Voltar ao resumo

Invincible X ALTEREGO

Frequências Proibidas e o Som do Silêncio

O Madison Square Garden estava envolto em um frenesi que beirava a histeria coletiva. Era a noite de comemoração dos 30 anos de carreira solo de Michael, e os bastidores eram um labirinto de seguranças armados, modelos da Victoria's Secret e executivos de gravadoras que sorriam com dentes de tubarão. No centro desse olho do furacão, Alexander Rio Valentino ajustava os punhos de sua camisa de seda preta, observando seu reflexo no espelho do camarim privativo.

— Você parece um anjo caído que acabou de vender a alma para a Sony — a voz de Michael veio da porta, suave como veludo, mas carregada de uma ironia cortante.

Rio não se virou imediatamente. Ele observou, pelo reflexo, Michael entrar e fechar a porta com um clique seco. O Rei estava impecável em sua jaqueta cravejada de cristais, a aura de poder absoluto emanando dele como calor de uma lareira.

— E você parece o homem que comprou essa alma, Michael — Rio respondeu, finalmente virando-se. — Bebeu? Sua pupila está dilatada.

— Apenas um gole de celebração — Michael caminhou até ele, parando a uma distância desconfortável. — Ou talvez seja apenas o efeito de ver você sob essas luzes. Você tem esse hábito irritante de roubar o oxigênio da sala.

Rio sorriu, aquele sorriso predatório que fazia os tabloides entrarem em colapso. Ele estendeu a mão e tocou a gola da jaqueta de Michael, os dedos roçando deliberadamente a pele do pescoço dele.

— O oxigênio é superestimado. Eu prefiro a asfixia.

Michael segurou o pulso de Rio com uma força repentina.

— Cuidado com o que deseja, Alexander. Eu tenho uma ligação transatlântica com os executivos da Epic em dez minutos. E você tem um dueto comigo no palco em trinta.

— Dez minutos é tempo suficiente para muita coisa — Rio sussurrou, aproximando-se até que seus peitos se tocassem. — Ou você está ficando lento com a idade, majestade?

Michael soltou uma risada curta e sombria. Ele empurrou Rio em direção à poltrona de couro no canto do camarim, forçando-o a sentar. Antes que Rio pudesse reagir, Michael pegou o telefone sem fio sobre a mesa lateral e discou um número internacional.

— O que você está fazendo? — Rio perguntou, os olhos estreitados.

— Trabalhando — Michael respondeu, enquanto o telefone chamava. — E você vai me ajudar a manter o foco.

A ligação foi atendida. Michael começou a falar em um tom profissional, calmo e autoritário, discutindo estratégias de marketing para o lançamento europeu de *Invincible*. Enquanto falava, ele se aproximou de Rio, que ainda estava sentado, e abriu o zíper da calça do mais novo com uma mão só, sem nunca desviar o olhar ou mudar o tom de voz ao telefone.

— Sim, entendo os números de Frankfurt — Michael dizia para o executivo do outro lado da linha, enquanto seus dedos longos e ágeis deslizavam para dentro da cueca de Rio, envolvendo-o com uma firmeza possessiva. — Mas queremos uma campanha mais agressiva na televisão.

Rio sentiu o ar escapar de seus pulmões. Ele tentou se levantar, mas Michael colocou a outra mão em seu ombro, prendendo-o na poltrona. O contraste era insano: a voz de Michael era puro gelo corporativo, mas sua mão estava provocando um incêndio nos quadris de Rio.

— Michael... — Rio arfou, o som sendo abafado pela mão de Michael que subiu para cobrir sua boca, enquanto ele continuava a conversa telefônica.

— Exatamente, a estética de *Invincible* é sobre poder silencioso — Michael continuou, começando um movimento rítmico e impiedoso na masculinidade de Rio. — Não, não mude a paleta de cores. Mantenha o azul e o prata.

Rio fechou os olhos, a cabeça pendendo para trás contra o couro da poltrona. A estimulação era excessiva. Michael não estava apenas o masturbando; ele estava usando a técnica de alguém que conhecia cada terminação nervosa, variando a pressão e a velocidade de acordo com a cadência de sua própria voz ao telefone.

— Alexander, você concorda com o plano para Londres? — Michael perguntou de repente, afastando a mão da boca de Rio por um segundo, mas sem parar o movimento lá embaixo.

Rio tentou formular uma frase, mas tudo o que saiu foi um gemido rouco e desesperado que ele esperava que o executivo do outro lado não tivesse ouvido.

— Ele concorda — Michael disse ao telefone, com um sorriso de canto que era puramente diabólico. — Ele está apenas... emocionado com o sucesso da turnê.

Michael aumentou a velocidade. Rio sentia que ia explodir. Era *overstimulation* pura; o cheiro de Michael, o som de sua voz profissional, a sensação de ser dominado enquanto o mundo dos negócios acontecia a milhares de quilômetros dali. Seus quadris começaram a subir involuntariamente, procurando mais contato, mas Michael o mantinha ali, no limite, controlando cada espasmo.

— Certo, nos falamos amanhã. Mantenha-me informado — Michael desligou o telefone e o jogou sobre o tapete.

No segundo seguinte, ele soltou Rio, que desmoronou na poltrona, trêmulo e ofegante, o ápice negado no último segundo.

— Você é um sádico — Rio cuspiu as palavras, o rosto corado, o peito subindo e descendo freneticamente. — Você me deixou no limite e parou.

— Eu disse que tínhamos dez minutos — Michael se ajoelhou entre as pernas de Rio, puxando-o pela nuca para um beijo que tinha gosto de conhaque e promessas perigosas. — E eu nunca deixo um trabalho inacabado.

Michael cravou os dentes no pescoço de Rio, bem em cima de uma veia pulsante, enquanto suas mãos voltavam ao trabalho, desta vez com uma agressividade que não permitia protestos. Rio gritou o nome de Michael contra o ombro da jaqueta de cristais, sentindo o mundo girar até que tudo se tornasse luz branca e estática.

Quando o espasmo finalmente passou, Rio estava desfeito, os cabelos cacheados colados à testa pelo suor. Michael limpou a mão em um lenço de seda com uma elegância irritante e se levantou.

— Cinco minutos para o palco, Rio. Tente não tropeçar nos próprios pés.

***

A performance de "The Way You Make Me Feel" foi descrita pela crítica como "eletricidade pura". No palco, Michael e Rio moviam-se como se estivessem ligados por um fio invisível. Cada toque, cada encarada, carregava o peso do que havia acontecido no camarim. O público gritava, sem saber que o batom borrado no canto da boca de Rio não era parte da maquiagem, ou que Michael estava com os nós dos dedos levemente avermelhados de tanto apertar o couro da poltrona.

Após o show, a festa VIP no topo de um arranha-céu em Manhattan era um mar de champanhe e flashes. Eles estavam cercados por celebridades, mas Rio só conseguia focar em Michael, que bebia um suco de laranja com uma calma exasperante enquanto conversava com Elizabeth Taylor.

Rio se aproximou, pegando uma taça de champanhe de uma bandeja que passava.

— Bela performance, Michael — Rio disse, a voz ainda carregada de uma rouquidão sensual. — Você estava... inspirado.

— A inspiração vem de fontes inesperadas — Michael respondeu, os olhos brilhando por trás dos óculos escuros.

Elizabeth sorriu para os dois.

— Vocês dois parecem estar em guerra ou prestes a incendiar o prédio. De qualquer forma, é fascinante de assistir.

— É uma guerra de atrito, Liz — Rio respondeu, bebendo o champanhe de um gole só.

Minutos depois, no elevador de serviço enquanto tentavam escapar de um grupo de paparazzi, a tensão explodiu novamente. Michael pressionou o botão de parada de emergência, fazendo o elevador dar um solavanco entre o 40º e o 39º andar.

— O que você está fazendo? — Rio perguntou, embora já soubesse a resposta.

— Eu não gosto do modo como aquele produtor estava olhando para você na festa — Michael disse, empurrando Rio contra a parede de metal frio. — Ele parecia achar que tinha uma chance de te amassar em algum canto.

— E você ficou com ciúmes, majestade? — Rio provocou, as mãos subindo para a cintura de Michael, sentindo o metal da fivela do cinto. — Achei que você estivesse acima de sentimentos tão... humanos.

— Eu não tenho ciúmes do que é meu, Rio. Eu apenas protejo meu investimento.

Michael o beijou com uma violência que cortou o lábio de Rio. Foi um beijo de língua, profundo e faminto, com sabor de álcool e desejo reprimido. Ele puxou Rio para o seu colo, as pernas do mais novo envolvendo a cintura de Michael enquanto o elevador balançava levemente.

— Eu amasso aquele cara se ele chegar perto de você de novo — Michael rosnou contra o ouvido de Rio.

— Amassar na porrada ou...? — Rio brincou, mas sua voz falhou quando sentiu a mão de Michael apertar sua bunda com força.

— Não me teste hoje, Alexander. Eu já estou no meu limite.

Eles estavam quase perdendo o controle quando o rádio no painel do elevador chiou.

— Tudo bem aí em cima? O elevador parou. Estamos enviando a manutenção.

Michael soltou Rio instantaneamente, ajeitando a jaqueta com uma rapidez sobrenatural. Rio desceu do colo dele, tentando desesperadamente arrumar o cabelo e limpar o batom que Michael havia transferido para seu rosto.

— Estamos bem — Michael disse pelo interfone, a voz voltando à calma perfeita. — Apenas um erro técnico. Já estamos descendo.

Quando a porta do elevador se abriu no térreo, um grupo de técnicos de manutenção e dois seguranças estavam esperando. Michael saiu primeiro, impecável, ajustando os óculos escuros. Rio saiu logo atrás, com a camisa levemente para fora da calça e uma expressão de quem tinha acabado de sobreviver a um desastre natural.

Um dos seguranças olhou para baixo e depois para Michael, notando que o zíper da calça do Rei estava apenas pela metade. Ele desviou o olhar rapidamente, fingindo não ver nada.

No carro, a caminho do hotel, o silêncio era denso. Rio olhava pela janela, observando as luzes da cidade passarem.

— O mundo acha que somos inimigos — Rio disse baixinho. — Eles escrevem sobre como estamos tentando destruir a carreira um do outro.

Michael estendeu a mão na escuridão do banco traseiro e apertou a mão de Rio, os dedos se entrelaçando com uma força que dizia mais do que qualquer letra de música.

— Deixe que escrevam, Rio. Enquanto eles discutem quem é o melhor, nós sabemos quem é que manda quando as luzes se apagam.

Rio sorriu, encostando a cabeça no ombro de Michael. O ALTER EGO e o Invincible podiam ser os maiores artistas do planeta, mas ali, naquele carro blindado, eles eram apenas dois homens consumidos por uma chama que nenhuma quantidade de fama ou dinheiro poderia apagar.

— Michael? — Rio chamou.

— Sim?

— Eu ainda vou ganhar o Grammy de Álbum do Ano.

Michael soltou uma risada suave e beijou o topo da cabeça de Rio.

— Talvez. Mas você vai ter que trabalhar muito para me convencer a votar em você.

Rio mordeu o lábio, já planejando o próximo round daquela guerra deliciosa. A imprensa podia ter sua narrativa, mas a verdade estava escrita nas marcas de dentes no pescoço de Rio e no zíper aberto de Michael — um segredo guardado entre as batidas de um coração que batia em um ritmo que só os dois conseguiam acompanhar.