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King K.rool e Diddy Kong

O Legado do Trono de Couro e Escamas

A luz da lua filtrava-se pelas frestas da caverna real, iluminando o interior da fortaleza de K. Rool com um brilho prateado. Não era a mesma caverna úmida e sombria de tempos atrás; agora, o local estava repleto de almofadas de veludo, redes tecidas com fibras de palmeira e, claro, pilhas e pilhas de bananas perfeitamente maduras. O Rei K. Rool, o outrora temido líder dos Kremlings, estava sentado em seu trono, mas não ostentava sua coroa. Em vez disso, ele sustentava o peso de um pequeno macaco adormecido em seu colo.

Diddy Kong ressonava baixinho, sua cauda enrolada no pulso grosso do crocodilo. K. Rool olhava para ele com uma expressão que misturava confusão e uma ternura que ele jamais admitiria em público. Como as coisas haviam chegado àquele ponto? De inimigos mortais a... pai e filho? O destino tinha um senso de humor peculiar, mas o rei não podia negar que seu coração, antes frio como o sangue de um réptil, agora batia com uma força nova e protetora.

Diddy acordou com um bocejo largo, esfregando os olhos e olhando para cima, encontrando o olho avermelhado e atento de K. Rool.

— Bom dia, majestade papai — disse Diddy, com a voz ainda rouca de sono.

K. Rool soltou uma risada abafada que fez sua barriga vibrar sob o corpo do macaco.

— Já é quase meia-noite, pequeno. Você dormiu durante todo o jantar. Mas guardei algumas bananas para você.

Diddy sentou-se, seus olhos brilhando. Ele não foi direto para as frutas, no entanto. Ele preferiu se lançar contra a barriga imensa de K. Rool, abraçando-a com força. A pele do rei era grossa, mas sob a superfície havia uma camada de gordura e músculo que Diddy considerava o travesseiro mais confortável do mundo.

— O que foi isso? — perguntou K. Rool, fingindo indignação enquanto Diddy afundava o rosto em sua barriga. — Está tentando me furar com esse nariz?

— Só estou conferindo se você ainda é real — brincou Diddy, começando a fazer cócegas nas dobras da barriga do crocodilo. — Às vezes parece que estou sonhando que o grande rei malvado virou meu melhor amigo.

— Malvado? Eu? — K. Rool bufou, embora um sorriso estivesse estampado em seu rosto. — Eu sou apenas incompreendido. E agora, sou um pai ocupado. Tenho que garantir que você não se meta em confusão com aquele seu tio grandalhão, o Donkey.

Diddy riu, escalando o corpo de K. Rool até chegar aos seus ombros largos. Ele começou a puxar levemente as orelhas do crocodilo, fazendo-o soltar grunhidos fingidos de dor.

— O Donkey sabe que estou bem com você. Ele viu como você me salvou daquele enxame de Zingers na semana passada.

K. Rool ficou em silêncio por um momento, lembrando-se do incidente. Ele não hesitou em usar seu próprio corpo como escudo para proteger Diddy, ignorando as picadas dolorosas. Foi naquele momento que a ficha caiu para ambos: a rivalidade havia acabado.

— Bem — disse K. Rool, levantando-se com Diddy ainda em seus ombros —, um príncipe precisa de exercícios. E eu preciso de um banho. O lago nos espera, Diddy.

Eles caminharam pela selva noturna, a silhueta do crocodilo gigante e do pequeno macaco criando uma sombra única sob o luar. Ao chegarem ao lago secreto, a água estava calma e convidativa. K. Rool não perdeu tempo. Ele caminhou até a beira e, com um movimento ágil que desafiava seu tamanho, deu um salto mortal desajeitado, caindo na água com um estrondo que ecoou por toda a ilha.

Diddy mergulhou logo atrás, nadando como um peixe em direção ao seu pai adotivo.

— Ei, K. Rool! Olha isso! — Diddy deu uma pirueta na água e subiu na superfície, equilibrando-se na ponta da cauda.

— Impressionante, pequeno — comentou o rei, boiando de costas. Sua barriga verde emergia da água como uma pequena ilha. — Mas você consegue lidar com o "Navio de Carga Real"?

K. Rool começou a bater suas patas traseiras na água, criando pequenas ondas. Diddy nadou rapidamente e subiu na barriga do rei. Ele se deitou ali, sentindo o balanço suave da água e a respiração profunda de K. Rool.

— Sabe, K. Rool... — disse Diddy, olhando para as estrelas — ...eu gosto mais de você assim. Sem a armadura de ouro. Você parece mais... você.

K. Rool suspirou, soltando uma nuvem de vapor pelas narinas.

— A armadura era pesada, Diddy. Em todos os sentidos. Ser um rei solitário é cansativo. Ter alguém para cuidar... é um tipo diferente de força.

Diddy sorriu e, num ímpeto de travessura, começou a pular na barriga do rei.

— Então prove sua força! Tente me pegar!

Diddy saltou da barriga de K. Rool para a água e começou a nadar em círculos rápidos. K. Rool, fingindo estar furioso, rugiu de brincadeira e começou a persegui-lo. Apesar de seu tamanho, o crocodilo era incrivelmente rápido na água. Ele usava sua cauda poderosa para ganhar impulso, aproximando-se de Diddy como um predador, mas com os olhos cheios de alegria.

— Vou te esmagar com o meu abraço real! — gritou K. Rool, mergulhando e desaparecendo sob a superfície.

Diddy parou de nadar, olhando para todos os lados. A água estava escura e silenciosa. De repente, ele sentiu algo grande e macio batendo em suas pernas por baixo d'água. Era a bunda enorme de K. Rool, que subia à tona logo atrás dele.

— Te peguei! — exclamou o rei, girando o corpo e usando sua parte traseira para empurrar Diddy suavemente para o lado, fazendo o macaco rodopiar na água.

— Isso não vale! — riu Diddy, tentando se estabilizar. — Você usa o seu tamanho como arma!

— É a minha maior vantagem — gabou-se K. Rool, ficando em pé no fundo raso do lago. A água batia em seu peito, deixando sua barriga e sua bunda parcialmente submersas. — Venha aqui, pequeno. Vamos ver se você consegue escalar a Montanha Kremling.

Diddy aceitou o desafio. Ele nadou até K. Rool e começou a escalar o corpo escamoso. O crocodilo permanecia imóvel, como uma estátua, enquanto o macaco subia por suas coxas grossas e se agarrava à sua bunda, tentando encontrar apoio nas escamas.

— É muito escorregadio! — reclamou Diddy, deslizando de volta para a água.

— Tente de novo! Um Kong nunca desiste! — incentivou K. Rool, dando uma leve empinada que jogou Diddy para cima, fazendo-o aterrissar sentado bem no topo de sua parte traseira.

Diddy começou a rir, batendo palmas.

— Eu conquistei o pico!

K. Rool começou a rebolar levemente, fazendo Diddy perder o equilíbrio e ter que se segurar com as mãos e os pés.

— Cuidado, a montanha está sofrendo um terremoto! — brincou o rei.

A brincadeira continuou por horas. K. Rool mergulhava e deixava Diddy tentar montá-lo como se fosse um jet ski vivo. Às vezes, o rei ficava de bruços e deixava Diddy usar sua bunda como um trampolim, saltando dela para dar mergulhos ornamentais na água profunda.

Em um momento de descanso, os dois ficaram sentados na margem, com os pés ainda na água. K. Rool tinha Diddy aninhado contra seu flanco.

— Por que você me escolheu, K. Rool? — perguntou Diddy, de repente sério. — Você podia ter adotado qualquer um. Um Kritter, um Klaptrap... por que um Kong?

K. Rool olhou para o horizonte, onde a lua começava a baixar.

— Os Kremlings me seguem por medo ou por dever, Diddy. Mas você... você me olhou nos olhos naquele dia na praia, depois que a batalha acabou, e não viu um monstro. Você viu alguém que estava sozinho. E você me ofereceu uma banana.

Diddy sorriu, lembrando-se do gesto simples que mudou tudo.

— Você parecia estar com fome.

— Eu estava com fome de algo mais do que bananas, pequeno — admitiu K. Rool, colocando uma de suas garras enormes sobre a cabeça de Diddy, acariciando seus pelos com cuidado para não arranhá-lo. — Eu queria alguém que não tivesse medo de rir comigo. Alguém que me desafiasse a ser melhor do que um simples vilão de desenho animado.

Diddy abraçou o braço do rei, sentindo a força e o calor que emanavam dele.

— Você é o melhor pai que um macaco poderia ter, K. Rool. Mesmo que você solte puns que matam as plantas ao redor.

K. Rool soltou uma gargalhada genuína, que espantou alguns pássaros noturnos das árvores próximas.

— Ah, então você quer falar sobre os meus atributos reais? Pois saiba que o "Trovão do Pântano" é uma técnica ancestral de defesa!

— É uma técnica de tortura, isso sim! — rebateu Diddy, rindo enquanto tentava escapar quando K. Rool ameaçou sentar-se perto dele.

— Venha aqui, seu moleque atrevido! — K. Rool agarrou Diddy e o puxou para perto de sua barriga, começando a fazer cócegas nele com o focinho.

— Não! Socorro! O rei está me devorando... de cócegas! — gritava Diddy, retorcendo-se de rir.

Depois que a crise de risos passou, K. Rool deitou-se na grama macia da margem, puxando Diddy para cima de seu peito. O coração do crocodilo batia de forma lenta e constante, um som reconfortante para o pequeno Kong.

— Sabe, Diddy — começou K. Rool, com a voz baixa e solene —, a partir de hoje, você não é apenas um Kong. Você é um herdeiro. Tudo o que eu conquistei, todas as minhas... bem, talvez não as máquinas de guerra, mas todo o resto... é seu.

Diddy olhou para ele, surpreso.

— Mas eu não quero ser um rei, K. Rool. Eu só quero ser o Diddy.

— E você será. Um rei não precisa de uma coroa para governar, pequeno. Ele só precisa de um coração grande o suficiente para proteger o que ama. E você já tem isso.

Diddy encostou a cabeça no pescoço do crocodilo, fechando os olhos.

— Posso ser um rei que brinca no lago o dia todo?

— Esse é o único tipo de rei que vale a pena ser — respondeu K. Rool, fechando seus próprios olhos.

O silêncio da noite foi quebrado apenas pelo som da água batendo suavemente nas rochas e pelo ocasional som de satisfação que K. Rool emitia enquanto Diddy se ajeitava em cima de sua barriga. O crocodilo sentia-se completo. Ele não precisava mais de bananas roubadas ou de planos de dominação mundial. Ele tinha o seu filho, e isso era a maior conquista de sua longa e turbulenta vida.

Enquanto o sono os envolvia, K. Rool fez uma promessa silenciosa para as estrelas: ele protegeria Diddy Kong com cada escama de seu corpo, com cada grama de sua força e, se necessário, com cada brincadeira barulhenta em sua barriga. Pois ali, naquela ilha tropical, a rivalidade havia morrido para dar lugar a algo muito mais poderoso: o amor improvável entre um rei crocodilo e seu filho macaco.

E, se alguém ousasse questionar essa união, K. Rool estava mais do que pronto para mostrar que, embora tivesse deixado a vilania de lado, ele ainda sabia como dar uma boa e sonora "bundada" em qualquer um que ameaçasse sua nova e pequena família.