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Jinbe e Chopper

O Segredo do Pão de Mel e a Tempestade de Cócegas

A manhã do terceiro dia nasceu com uma neblina preguiçosa que abraçava o Thousand Sunny, transformando o convés em um cenário de sonhos. Jinbe, fiel ao seu relógio biológico de timoneiro, já estava de pé, mas não na roda do leme. Ele estava sentado no balanço do jardim de Nami, segurando um pequeno livro de receitas que Sanji deixara estrategicamente aberto na página de "Pão de Mel Especial para Renas".

Chopper apareceu pouco depois, ainda em sua forma de rena pequena, vestindo um pijama que Franky adaptara com pequenos furos para suas galhadas. Ele esfregou o focinho azul e soltou um espirro que o fez dar um pequeno pulinho.

— Saúde, meu pequeno para-raios de fofura — disse Jinbe, fechando o livro com um estalo e oferecendo um sorriso que mostrava suas presas de forma nada ameaçadora.

— Eu não sou um para-raios! — Chopper retrucou, embora o rabo já tivesse começado a abanar por puro instinto. — E por que você está me olhando assim? Esse é o olhar de quem vai aprontar alguma coisa.

Jinbe soltou uma risada profunda, levantando-se e caminhando em direção ao médico com passos que faziam a grama do convés sussurrar.

— Eu? Aprontar? Ora, Chopper-kun, eu sou um homem de meia-idade sério e respeitável. Só estava pensando que, como hoje o mar está tão calmo, talvez você estivesse precisando de um exame médico.

Chopper inclinou a cabeça, confuso, as orelhas virando para os lados.

— Um exame? Mas eu sou o médico! Eu é que faço os exames aqui!

— Exatamente — Jinbe agachou-se para ficar na altura de Chopper, estendendo um dedo enorme para cutucar suavemente a barriga redonda da rena. — Mas quem examina o médico? Eu notei um sintoma grave em você desde que acordou.

Chopper arregalou os olhos, entrando em modo profissional instantaneamente.

— Sintoma? Onde? Febre? Letargia? Manchas na língua?

— Pior do que isso — Jinbe fez uma expressão de falsa gravidade, cruzando os braços sobre o peito largo. — Você está sofrendo de uma deficiência aguda de "vitamina J". E o único tratamento é... isso!

Antes que Chopper pudesse processar a informação, Jinbe o pegou pela cintura e o ergueu no ar, girando-o suavemente. O médico soltou um grito de surpresa que logo se transformou em uma gargalhada aguda.

— Jinbe! Me coloca no chão! Isso não é um termo médico!

— É um termo de pirata — Jinbe o trouxe para perto, acomodando-o contra sua barriga vasta e fresca. — E como seu timoneiro, eu prescrevo um dia inteiro de descanso forçado. Você está proibido de entrar no consultório hoje, Doutor Bolinha de Pelos.

Chopper tentou fazer uma cara de bravo, mas, estando prensado contra o peito caloroso de Jinbe, a única coisa que conseguiu foi parecer um brinquedo de pelúcia indignado.

— Você é muito autoritário para um timoneiro novato! — Chopper resmungou, embora estivesse se ajeitando para encontrar o ângulo mais confortável no colo do homem-peixe.

— E você é muito macio para um monstro de cem milhões de berries — Jinbe rebateu, começando a fazer um carinho rítmico nas costas de Chopper, logo abaixo da base do chapéu. — Sabe, Chopper-kun, eu estava lendo que renas que não recebem atenção suficiente podem acabar encolhendo até ficarem do tamanho de uma tangerina da Nami-san.

— Isso é mentira! — Chopper deu um tapinha no braço de Jinbe. — A biologia das renas não funciona assim! Você está inventando coisas de novo!

— Será? — Jinbe arqueou uma sobrancelha. — Melhor não arriscarmos. Vou ter que te segurar o dia todo só para garantir que você continue desse tamanho perfeito para abraços.

Eles passaram a manhã na cozinha, onde Jinbe tentou, com uma paciência de monge, ensinar Chopper a decorar os pães de mel. O problema era que o médico estava mais interessado em comer a cobertura de açúcar do que em aplicá-la.

— Chopper-kun, você tem mais glacê no nariz do que no biscoito — observou Jinbe, limpando suavemente a ponta do nariz azul com o polegar.

— É uma técnica de degustação avançada! — defendeu-se a rena, ficando vermelha até a raiz das galhadas quando Jinbe aproveitou o gesto para dar um beijinho rápido em sua testa.

— Entendo. E esse beijo foi uma técnica de esterilização avançada — Jinbe ironizou, rindo da reação do pequeno.

— Você não para! — Chopper escondeu o rosto atrás dos cascos, mas seus olhos brilhavam de felicidade. — Por que você gosta tanto de me provocar, Jinbe?

O homem-peixe parou por um momento, sua expressão suavizando-se para algo profundamente paternal. Ele pegou Chopper e o sentou no balcão da cozinha, ficando cara a cara com ele.

— Porque você é o coração deste navio, pequeno. Todos nós temos cicatrizes, físicas ou na alma. Mas quando olhamos para você, para sua pureza e sua vontade de curar o mundo... isso nos lembra por que estamos lutando. Provocar você é a minha maneira de dizer que estou feliz por você estar aqui. E porque a sua cara de bravo é a coisa mais engraçada que já vi nos cinco mares.

Chopper ficou em silêncio, sentindo o peso daquelas palavras. Ele se inclinou para frente e encostou sua testa na de Jinbe, um gesto de confiança absoluta.

— Eu também estou feliz que você entrou para o bando, Jinbe. Você é como um pai grande e azul que cheira a mar.

— Um pai, é? — Jinbe sorriu, sentindo uma pontada de orgulho que raramente permitia a si mesmo. — Então, como seu pai temporário, eu ordeno que você termine esse biscoito antes que eu decida te transformar em um sanduíche de rena.

— Você não teria coragem! — Chopper desafiou, saltando do balcão e correndo em direção ao aquário.

— Ah, não? — Jinbe começou a persegui-lo com passos pesados que faziam o chão vibrar. — Prepare-se para a técnica secreta do Estilo Homem-Peixe: A Tempestade de Cócegas!

O resto da tarde foi uma sucessão de risos e brincadeiras. Eles acabaram no gramado, exaustos. Chopper estava deitado de barriga para cima, usando a mão de Jinbe como um travesseiro, enquanto o timoneiro usava a outra mão para fazer um cafune suave nas orelhas da rena.

— Jinbe? — a voz de Chopper era um sussurro sonolento.

— Diga, meu pequeno doutor.

— Você acha que o Luffy está comendo direito? Ele sempre se esquece de mastigar quando está animado.

Jinbe soltou um suspiro, olhando para as nuvens que se dissipavam.

— Tenho certeza de que o Sanji-san está garantindo que ele não engula um osso inteiro. Mas não se preocupe com eles agora. Esses quatro dias são o nosso tempo. O tempo de o médico ser cuidado.

— Eu gosto de ser cuidado por você — admitiu Chopper, fechando os olhos. — Você é muito bom nisso. Melhor do que o Zoro. O Zoro sempre me deixa cair quando eu durmo no ombro dele.

Jinbe soltou uma gargalhada que assustou alguns pássaros que passavam.

— O Zoro-kun tem muitas qualidades, mas a delicadeza de um berço não é uma delas. Comigo, você está seguro. Sou um timoneiro, afinal. Manter a carga preciosa estável é a minha especialidade.

Chopper não respondeu; ele já estava mergulhando no sono, embalado pelo calor que emanava de Jinbe e pelo som rítmico do mar batendo no casco do Sunny. Jinbe continuou o carinho, observando o peito pequeno subir e descer.

Ele pensou em como a vida era curiosa. Ele, um guerreiro que passou décadas em campos de batalha e tramas políticas, encontrando sua maior paz no simples ato de proteger o sono de uma pequena rena médica.

— Durma bem, Algodãozinho — sussurrou Jinbe, inclinando-se para dar um último beijo na bochecha de Chopper. — Amanhã ainda temos um dia inteiro, e eu ainda não te chamei de "Doutor Fofura" na frente do espelho.

Chopper, mesmo dormindo, pareceu franzir o nariz em um protesto inconsciente, o que fez Jinbe sorrir ainda mais. O navio continuava sua jornada, um pequeno ponto de calor e família no meio da imensidão azul, onde um homem-peixe e uma rena provavam que, às vezes, o melhor remédio não vinha de frascos, mas de um abraço que fazia o mundo parecer um pouco menos perigoso.

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