King k.rool e Diddy kong
O Refém no Trono de Escamas
A noite havia caído completamente sobre a Ilha Donkey Kong, mas a floresta não estava em silêncio. O coro de grilos e o coaxar de sapos distantes formavam uma sinfonia natural que parecia embalar o descanso forçado de Diddy Kong. O macaquinho, apesar de sua natureza agitada, sentia o corpo pesado. Não era apenas o cansaço da correria; era a pressão constante e morna do corpo de King K. Rool.
Ele estava ali, ainda preso sob a axila massiva do crocodilo. A pele de K. Rool, embora escamosa, tinha uma textura de couro antigo que emanava um calor surpreendente. Diddy sentia a lateral de seu rosto pressionada contra a placa peitoral dourada, que subia e descia em um ritmo lento e hipnótico. A barriga do rei, aquela massa vasta e macia que Diddy mencionara antes, servia como uma espécie de barreira e apoio ao mesmo tempo. Cada vez que K. Rool respirava fundo, Diddy sentia o estômago do vilão se expandir contra suas costelas, apertando-o ainda mais no esconderijo escamoso.
— Sabe, macaquinho... — A voz de K. Rool surgiu subitamente, vibrando através de seu peito e fazendo os ossos de Diddy tremerem. — Eu estava pensando. Donkey Kong deve estar agora mesmo gritando seu nome pelos quatro cantos da selva. Ele é tão previsível, não é?
Diddy tentou se mexer, mas o braço de K. Rool apenas se contraiu, prendendo-o com mais firmeza. O macaquinho soltou um gemido abafado.
— Ele não vai parar até me encontrar, K. Rool. E quando ele encontrar, você vai se arrepender de ter me usado como travesseiro.
K. Rool soltou um bufo que soprou as folhas ao redor, uma risada contida que fez sua barriga sacudir levemente sob Diddy.
— Arrepender? — O rei abriu o olho esbugalhado, brilhando na penumbra. — Olhe para mim, Diddy. Eu sou o Rei dos Kremlings. Eu comando exércitos, navego em navios voadores e sobrevivo a quedas de penhascos. Você realmente acha que um gorila com uma gravata vermelha me assusta enquanto eu tenho o seu braço direito bem aqui, sob minha custódia?
— Você fala muito para quem está apenas sentado no meio do mato — rebateu Diddy, tentando recuperar um pouco de sua dignidade. — Por que me levar para tão longe? Se queria me sequestrar, o seu navio não seria mais prático?
K. Rool ficou em silêncio por um momento, olhando para as copas das árvores que bloqueavam o luar. Ele usou a mão livre para coçar o topo da cabeça, onde sua coroa dourada brilhava fracamente.
— Às vezes, a realeza precisa de um tempo longe da corte — admitiu ele, a voz perdendo um pouco do sarcasmo habitual. — A Gangplank Galleon é barulhenta demais. O Kaptain K. Rool, o Baron K. Roolenstein... todos eles exigem muito de mim. Aqui, com você preso na minha axila e essa floresta toda para nós, eu sinto que posso simplesmente ser... eu mesmo. Um rei com sua conquista.
Diddy olhou para cima, conseguindo ver o queixo duplo do crocodilo e a curvatura de seu focinho. Ele nunca tinha visto K. Rool tão... relaxado. O vilão parecia genuinamente contente em apenas caminhar e sentar, mantendo o macaquinho por perto como se ele fosse um amuleto da sorte ou um brinquedo de pelúcia vivo.
— Então eu sou o seu momento de paz? — perguntou Diddy, arqueando uma sobrancelha. — Isso é muito estranho, K. Rool. Muito estranho mesmo.
— Não estrague o momento com sua lógica de primata — resmungou o rei, voltando a se levantar com um esforço audível das articulações.
Ele não soltou Diddy. Pelo contrário, ao se levantar, ele reajustou o macaquinho, puxando-o mais para cima, de modo que os pés de Diddy agora balançavam perto da linha da cintura de K. Rool e sua cabeça ficava quase na altura do ombro do crocodilo, ainda firmemente prensado contra aquele torso volumoso.
K. Rool começou a andar novamente, seus passos pesados esmagando galhos secos. A barriga dele balançava ritmicamente a cada passo, e Diddy, querendo ou não, acabava sendo embalado pelo movimento.
— Você é realmente muito grande — comentou Diddy, sentindo a imensidão do corpo do rei. — Como você consegue ser tão rápido nas lutas com todo esse peso?
K. Rool riu, um som gutural que ecoou pela mata.
— É tudo músculo, pequeno Kong. Músculo revestido por uma camada de... proteção estratégica. — Ele deu um tapinha sonoro na barriga, que tremeu sob o toque. — Isso aqui não é apenas gordura. É o reservatório da minha vontade! E serve muito bem para manter macacos barulhentos no lugar, não acha?
— Serve para me deixar sem ar, isso sim — reclamou Diddy, embora, no fundo, a sensação de segurança fosse inegável. K. Rool era um vilão, um ladrão de bananas e um tirano, mas naquele momento, ele era apenas uma presença gigantesca e quente que o protegia dos perigos da noite na selva.
Eles chegaram a uma clareira onde a luz da lua caía como prata sobre um pequeno lago. K. Rool parou e olhou para o reflexo da lua na água. Ele parecia perdido em pensamentos, sua mão enorme ainda segurando Diddy contra seu lado.
— Você já se sentiu sozinho, Diddy Kong? — perguntou K. Rool, sua voz soando estranhamente pequena para alguém do seu tamanho.
Diddy ficou surpreso com a pergunta. Ele pensou em Donkey, em Dixie, em toda a família Kong.
— Não muito. Eu sempre tenho os meus amigos. O Donkey está sempre lá por mim.
— Pois é — suspirou K. Rool. — Eu tenho subordinados. Tenho lacaios que me temem. Mas amigos? — Ele olhou para Diddy, o olho girando lentamente. — Talvez seja por isso que eu não te solto. Você não me teme como os outros. Você me insulta, reclama da minha barriga, tenta fugir... você me trata como alguém real.
Diddy sentiu uma pontada de pena, algo que ele nunca imaginou sentir pelo Rei dos Kremlings.
— K. Rool... se você parasse de tentar nos expulsar da ilha e de roubar nossas bananas, talvez as coisas fossem diferentes.
O crocodilo soltou uma bufada desdenhosa, voltando à sua postura arrogante.
— E perder toda a diversão? Jamais! A vilania é o que dá sabor à vida. Mas por hoje... — Ele apertou Diddy um pouco mais, o braço musculoso envolvendo quase todo o tronco do macaquinho. — Por hoje, eu só quero que você fique aqui. Encostado no "velho barrigudo", como você disse.
— Tudo bem, K. Rool — cedeu Diddy, bocejando. — Mas se você começar a roncar no meu ouvido, eu vou morder o seu braço.
— Tente a sorte, macaquinho. Minhas escamas são mais duras que seus dentes.
K. Rool sentou-se novamente, desta vez encostando as costas em uma rocha lisa perto da água. Ele acomodou Diddy em uma posição onde o pequeno Kong podia apoiar a cabeça diretamente na curva macia de sua barriga lateral, usando o braço do rei como um cobertor pesado sobre suas costas.
— Você é muito teimoso — murmurou Diddy, fechando os olhos.
— E você é muito pequeno — respondeu K. Rool, fechando os olhos também. — Agora durma. Amanhã voltaremos aos planos de dominação mundial. Mas agora... o rei está descansando.
Diddy sentiu o calor emanando do corpo de K. Rool. A barriga do rei era como um grande radiador orgânico, e o cheiro de pântano e mato, embora forte, tornou-se familiar. O macaquinho parou de lutar contra a prisão. Por aquela noite, a axila do rei e sua barriga proeminente eram o lugar mais seguro da ilha.
O silêncio da floresta foi quebrado apenas pelo som da respiração profunda e sincronizada dos dois. K. Rool, o grande conquistador, e Diddy, o herói travesso, agora unidos em um momento de paz absurdo e inexplicável. O rei, com um sorriso quase imperceptível nos lábios escamosos, não soltou Diddy nem por um segundo, mantendo seu pequeno troféu aquecido e seguro sob sua proteção maciça.
Enquanto a lua cruzava o céu, o Rei dos Kremlings finalmente permitiu-se relaxar por completo. Ele sabia que a guerra continuaria no dia seguinte, que as bananas seriam disputadas e que os socos seriam trocados. Mas, enquanto sentia o peso leve de Diddy Kong contra sua barriga, King K. Rool sentiu que, pela primeira vez em muito tempo, ele não precisava conquistar nada. Ele já tinha tudo o que precisava para aquela noite.
— Bons sonhos, macaquinho travesso — sussurrou ele, antes de mergulhar em um sono profundo e sem sonhos, segurando Diddy como se ele fosse o tesouro mais valioso de toda a sua coleção.