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O Labirinto de Saciedade e Fome

O trajeto do parque de diversões até a mansão foi um exercício de tensão silenciosa e fricção constante. Dentro do SUV de vidros escurecidos, o mundo exterior deixou de existir. Luiz dirigia com uma das mãos firme no volante, enquanto a outra estava possessivamente cravada na coxa de Natan, que permanecia no banco do passageiro, mas inclinado de uma forma que desafiava a ergonomia, apenas para manter o contato físico mais íntimo possível. O silêncio era quebrado apenas pela respiração pesada de Natan e pelo som rítmico de sua chupeta.

Assim que os portões da garagem se fecharam, o estalo da trava elétrica soou como o início de uma sentença. Luiz desligou o motor, mas não se moveu. Ele olhou para Natan, cujas bochechas estavam permanentemente coradas, o olhar vidrado em uma mistura de exaustão e desejo insaciável.

— Descça — ordenou Luiz, a voz saindo como um trovão baixo no espaço confinado.

— O papai vai me carregar? — Natan perguntou, tirando a chupeta e deixando um fio de saliva escapar. — O senhor disse que ia me carregar para eu não esvaziar.

Luiz não respondeu com palavras. Ele saiu do carro, contornou a frente e abriu a porta do passageiro com uma força que fez a estrutura vibrar. Ele puxou Natan para seus braços, erguendo o rapaz como se ele não pesasse nada. Natan imediatamente entrelaçou as pernas na cintura de Luiz, os braços apertando o pescoço do homem, buscando desesperadamente o reencaixe que o movimento de sair do carro havia ameaçado.

— Você é um fardo, Natan — Luiz rosnou, subindo as escadas da entrada com passos pesados. — Um fardo lindo e irritante.

— O Natan é o seu potinho, papai — sussurrou o menor, escondendo o rosto na curva do pescoço de Luiz, sentindo o cheiro de perfume caro e suor viril. — Deixa o Natan bem cheinho agora. No quarto. Na cama grande.

Ao cruzarem o limiar da mansão, a atmosfera mudou. A casa, vasta e luxuosa, parecia pequena demais para a intensidade que emanava dos dois. Luiz não parou na sala, nem na cozinha onde as mamadeiras esperavam. Ele subiu direto para a suíte master. Cada degrau da escada era um solavanco que fazia Natan gemer baixinho, sentindo o preenchimento que Luiz lhe fornecia se agitar dentro de si.

Luiz chutou a porta do quarto, fechando-a com o calcanhar. Ele jogou Natan no centro da cama king-size, mas antes que o menor pudesse se espalhar pelos lençóis de seda, Luiz já estava sobre ele, prensando-o contra o colchão.

— Você disse que queria em todos os cômodos, não disse? — Luiz perguntou, as mãos grandes prendendo os pulsos de Natan acima da cabeça dele. — Você queria que eu não saísse. Pois bem, Natan. Eu vou te dar exatamente o que você pediu. Mas não espere que eu seja gentil quando você começar a implorar por uma pausa.

— O Natan não quer pausa! — Natan protestou, arqueando as costas, a cintura fina se destacando contra o contraste dos lençóis escuros. — O Natan quer transbordar!

O que se seguiu foi uma maratona de possessão. Luiz cumpriu sua promessa com uma disciplina cruel. Ele não deu espaço para Natan respirar, preenchendo-o repetidamente, transformando o corpo do rapaz em um receptáculo de sua vontade. A cada vez que Natan achava que tinha atingido o limite, Luiz encontrava uma nova forma de lembrá-lo de quem era o dono daquela saciedade.

Horas se passaram. A luz do sol que filtrava pelas cortinas pesadas deu lugar ao brilho prateado da lua. Natan estava em um estado de semi-consciência, o corpo esculpido coberto por uma fina camada de suor, a respiração vindo em curtos espasmos. Ele se sentia pesado, como se suas entranhas fossem feitas de chumbo quente. Era a sensação que ele tanto buscava: o preenchimento total.

No entanto, a mente infantilizada de Natan era um labirinto de contradições. Assim que Luiz se afastou por breves segundos para buscar um copo de água na mesa de cabeceira, o vazio — mesmo que puramente psicológico naquele momento, dado o estado em que Natan se encontrava — voltou a assombrá-lo.

— Papai... — Natan chamou, a voz fraca e manhosa. — Onde você vai?

— Beber água, Natan. Fique quieto por cinco minutos — Luiz respondeu sem olhar para trás, a voz rouca de esforço.

Natan rolou na cama, sentindo o líquido morno ameaçar escapar de seu corpo. O pânico infantil brilhou em seus olhos. Ele se sentou, desajeitado, e fez o biquinho mais exagerado que conseguiu, as lágrimas começando a formar uma película nos olhos claros.

— Não! O senhor saiu! O Natan está sentindo o vazio voltando! — ele começou a soluçar, uma birra genuína tomando conta. — O senhor prometeu! Prometeu que não ia sair!

Luiz parou com o copo na metade do caminho para a boca. Ele se virou lentamente, a expressão endurecendo. A visão de Natan, com a pele marcada e os cabelos bagunçados, chorando por um "vazio" que fisicamente não existia, testava o resto de sua sanidade.

— Olhe para você, Natan — Luiz caminhou de volta para a cama, a presença dele obscurecendo a luz do abajur. — Você está tão cheio que mal consegue se sentar direito. Pare com essa palhaçada agora.

— Não estou! O Natan quer mais! — ele chutou os lençóis, as pernas torneadas tremendo. — Se o papai sair, o Natan fica triste. O Natan quer que o papai fique dentro dele enquanto a gente dorme.

— Isso é impossível, seu idiota — Luiz rosnou, embora houvesse uma nota de entretenimento sombrio em sua voz.

— Não é! O senhor é forte, o senhor consegue! — Natan se arrastou até a borda da cama, agarrando a cintura de Luiz com as mãos pequenas. — Por favor, papai... o Natan quer ficar cheinho de novo. Só mais uma vez? Para o Natan dormir feliz?

Luiz suspirou, uma rendição que ele odiava admitir. Ele pegou Natan pelo queixo, forçando-o a olhar para cima.

— Se eu fizer isso de novo, Natan, você não vai conseguir andar amanhã. Você vai ter que ficar no berço o dia todo, e eu vou te alimentar com a mamadeira enquanto te mantenho exatamente como você quer. Você aceita isso?

Os olhos de Natan brilharam com uma alegria maníaca.

— Sim! O Natan quer o berço! O Natan quer o leitinho do papai no berço!

Luiz não esperou por mais nada. Ele empurrou Natan de volta para os travesseiros, reiniciando o ciclo de preenchimento com uma força renovada. Ele era rude, grosso, suas mãos deixando marcas avermelhadas na cintura fina do rapaz, mas Natan recebia cada movimento com um sorriso entre sussurros de adoração.

Quando a exaustão finalmente venceu ambos, Luiz não se afastou completamente. Ele se deitou, mantendo Natan colado ao seu corpo, uma perna pesada sobre os quadris do menor para garantir que ele não se movesse. Natan, finalmente sentindo-se "cheinho" o suficiente para o momento, colocou a chupeta na boca e fechou os olhos, a mão segurando firmemente o dedo de Luiz.

— Boa noite, papai... — murmurou Natan, o som quase inaudível.

— Durma, Natan — Luiz respondeu, a voz suavizando apenas um pouco enquanto ele observava o rosto sereno do rapaz. — Amanhã, nós começamos tudo de novo. Na cozinha, no jardim... onde quer que sua fome te leve.

Natan adormeceu com um sorriso, sabendo que, naquela casa, o vazio era uma ameaça constante, mas que Luiz, com sua rudeza e seu "leitinho", estaria sempre lá para preenchê-lo, transformando sua infantilidade em um banquete eterno de posse e saciedade.