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Loucos

Labirinto de Obsessão e o Brilho da Pele

O quarto estava mergulhado em uma penumbra densa, quebrada apenas pelo reflexo pálido da lua que atravessava as frestas das cortinas de veludo. Izabelle sentia o peso do braço de Kageyama sobre sua cintura, uma âncora que a mantinha presa àquela realidade distorcida. O silêncio da casa era absoluto, mas dentro de sua cabeça, o barulho era ensurdecedor. Ela pensava no festival que estava acontecendo lá fora, nas luzes, na música alta e no suor das coreografias que ela tanto amava. Mas ali, o único ritmo era a respiração pesada de Tobio contra sua nuca.

Ela se mexeu levemente, tentando encontrar uma posição mais confortável, mas o aperto dele aumentou instantaneamente. Kageyama não estava dormindo; ele nunca parecia baixar a guarda totalmente.

— Aonde você pensa que vai? — a voz dele soou rouca, carregada de um sono fingido e de uma possessividade que fazia os pelos do braço de Izabelle se arrepiarem.

— Só estou tentando me mexer, Tobio. Minha perna está dormente — sussurrou ela, virando-se para encará-lo.

Os olhos dele brilharam na escuridão, dois pontos de azul profundo que pareciam ler sua alma. Ele se inclinou, ficando por cima dela, os braços prendendo-a contra o colchão macio.

— Você está pensando neles de novo, não está? No festival. Nas pessoas que não estão aqui — ele disse, e não era uma pergunta. Era uma acusação.

Izabelle engoliu em seco. Ela sabia que mentir para ele era inútil; Kageyama tinha um instinto animal para detectar qualquer hesitação.

— Eu só... eu treinei muito para hoje. É difícil simplesmente esquecer.

— Esqueça — ordenou ele, aproximando o rosto do dela até que suas pontas de nariz se tocassem. — Tudo o que você precisa está neste quarto. Tudo o que você precisa sou eu. Eu sou o seu festival, Iza. Eu sou o seu público.

Ele selou os lábios nos dela com uma força que beirava a agressividade. Não era um beijo de boa noite; era uma reivindicação. Izabelle sentiu a língua dele invadir sua boca, explorando cada canto com uma urgência renovada, como se o banho e a cena na cozinha não tivessem sido suficientes para saciá-lo. E o pior — ou melhor, dependendo de como ela escolhesse encarar — era que ela sentia seu próprio corpo responder com a mesma intensidade.

Sua personalidade forte, aquela que costumava bater de frente com qualquer um, parecia se derreter sob o toque de Tobio. Ela odiava ser uma refém, odiava estar trancada, mas amava o jeito que ele a olhava — como se ela fosse a única coisa sólida em um mundo de sombras.

As mãos de Kageyama desceram pelo corpo dela, puxando a camiseta que ela usava para cima, expondo sua pele ao ar frio do quarto. Ele parou nos seus seios, seus dedos traçando círculos ao redor dos mamilos ainda sensíveis pelas lambidas de mel de horas atrás.

— Você ainda está com o cheiro do doce — ele murmurou contra o seu pescoço, alternando beijos molhados com mordidas leves que a faziam arquear as costas. — Eu sinto o gosto do mel nos seus poros.

— Você é louco... — Izabelle arfou, as mãos subindo para os ombros largos dele, sentindo os músculos retesados.

— Sou louco por você. E você adora isso, não adora? — Ele se afastou um pouco para olhar nos olhos dela, um sorriso irônico e vitorioso dançando nos lábios. — Adora saber que eu mataria qualquer um que tentasse te tirar de mim. Adora saber que ninguém mais pode te tocar.

Izabelle queria negar. Queria dizer que preferia sua liberdade, sua cozinha, suas amigas. Mas quando ele desceu a mão e apertou sua coxa com força, puxando sua perna para envolver a cintura dele, a única coisa que saiu de sua boca foi um gemido baixo e necessitado.

— Diga, Iza. Diga que você é minha — ele exigiu, a voz vibrando de uma forma que a fazia vibrar por dentro.

— Eu sou sua, Tobio... — ela confessou, a voz falha. — Só sua.

Ouvir aquelas palavras pareceu desencadear algo ainda mais sombrio nele. Kageyama a possuiu com uma fúria renovada. O prazer era quase doloroso de tão intenso. Ele a virou de costas, pressionando seu rosto contra o travesseiro enquanto seus dedos se enterravam em seus quadris, deixando marcas que durariam dias. Cada estocada dele era um lembrete de quem mandava ali, de quem era o dono de cada centímetro de sua pele.

Izabelle se perdia naquelas sensações. O suor colava seus corpos, o som da carne batendo contra a carne preenchia o quarto, e o cheiro de sexo e mel se tornava um perfume inebriante. Ela se sentia como uma boneca nas mãos dele, mas uma boneca que ganhava vida apenas através do toque de seu mestre.

Quando o ápice veio, foi como se o mundo estivesse desmoronando. Izabelle gritou no travesseiro, as unhas cravadas nos lençóis de seda, enquanto Tobio rugia o nome dela, despejando toda a sua obsessão e desejo dentro dela.

Depois, o silêncio retornou, mas desta vez era um silêncio satisfeito. Kageyama se deitou ao lado dela, puxando-a para que ela ficasse deitada sobre o peito dele. Ele passava a mão pelos cabelos suados dela, um gesto quase carinhoso que escondia a natureza perversa de sua relação.

— Amanhã — ele começou, a voz agora calma e possessiva —, eu vou te dar tudo o que você quiser. Joias, roupas, os melhores ingredientes para você cozinhar o que quiser nesta casa. Mas você nunca mais vai mencionar aquele festival. Entendeu?

Izabelle ouviu o som do coração dele batendo forte sob seu ouvido. Ela sabia que aquela era a sua vida agora. Uma gaiola de ouro, mel e luxúria.

— Entendi, Tobio — ela respondeu baixinho, fechando os olhos.

Ela sabia que, se as meninas a vissem agora, não a reconheceriam. A Izabelle livre e engraçada estava sendo lentamente substituída por algo novo, algo que pertencia inteiramente a Kageyama Tobio. E enquanto sentia o beijo possessivo que ele depositou em seu ombro antes de caírem no sono, ela percebeu, com um misto de pavor e prazer, que não queria estar em nenhum outro lugar do mundo.

O gosto do mel ainda estava lá, mas o gosto da rendição era muito mais doce.