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King K.rool e Diddy Kong

O Banquete da Humilhação

A floresta parecia ter parado para assistir à queda do herdeiro do clã Kong. O silêncio era interrompido apenas pelos sons abafados de esforço que vinham debaixo das escamas esverdeadas e da couraça dourada de King K. Rool. Diddy Kong, cujas acrobacias costumavam deixar os Kremlings tontos, agora não passava de um volume palpitante sob o traseiro massivo do monarca. O solo da Ilha Donkey Kong, geralmente firme e cheio de vida, estava se transformando em uma cova rasa para o pequeno macaco, que era empurrado centímetro a centímetro para dentro da terra úmida.

K. Rool parecia estar em um estado de transe de pura satisfação malévola. Ele não apenas sentava; ele se estabelecia. Ele se apossava do espaço como se tivesse acabado de conquistar um novo continente. O rei cruzou suas pernas curtas e grossas à sua frente, batendo os calcanhares no chão em um ritmo alegre, o que causava pequenos terremotos que sacudiam o corpo de Diddy logo abaixo.

— Sabe, Diddy — começou K. Rool, sua voz agora mais suave, mas carregada de um veneno melífluo —, eu sempre fui um entusiasta da ergonomia. Mas quem diria que a solução para as minhas dores nas costas seria um Kong?

Diddy tentou responder, mas o que saiu foi apenas um som de asfixia. O peso era tão imenso que ele sentia as costuras de seu colete vermelho esticarem ao limite. Sua bochecha estava pressionada contra uma raiz de árvore, e o cheiro de terra misturado com o odor acre de réptil de K. Rool era quase insuportável.

— O que foi? — zombou o Rei, inclinando-se um pouco para o lado para dar a Diddy um milímetro de espaço para respirar, apenas para esmagá-lo novamente com um movimento circular e pesado. — Você parece estar sem palavras. Ou será que é apenas falta de fôlego?

— Você... é... um monstro... — Diddy conseguiu expelir, as palavras saindo entrecortadas enquanto ele lutava para manter a consciência.

— Monstro? Não, não — corrigiu K. Rool, soltando uma gargalhada que fez sua barriga imensa ondular violentamente sobre o peito de Diddy. — Eu sou um visionário. Eu entendi que a melhor maneira de manter um inimigo sob controle é, literalmente, mantê-lo sob controle.

K. Rool esticou o braço e arrancou uma folha larga de uma planta próxima, usando-a para se abanar com um ar de nobreza decadente. Ele parecia ter todo o tempo do mundo. Ele sabia que Donkey Kong provavelmente estava longe, talvez distraído por alguma armadilha de bananas ou simplesmente relaxando em sua rede, sem imaginar que seu melhor amigo estava sendo usado como um pufe vivo.

— Eu estava pensando — continuou o Rei, mexendo o traseiro de forma ostensiva para encontrar um "ponto mais macio" no corpo do macaco —, em como vou decorar a minha sala de jantar no navio. Eu tenho o crânio de um tubarão, tenho algumas peles de animais... mas um banquinho de macaco que grita toda vez que eu me sento? Isso seria o auge do luxo Kremling!

— O Donkey vai... te esmagar... por isso... — Diddy ameaçou, embora sua voz soasse mais como um sussurro desesperado do que uma promessa de vingança.

— Ah, o grandalhão — K. Rool revirou o olho injetado, demonstrando tédio. — Ele é todo força e nenhum cérebro. Enquanto ele estiver socando paredes e procurando por você, eu estarei aqui, relaxando sobre a sua carcaça peluda. E quando ele finalmente te encontrar, você estará tão achatado que eu poderei te usar como um marcador de páginas para o meu livro de receitas de banana.

O rei soltou um grunhido de prazer e começou a saltitar levemente sobre Diddy. Não eram pulos altos, mas eram curtos e pesados, cada um descendo como um martelo sobre uma bigorna. A cada impacto, Diddy sentia a pressão aumentar em sua lombar e em seus ombros. Ele tentou cravar as unhas nas pernas de K. Rool, mas as escamas do rei eram como uma armadura natural, grossas e impenetráveis para as mãos pequenas de um macaco.

— Pare! — gritou Diddy, as lágrimas de frustração começando a surgir em seus olhos. — Por favor, K. Rool! Isso não é uma luta!

— Exatamente! — exclamou o crocodilo, deliciado. — É uma sessão de descanso real. E você é o meu súdito mais dedicado.

K. Rool parou de pular e, em vez disso, começou a usar sua cauda poderosa. Ele a balançava de um lado para o outro, chicoteando o chão ao redor deles, criando uma nuvem de poeira e folhas secas que caíam sobre a cabeça exposta de Diddy. O rei então usou a ponta da cauda para levantar o boné vermelho de Diddy, que estava caído de lado, e o colocou sobre o seu próprio joelho, observando-o com desdém.

— Um acessório ridículo para um macaquinho ridículo — comentou K. Rool. — Mas acho que combina com o meu novo trono. Dá um toque de... cor.

Diddy sentiu uma onda de raiva superar a dor. Aquele boné era seu orgulho, um símbolo de sua parceria com Donkey Kong. Ver K. Rool brincando com ele enquanto o esmagava era a gota d'água. Ele reuniu todas as suas forças restantes, cada grama de energia em seus músculos pequenos e ágeis, e tentou uma última explosão de movimento, arqueando as costas e empurrando com as mãos contra o solo.

Por um breve segundo, o peso de K. Rool oscilou. O rei, pego de surpresa pela resistência súbita, quase perdeu o equilíbrio.

— Ora, ora! — exclamou K. Rool, recuperando a estabilidade e jogando todo o seu peso para a frente, o que fez Diddy cair de cara no chão novamente. — O banquinho tem molas? Que surpresa agradável!

K. Rool riu com tanta vontade que precisou segurar a própria barriga dourada. Ele se sentia invencível. Ver o espírito de Diddy ser testado daquela forma era mais doce do que qualquer cacho de bananas douradas.

— Você é persistente, eu admito — disse o Rei, voltando a mexer o traseiro em círculos lentos e deliberados, garantindo que cada osso de Diddy sentisse a pressão. — Mas a persistência não muda as leis da física. Eu sou o Rei, eu sou o peso, e você é apenas o tapete.

Diddy relaxou os músculos, não por desistência, mas por pura exaustão. Seus pulmões queimavam e sua visão começava a escurecer nas bordas. Ele conseguia ouvir o coração de K. Rool batendo — um som lento e rítmico, o coração de um predador que já sabia que a caça estava vencida.

— Acho que vou tirar uma soneca — anunciou K. Rool, bocejando de forma exagerada, revelando fileiras de dentes amarelos e afiados. — O ar da floresta é tão relaxante quando se tem um suporte tão ergonômico. Não se mova, macaquinho. Se eu acordar com torcicolo, vou garantir que você passe o resto da semana servindo de calço para a âncora do meu navio.

O rei então se acomodou ainda mais, soltando um suspiro longo que fez seu corpo inteiro relaxar sobre Diddy. O peso, que já era insuportável, tornou-se morto e absoluto. K. Rool fechou os olhos, um sorriso de triunfo estampado em seu rosto escamoso, enquanto Diddy Kong permanecia ali, enterrado sob a glória gorda e implacável do Rei dos Kremlings, esperando por um milagre que parecia cada vez mais distante na penumbra da selva.

— Boa noite, Diddy — murmurou K. Rool, sua voz já sumindo no sono. — Tente não murchar demais enquanto eu durmo.

A floresta voltou ao seu silêncio, apenas com o som rítmico do ronco de K. Rool e os gemidos abafados de um pequeno macaco que, naquele dia, aprendeu que o peso da realeza era muito mais do que apenas uma metáfora.

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