rimuru.
— Mama... fome... — ela pediu, os olhos dourados brilhando com uma necessidade que Rimuru nunca conseguia negar.
Rimuru olhou para Guy com um pedido de desculpas silencioso e abriu a parte superior da camisola de cetim. Shizu se aninhou imediatamente, encontrando conforto no calor de seu pai. Yumeno, vendo a irmã ser alimentada, decidiu que também queria sua parte de atenção e se acomodou do outro lado.
Guy assistiu à cena com uma mistura de resignação e frustração. Ali estava ele, o Demônio Vermelho, o ser mais temido das nações, em uma cama cercado por travesseiros, dois bebês famintos e um namorado maravilhosamente atraente que, no momento, estava totalmente fora de seu alcance.
— Isso é o fim da minha dignidade — Guy resmungou, mas esticou o braço para apoiar as costas de Rimuru, garantindo que ele estivesse confortável enquanto amamentava os dois.
— Você é um pai maravilhoso, Guy — Rimuru sussurrou, sorrindo para ele.
— Eu sou um santo, isso sim — Guy retrucou, embora sua mão começasse a acariciar distraidamente os cabelos vermelhos de Yumeno, que já começava a fechar os olhos, satisfeito. — Mas não se acostume com isso. Amanhã, eu vou triplicar a guarda do Diablo e colocar o Veldora para patrulhar o teto do quarto deles.
— Você sabe que não vai funcionar — Rimuru riu baixinho. — Eles sempre encontram um jeito de chegar até nós.
O silêncio voltou ao quarto, mas desta vez era um silêncio doméstico e quente. Shizu e Yumeno, saciados e sentindo-se protegidos pela presença combinada de seus pais, caíram em um sono profundo. Rimuru os ajeitou no meio da cama, cobrindo-os com o edredom de seda.
Guy se deitou ao lado de Rimuru, puxando-o para um abraço de lado, tomando cuidado para não acordar os pequenos.
— Eles estão ocupando metade da cama — Guy reclamou em um sussurro, embora tenha puxado Shizu um pouco mais para perto de si para que ela não rolasse para fora.
— Espaço é o que não falta neste palácio, Guy. O que falta é esse seu coração aceitar que agora somos quatro.
Guy olhou para os dois rostos pequenos e serenos que eram uma mistura perfeita dele e de Rimuru. Ele suspirou, fechando os olhos e sentindo o cheiro de Rimuru misturado ao aroma suave dos bebês.
— Eu aceito — Guy murmurou, quase audível. — Mas eu ainda odeio dividir você. Especialmente quando você usa essa camisola azul.
Rimuru deu um beijo leve nos lábios de Guy.
— Amanhã, Guy. Eu prometo.
— Amanhã — Guy concordou, embora soubesse que, com Shizu e Yumeno por perto, "amanhã" seria apenas outra batalha deliciosa e caótica pela atenção de seu amado Slime.
E assim, sob a vigilância do demônio mais poderoso do mundo, a pequena família de Tempest dormiu, protegida por um amor que era tão possessivo quanto era infinito.