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O Preço da Insaciabilidade
O barulho das rodas do carrinho de compras ecoava pelo corredor de laticínios do supermercado, um som metálico e rítmico que parecia irritar os nervos já tensos de Luiz. Ele caminhava com passos largos, a expressão fechada e o cenho franzido, a personificação da impaciência. Atrás dele, quase colado às suas costas, Natan tentava manter o passo, as mãos pequenas agarradas firmemente ao cinto de Luiz, os olhos baixos e um bico teimoso nos lábios rosados.
Luiz parou bruscamente diante das prateleiras de leite integral. Natan, distraído com seu próprio desconforto, acabou batendo o rosto contra as costas largas do mais velho.
— Ai, papai... — resmungou Natan, esfregando o nariz, a voz carregada de manha.
— Preste atenção por onde anda, Natan — Luiz disse, a voz grossa e ríspida, sem sequer se virar para olhar o menor. Ele começou a empilhar caixas de leite no carrinho com movimentos eficientes. — Precisamos do seu leite para as mamadeiras. Se você quer ser cuidado como um bebê, tem que ter o que beber.
Natan soltou um suspiro pesado, um som que terminou em um gemido baixo. Ele se aproximou mais, pressionando o corpo contra a coxa de Luiz, ignorando o fato de estarem em um local público. A cintura fina de Natan balançava levemente enquanto ele tentava encontrar uma posição que aliviasse a sensação que o estava torturando desde que saíram de casa.
— Mas o Natan não quer esse leite agora, papai — ele sussurrou, a voz trêmula, puxando a barra da camisa de Luiz. — O Natan quer o leitinho do papai. O Natan quer ficar cheinho de novo. Está vazio... está saindo tudo e eu me sinto vazio.
Luiz parou com uma caixa de leite na mão e finalmente olhou para baixo. Natan era a imagem da pureza corrompida: o rosto de anjo, os olhos brilhantes de desejo infantil e necessidade, contrastando com o corpo esculpido e a calça justa que marcava suas curvas. O biquinho nos lábios de Natan era um desafio silencioso, uma birra que Luiz conhecia bem demais.
— Nós mal saímos do carro, Natan. Eu preenchi você no estacionamento — Luiz rosnou, aproximando o rosto do ouvido de Natan, a voz caindo para um tom perigosamente baixo. — Você é um buraco sem fundo? Eu disse que íamos comprar as coisas e voltar para casa.
— Mas o senhor saiu! — Natan exclamou um pouco alto demais, atraindo o olhar de uma senhora que passava por perto. Ele rapidamente baixou o tom, mas a intensidade não diminuiu. — O senhor saiu de dentro de mim e agora eu estou ficando vazio. Eu odeio quando o senhor sai. Eu quero que o senhor fique lá dentro, o tempo todo. Quero ficar pesadinho e cheio. Por favor, papai... só um pouquinho?
Luiz sentiu a mandíbula travar. A audácia de Natan era irritante, mas a forma como o rapaz se esfregava contra ele, buscando o calor e a pressão que tanto cobiçava, era um gatilho poderoso. Luiz olhou para os lados. O corredor de produtos de limpeza, logo à frente, parecia deserto e era mal iluminado.
Sem dizer uma palavra, Luiz agarrou o braço de Natan com força, não para machucar, mas para mostrar quem estava no comando, e o arrastou em direção ao corredor mais afastado. Natan quase tropeçou, mas havia um brilho de triunfo em seus olhos. Ele sabia que, apesar da grosseria e da rudeza, Luiz não conseguia resistir à sua carência obsessiva.
Ao chegarem atrás de uma pilha alta de fardos de papel higiênico, Luiz prensou Natan contra a prateleira de metal. O som das latas de desinfetante vibrando foi abafado pelo corpo de Natan sendo esmagado contra a estrutura.
— Você não para, não é? — Luiz disse, a mão subindo para apertar o queixo de Natan, forçando-o a olhar em seus olhos frios. — Quer ser preenchido aqui? No meio do mercado, como um animalzinho no cio?
— Sim, papai... o Natan quer ser o seu potinho — Natan respondeu, a respiração ofegante, as mãos descendo para a própria calça com urgência. — O senhor prometeu que hoje eu não ia ficar vazio. Em todos os cômodos, no carro... o senhor prometeu.
— Eu vou te dar o que você quer, mas se você soltar um gemido que alguém escute, eu tiro e você vai ficar vazio o resto da semana — Luiz ameaçou, a voz como um trovão baixo.
Natan assentiu freneticamente, fechando os olhos e mordendo o lábio inferior enquanto Luiz desfazia o cinto com uma agilidade bruta. A sensação do preenchimento voltando foi como um choque elétrico para o menor. Quando Luiz se impôs, ocupando o espaço que Natan tanto implorava, o rapaz soltou um suspiro longo e trêmulo, a cabeça caindo para trás, encostando no metal frio.
— Ah, papai... sim... preenche tudo — Natan murmurou, as unhas cravando nos braços fortes de Luiz.
— Fique quieto — Luiz ordenou, mantendo o movimento curto e firme, focado apenas em saciar a fome insaciável daquele garoto que parecia viver apenas para ser preenchido por ele.
Luiz não era gentil. Ele nunca era. Seus movimentos eram rudes, marcados pela força e pela posse. Natan adorava. Ele adorava a sensação de ser dominado, de ter cada centímetro de sua intimidade ocupado pelo homem que ele chamava de papai. Ele se sentia completo, pesado, como se finalmente estivesse onde deveria estar.
Quando o ápice veio, Luiz se certificou de deixar cada gota de si dentro de Natan, mantendo a conexão por longos segundos, pressionando o corpo contra o dele para garantir que nada escapasse. Natan estava em êxtase, o rosto corado, a chupeta que ele havia tirado do bolso agora firmemente presa entre os dentes, sugando-a com força enquanto tentava recuperar o fôlego.
— Pronto — Luiz disse, a voz ainda rouca, afastando-se lentamente enquanto ajeitava a própria roupa com uma frieza impressionante. — Agora, recomponha-se. Temos que terminar as compras.
Assim que Luiz se afastou completamente, o biquinho voltou ao rosto de Natan quase instantaneamente. Ele sentiu a ausência física, o vazio começando a ameaçar sua paz recém-adquirida.
— Já saiu? — Natan perguntou, a voz emburrada, ajeitando a calça com movimentos lentos e relutantes. — Por que o papai não pode ficar dentro do Natan enquanto a gente anda?
— Porque é fisicamente impossível e ridículo, Natan — Luiz respondeu, já voltando para o corredor principal, sem esperar pelo outro. — Ande logo.
Natan seguiu atrás, mas agora seu caminhar era diferente. Ele andava com as pernas um pouco mais afastadas, tentando manter o "leitinho" do papai bem guardado dentro de si, concentrado em não deixar nada vazar. Cada passo era um esforço consciente para se sentir "cheinho".
Eles voltaram para o carrinho. Luiz continuou pegando itens: cereais, frutas, fraldas extras. Natan permanecia em silêncio, mas sua expressão era de puro descontentamento. Ele queria estar no colo de Luiz, queria estar conectado a ele, queria o calor ininterrupto.
— Papai... — chamou Natan, puxando a manga do paletó de Luiz novamente enquanto paravam na fila do caixa.
— O que é agora, Natan? — Luiz perguntou, olhando para o relógio, claramente querendo sair dali.
— O Natan está ficando triste. O senhor está longe — ele disse, os olhos começando a marejar. — Quando chegarmos no carro, o senhor coloca de novo? E não tira mais? Nem quando a gente chegar em casa? O senhor pode me carregar até o quarto sem tirar?
Luiz olhou para a cintura fina de Natan, para a fragilidade aparente que escondia uma persistência de ferro. Ele suspirou, uma mistura de exaustão e um desejo sombrio que ele nunca admitiria em voz alta.
— Se você se comportar até chegarmos ao carro e não reclamar de nenhuma dor, eu deixo você cheinho o resto da tarde — Luiz cedeu, a voz um pouco menos rude, embora ainda firme. — Mas se eu ouvir um único resmungo de birra, você vai dormir no berço, sozinho e vazio. Entendido?
Os olhos de Natan brilharam instantaneamente. O biquinho desapareceu, substituído por um sorriso radiante e vitorioso. Ele se aproximou e abraçou o braço de Luiz, esfregando a bochecha no tecido caro.
— O Natan vai ser um bom menino, papai. O Natan vai ficar bem cheinho e quietinho para o senhor.
Luiz apenas balançou a cabeça, pagando pelas compras enquanto Natan o observava com adoração. Ele sabia que, assim que cruzassem a porta do supermercado, a batalha começaria de novo. Natan nunca estava satisfeito, nunca estava cheio o suficiente, e Luiz, apesar de toda a sua grosseria e autoridade, era o único homem capaz de tentar preencher aquele vazio infinito, uma gota de cada vez, em cada cômodo daquela casa, em cada canto da vida deles.
Ao saírem para o estacionamento, Natan já começou a puxar Luiz em direção ao veículo com pressa.
— Rápido, papai! O Natan está sentindo que está esvaziando! — ele exclamou, voltando ao tom de urgência infantil.
— Natan, eu juro que se você não parar de gritar... — Luiz começou, mas foi interrompido pelo som da chave destravando o carro.
Ele sabia que, nos próximos minutos, no banco de trás do carro escurecido, ele teria que cumprir sua promessa. E Natan, com seu corpo esculpido e sua mente de criança, estaria finalmente em paz, transbordando com o que ele acreditava ser a única coisa que o mantinha inteiro: a marca física e constante de seu papai.