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los jovens

O Labirinto de Vidro e Veludo

A caminhada até o endereço que Noah enviara parecia um percurso em direção ao cadafalso, mas Hades não conseguia parar. Seus pés, calçados em botas pesadas de grife, batiam no asfalto com uma cadência que ecoava o vazio em seu peito. A noite estava fria, o ar cortante da cidade contrastando com o calor febril que ainda emanava da casa de Dante. Atrás dela, o brilho das luzes da festa diminuía; à frente, apenas a penumbra de um bairro onde o silêncio era tão caro quanto as mansões escondidas atrás de muros altos.

Ela parou diante do portão de ferro negro. Não precisou tocar a campainha. Com um estalo eletrônico, a trava se soltou. Noah estava esperando.

A casa dele não era um lar; era um monumento ao minimalismo clínico. Paredes brancas, móveis de linhas retas e uma iluminação indireta que não deixava sombras onde se esconder. Hades entrou, sentindo-se pequena, sentindo que seu delineado gatinho e sua postura gélida eram apenas fantasias infantis diante daquele ambiente.

Noah estava parado no topo da escada de vidro. Ele não usava mais a jaqueta da festa. Apenas uma camisa social branca com os primeiros botões abertos e as mangas dobradas, revelando antebraços que pareciam esculpidos. Ele não sorriu. Ele apenas a observou descer cada degrau da sanidade dela.

— Você veio — disse ele, a voz como veludo sobre navalhas.

— Eu não tinha para onde ir — Hades respondeu, parando no centro da sala. Ela tentou cruzar os braços, um gesto de defesa que ele leu instantaneamente.

— Você sempre tem para onde ir, Hades. Mas você escolheu o único lugar onde sabe que não pode mentir para si mesma. — Noah desceu os últimos degraus com uma elegância predatória. Ele parou a poucos centímetros dela, o cheiro de sândalo e algo metálico invadindo os sentidos da garota. — O Kai ainda está no seu sistema? Aquele cheiro de álcool barato e desespero?

Hades sentiu uma pontada de humilhação. Kai era sua droga habitual, mas Noah era uma overdose planejada.

— O Kai não significa nada.

— Mentira — Noah sussurrou, aproximando o rosto do dela. — Ele significa a sua segurança. Ele te machuca de um jeito que você já conhece. Eu sou o desconhecido. E é isso que te apavora... e te excita.

Ele tocou o pescoço dela, o polegar pressionando levemente a jugular. Hades sentiu o pulso disparar. Ela queria fugir, mas suas pernas estavam enraizadas no chão. Era a dissociação novamente; ela via a cena de cima, a garota de cabelos escuros e alma estilhaçada entregando-se ao garoto que a destruiria com um vocabulário impecável.

— Me mostra — ela pediu, a voz quase um suspiro. — Me faz esquecer que eu existo.

Noah sorriu então, um sorriso que não carregava calor, apenas triunfo. Ele a conduziu pelo corredor até o quarto, um santuário de tons escuros onde a única luz vinha da lua refletida nas janelas amplas. Sem dizer uma palavra, ele a pressionou contra a porta fechada assim que entraram.

O beijo de Noah não foi como os de Kai. Não havia a urgência desleixada ou o gosto de cigarro. Era calculado, profundo e devastador. Ele explorava a boca dela como se estivesse mapeando um território que já possuía. Hades gemeu contra os lábios dele, as mãos subindo desesperadamente para os cabelos de Noah, puxando-o para mais perto, querendo que ele preenchesse o buraco negro que ela carregava no peito.

— Você é tão frágil por baixo dessa máscara, Hades — ele murmurou entre beijos, as mãos descendo pelas curvas do corpo dela com uma possessividade que a fazia tremer. — Tão ansiosa para ser quebrada.

Ele a girou, prensando-a contra a cama. Hades sentiu o lençol de seda gelado contra sua pele enquanto Noah se posicionava sobre ela. As mãos dele foram rápidas, desfazendo os laços de sua roupa com uma precisão que a deixava exposta, nua sob o olhar analítico e faminto dele.

— Olha para mim — Noah ordenou.

Hades abriu os olhos, encontrando as íris escuras dele. Não havia amor ali. Havia poder. E, naquele momento de autodestruição, era exatamente o que ela buscava.

Quando ele entrou nela, o impacto foi físico e emocional. Hades arqueou as costas, as unhas cravando-se nos ombros dele, soltando um grito que foi abafado pela boca de Noah. O ritmo era intenso, quase violento, uma coreografia de dor e prazer que refletia o caos que ambos eram. Noah não era gentil; ele a dominava, forçando-a a sentir cada centímetro daquela conexão tóxica.

A mente de Hades começou a girar. Ela via flashes de Valentina gritando na festa, de Sophie chorando, de Luna perdendo o controle. Mas ali, sob o peso de Noah, tudo se tornava ruído branco. Ele era o âncora e o naufrágio. Cada estocada dele parecia expulsar um pouco mais da exaustão que ela sentia, substituindo-a por uma eletricidade crua que a fazia perder a noção de onde ela terminava e ele começava.

— Você é minha — Noah sussurrou no ouvido dela, a voz rouca, enquanto o prazer atingia o ápice. — Ninguém mais te vê assim. Ninguém mais te entende como eu.

Hades sentiu as lágrimas escaparem pelos cantos dos olhos, não de tristeza, mas de uma sobrecarga sensorial que ela não conseguia processar. Ela se perdeu no movimento, no calor da pele dele, no som da respiração pesada que ecoava no quarto luxuoso. Quando o clímax veio, foi como se o vidro estilhaçado dentro dela finalmente se tornasse pó.

Minutos depois, o silêncio retornou, mais pesado do que antes. Noah se afastou, deitando-se ao lado dela, mas sem abraçá-la. Ele olhava para o teto, a expressão já voltando ao vazio calculado.

Hades puxou o lençol para cobrir o corpo, sentindo o frio da realidade rastejar de volta. A intensidade tinha passado, deixando apenas o resíduo amargo da percepção.

— Você pode ficar — disse Noah, sem olhar para ela. — Mas amanhã, você volta a ser a Hades que todo mundo conhece. A fria. A perfeita.

— E o que nós somos agora? — ela perguntou, a voz trêmula.

Noah virou o rosto, um brilho de escárnio nos olhos.

— Nós somos o que você precisava para não se matar hoje à noite. Não confunda isso com nada além de sobrevivência, Hades.

Ele se levantou e caminhou em direção ao banheiro, deixando-a sozinha na vastidão daquela cama. Hades fechou os olhos, sentindo o vazio retornar, maior e mais faminto. Ela tinha descido ao abismo esperando encontrar um fundo, mas descobriu que, com Noah, o fundo era apenas o começo de uma queda livre.

Seu celular, jogado no chão junto com suas roupas, brilhou. Uma notificação de um grupo de mensagens.

"Luna desapareceu. Alguém viu a Luna?" — a mensagem de Eva dizia.

Hades olhou para a tela, mas não respondeu. Ela não conseguia salvar Luna. Ela mal conseguia se encontrar entre os lençóis de um estranho que a conhecia bem demais.

Ela se encolheu, sentindo o cheiro de Noah em sua pele, sabendo que, a partir daquela noite, ela nunca mais seria a mesma. O ciclo tinha se fechado, e ela estava presa dentro dele, girando cada vez mais rápido em direção ao nada.

— Eu não sei se eu tô vivendo... — ela sussurrou para o quarto vazio, repetindo seu mantra sombrio —, ou só me destruindo mais devagar.

Lá fora, o sol começava a ameaçar o horizonte, mas para Hades, a noite estava apenas começando a cobrar seu preço.