Jujutsu kaisen possibilidades
Sinais, Silêncios e Segredos Revelados
As semanas que se seguiram ao festival foram, para Hitoshi, as mais confusas e intensas de sua vida. Ter Itadori Yuuji como namorado era como viver sob um sol constante: era quente, brilhante e, às vezes, um pouco ofuscante demais para alguém que estava acostumado com as sombras. Eles tentavam manter a discrição na Escola Jujutsu. Hitoshi, com seu temperamento reservado, morria de medo de que Gojo Satoru descobrisse e transformasse a vida deles em um show de piadas intermináveis.
No entanto, algo começou a mudar dentro de Hitoshi. A insegurança que antes o fazia querer se esconder, agora se manifestava de uma forma diferente: o ciúme. Toda vez que via uma das estudantes ou até mesmo civis se aproximando de Yuuji com sorrisos largos demais ou toques "acidentais" no braço musculoso dele, Hitoshi sentia um aperto no peito que não era depressão, era posse.
— Aquela garota da padaria estava olhando demais para você, Yuuji — murmurou Hitoshi em um final de tarde, enquanto caminhavam pelos jardins da escola.
Itadori soltou uma risada curta, achando a expressão emburrada de Hitoshi a coisa mais adorável do mundo.
— Ela só estava sendo gentil, Hitoshi! Eu nem percebi nada.
— Eu percebi — rebateu o ruivo, cruzando os braços e desviando o olhar, as raízes pretas de seu cabelo parecendo mais evidentes sob a luz do pôr do sol. — Ela estava praticamente se jogando.
Itadori parou e puxou Hitoshi pela cintura, trazendo-o para perto. Ele adorava quando o namorado ficava assim, com as bochechas coradas e aquele brilho possessivo nos olhos vermelhos. Era uma prova de que Hitoshi realmente se importava.
— Você não precisa ter ciúmes. Eu sou todo seu, esqueceu? — Yuuji deu um beijo rápido na ponta do nariz de Hitoshi, que resmungou algo inaudível, mas relaxou nos braços do maior.
Alguns dias depois, enquanto estavam sozinhos no telhado, o silêncio foi quebrado por uma pergunta que pairava na mente de Hitoshi há algum tempo.
— Yuuji... você... você ainda é virgem? — A pergunta saiu direta, embora o rosto de Hitoshi estivesse em chamas.
Itadori piscou, pego de surpresa. Ele coçou a nuca, um pouco sem jeito.
— Ah... sim. Eu nunca tive muito tempo para pensar nisso com tudo o que aconteceu, sabe? O Sukuna, os dedos, o treinamento... — Ele olhou para Hitoshi com curiosidade. — E você?
— Também — respondeu Hitoshi, voltando a olhar para o céu.
O clima ficou estranhamente pesado por um momento. Itadori, sentindo-se vulnerável, rapidamente mudou de assunto para algo sobre o treinamento de Megumi, e Hitoshi o seguiu, mas a semente tinha sido plantada.
A partir daquele dia, o comportamento de Hitoshi deu uma guinada de 180 graus. Ele parou de ser apenas o rapaz tímido que aceitava abraços. Ele passou a ser o agressor. Seus beijos tornaram-se mais famintos, demorados, suas mãos começaram a explorar o corpo de Itadori com mais audácia. Em várias ocasiões, ele se sentava no colo de Yuuji "apenas para conversar", mas roçava seu corpo no dele de uma forma que deixava o rosado sem fôlego.
— Sabe, Yuuji... esse uniforme fica bem apertado em você — disse Hitoshi certo dia, com um sorriso de canto que Itadori nunca tinha visto. — Dá para ver exatamente o quanto você é... forte.
Itadori engoliu em seco, sentindo o suor frio descer por suas costas. Ele estava confuso. Hitoshi estava brincando? Eram apenas piadas de duplo sentido ou ele estava tentando dizer algo? O medo de entender errado e acabar assustando o namorado, que ainda era emocionalmente frágil, fazia Yuuji recuar sempre que as coisas esquentavam demais.
Isso culminou em uma terça-feira tensa. Hitoshi estava agindo de forma ríspida, mal olhando para Itadori.
— Hitoshi, ei! Espera aí! — chamou Itadori, correndo atrás dele pelo corredor. — O que aconteceu? Eu fiz alguma coisa errada?
— Nada, Itadori. Eu só estou ocupado — respondeu Hitoshi, a voz fria e cortante como gelo.
— Mas você nem me deu bom dia direito! Se eu te magoei, por favor, me fala.
Hitoshi parou, olhou para Itadori com uma expressão de pura irritação e soltou um suspiro pesado.
— Você não fez nada. Esse é o problema. Agora me dá licença.
Ele saiu andando, deixando um Itadori completamente desolado para trás. Sem saber o que fazer, Yuuji procurou a única pessoa que poderia ter um pingo de paciência para ouvi-lo: Megumi Fushiguro.
— Ela está irritado porque você é um idiota, Itadori — disse Megumi, sem tirar os olhos do livro que estava lendo na biblioteca.
— O quê? Como assim? Eu trato ele como um príncipe!
Megumi fechou o livro com um estalo e olhou para o amigo com tédio.
— Itadori, vocês são namorados. Ele está jogando indiretas há uma semana. Ele quer... você sabe, transar. E você está agindo como se fosse um monge.
Os olhos de Itadori quase saltaram das órbitas.
— Mas... por que ele não diz? Ele sabe que eu sou meio lerdo para essas coisas!
— Vergonha, talvez? — sugeriu Megumi, levantando-se. — E agora ele está irritado porque a vontade está acumulada e ele acha que você não está interessado. Resolve isso logo, o clima na escola está ficando pesado por causa do mau humor dele.
Naquela noite, Itadori não conseguiu dormir. Ele esperou até que o corredor estivesse silencioso e foi até o quarto de Hitoshi. Ele bateu de leve na porta e, após alguns segundos, ela se abriu. Hitoshi estava apenas de calça de moletom, o cabelo bagunçado e os olhos vermelhos irritados.
— O que foi agora? — perguntou o ruivo.
Itadori entrou sem pedir licença e fechou a porta atrás de si. Ele encarou Hitoshi nos olhos.
— O Megumi me disse uma coisa... e eu vim conferir. Hitoshi, você está bravo porque... porque quer que a gente vá para o próximo passo?
O rosto de Hitoshi passou de irritado para um vermelho tão profundo que parecia que ele ia entrar em combustão. Ele desviou o olhar, mas não negou.
— Eu tenho mandado sinais o tempo todo, Yuuji! Eu sentei no seu colo, eu fiz comentários... e você agia como se eu estivesse falando do tempo!
Itadori soltou um suspiro de alívio e se aproximou, envolvendo a cintura de Hitoshi com suas mãos grandes e firmes. Ele inclinou a cabeça e sussurrou perto do ouvido do namorado, fazendo-o estremecer.
— Eu tive medo de entender errado. Tive medo de avançar e você não estar pronto. Mas se você quer algo, Hitoshi... você precisa ser mais direto comigo. Eu preciso ouvir de você.
Hitoshi sentiu o calor do corpo de Yuuji e a firmeza de seu toque. A frustração de dias explodiu em uma coragem súbita. Ele agarrou a gola da camisa de Itadori e o puxou para baixo.
— Eu quero que você me foda, Yuuji. Agora. É direto o suficiente para você?
Itadori arregalou os olhos, soltando uma risada nervosa.
— Taporra... calma aí também! — Ele sorriu, um brilho intenso surgindo em seus olhos. — Tudo bem. Se é isso que você quer...
Ele empurrou Hitoshi gentilmente em direção à cama. Eles começaram a se beijar, um beijo muito mais profundo e urgente do que qualquer outro que já tivessem trocado. No entanto, no meio do ardor, Hitoshi interrompeu o contato, ofegante.
— Espera... e o Sukuna? — perguntou ele, a voz trêmula. — Tem alguma chance de ele... aparecer e ver tudo?
Itadori parou por um momento, processando a pergunta.
— Eu acho que não. Ele está quieto ultimamente. E, honestamente, ele não se daria ao trabalho de interferir nisso. Fica tranquilo, somos só nós dois aqui.
Hitoshi assentiu, sentindo-se mais seguro. As roupas foram deixadas de lado rapidamente. Quando ficaram nus, Hitoshi sentiu um choque de realidade ao ver o corpo de Itadori sem o uniforme. Ele era definido, cheio de cicatrizes de batalha, e...
— Meu Deus... — murmurou Hitoshi, os olhos fixos na genitália de Itadori. — Isso vai caber em mim?
Itadori ficou vermelho, mas manteve a calma.
— Eu vou devagar, eu prometo. Vou fazer de tudo para não te machucar, Hitoshi.
— Eu sou masoquista, lembra? — Hitoshi provocou, embora houvesse um traço de nervosismo em sua voz. — Mas não precisa me quebrar no primeiro dia.
Para começar, Hitoshi se ajoelhou entre as pernas de Itadori. Ele queria sentir o namorado de todas as formas. Quando ele o levou à boca, Itadori soltou um gemido baixo que vibrou pelo quarto.
— Hitoshi... ah, você é perfeito — sussurrou Yuuji, passando as mãos pelo cabelo ruivo do namorado, sentindo as raízes pretas entre os dedos. — Tudo em você é tão lindo.
Depois de alguns minutos que pareceram horas de puro prazer sensorial, Itadori inverteu as posições. Ele ficou por cima de Hitoshi, abrindo as pernas dele com cuidado.
— Se doer demais, me avisa. Eu paro na hora — insistiu Yuuji, a expressão séria e protetora.
Hitoshi apenas balançou a cabeça negativamente, puxando Itadori para um beijo.
— Só entra logo, Yuuji.
Itadori deu um sorriso pequeno e, com um movimento lento e firme, empurrou para dentro. Hitoshi soltou um grito abafado contra os lábios de Itadori, as unhas cravando-se nos ombros largos do lutador. Era uma sensação de preenchimento absoluta, uma dor aguda que rapidamente se transformava em um prazer latejante.
— Você é tão apertado... perfeito — arquejou Itadori, começando a se mover.
Ele mantinha um ritmo constante, metendo forte, mas com uma lentidão que torturava os sentidos de Hitoshi. O ruivo estava em êxtase. Ele começou a perder o controle, mordendo o ombro de Itadori para não gritar e arranhando suas costas conforme o prazer aumentava. O quarto estava cheio do som de peles se chocando e respirações pesadas.
— Mais... mais rápido — implorou Hitoshi, as pernas envolvendo a cintura de Itadori para trazê-lo ainda mais fundo.
Itadori obedeceu, aumentando a velocidade. Eles estavam em sincronia, uma dança de suor e entrega. No ápice do prazer, Hitoshi acabou ficando por cima em um momento de troca de posição e, com um gemido final, atingiu o orgasmo, sujando o rosto e o peito de Itadori.
Hitoshi congelou, ofegante, o rosto vermelho de vergonha.
— Meu Deus, Yuuji! Desculpa, eu não queria... eu...
Itadori, ainda tentando recuperar o fôlego, apenas sorriu. Ele passou a mão pelo rosto, limpando parte do sêmen, e levou o dedo à boca, lambendo-o com um olhar sugestivo.
— É doce — disse Yuuji, a voz rouca. — Gostaria de experimentar mais disso da próxima vez.
Hitoshi enterrou o rosto no pescoço de Itadori, querendo desaparecer de tanta vergonha, mas sentindo uma felicidade que transbordava.
No dia seguinte, o refeitório da Escola Jujutsu estava relativamente calmo. Hitoshi entrou arrastando os pés, sentindo cada músculo de seu corpo protestar. Ele mancava visivelmente e, ao tentar se sentar no banco de madeira, soltou um gemido de dor, sentando-se bem devagar.
Itadori chegou logo depois, radiante, parecendo ter dormido doze horas seguidas. Ele se sentou ao lado de Hitoshi e começou a comer seu café da manhã como se nada tivesse acontecido. Nobara e Megumi estavam na mesa, em silêncio, apenas observando a cena com expressões que variavam entre o julgamento e a diversão.
De repente, Gojo Satoru apareceu do nada, deslizando para a mesa com seu sorriso habitual.
— Bom dia, meus queridos alunos! — Ele olhou para Hitoshi, que tentava manter uma expressão neutra apesar da dor, e depois para Itadori. — Então... Itadori, Hitoshi... vocês estão oficialmente juntos, certo?
Itadori sorriu, sem hesitar.
— Sim, Sensei! Estamos namorando. Mas como o senhor sabia? A gente tentou ser discreto.
Gojo soltou uma risada escandalosa, atraindo a atenção de todos no refeitório.
— Discretos? Yuuji, meu caro, vocês foram tudo, menos discretos ontem à noite. Eu não julgo, a juventude é feita para isso, mas todo mundo nesta ala precisa dormir bem para as missões, sabe? Aqueles gritos do Hitoshi... bom, digamos que as paredes não são tão grossas assim.
Hitoshi sentiu que ia desmaiar. Ele escondeu o rosto nas mãos, desejando que o chão se abrisse e o engolisse para sempre. Nobara soltou uma risadinha por trás da caneca de café, e até Megumi deu um sorriso de canto.
Itadori, no entanto, apenas coçou a cabeça e deu uma risada cômica, nada abalado.
— Ah, desculpa, Sensei! Foi mal mesmo. Prometo que da próxima vez a gente vai tentar ficar mais quietinho!
— Itadori! — gritou Hitoshi, dando um tapa fraco no braço do namorado, enquanto o refeitório inteiro explodia em risadas.
Apesar do constrangimento monumental, Hitoshi sentiu um calor reconfortante no peito. Ele ainda tinha suas bagagens, sua depressão e suas crises, mas agora ele sabia que não precisava carregá-las sozinho. Ele tinha Yuuji, e Yuuji tinha a força necessária para segurar sua mão, mesmo quando o mundo parecia barulhento demais.