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Invincible X ALTEREGO

Sobrecarga Sensorial e a Estética do Caos

O estúdio de gravação em Los Angeles estava mergulhado em uma penumbra azulada, quebrada apenas pelo brilho âmbar das válvulas dos amplificadores e pelo visor digital da mesa de som. Alexander Rio Valentino estava jogado em uma cadeira de couro, os cabelos cacheados derramando-se sobre os ombros como uma cascata de sombras. Ele observava Michael, que estava de pé diante do vidro da cabine, ouvindo uma mixagem bruta de "Privacy".

Havia algo na postura de Michael naquela noite — algo mais rígido, mais territorial. Ele não era o artista diplomático que sorria para as câmeras; era o homem que, em 2001, sentia o peso do mundo e a urgência de possuir tudo o que estivesse ao seu alcance.

— A batida está limpa demais, Rio — disse Michael, sem se virar. A voz dele era um sussurro autoritário que cortava a acústica perfeita da sala. — Eu quero que ela machuque. Quero que quem ouça sinta que está sendo invadido.

Rio levantou-se lentamente, o som das suas botas de couro ecoando no piso de madeira. Ele parou logo atrás de Michael, sentindo o calor que emanava das costas do Rei.

— Você quer invasão, Michael? — Rio inclinou-se, os lábios roçando a orelha de Michael. — Achei que você fosse o mestre em manter as portas trancadas.

Michael virou-se com uma rapidez que fez Rio recuar um passo. Os olhos de Michael, desprovidos de óculos escuros naquela intimidade, eram poços de uma intensidade perigosa. Ele estendeu a mão e agarrou o colarinho da camisa de alfaiataria de Rio, puxando-o para perto.

— Portas trancadas servem para manter o mundo lá fora — Michael disse, a voz descendo uma oitava. — Mas aqui dentro... aqui dentro as regras são outras. Você fala muito sobre agressividade em suas letras, Alexander. Mas você aguenta a pressão quando o som para?

Rio soltou um suspiro desafiador, as mãos descendo para a cintura de Michael, apertando o couro da jaqueta com força.

— Eu amasso qualquer um que tente me testar, Michael. Inclusive você. Principalmente você.

Michael soltou uma risada seca, um som que não tinha nada de humorístico.

— "Amassar", Rio? — Michael repetiu a palavra com um desdém provocador. — Você usa gírias de rua para esconder que, no fundo, é um esteta. Você quer me amassar na porrada ou quer que eu te amasse contra essa mesa de som até você esquecer como se respira?

O desafio pairou no ar, denso como a fumaça de um cigarro caro. Rio não respondeu com palavras. Ele empurrou Michael contra a mesa de mixagem, subindo no colo dele com uma agilidade predatória. Suas pernas longas envolveram a cintura de Michael, e seus dedos se enterraram nos cabelos do mais velho, puxando-o para um beijo que foi uma declaração de guerra.

Foi um beijo de língua, profundo e faminto, com sabor de café preto e desejo acumulado. Michael respondeu com a mesma agressividade, suas mãos descendo para as coxas de Rio, apertando a carne sob o tecido fino da calça social com uma posse que beirava a dor.

— Você quer fetiches, Alexander? — Michael ofegou contra os lábios de Rio, a voz rouca de uma forma que o público nunca ouviria. — Você quer saber o que acontece quando o Rei perde a paciência?

Michael soltou uma das mãos e, com um movimento brusco, puxou o cinto de couro de Rio, arrancando-o das passadeiras com um som de chicote que estalou no silêncio do estúdio. Rio estremeceu, um arrepio de antecipação percorrendo sua espinha.

— Use-o — desafiou Rio, os olhos brilhando com uma coragem febril. — Mostre-me que você é mais do que uma imagem na parede.

Michael não hesitou. Ele usou o cinto para prender os pulsos de Rio acima da cabeça dele, prendendo-os à estrutura metálica da prateleira de equipamentos que ficava sobre a mesa. A posição deixava Rio completamente exposto, o peito subindo e descendo freneticamente.

— Você gosta de controle, não é? — Michael sussurrou, descendo os beijos pelo maxilar de Rio até o pescoço. — Gosta de ditar o ritmo da sua carreira, da sua imagem... mas aqui, você não é o "Alter Ego". Você é apenas meu.

Michael cravou os dentes na lateral do pescoço de Rio, uma mordida profunda que deixaria uma marca arroxeada por dias. Rio soltou um grito gutural, metade dor, metade prazer, arqueando o corpo contra Michael. O Rei não parou; ele desceu a mão para o zíper da calça de Rio, abrindo-o com uma lentidão torturante.

— Sabe o que eu li na imprensa hoje? — Michael continuou, sua voz voltando a uma calma assustadora enquanto seus dedos exploravam a pele de Rio. — Eles dizem que somos rivais. Eles dizem que você é a minha versão sombria. Eles não fazem ideia do quanto você gosta de ser subjugado pela luz.

Rio tentou se soltar, mas o aperto do cinto em seus pulsos era firme. A restrição física parecia amplificar cada sensação. Quando Michael envolveu a masculinidade de Rio com a mão quente, o mais novo sentiu o mundo girar.

— Michael... por favor — Rio arfou, a voz perdendo a arrogância habitual.

— "Por favor" o quê, Alexander? — Michael parou o movimento, olhando-o nos olhos. — Seja específico. Você quer que eu pare ou quer que eu te mostre quem realmente manda neste ano de 2001?

— Eu quero que você me destrua — Rio confessou, a testa encostada no metal frio da prateleira. — Quero que você tire essa máscara de perfeição e seja o animal que eu sei que você esconde.

Michael sorriu, o sorriso de um homem que sabia que já tinha vencido. Ele se aproximou e, em vez de continuar com as mãos, usou a boca. A sensação da língua de Michael, o calor e a técnica impecável de alguém que dominava cada nuance do corpo humano, levou Rio ao delírio. Ele se debatia contra as amarras, o som do couro rangendo misturando-se aos seus gemidos abafados.

A sobrecarga sensorial era absoluta. O cheiro do estúdio, a música de *Invincible* que ainda tocava em um loop hipnótico nos alto-falantes de retorno, o toque possessivo de Michael. Rio sentiu o ápice se aproximando como uma onda de choque.

— Olhe para mim — Michael ordenou, subindo novamente para encarar Rio.

Rio abriu os olhos, as pupilas tão dilatadas que o castanho quase desaparecera. No momento em que ele atingiu o limite, Michael o beijou, abafando seu grito de liberação. O corpo de Rio tremeu violentamente, os espasmos ecoando através das amarras, enquanto Michael o segurava com uma força que transmitia segurança e domínio absoluto.

Minutos depois, o silêncio retornou ao estúdio, apenas interrompido pela respiração pesada de ambos. Michael soltou o cinto com cuidado, observando as marcas vermelhas nos pulsos de Rio. Ele não pediu desculpas; entre eles, a dor era um contrato assinado em sangue e platina.

Rio desceu do colo de Michael, as pernas ainda um pouco trêmulas. Ele ajeitou a roupa, mas não se deu ao trabalho de esconder a marca no pescoço.

— A imprensa vai ter um dia de campo com isso — disse Rio, tentando recuperar sua voz de barítono.

— Deixe que eles especulem — Michael respondeu, ajustando o próprio zíper que, em algum momento daquela confusão, também fora aberto. — Eles querem uma guerra, Alexander. Vamos dar a eles o espetáculo, enquanto nós guardamos a realidade para quando as portas se fecharem.

Rio caminhou até a porta, mas parou antes de sair. Ele olhou para Michael, que já estava de volta à mesa de som, como se nada tivesse acontecido.

— Michael?

— Sim?

— Eu amasso você na próxima semana, no palco do Madison Square Garden.

Michael levantou os olhos, um brilho de divertimento cruzando seu rosto.

— No palco, Rio, o mundo pertence a mim. Mas aqui... — ele apontou para o chão do estúdio — ...aqui você pode continuar tentando.

Rio saiu do camarim com um sorriso de canto. Do lado de fora, no corredor, um assistente de produção congelou ao vê-lo. Rio estava com o cabelo selvagem, a camisa desalinhada e uma marca de mordida visível sob o colarinho. Segundos depois, Michael saiu, impecável como sempre, exceto pelo fato de que seu zíper estava visivelmente mal fechado e seu lábio inferior estava levemente inchado.

Os dois trocaram um olhar rápido — um código secreto de 2000 watts — e seguiram direções opostas. A "Guerra dos Gigantes" continuaria nas paradas de sucesso, mas a verdadeira vitória já tinha sido decidida entre as sombras e o som, em uma frequência que só os dois conseguiam captar.