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King k.rool e Diddy kong

O Calor da Realeza e o Despertar na Selva

A primeira luz da manhã atravessou a densa copa das árvores, criando padrões de luz e sombra sobre a pele escamosa de King K. Rool. O Rei dos Kremlings ainda dormia profundamente, emitindo um ronco rítmico que fazia toda a sua estrutura corporal vibrar. Diddy Kong, por outro lado, começou a despertar com o som de um pássaro tropical gritando nas proximidades. O macaquinho tentou se espreguiçar, mas logo lembrou que sua liberdade de movimento era nula.

Ele ainda estava lá, firmemente encaixado sob a axila massiva de K. Rool, com metade do corpo afundada na maciez da barriga lateral do crocodilo. A pressão era constante, morna e, de uma forma que Diddy odiaria admitir, extremamente aconchegante. O braço do rei, pesado como um tronco de carvalho, agia como um cinto de segurança inquebrável.

Diddy olhou para cima e viu o rosto de K. Rool. Sem a expressão maníaca e os olhos esbugalhados focados em destruição, o vilão parecia quase... pacífico. A mandíbula estava levemente aberta, e uma pequena bolha de saliva se formava no canto da boca, estourando a cada ronco mais forte.

— Ugh, K. Rool... acorda... — sussurrou Diddy, cutucando a placa peitoral dourada com o dedo indicador. — Você está me esmagando mais do que o normal.

O crocodilo soltou um grunhido baixo, um som que parecia vir das profundezas de um vulcão, e em vez de soltá-lo, ele simplesmente se virou levemente, puxando Diddy ainda mais para perto do centro de sua barriga. O macaquinho sentiu o estômago vasto do rei envolver seu ombro, uma sensação de ser engolido por um travesseiro gigante e escamoso.

— Só mais cinco minutos, Krusha... — resmungou K. Rool entre dentes, claramente ainda perdido em algum sonho sobre montanhas de bananas e coroas de ouro.

— Eu não sou o Krusha! — exclamou Diddy, desta vez mais alto, usando os pés para empurrar a coxa musculosa do rei. — Sou eu, Diddy! O macaco que você sequestrou!

K. Rool abriu o olho esbugalhado de uma vez. O globo ocular girou freneticamente até focar na pequena criatura vermelha presa sob seu braço. Um sorriso lento e malicioso começou a se formar em seu rosto, revelando fileiras de dentes afiados que, por sorte, não pareciam destinados a morder naquele momento.

— Ah, o meu pequeno troféu — disse K. Rool, a voz rouca pelo sono. — Eu quase esqueci que tinha uma companhia tão... compacta.

Ele se espreguiçou, o que foi uma experiência aterrorizante para Diddy, já que os músculos do peito e da axila do rei se contraíram violentamente antes de relaxarem. K. Rool deu um tapinha satisfeito na própria barriga, o que fez Diddy saltar levemente devido ao impacto da palma da mão contra o couro dourado.

— Dormiu bem, macaquinho? — perguntou o rei, finalmente afrouxando o aperto, mas apenas o suficiente para Diddy respirar melhor, sem realmente deixá-lo sair.

— Eu dormi como um prisioneiro em um colchão de escamas — resmungou Diddy, ajustando o boné que estava todo amassado. — Você ronca como um motor estragado, K. Rool. E sua barriga... ela faz barulhos estranhos à noite. Parece que tem uma guerra acontecendo aí dentro.

K. Rool soltou uma gargalhada que espantou os pássaros das árvores próximas. Ele se sentou ereto, mantendo Diddy preso contra o flanco, e olhou para o próprio abdômen com orgulho.

— Isso, meu caro Diddy, é o som da digestão real! Um rei precisa de muito combustível para manter esse físico imponente. — Ele deu outra palmada na barriga, que produziu um som profundo e oco. — E você deveria estar grato. Muitos Kremlings dariam a cauda para ter o privilégio de dormir tão perto do coração do império.

— Eu preferiria dormir em uma rede de cipó, obrigado — disse Diddy, tentando deslizar para baixo, mas a mão de K. Rool rapidamente o interceptou, puxando-o de volta para cima e prendendo-o novamente contra a axila.

— Nada disso. O dia está apenas começando e eu decidi que ainda não terminei de exibir meu novo acessório. — K. Rool levantou-se com um salto, fazendo o chão tremer. — Vamos. O café da manhã não vai se roubar sozinho.

O rei começou a caminhar pela floresta com passos largos e decididos. Diddy, balançando conforme o quadril do crocodilo se movia, percebeu que K. Rool o carregava como se ele fosse uma pasta de documentos ou um lanche para viagem. A sensação da barriga de K. Rool batendo suavemente contra o braço de Diddy a cada passo era algo que o macaquinho estava começando a achar hipnótico, por mais que tentasse resistir.

— Para onde estamos indo agora? — perguntou Diddy, desistindo de lutar e deixando o corpo relaxar contra o calor do vilão. — Você vai me levar para o navio ou vai ficar desfilando comigo pela selva até o Donkey nos encontrar?

— O gorila de gravata? — K. Rool bufou, desviando de um galho baixo que quase atingiu a cabeça de Diddy. — Ele deve estar perdido em algum labirinto de barris a essa hora. Não, Diddy. Hoje, nós vamos visitar um lugar especial. Um mirante que eu descobri. Quero que você veja a ilha da perspectiva de um rei.

— E eu tenho escolha? — ironizou o macaquinho.

— Você tem a escolha de ficar quieto ou de eu apertar você até você apitar como um brinquedo de borracha — respondeu K. Rool com um brilho divertido nos olhos.

Eles caminharam por quase uma hora. K. Rool falava sem parar, contando histórias de suas supostas glórias passadas, de como ele quase derrotou os Kongs inúmeras vezes e de como sua barriga era, na verdade, uma armadura natural impenetrável. Diddy ouvia metade do que ele dizia, mais ocupado em observar como o rei parecia genuinamente feliz em ter alguém para "conversar", mesmo que esse alguém fosse um refém.

— Sabe, K. Rool — interrompeu Diddy durante uma pausa na fala do rei —, você até que é legal quando não está tentando explodir a nossa casa.

K. Rool parou bruscamente. Ele olhou para Diddy com uma expressão de choque, como se o macaquinho tivesse dito a maior heresia do mundo.

— Legal? Eu não sou "legal"! Eu sou cruel! Eu sou implacável! Eu sou o terror dos sete mares e de todos os pântanos conhecidos!

— Sim, sim, você é terrível — disse Diddy, revirando os olhos. — Mas você está me carregando com cuidado para não me machucar, está dividindo suas histórias e até se certificou de que eu não caísse enquanto você dormia. Você é um vilão bem atencioso.

K. Rool resmungou algo ininteligível, as escamas de seu rosto parecendo assumir um tom de verde mais escuro, quase como se estivesse corado. Ele ajustou o aperto em Diddy, pressionando o macaquinho com um pouco mais de força contra sua barriga macia, talvez para esconder seu embaraço.

— Eu só estou protegendo meu investimento — declarou o rei com firmeza. — Se você se quebrar, o resgate perde o valor. É pura economia, nada mais.

— Se você diz... — Diddy sorriu, sentindo a vibração da risada contida no peito do crocodilo.

Eles finalmente chegaram ao topo de uma colina rochosa que oferecia uma visão panorâmica de toda a Ilha Donkey Kong. O mar azul se estendia até o horizonte, e a selva abaixo parecia um tapete verde infinito. K. Rool soltou um suspiro longo e satisfeito, sentando-se na beira do penhasco com as pernas balançando no abismo.

Ele finalmente soltou Diddy da axila, mas não o deixou ir embora. Em vez disso, ele colocou o macaquinho sentado bem no meio de suas pernas, encostado contra a sua barriga imensa, que agora servia como um encosto de poltrona luxuoso para o pequeno Kong.

— Olhe para isso, Diddy — disse K. Rool, gesticulando com os braços abertos. — Tudo isso poderia ser meu. Tudo isso deveria ser meu.

Diddy encostou as costas na barriga do rei, sentindo a textura das placas douradas. Era estranhamente relaxante estar ali, no topo do mundo, com o vilão mais perigoso da ilha agindo como um guarda-costas gigante.

— É uma vista bonita — admitiu Diddy. — Mas a ilha é de todo mundo, K. Rool. Não precisa ser só de um rei.

— Filosofia de macaco — desdenhou o crocodilo, mas sem a mordacidade habitual. Ele descansou a mão pesada sobre o boné de Diddy, dando um tapinha leve. — Mas, por um momento... eu admito que a vista é melhor com alguém para comentar.

— Viu? Eu disse que você estava solitário.

K. Rool não respondeu imediatamente. Ele apenas ficou ali, olhando para o horizonte, com sua barriga subindo e descendo suavemente contra as costas de Diddy. O macaquinho fechou os olhos por um momento, aproveitando a brisa fresca e o calor reconfortante do corpo do rei.

— Você é muito barrigudo mesmo, K. Rool — repetiu Diddy em um sussurro preguiçoso.

— E você é muito atrevido, Diddy Kong — rebateu o rei, soltando uma risada baixa. — Mas acho que posso tolerar isso por mais algumas horas.

Eles ficaram ali em silêncio, dois inimigos naturais compartilhando um momento de trégua forçada pela conveniência e por uma estranha conexão que havia surgido na calada da noite. K. Rool sabia que, em breve, teria que voltar a ser o vilão, e Diddy sabia que teria que voltar a ser o herói. Mas, naquele mirante, sob o sol da manhã, eles eram apenas um rei gigante e seu pequeno companheiro, unidos pelo calor de uma barriga dourada e pela vastidão da ilha que ambos amavam, cada um à sua maneira.

— K. Rool? — chamou Diddy após um tempo.

— Sim, macaquinho?

— Se o Donkey Kong aparecer agora, você vai me usar como escudo ou vai lutar como um rei?

K. Rool olhou para baixo, para a pequena figura vermelha entre suas pernas, e depois para a própria barriga vasta.

— Eu provavelmente vou te esconder atrás de mim — disse o rei com um sorriso enigmático. — Não quero que ninguém estrague o meu travesseiro favorito antes da hora da soneca da tarde.

Diddy riu, e pela primeira vez desde que fora capturado, ele não sentiu vontade de fugir. Havia algo de majestoso naquela barriga e naquela axila protetora, algo que fazia a floresta parecer um pouco menos perigosa e a vida de um refém um pouco mais interessante.

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