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O Transbordar do Desejo sob o Sol
O parque de diversões estava em seu ápice de movimento naquele sábado ensolarado. O ar estava impregnado com o cheiro doce de pipoca e algodão-doce, misturado ao som estridente das montanhas-russas e aos gritos de crianças correndo por todos os lados. Luiz caminhava com sua postura imponente, os ombros largos e a expressão fechada de quem preferia estar em qualquer outro lugar menos barulhento. Ao seu lado, Natan parecia uma visão de contraste absoluto: ele usava uma saia plissada curta, de um tom azul bebê que destacava suas pernas torneadas e a cintura finíssima, combinada com uma blusa de gola alta branca que o deixava com um aspecto angelical e vulnerável.
Natan segurava a mão de Luiz com força, mas seus passos eram curtos e vacilantes. Ele estava com a chupeta na boca, sugando-a com uma intensidade que denunciava sua ansiedade. Seus olhos grandes e úmidos buscavam os de Luiz a cada poucos segundos, e o biquinho que se formava ao redor da base da chupeta era o sinal claro de que uma crise de carência estava prestes a explodir.
— Papai... o Natan está sentindo... — ele murmurou, a voz abafada pelo plástico da chupeta enquanto puxava a mão de Luiz para parar.
Luiz parou e olhou para baixo, soltando um suspiro pesado que carregava toda a sua impaciência. Ele ajustou os óculos escuros, observando como Natan se encolhia, cruzando as pernas de um jeito que denunciava o desconforto.
— Natan, nós acabamos de chegar. Eu te avisei que o parque estaria cheio e que você teria que se controlar — Luiz disse, a voz grossa e autoritária, atraindo alguns olhares curiosos de passantes.
— Mas o Natan não consegue! — o menor exclamou, tirando a chupeta por um instante, os lábios trêmulos. — O senhor me deixou cheinho antes de sairmos do carro, mas agora eu sinto que está tudo indo embora... eu me sinto vazio, papai. O Natan quer ficar cheinho agora. Por favor, papai, dói ficar vazio.
Luiz olhou ao redor, irritado. A multidão era constante. Ele não suportava a ideia de ser interrompido ou observado, mas a birra de Natan estava escalando para um nível onde o rapaz logo começaria a chorar no meio do caminho principal. Sem dizer uma palavra, Luiz o agarrou pelo pulso e começou a guiá-lo para longe das atrações principais, em direção a uma área de preservação ambiental nos fundos do parque, onde as árvores eram mais densas e o fluxo de pessoas diminuía drasticamente.
Eles encontraram um banco de madeira rústico, escondido atrás de alguns arbustos altos e carvalhos antigos. O som da música do parque chegava ali apenas como um eco distante.
— Sente-se — ordenou Luiz, apontando para o banco.
Natan obedeceu imediatamente, mas não se sentou de forma convencional. Ele se acomodou na ponta do banco, olhando para Luiz com uma expectativa devoradora. A saia curta facilitava o acesso, algo que Natan havia planejado deliberadamente ao escolher aquela roupa. Ele queria que fosse fácil, queria que o papai não tivesse desculpas para não preenchê-lo.
— Você é um viciado, Natan. Um garoto mimado que não sabe ouvir um "não" — Luiz rosnou, aproximando-se e ficando entre as pernas do menor.
— O Natan só quer o que é dele — respondeu o rapaz, a voz subindo uma oitava, carregada de uma possessividade infantil. — O leitinho do papai é do Natan. Eu quero ficar cheio até a boca. Quero que o senhor me complete.
Luiz não perdeu tempo com carícias. Sua rudeza era a linguagem que Natan entendia e, de certa forma, ansiava. Ele levantou a barra da saia azul, revelando a pele alva e a preparação que Natan mantinha constantemente. Com um movimento bruto, Luiz desfez o próprio cinto e se impôs.
O grito de Natan foi abafado pela mão de Luiz, que cobriu sua boca com firmeza.
— Silêncio. Eu disse que o parque está cheio — Luiz sibilou contra o ouvido dele.
Natan arregalou os olhos, as lágrimas de alívio e prazer transbordando e escorrendo pelas bochechas. Ele agarrou os braços fortes de Luiz, sentindo o peso e a potência do homem voltando a ocupar o espaço que ele considerava sagrado. O preenchimento era imediato, uma sensação de expansão que fazia Natan se sentir pesado e satisfeito. Ele fechou os olhos, balançando a cabeça freneticamente enquanto Luiz mantinha um ritmo constante e punitivo, focado em silenciar a carência do menor através da força.
— Está satisfeito agora? — Luiz perguntou entre dentes, sentindo o corpo de Natan tremer sob o seu. — Você está transbordando, Natan.
— Mais... mais, papai... não para nunca — Natan implorava em sussurros desconexos.
Depois de alguns minutos de uma intensidade que deixou Natan completamente sem forças, Luiz finalmente se afastou. Ele se recompôs com a eficiência de sempre, fechando o zíper e ajustando o cinto, enquanto Natan permanecia jogado contra o encosto do banco, a saia bagunçada e os olhos perdidos no céu acima deles. Ele se sentia maravilhosamente cheio, uma plenitude que aquecia seu ventre.
— Vamos. Acabou a brincadeira. Vamos para o carro, vou te levar para casa — Luiz disse, limpando as mãos e pegando a mochila de Natan.
No entanto, o erro de Luiz foi o de sempre: acreditar que o ato de preencher Natan traria um fim à sua demanda. Para Natan, o preenchimento não era um evento com fim, era um estado de ser que ele desejava manter para sempre.
Quando Luiz começou a caminhar em direção à saída, Natan sentiu o primeiro sinal do que ele chamava de "esvaziamento". O movimento de andar fazia com que a sensação de plenitude oscilasse. O pânico começou a subir por sua garganta.
— Não! — Natan gritou, parando no meio do caminho gramado.
Luiz se virou, a expressão de puro ódio pela desobediência.
— O que foi agora, Natan? Eu já fiz o que você queria.
— O senhor saiu! — Natan correu até ele, fazendo um bico enorme, o rosto ficando vermelho de raiva. — O senhor saiu e agora eu vou ficar vazio de novo até o carro! Eu não quero! Eu quero o papai dentro de mim agora!
— Nós estamos caminhando para o estacionamento, seu moleque insolente! — Luiz vociferou, perdendo a paciência. — Você vai esperar dez minutos!
— Não vou! — Natan se jogou contra Luiz, abraçando sua cintura com uma força surpreendente. — Eu quero ficar cheinho agora! Não quero que o senhor saia nunca mais! Quero o papai dentro de mim por dias, sem sair nem um segundo!
Natan, em um surto de audácia movido pela obsessão, começou a puxar o zíper da calça de Luiz ali mesmo, à vista de quem quer que pudesse dobrar a esquina do caminho de terra.
— Pare com isso! — Luiz tentou segurar as mãos dele, mas Natan era ágil.
O menor subiu no colo de Luiz, entrelaçando as pernas em volta da cintura larga do homem. Ele era leve, mas a determinação em seu rosto era inabalável. Com um movimento rápido, Natan afastou a própria roupa e, ignorando os protestos de Luiz, guiou o homem de volta para dentro de si, soltando um suspiro de satisfação profunda ao sentir a reconexão.
— Ah... agora sim... — Natan murmurou, escondendo o rosto no pescoço de Luiz, os braços apertando o pescoço do mais velho. — Agora o papai não sai mais. O Natan vai ficar assim.
Luiz ficou estático por um momento, sentindo o calor de Natan e a audácia daquela posição. Eles estavam em um parque público, e Natan o havia forçado a uma situação de exposição extrema. A raiva de Luiz borbulhava, mas havia algo na possessividade doentia de Natan que alimentava seu próprio lado obscuro.
— Você tem noção do que está fazendo? — Luiz perguntou, a voz mais baixa e perigosa do que nunca. — Se eu te carregar assim até o carro, eu vou te trancar naquele quarto por uma semana e você não vai ver a luz do sol. E eu não vou sair de dentro de você nem para você respirar direito.
Natan deu um beijo babado no pescoço de Luiz, apertando ainda mais as pernas ao redor dele.
— É isso que o Natan quer, papai... o Natan quer ficar cheinho para sempre. Pode me trancar. Mas não sai. Por favor, não sai nunca.
Luiz soltou um rosnado baixo, mas cedeu. Ele segurou as coxas de Natan com firmeza, garantindo que o menor estivesse bem preso a ele, e começou a caminhar em direção ao estacionamento. A saia de Natan cobria o ponto de união, mas a proximidade excessiva e a forma como Natan se agarrava a ele deixavam claro para qualquer observador atento que algo muito íntimo estava acontecendo.
Natan estava em seu paraíso particular. A cada passo que Luiz dava, o impacto fazia com que ele se sentisse ainda mais preenchido, ainda mais "cheinho". Ele fechou os olhos, ignorando o mundo exterior. Ele não se importava com o parque, com as pessoas ou com as consequências. Para Natan, o universo se resumia àquele calor ininterrupto, à sensação de ser um recipiente que Luiz finalmente havia decidido não esvaziar.
Ao chegarem ao carro, Luiz abriu a porta traseira com dificuldade e jogou Natan no banco, mas o rapaz se recusou a soltá-lo.
— Não sai, papai! Você prometeu! — Natan choramingou, os olhos fixos nos de Luiz.
— Eu não vou sair, Natan — Luiz disse, entrando no carro e fechando a porta, mergulhando o interior do veículo em uma penumbra abafada. — Mas você vai aprender que querer o papai dentro de você o tempo todo tem um preço. E eu vou cobrar cada centavo.
Natan sorriu, um sorriso doce e vitorioso, enquanto se acomodava no colo de Luiz no banco de trás, sentindo-se finalmente completo. Ele queria dias, semanas, uma eternidade daquela forma. E Luiz, em sua rudeza possessiva, parecia pronto para dar a Natan exatamente o que ele pedia, transformando a obsessão do menor em uma prisão de prazer e preenchimento da qual nenhum dos dois queria realmente escapar.