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Jinbe e Chopper

O Mistério do Tesouro de Lã e a Última Fronteira do Carinho

O quarto dia amanheceu com um céu de brigadeiro, mas no Thousand Sunny, o clima era de uma despedida antecipada e suave. O horizonte já começava a mostrar os contornos borrados da ilha onde o restante da tripulação estava, o que significava que o reinado de paz, silêncio e carinhos exclusivos entre o timoneiro e o médico estava chegando ao fim.

Jinbe estava sentado no convés de grama, com as pernas cruzadas, observando o mar com sua habitual serenidade. No entanto, havia um volume extra em seu quimono. Chopper, em sua forma pequena, estava completamente enfiado dentro da dobra da roupa de Jinbe, deixando apenas as galhadas e os olhos grandes e brilhantes para fora, como se fosse um filhote de canguru azulado.

— Sabe, Chopper-kun — começou Jinbe, sentindo a respiração leve da rena contra suas costelas —, eu estava pensando que, quando o Luffy voltar, vou ter que pedir um aumento de salário ao Nami-san.

Chopper piscou, ajustando-se dentro do quimono.

— Aumento? Mas a gente nem recebe salário, Jinbe! A Nami só dá mesada... e olhe lá! Por que você quer mais dinheiro?

Jinbe soltou um suspiro dramático, daqueles que faziam seus ombros largos subirem e descerem, balançando Chopper no processo.

— É para pagar o seguro de vida dos meus braços. Depois de passar quatro dias carregando uma rena tão pesada quanto um saco de açúcar, temo que meus músculos nunca mais sejam os mesmos. Você é uma carga preciosa, mas muito... densa.

Chopper inflou as bochechas, saindo do esconderijo do quimono com um salto indignado.

— Eu não sou pesado! Eu sou leve como uma pluma! É o meu cérebro que é grande, por isso parece que eu peso mais! — Ele começou a apontar o casco para o rosto de Jinbe, tentando parecer ameaçador. — E você adora me carregar, seu mentiroso!

Jinbe soltou aquela risada gutural que Chopper aprendera a amar. Ele estendeu a mão e, com uma rapidez impressionante, capturou Chopper pelo meio do corpo, trazendo-o para um abraço esmagador contra sua barriga.

— Peguei o fugitivo — murmurou Jinbe, encostando o queixo no topo da cabeça de Chopper. — E sim, você me pegou. Eu admito. Carregar o "Doutor Algodãozinho" é a melhor tarefa que já tive em qualquer navio. É como abraçar uma nuvem que sabe receitar xarope.

Chopper tentou resistir por três segundos, mas o calor da pele de Jinbe e o cheiro reconfortante de mar profundo eram irresistíveis. Ele relaxou, deixando a cabeça pender no ombro do homem-peixe.

— Você é muito bobo, Jinbe... — sussurrou Chopper, sentindo o timoneiro começar um cafuné lento e profundo atrás de suas orelhas. — Mas eu vou sentir falta disso quando o Luffy chegar e começar a gritar por carne.

— Eu também, pequeno. — Jinbe deu um beijinho estalado na bochecha de Chopper, o que fez a rena ficar instantaneamente vermelha. — Mas não conte para o Zoro-kun. Ele pode ficar com ciúmes e querer que eu o carregue no colo também, e minhas costas têm limites.

Chopper soltou uma risadinha cristalina, imaginando a cena absurda do espadachim rabugento no colo do timoneiro.

— O Zoro ia te cortar se você tentasse! — Chopper riu tanto que acabou rolando no colo de Jinbe.

— Provavelmente — concordou Jinbe, aproveitando a posição para fazer cócegas leves nas axilas da rena. — Mas ele não tem a sua vantagem competitiva. Ele não tem esse pelo macio que parece ter sido lavado com essência de flores.

— Pare com as ironias! — Chopper protestou, contorcendo-se de rir. — Eu sou um médico sério! Eu estudo vírus e bactérias!

— Sim, sim. Um cientista temível — Jinbe o apertou um pouco mais, sentindo o coraçãozinho acelerado de Chopper contra o seu. — Um monstro da ciência que, no tempo livre, gosta de ser ninado como um bebê. É um segredo que guardarei até o fundo do oceano, Chopper-kun.

Eles ficaram em silêncio por um tempo, aproveitando os últimos momentos de isolamento. O sol subia no céu, e a brisa trazia o cheiro de terra firme. Jinbe percebeu que Chopper estava ficando um pouco melancólico, seus olhos fixos na ilha que se aproximava.

— Chopper-kun — chamou Jinbe, sua voz tornando-se suave e séria.

— Sim, Jinbe?

— Nesses quatro dias, eu percebi algo importante. — Jinbe afastou um pouco a rena para poder olhar em seus olhos. — Muitas pessoas olham para você e veem apenas um médico talentoso, ou uma criatura exótica. Mas eu vejo alguém que carrega o peso do mundo nos ombros toda vez que um companheiro se fere.

Chopper baixou as orelhas, sentindo a garganta apertar. Era verdade; ele sempre se sentia na obrigação de ser o pilar de saúde do bando, e a pressão de falhar o assombrava às vezes.

— Eu vejo você cuidando de todos com uma dedicação que beira o sacrifício — continuou Jinbe, passando o polegar com carinho pela bochecha da rena. — Por isso, prometa-me uma coisa. Sempre que o peso for demais, venha me procurar. Eu sou grande o suficiente para carregar você e as suas preocupações.

Chopper não aguentou. As lágrimas começaram a rolar, molhando o pelo de seu rosto. Ele se atirou no pescoço de Jinbe, abraçando-o com toda a força que suas patinhas permitiam.

— Jinbe! Você é muito legal! — Chopper soluçava, o rosto escondido no quimono azul. — Eu prometo! Mas você tem que prometer que não vai parar de me dar apelidos bobos!

Jinbe riu, sentindo o peito aquecido por um sentimento de proteção que ele nunca sentira de forma tão pura.

— Eu prometo, meu pequeno Doutor Meloso. Aliás, eu já tenho uma lista para os próximos meses. "Bolinha de Neve", "Pequeno Grande Mestre", "Tesouro de Chifres"...

— Jinbe! — Chopper deu um grito de protesto, mas estava sorrindo entre as lágrimas.

O timoneiro o levantou e o colocou sobre seus ombros largos.

— Olhe, Chopper-kun. Eles estão no porto.

Lá longe, na margem da ilha, figuras familiares começavam a acenar freneticamente. O chapéu de palha de Luffy era inconfundível, assim como o brilho das espadas de Zoro e o cabelo laranja de Nami. O caos estava prestes a retornar ao Sunny.

— Vamos recebê-los? — perguntou Jinbe, ajustando Chopper em seus ombros para que ele não caísse.

— Vamos! — Chopper recuperou sua energia habitual, agitando os braços. — Mas Jinbe...

— Diga.

— Antes de eles chegarem... pode me dar mais um daqueles abraços de urso? Só para eu guardar estoque para a semana?

Jinbe não disse nada. Ele apenas desceu Chopper dos ombros, envolveu-o em seus braços imensos e o apertou contra sua barriga, dando-lhe um beijo demorado no topo da cabeça e outro em cada bochecha, fazendo o médico se derreter em um mar de fofura e vergonha.

— Estoque garantido — disse Jinbe, piscando o olho.

Quando a âncora foi lançada e o restante da tripulação invadiu o convés com gritos, reclamações e risadas, encontraram Jinbe e Chopper sentados calmamente perto do mastro. Luffy correu em direção a eles, gritando por comida, enquanto Nami reclamava do estado das velas.

— Ei, Chopper! — Luffy exclamou, pulando em cima do médico. — Sentiu minha falta? O Jinbe cuidou bem de você ou ele foi chato?

Chopper olhou para Jinbe, que mantinha uma expressão de seriedade absoluta, a imagem perfeita do ex-Shichibukai imperturbável.

— Ele foi... — Chopper hesitou, vendo o brilho travesso nos olhos de Jinbe. — Ele foi um timoneiro muito profissional, Luffy! Não aconteceu nada de especial!

— Mentira! — gritou Usopp, aproximando-se. — Por que o Chopper está com glacê de pão de mel atrás das orelhas?

O médico ficou vermelho como um pimentão, tentando limpar-se freneticamente.

— É... é um novo tipo de pomada! — ele inventou, correndo para o consultório para esconder o rosto.

Jinbe levantou-se lentamente, cruzando os braços e soltando um suspiro satisfeito.

— Bem-vindos de volta — disse o homem-peixe com sua voz profunda. — O navio está em ordem. E o médico... está com a saúde mental renovada.

Mais tarde, naquela noite, quando o Sunny estava novamente imerso na barulheira do jantar de Sanji, Jinbe sentiu um puxão leve em seu quimono por baixo da mesa. Ele olhou para baixo e viu Chopper, que lhe entregava discretamente um pequeno frasco com um líquido rosa.

— O que é isso, Chopper-kun? — sussurrou Jinbe.

— É um tônico especial para as costas — sussurrou a rena de volta, piscando um olho. — Para o caso de você precisar carregar um "saco de açúcar" amanhã de novo.

Jinbe sorriu, guardando o frasco com cuidado. A tripulação estava de volta, o mar continuava vasto e perigoso, e o mundo estava cheio de inimigos. Mas, ali, naquele pequeno pedaço de madeira no meio do oceano, Jinbe sabia que tinha encontrado algo mais precioso que o One Piece: a confiança e o amor de um pequeno médico que o chamava, silenciosamente, de pai.

E enquanto Luffy roubava a carne do prato de Zoro e a confusão reinava, Jinbe e Chopper trocaram um olhar cúmplice. Os quatro dias haviam acabado, mas a conexão entre o Porto Seguro e o Algodão-Doce estava apenas começando, gravada em cada cafuné secreto e em cada ironia carinhosa que ainda viria.

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