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Lobo guloso

O Peso do Imã

As últimas duas semanas na reserva de La Push haviam sido um borrão de segredos compartilhados em batidas de portas e janelas abertas durante a madrugada. Se antes a tensão entre mim e Jacob Black era uma corda esticada prestes a arrebentar, agora ela se transformara em um vício que nenhum de nós dois tinha a menor intenção de tratar. Éramos ex-namorados apenas no papel e para quem quisesse acreditar, porque, na prática, cada centímetro da minha pele parecia ter gravado a assinatura térmica das mãos dele.

Jacob era insaciável. Ele não apenas ocupava o espaço físico de uma sala; ele dominava o ar, o clima e o ritmo dos meus batimentos cardíacos. E o pior — ou o melhor — era que ele sabia disso. Ele usava aquela confiança de lobo, aquela pegada que misturava uma força bruta com uma proteção quase desesperada, para me lembrar, a cada encontro escondido, que a nossa história nunca tinha chegado ao ponto final.

Naquela tarde, o céu de La Push estava de um cinza profundo, carregado com a promessa de uma tempestade que faria as ondas de First Beach rugirem contra as rochas. Eu estava na garagem de Billy, observando Jacob trabalhar em um motor velho. Ele estava sem camisa, é claro. O suor brilhava em seus ombros largos e nas linhas musculosas de suas costas enquanto ele se inclinava sobre a máquina. O calor que emanava dele era tão intenso que eu conseguia senti-lo do outro lado da garagem, competindo com o cheiro de graxa e óleo.

— Vai ficar só olhando ou vai me passar a chave de fenda? — Jacob perguntou, sem se virar, mas eu podia ouvir o sorriso convencido em sua voz.

— Eu não estava olhando — menti, aproximando-me da bancada e pegando a ferramenta.

— Estava sim. Eu sinto o seu olhar nas minhas costas como se fosse um toque físico — ele se virou, limpando as mãos sujas em um pano velho, os olhos escuros brilhando com aquela malícia que sempre me desarmava. — E o seu coração está acelerado de novo.

— Você é um convencido, Black. Já te disse isso hoje? — entreguei a chave de fenda, mas ele não a pegou. Em vez disso, segurou meu pulso, puxando-me para o espaço entre suas pernas enquanto ele se sentava no banco alto.

— Umas dez vezes. Mas você continua aqui — ele murmurou, a voz rouca vibrando contra o meu rosto enquanto ele me cercava com seu corpo. — Por que não admite logo que não consegue mais ficar longe?

— A gente tentou, Jacob. Lembra? — suspirei, sentindo minha resistência derreter conforme ele passava o polegar pela palma da minha mão, traçando linhas que faziam meu sangue ferver. — Foi um desastre.

— O término foi um desastre — ele corrigiu, aproximando o rosto do meu pescoço, aspirando meu cheiro com uma intensidade que me fez fechar os olhos. — Nós dois juntos? Isso é a única coisa que faz sentido nessa reserva.

Eu ia retrucar, ia dizer que a vida não era tão simples, mas Jacob selou meus lábios com um beijo que interrompeu qualquer linha de raciocínio. Era uma pegada firme, possessiva, o tipo de beijo que dizia que ele não aceitaria um "não" como resposta. Suas mãos subiram para a minha cintura, apertando-me contra ele, e por um momento o mundo lá fora — os Cullens, os lobos, as complicações de ser quem éramos — simplesmente deixou de existir.

— Tenho uma coisa para te mostrar — ele disse, afastando-se apenas o suficiente para que nossas testas se encostassem. — Pega o seu casaco.

— Jacob, vai chover a qualquer minuto.

— Confia em mim — ele piscou, aquele sorriso de lado derretendo o que restava da minha sanidade. — Quando foi que eu te levei para algum lugar que você não gostou?

Cerca de vinte minutos depois, estávamos no topo de uma das falésias menos frequentadas, um lugar onde a floresta encontrava o oceano em uma queda dramática de rochas e espuma branca. O vento soprava forte, agitando meus cabelos, mas Jacob estava parado atrás de mim, seu corpo agindo como um escudo térmico natural. Ele me abraçou por trás, cruzando os braços fortes sobre o meu peito, e eu me inclinei para trás, sentindo a solidez dos seus músculos.

— Por que aqui? — perguntei, observando a imensidão cinza do mar.

— Porque aqui é o único lugar onde o barulho das ondas é alto o suficiente para abafar o que o resto do mundo pensa — Jacob respondeu, a voz séria agora, perdendo o tom de brincadeira.

Senti uma mudança na energia dele. O Jacob "safado" e provocador das últimas duas semanas deu lugar ao Jacob protetor, o homem que carregava o peso de um legado nas costas, mas que ainda assim parecia só ter olhos para mim. Ele me virou devagar para que eu ficasse de frente para ele.

— Duas semanas — ele começou, segurando meu rosto entre as mãos grandes e quentes. — Duas semanas que a gente está fingindo que isso é só "tensão sexual". Que a gente está se pegando nos cantos porque não aguenta ficar no mesmo cômodo sem se tocar.

— Não estamos fingindo, Jacob. É o que é. Somos ex que...

— Não — ele me interrompeu, a intensidade em seus olhos quase me fazendo desviar o olhar. — Eu não quero mais ser seu ex. Eu nunca quis. Eu tentei te deixar ir porque achei que seria melhor para você, que você teria uma vida normal, longe dessa confusão de lobisomens e perigo. Mas eu sou um egoísta.

— Jacob...

— Deixa eu terminar — ele pediu, o polegar acariciando minha bochecha. — Eu passei cada segundo dessas últimas duas semanas percebendo que o "normal" não vale nada se você não estiver do meu lado. Eu não quero te encontrar escondido na caminhonete do Billy ou fugir para a floresta como se a gente estivesse fazendo algo errado.

Ele enfiou a mão no bolso da calça jeans e tirou algo pequeno. Não era um anel de diamantes — não combinaria com Jacob —, mas sim uma pulseira de couro trançado com um pequeno pingente de madeira esculpido à mão. Eu reconheci o entalhe: era um lobo, mas os detalhes eram tão finos que pareciam quase reais.

— Eu mesmo fiz — ele confessou, um pouco de timidez surgindo em seu rosto, o que era raro. — É uma promessa.

— Uma promessa de quê? — minha voz saiu como um sussurro, meu coração martelando contra as costelas.

— De que eu vou ser seu, de verdade. Sem segredos, sem "ex", sem essa distância idiota que a gente tentou colocar entre nós — Jacob deu um passo à frente, invadindo meu espaço até que nossos corpos estivessem colados. — Eu quero que todo mundo nesta reserva saiba que você é minha namorada. De novo. E desta vez, eu não vou deixar nada, nem ninguém, se meter entre a gente.

Eu olhei para a pulseira e depois para os olhos dele, que queimavam com uma sinceridade crua. Jacob Black era uma força da natureza; ele era o calor no inverno de Washington, a segurança em meio ao caos. E, por mais que eu tentasse lutar contra isso, ele era o meu imã.

— Você sabe que a gente briga o tempo todo, não sabe? — eu disse, um sorriso começando a surgir nos meus lábios apesar da emoção. — Que você é teimoso, convencido e que eu ainda quero te bater metade do tempo?

— E eu sei que você adora cada segundo disso — ele riu, a confiança voltando. — Então? O que me diz? Vai aceitar o lobo mau de volta ou vou ter que te carregar para a floresta e te convencer do jeito difícil?

— Você não tem jeito mesmo — estendi o pulso para ele. — Coloca logo isso antes que eu mude de ideia.

Jacob sorriu, um sorriso genuíno que iluminou seu rosto inteiro, e amarrou a pulseira no meu pulso com cuidado. No momento em que terminou, ele me puxou para um abraço apertado, tirando meus pés do chão e me girando no ar. Eu ri, sentindo uma leveza que não sentia há meses.

— Você é minha — ele murmurou contra o meu pescoço, antes de me colocar no chão e me beijar com uma possessividade renovada.

O beijo foi diferente dos outros. Ainda tinha o fogo, ainda tinha a urgência, mas agora havia uma base. Não era mais apenas um desejo proibido; era um compromisso. Quando nos afastamos, os primeiros pingos de chuva começaram a cair, frios e pesados, mas eu não senti frio. Com a mão de Jacob entrelaçada na minha e o calor que ele radiava, eu sabia que a tempestade podia vir.

— Vamos voltar — eu disse, puxando-o em direção à moto. — Quero ver a cara do Billy quando a gente chegar de mãos dadas.

— Ele vai dizer "eu já sabia" — Jacob riu, subindo na moto e me puxando para trás dele. — O velho é esperto. Ele sabe que, quando um Black marca o território, não tem volta.

— Você é impossível — gritei por cima do barulho do motor que ganhava vida.

— E você é louca por mim! — ele gritou de volta, acelerando pela trilha.

Enquanto atravessávamos a floresta sob a chuva, agarrada às costas largas de Jacob, eu finalmente entendi. A tensão sexual que nos consumia não era o problema; era apenas o sintoma de algo muito maior. Éramos duas metades de um desastre perfeito, destinados a queimar juntos. E, enquanto eu sentia o lobo de madeira contra o meu pulso e o calor de Jacob contra o meu peito, eu soube que nunca mais haveria "ex" entre nós. Apenas o agora, e tudo o que o sangue quente de La Push pudesse nos oferecer.