Voltar ao resumo

Log

O Brilho que Desconcerta o Mundo

O átrio da empresa de produções GL, normalmente um lugar de correria e prazos apertados, parecia ter congelado no tempo. A mãe de Maria, a CEO cujo nome impunha respeito em cada corredor da GMMTV, atravessava o saguão com sua postura impecável. Mas, para Maria, ela não era a executiva poderosa; era apenas o porto seguro que ela não via há meses.

— Mãe! — O grito de Maria ecoou, quebrando o silêncio cerimonioso.

A loira correu, os passos pesados de seus sapatos de alfaiataria ressoando no mármore, e envolveu a mãe em um abraço que quase a tirou do chão. A CEO, que raramente permitia demonstrações públicas de afeto, apenas fechou os olhos e retribuiu o aperto, sentindo o cheiro familiar da filha.

— Você está me esmagando, Maria — disse a mãe, embora o sorriso em seu rosto dissesse que ela não se importava nem um pouco.

— Senti sua falta. O Brasil é ótimo, mas seu abraço é melhor — Maria respondeu, afastando-se apenas o suficiente para olhar o rosto da mãe.

Foi nesse momento que o burburinho ao redor cessou completamente. As atrizes que estavam por perto — Milk, Love, Namtan e Film — pararam o que estavam fazendo. Bonnie, que ainda tentava processar o encontro anterior, sentiu o ar escapar dos pulmões novamente.

Catherine havia acabado de entrar.

Se no evento anterior ela era o fogo em vermelho, agora ela era uma visão de pureza e sofisticação que parecia saída de um editorial da Vogue Paris. Ela vestia um longo vestido branco, de um tecido tão leve e fluido que parecia flutuar a cada passo. A modelagem era elegante, com uma gola de camisa que lhe conferia um ar intelectual, mangas compridas dobradas com displicência até os cotovelos e um decote em "V" que era a definição de discrição e classe. A cintura, marcada por uma faixa do mesmo tecido amarrada em um laço delicado, realçava sua silhueta de forma impecável.

O toque final era um chapéu branco de aba larga, adornado por um laço generoso, que emoldurava seu rosto. Seus cabelos ruivos, soltos sob a aba, brilhavam com uma intensidade quase metálica sob as luzes do escritório.

Maria, que ainda segurava as mãos da mãe, virou-se e sentiu o queixo cair. Ela já tinha visto Catherine de todas as formas possíveis, mas aquela visão a atingiu como um soco no estômago — do tipo bom.

— Pelo amor de Deus, Cat... — sussurrou Maria, os olhos azuis dilatados. — Você quer me matar antes do evento começar?

Catherine sorriu, um sorriso de canto, e caminhou até elas com a elegância de quem domina o próprio espaço.

— Achei que um pouco de branco traria paz para este ambiente caótico — disse Catherine, fazendo uma leve reverência para a CEO. — Senhora, é bom vê-la novamente em seu território.

— Você está deslumbrante, Catherine — elogiou a mãe de Maria, impressionada. — Maria, aprenda com ela. Isso é o que eu chamo de presença.

— Eu tenho presença! — protestou Maria, embora não conseguisse tirar os olhos da ruiva. — Só que a minha presença envolve não tropeçar em barras de saia. Mas, Cat... você está... uau.

Perto dali, o grupo de atrizes estava em choque.

— Ela parece uma pintura — comentou Jinjin, piscando várias vezes. — Como alguém consegue carregar um chapéu desses sem parecer ridícula? Ela parece a dona do mundo.

— O contraste do ruivo com o branco é covardia — murmurou Kapook. — Olhem a Maria. Ela está babando. Literalmente.

— Eu não a culpo — disse Love, observando a cena com um suspiro romântico. — Elas parecem ter saído de um filme clássico.

Horas depois, o cenário mudou para o tapete vermelho de um dos maiores eventos de gala da Tailândia. A imprensa estava em polvorosa. A notícia de que a herdeira da produtora havia chegado do Brasil com uma "parceira misteriosa" já circulava, mas ninguém estava preparado para a imagem que cruzaria a entrada.

Maria e Catherine chegaram juntas. Maria, fiel ao seu estilo, usava um conjunto de alfaiataria oversized em tom areia, com uma camisa de seda entreaberta e correntes de prata que brilhavam contra sua pele bronzeada. Ao seu lado, Catherine mantinha o vestido branco, mas agora sem o chapéu, deixando o cabelo ruivo cair como uma cascata de fogo sobre os ombros.

O que paralisou os fotógrafos, no entanto, não foram as roupas. Foi o fato de que elas atravessaram o tapete vermelho de mãos dadas. Não era um toque casual de amigas; era um entrelaçar de dedos firme, possessivo e natural. Maria sorria para as câmeras, mas seus olhos voltavam-se constantemente para Catherine, que retribuía com olhares que transbordavam uma cumplicidade silenciosa.

Na manhã seguinte, não se falava em outra coisa. Os noticiários de entretenimento estampavam a foto das duas com manchetes que variavam entre "A Herdeira e sua Musa" e "Novo Casal do Ano?".

Dentro da GMMTV, o choque era geral.

— Elas saíram em todos os portais! — exclamou Ciize, segurando o tablet. — "Maria e Catherine: A química que abalou Bangkok".

— Eu sabia! — Jinjin bateu na mesa. — Ninguém segura a mão daquele jeito se não houver algo a mais.

Bonnie estava sentada em um canto, olhando para a foto de Maria no celular. Havia uma tristeza doce em seus olhos. Ela estava encantada por Maria, mas ver a conexão dela com Catherine era como assistir a um eclipse: belo, mas impossível de tocar.

Foi nesse momento que as portas da sala de ensaio se abriram. Sonya e Lookmhee entraram, recém-chegadas de uma sessão de fotos externa. Sonya, com sua aura vibrante e confiança inabalável, parou ao ver o alvoroço.

— O que estamos perdendo? — perguntou Sonya, jogando a bolsa no sofá.

— A nova sensação da Tailândia — respondeu Namtan, apontando para a tela.

Sonya aproximou-se e olhou para a imagem de Maria. A fotógrafa loira, com aquele sorriso despojado e os olhos azuis que pareciam capturar a luz do sol, fez algo disparar no peito de Sonya. Ela ficou em silêncio por alguns segundos, analisando cada detalhe do rosto de Maria, o modo como o blazer caía em seus ombros, a forma como ela parecia não se importar com as regras.

— Quem é ela? — perguntou Sonya, a voz um pouco mais baixa que o normal.

— Maria, a filha da CEO — explicou Milk. — Ela acabou de chegar do Brasil.

— Ela é... — Sonya começou, mas as palavras pareceram fugir. — Ela tem um brilho diferente.

— Cuidado, Sonya — provocou Jinjin. — A ruiva ao lado dela, a Catherine, não parece do tipo que gosta de dividir.

Sonya deu de ombros, mas não desviou os olhos da foto.

— Eu não disse nada sobre dividir. Só disse que ela é fascinante. Aqueles cabelos loiros... parecem ouro sob o sol.

Enquanto isso, no escritório da presidência, Maria e Catherine estavam sentadas no sofá, alheias ao caos que haviam causado. Maria estava com os pés jogados sobre a mesa de centro, enquanto Catherine folheava um relatório de design.

— Cat, você viu isso? — Maria mostrou o celular com uma das notícias. — Estão dizendo que somos o casal mais enigmático da década.

Catherine nem levantou os olhos do papel, mas um sorriso pequeno surgiu em seus lábios.

— Deixe que digam. É bom para os negócios. Sua mãe está adorando a publicidade.

— Só para os negócios, Cat? — Maria se inclinou para frente, diminuindo a distância entre elas. — Você sabe que eu não seguro a mão de qualquer pessoa em público.

Catherine finalmente fechou o relatório e olhou para Maria. A intensidade do olhar ruivo fez Maria perder o fôlego por um segundo.

— Eu sei, Maria. E você sabe que eu não uso branco para qualquer pessoa. Eu queria que você me notasse.

Maria soltou uma gargalhada curta e genuína.

— Notar você? Catherine, desde o dia em que te conheci naquele estúdio em São Paulo, eu não consigo notar mais nada. Você é um incêndio em forma de gente.

— E você é o vento que espalha o fogo — retrucou Catherine, estendendo a mão para acariciar o rosto de Maria. — Mas agora temos trabalho. Aparentemente, as meninas da GMMTV estão curiosas sobre nós. E tem uma em particular... a tal Sonya. Ouvi dizer que ela é muito talentosa. E muito persistente.

Maria arqueou uma sobrancelha, o espírito brincalhão assumindo o controle.

— Ciúmes, Catherine? Logo você, que é tão segura de si?

— Não é ciúme, Maria. É apenas um aviso. Bangkok não é como o Brasil. Aqui, as pessoas observam as sombras. E as sombras aqui estão ficando bem interessantes.

Maria segurou a mão de Catherine e beijou a palma, os olhos azuis brilhando com uma promessa de diversão.

— Deixe que observem. Se elas querem um show, nós vamos dar a elas o melhor espetáculo de suas vidas.

Do lado de fora da sala, Sonya passava pelo corredor. Ela parou por um instante diante da porta fechada, sentindo a energia que emanava dali. Ela não sabia o que o futuro reservava, mas de uma coisa ela tinha certeza: Maria era a luz que ela não sabia que estava procurando, e ela faria de tudo para chegar perto daquele sol, mesmo que corresse o risco de se queimar no fogo de Catherine.