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Lights of Love

Ritmos Matinais e Cafeína nas Veias

A luz do sol em Los Angeles sempre parecia ter um filtro cinematográfico, mas para Emilly, às seis da manhã, aquela claridade era apenas um lembrete implacável de que o ciclo de privação de sono havia recomeçado. Vestida com suas leggings pretas e um top de compressão, ela prendia o cabelo em um rabo de cavalo firme enquanto saía do carro estacionado próximo ao Griffith Park. Seus músculos doíam do plantão de doze horas no dia anterior, mas a corrida matinal era a única coisa que mantinha sua sanidade mental intacta entre os livros de patologia e as rondas hospitalares.

Ela não esperava que ele realmente aparecesse.

Na noite do karaokê, entre risadas e promessas movidas a adrenalina, Joe havia perguntado sobre sua rotina. Quando ela mencionou que seu único tempo livre era o trajeto da corrida matinal antes de ir para o hospital, ele apenas sorriu daquele jeito charmoso e disse: "Vejo você lá".

Emilly começou o aquecimento, trotando levemente, quando ouviu o som de passos rápidos e uma respiração ritmada atrás dela.

— Você corre rápido demais para alguém que dorme tão pouco, sabia? — A voz de Joe soou um pouco ofegante, mas carregada de humor.

Ela olhou para o lado e quase tropeçou nos próprios pés. Joe Keery estava ali, usando um moletom cinza com o capuz abaixado, revelando o cabelo que, mesmo em uma manhã de exercícios, parecia ter sido esculpido por um artista do caos. Ele não parecia um astro de Hollywood; parecia apenas um cara tentando desesperadamente acompanhar o ritmo de uma maratonista amadora.

— Você veio mesmo — disse ela, abrindo um sorriso largo que iluminou seu rosto cansado. — Achei que astros do rock só acordassem depois do meio-dia.

— E eles acordam — Joe respondeu, ajustando o passo ao dela. — Mas eu fiz uma pesquisa e descobri que o ar da manhã em L.A. é excelente para... bom, para ver futuras médicas incríveis.

— Você é ridículo, Keery — ela riu, sentindo o peito aquecer por algo que não era apenas o exercício físico.

Eles correram juntos por trinta minutos. Não era uma conversa profunda — o fôlego não permitia —, mas era uma companhia confortável. Havia algo de íntimo em compartilhar o silêncio da manhã, o som dos tênis batendo no asfalto e a névoa que ainda se dissipava sobre a cidade. Quando chegaram ao ponto onde a trilha se dividia, Joe parou, apoiando as mãos nos joelhos para recuperar o ar.

— Quarenta minutos — ele disse, olhando para o relógio. — Tenho que ir para o estúdio em breve. Mas valeu cada segundo de oxigênio perdido.

— Obrigada por vir, Joe. De verdade.

— Amanhã no mesmo horário? — ele perguntou, os olhos castanhos brilhando com uma sinceridade que a desarmou.

— Amanhã no mesmo horário.

E assim começou a rotina deles.

Durante as duas semanas seguintes, o Griffith Park tornou-se o cenário de um romance construído em intervalos de quarenta minutos. A vida de ambos era um redemoinho. Joe estava em meio a sessões intensas de gravação para seu novo álbum como Djo, além de reuniões intermináveis de pré-produção. Emilly estava mergulhada em um estágio de cirurgia geral que exigia cada grama de sua energia intelectual e física.

No entanto, todas as manhãs, lá estavam eles.

Na terceira manhã, Joe trouxe dois copos de café térmicos. Eles não correram; caminharam lentamente até um mirante, observando a cidade acordar lá embaixo.

— Como foi a cirurgia de ontem? — Joe perguntou, entregando o café a ela. — Você parecia exausta nas mensagens à noite.

— Foi intensa — Emilly suspirou, sentindo o calor do copo entre as mãos. — Uma colecistectomia que teve complicações. Fiquei no centro cirúrgico por quatro horas seguidas. Senti que meu cérebro ia derreter.

Joe a observou com uma admiração genuína. Ele estendeu a mão e tocou levemente o ombro dela.

— Você é incrível, Em. Eu passo o dia repetindo falas ou tentando acertar um acorde de sintetizador. Você está literalmente salvando vidas.

— Cada um com sua arte, Joe — ela respondeu, encostando a cabeça no ombro dele por um breve momento. — Sua música salva as pessoas de outras formas. Ela me salvou do estresse ontem à noite no caminho para casa.

Na segunda semana, a conexão entre eles já não era mais apenas flerte e curiosidade. Era suporte. Joe começou a aparecer com pequenos mimos: uma barra de proteína que ela gostava, uma playlist nova que ele tinha montado para as corridas dela, ou apenas uma piada interna sobre o karaokê que a fazia rir no meio de um dia estressante no hospital.

Emilly começou a perceber o esforço monumental que ele estava fazendo. Ela sabia que Joe muitas vezes saía do estúdio às duas da manhã e, mesmo assim, às seis e meia, ele estava lá, com os olhos levemente inchados de sono, mas com o sorriso pronto para ela. Ele estava atravessando a cidade, sacrificando o pouco descanso que tinha, apenas para vê-la por menos de uma hora.

Na sexta-feira da segunda semana, o céu estava tingido de um laranja profundo e roxo. O ar estava mais fresco do que o normal. Eles haviam terminado a caminhada e estavam parados ao lado do carro de Emilly. O silêncio entre eles estava carregado, mas não era o silêncio de quem não tem o que dizer. Era o silêncio de quem está transbordando.

— Joe — ela começou, olhando para ele. Ele estava encostado na porta do carro, o cabelo bagunçado pelo vento da manhã, parecendo tão real e acessível que chegava a doer.

— Sim, Doutora?

— Por que você está fazendo isso? — Ela gesticulou para o parque, para os tênis de corrida dele, para o café vazio. — Você está exausto. Eu vejo isso nos seus olhos. Você tem uma carreira gigante, mil coisas para fazer... por que vir aqui todos os dias para correr trinta minutos com uma estudante de medicina estressada?

Joe deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. O cheiro de seu perfume misturado ao frescor da manhã envolveu Emilly.

— Porque esses quarenta minutos são a melhor parte do meu dia — ele disse, a voz baixa e rouca. — O resto do mundo é barulhento, Emilly. Todo mundo quer um pedaço de mim ou espera algo de mim. Mas aqui, com você, eu sou apenas o cara que canta Elton John mal e tenta não morrer correndo em subidas. Eu gosto de quem eu sou quando estou com você. E eu realmente, realmente gosto de você.

Emilly sentiu o coração falhar uma batida. A dedicação dele, a consistência, a forma como ele a enxergava além do estetoscópio e dos livros... tudo culminou naquele momento. Ela não pensou nas consequências, no cansaço ou na rotina impossível que os aguardava.

Ela apenas se aproximou, envolveu o pescoço dele com as mãos e o beijou.

Foi um beijo que começou suave, com o gosto persistente de café e a urgência de duas semanas de antecipação. Joe respondeu instantaneamente, as mãos encontrando a cintura dela e puxando-a para mais perto, como se quisesse fundir seus mundos ali mesmo, entre o asfalto e as árvores. O beijo era quente, profundo e cheio de uma promessa silenciosa.

Quando se afastaram, ambos estavam levemente sem fôlego, mas com sorrisos radiantes.

— Ok — Joe sussurrou, a testa encostada na dela. — Isso foi definitivamente melhor do que o café.

Emilly riu, sentindo as bochechas corarem.

— Você é um convencido, Keery.

— Talvez — ele admitiu, dando um selinho rápido nela antes de se afastar relutante. — Mas agora você tem que ir. O hospital te espera.

— E você tem um álbum para terminar — ela lembrou, sentindo uma leveza que não sentia há meses.

— Vou trabalhar com muito mais inspiração hoje — ele piscou para ela, caminhando em direção ao seu carro. — Até amanhã, Em?

— Até amanhã, Joe.

Enquanto dirigia para o hospital, Emilly olhou pelo retrovisor e viu Joe acenando antes de entrar no carro dele. A rotina ainda era uma loucura, o tempo ainda era escasso e os desafios de suas carreiras não haviam desaparecido. Mas agora, ela sabia que cada minuto de sono perdido valia a pena. Porque, no meio do caos de Los Angeles, eles haviam encontrado seu próprio ritmo, um passo de cada vez.

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