Jujutsu kaisen possibilidades
Labirinto de Vidro e a Promessa do Mais Forte
O ar condicionado do shopping center era um alívio contra o calor úmido de Tóquio, mas para Hitoshi Konami, a temperatura interna parecia estar subindo perigosamente. Ele caminhava ao lado de Satoru Gojo, tentando manter sua habitual aura de indiferença, mas o anel de noivado em seu dedo — que ele insistia em manter escondido sob as mangas compridas do uniforme — parecia pesar toneladas.
Eles estavam em uma tarde de folga rara. Satoru, sem a venda habitual e usando apenas óculos escuros que não escondiam nada de sua beleza avassaladora, atraía olhares como um ímã. Hitoshi, com seu cabelo agora curto e as raízes pretas bem cuidadas, sentia-se uma sombra ao lado de um deus solar.
O problema começou em frente a uma vitrine de relógios de luxo. Uma jovem, visivelmente encantada, aproximou-se de Gojo com um sorriso que Hitoshi classificou imediatamente como "excessivo".
— Com licença, você não é aquele modelo da revista de moda masculina? — perguntou ela, a voz carregada de um flerte nada sutil. — Você é a pessoa mais bonita que já vi neste shopping.
Gojo, em vez de dar um fora educado ou apontar para Hitoshi, abriu aquele sorriso radiante que guardava para as câmeras e para o conselho quando queria ser irritante.
— Oh, sério? — Gojo inclinou a cabeça, ajeitando os óculos escuros com um charme desnecessário. — Fico lisonjeado. Mas não sou modelo, apenas um humilde professor.
— Um professor? — A garota riu, tocando levemente o braço de Satoru. — Meus professores nunca foram assim. Você deve ter alunas muito sortudas.
Hitoshi sentiu o estômago revirar. Ele esperou que Satoru cortasse o contato, mas o mais velho continuou ali, banhando-se na atenção, agradecendo os elogios e mantendo a conversa fluida, como se estivesse em um tapete vermelho e não em um encontro com o noivo.
— Vamos logo, Satoru — murmurou Hitoshi, a voz fria como gelo, puxando a manga da camisa de Gojo.
— Calma, Hitoshi! Estamos apenas conversando — disse Gojo, voltando-se para a garota com uma piscadela. — Tenha um bom dia, senhorita.
Assim que se afastaram, a tensão explodiu. Hitoshi parou no meio do corredor, os olhos vermelhos faiscando de raiva.
— "Apenas conversando"? Você estava praticamente desfilando para ela, Gojo! — exclamou Hitoshi, a voz subindo um tom. — Você é noivo, esqueceu? Ou o brilho da atenção alheia é mais importante do que o respeito por mim?
— Hitoshi, não seja ridículo — rebateu Gojo, o tom de voz tornando-se defensivo e levemente irritado. — Foi só um flerte inofensivo. Eu sou o homem mais forte do mundo, é óbvio que as pessoas vão notar. Você não precisa ter esse ciúme doentio. Você sabe que eu sou seu.
— Se você fosse meu de verdade, não daria corda para qualquer uma que inflasse o seu ego gigante! — Hitoshi sentiu as lágrimas de frustração arderem. — Você adora ser o centro das atenções, Satoru. Adora ver que ainda "tem o toque", mesmo estando comigo. Isso é patético.
— Patético é você agir como uma criança insegura! — Gojo retrucou, a voz agora cortante. — Eu não fiz nada de errado. Se você não confia em mim, o problema é seu.
Eles voltaram para a escola em um silêncio sepulcral. Hitoshi, porém, não era de engolir sapos. Naquela noite, quando Gojo tentou se aproximar no dormitório, Hitoshi foi implacável. Ele usou cada grama de sua frustração para dominar a situação, deixando Gojo em um estado de exaustão tal que o homem mais forte do mundo mal conseguia manter os olhos abertos ao amanhecer. Foi uma vingança silenciosa, física e exaustiva.
No dia seguinte, Gojo acordou sentindo como se tivesse sido atropelado por um trem de carga. Cada músculo de suas costas e pernas protestava. Hitoshi já tinha saído, provavelmente para treinar com Itadori, deixando Gojo sozinho com seus pensamentos e dores.
Mancando levemente, Gojo encontrou Utahime Iori perto das estufas. Ele precisava de uma perspectiva externa, mesmo que fosse da mulher que mais o detestava.
— Utahime — chamou Gojo, encostando-se na parede com um suspiro pesado. — Posso te fazer uma pergunta? Sobre... relacionamentos?
Utahime parou de regar as plantas e o encarou com pura suspeita.
— Você? Pedindo conselhos amorosos? O mundo vai acabar hoje?
— É sério. — Gojo tirou a venda, revelando olheiras leves. — Eu tenho um... namorado. E ontem, no shopping, uma garota deu em cima de mim. Eu não impedi, sabe? Só fui educado, brinquei um pouco. Ele ficou furioso. Disse que eu não o respeito. Você acha que eu agi errado?
Utahime cruzou os braços, soltando um suspiro de descrença.
— Gojo, você é um idiota completo. Sim, você agiu errado. Se você está em um compromisso sério, especialmente com alguém mais novo e que já tem problemas de insegurança, você não dá corda para flertes. Isso gera desconfiança. Ele não tem a sua experiência de vida ou a sua autoconfiança inabalável. Para ele, parece que você está procurando algo melhor.
Gojo sentiu um aperto no peito. Ele não tinha pensado por esse lado. Para ele, era apenas diversão; para Hitoshi, era uma ameaça à única estabilidade que ele conhecia.
Decidido a se redimir, Gojo comprou um presente caro: uma rosa de porcelana feita à mão, delicada e protegida por uma cúpula de vidro, uma peça de colecionador que custava uma pequena fortuna.
Ele encontrou Hitoshi no refeitório à tarde.
— Hitoshi — disse Gojo, estendendo a caixa elegante. — Eu conversei com uma pessoa e... percebi que fui um babaca ontem. Isso aqui é um pedido de desculpas. Eu realmente sinto muito por ter te feito sentir desrespeitado.
Hitoshi abriu a caixa, olhou para a flor de porcelana e depois para Gojo.
— É bonita, Satoru. Obrigado. — O tom de Hitoshi era monótono.
— Só "obrigado"? — Gojo franziu o cenho. — Eu gastei horas procurando isso!
— Flores de porcelana não consertam a falta de consideração, Satoru — disse Hitoshi, levantando-se. — Eu aceito as desculpas, mas isso não significa que está tudo bem.
O resto do dia foi um tormento para Gojo. Hitoshi passou a tarde inteira ignorando-o deliberadamente. Em vez de treinar com Satoru, ele se juntou a Itadori Yuuji. Eles riam, conversavam de perto e Hitoshi até limpou o suor da testa de Itadori com uma toalha, lançando olhares provocativos na direção de Gojo, que observava tudo de longe, fervendo.
Gojo sentiu o sangue subir à cabeça. A provocação de Hitoshi estava funcionando perfeitamente. Ao final do treino, Gojo caminhou até Hitoshi e o puxou pelo braço para longe de Yuuji.
— Já chega dessa palhaçada, Hitoshi — rosnou Gojo, a voz baixa e perigosa. — Eu sei o que você está fazendo. Se você continuar me provocando com o Itadori, eu juro que você não vai ter escapatória esta noite. Eu vou estar no controle, e eu não vou ser gentil.
Hitoshi empalideceu levemente, o brilho de desafio em seus olhos vacilando diante da agressividade súbita de Gojo. Ele não respondeu, apenas virou as costas e saiu andando, deixando Gojo ainda mais irritado.
A tarde seguiu tensa. Gojo, descontando sua frustração, teve um embate verbal épico com os membros do conselho via chamada de vídeo, mandando-os "irem para o inferno" antes de desligar na cara deles. Precisando esfriar a cabeça e reconectar-se com o noivo, ele preparou um piquenique improvisado nos fundos da escola, sob as árvores de bordo.
Quando encontrou Hitoshi novamente, seu tom mudou.
— Hitoshi... vamos parar com a guerra? — pediu Gojo, apontando para a cesta de piquenique. — Eu preparei isso para a gente. Por favor.
Hitoshi, vendo o esforço genuíno e o olhar cansado de Satoru, cedeu. Eles sentaram-se na grama, cercados pelo silêncio da natureza. O clima suavizou. Hitoshi pegou uma rosquinha doce e a levou à boca de Gojo.
— Abre — disse o ruivo.
Gojo obedeceu, sentindo o açúcar e o carinho. Hitoshi começou a fazer cafuné no cabelo branco de Satoru, que fechou os olhos, finalmente relaxando.
— Satoru — murmurou Hitoshi —, aquela promessa de você ficar no controle hoje à noite... ainda está de pé?
Gojo abriu um olho, surpreso.
— Por quê? Você realmente quer que eu seja o ativo? Achei que você gostasse de estar no comando para compensar suas inseguranças.
— Eu acho que seria uma possibilidade legal — disse Hitoshi, com um sorriso de canto. — Uma mudança de ritmo.
— Tudo bem — disse Gojo, um brilho sombrio retornando aos seus olhos. — Mas prepare-se. Você vai se arrepender de ter pedido isso.
Eles voltaram para o dormitório de Gojo, que possuía um isolamento acústico reforçado — uma necessidade para as noites explosivas do casal. Após banhos rápidos, eles se encontraram no quarto. Gojo estava parado perto da cama, a aura de "o mais forte" emanando dele de uma forma que Hitoshi nunca tinha visto entre quatro paredes.
Gojo aproximou-se e envolveu Hitoshi em um beijo profundo, mas começou a descer para o pescoço, usando a língua e os dentes com uma delicadeza extrema. Ele ajoelhou-se e começou a prestar atenção ao corpo de Hitoshi com uma dedicação carinhosa.
— Ué — provocou Hitoshi, ofegante —, você não disse que eu ia me arrepender? Que isso seria sua vingança? Isso está parecendo muito com carinho, Satoru.
Gojo deu uma risadinha abafada contra a pele de Hitoshi.
— Você não tem ideia do que está por vir, noivo.
Com um movimento rápido e firme, Gojo virou Hitoshi de costas, pressionando-o contra o colchão. Ele usou a língua para explorar o corpo de Hitoshi de forma íntima e provocante, fazendo o ruivo se contorcer e agarrar os lençóis com força.
— Eu nem comecei de verdade e você já está tremendo desse jeito? — sussurrou Gojo no ouvido de Hitoshi. — Parece que vai ser fácil demais te quebrar hoje.
Gojo posicionou-se. Ele entrou devagar, cada centímetro sendo uma tortura de prazer e preenchimento para Hitoshi, que soltou um gemido alto, a voz já falhando.
— Eu gosto de ouvir você assim — disse Gojo, começando a se mover.
O ritmo aumentou. Gojo não estava brincando. Suas estocadas eram fortes, rítmicas e profundas, atingindo pontos que faziam a visão de Hitoshi girar. O ruivo começou a lacrimejar, não de dor, mas pela intensidade avassaladora da sensação. Ele sentia-se completamente dominado, à mercê da força física e da energia de Satoru.
— Satoru... ah, meu Deus... — Hitoshi soluçava, o corpo reagindo a cada impacto.
Gojo, em um movimento de força bruta, puxou Hitoshi para o seu colo, mantendo a conexão enquanto ficava de pé. Hitoshi agarrou-se ao pescoço de Gojo, as pernas envolvendo a cintura do mais velho, enquanto o movimento continuava, implacável.
— Eu disse que ia te fazer cair em pé — provocou Gojo, a voz rouca de desejo.
— Eu não vou... eu vou gozar, Satoru! Eu não aguento mais! — gritou Hitoshi, sentindo o ápice chegando como uma onda gigante.
— Não tem problema, bom garoto — disse Gojo, beijando o ombro de Hitoshi. — Pode ir. Eu não vou parar.
Hitoshi atingiu o orgasmo de forma violenta, o corpo tremendo nos braços de Gojo. O mais velho continuou, mantendo o ritmo vigoroso até que ele próprio liberou-se, um rosnado de satisfação escapando de seus lábios.
No dia seguinte, o dormitório de Gojo estava um caos. Hitoshi estava deitado de bruços, incapaz de mover um único músculo das pernas sem sentir um choque de fadiga. Gojo entrou no quarto carregando uma bandeja com um almoço reforçado.
Ele olhou para a cama e soltou uma gargalhada. Um dos pés da estrutura de madeira havia cedido durante a noite, deixando o colchão inclinado.
— Olha só isso — disse Gojo, colocando a bandeja na mesa de cabeceira. Ele pegou uma pequena lousa branca e escreveu: *"Propriedade de Satoru Gojo. Não movimentar até segunda ordem."* e a colocou ao lado de Hitoshi.
— Você é um idiota — murmurou Hitoshi, o rosto enterrado no travesseiro.
— Eu avisei que você não ia aguentar — zombou Gojo, sentando-se ao lado dele e começando a dar a comida na boca de Hitoshi. — Mas não se preocupe, noivo. Eu cuido de você. Afinal, você é meu, lembra?
Hitoshi aceitou a comida, sentindo o calor do cuidado de Satoru. A briga, o ciúme e a tensão haviam se dissipado, substituídos por uma exaustão feliz e a certeza de que, apesar de todos os defeitos, eles eram o equilíbrio perfeito um do outro. Mesmo que isso significasse que Hitoshi não conseguiria andar pelos próximos dois dias.