Voltar ao resumo

Love or obssesion?

O Sussurro da Carne e a Calmaria do Pós-Caos

A penumbra do quarto de Mizi era rasgada apenas pelo brilho pálido das luzes da cidade que atravessavam a parede de vidro. O silêncio era espesso, interrompido apenas pelo som rítmico do ar-condicionado e pelo estalo suave do gelo derretendo em um copo esquecido. O ar ainda carregava o rastro elétrico de uma noite que havia sido tudo, menos silenciosa.

Sua apareceu no batente da porta do quarto, movendo-se com uma lentidão que denunciava o cansaço profundo de seus músculos. Ela estava apenas de calcinha, os pés descalços afundando no tapete de pelúcia cinza. A pele pálida parecia brilhar sob a luz lunar, marcada aqui e ali por manchas avermelhadas que contavam a história das últimas horas. Ela segurava um copo de água com as duas mãos, bebendo pequenos goles como se tentasse recuperar a hidratação perdida em três rounds exaustivos de uma entrega absoluta.

Mizi estava jogada no meio da cama king-size, o cabelo rosa e azul espalhado como uma mancha de tinta sobre os lençóis de cetim escuro. Vestia apenas um short de moletom curto e um top esportivo preto que mal continha a respiração pesada. Seus dedos estavam dormentes, uma sensação de formigamento que subia pelos pulsos, resultado de horas explorando cada centímetro de Sua com uma urgência quase violenta. O gosto de Sua ainda permanecia em seus lábios, um traço doce e metálico que a fazia sorrir involuntariamente para o teto.

— Você demorou — murmurou Mizi, sua voz saindo mais rouca do que o normal, um som que vibrava baixo na garganta.

Sua não respondeu de imediato. Ela caminhou até a beira da cama e deixou o copo sobre o criado-mudo. Sem aviso, ela se deixou cair sobre o colchão, mas não em qualquer lugar. Ela rastejou como um gato manhoso até o peito de Mizi, enterrando o rosto na curva do pescoço da mais alta.

— Estou cansada — sussurrou Sua, a voz abafada contra a pele de Mizi.

Mizi soltou uma risada curta, passando o braço pelos ombros de Sua e puxando-a para mais perto.

— Você gozou três vezes, nanica. Eu ficaria surpresa se você ainda conseguisse ficar de pé por mais de cinco minutos. Meus dedos estão pedindo aposentadoria.

Sua soltou um resmungo manhoso, esfregando o nariz contra a clavícula de Mizi. O sarcasmo habitual de Sua havia sido completamente substituído por uma carência avassaladora, algo que só acontecia quando ela estava exausta e se sentia segura o suficiente para baixar todas as guardas. Ela começou a se contorcer levemente, buscando mais contato, mais calor.

— Mizi... — chamou Sua, alongando o nome de um jeito que fez a rosada sentir um arrepio.

— O que foi? Quer mais? — Mizi brincou, embora sentisse que não tinha forças nem para levantar um lençol.

— Não... — Sua subiu um pouco o corpo, apoiando o queixo no peito de Mizi. Seus olhos roxos estavam nublados de sono e de um afeto quase infantil. — Faz carinho.

Mizi arqueou uma sobrancelha, achando graça da mudança repentina.

— Carinho? A garota que estava me mordendo há uma hora agora quer carinho?

— Shhh — Sua colocou um dedo sobre os lábios de Mizi, antes de voltar a se aninhar. — Só faz.

Mizi suspirou, cedendo instantaneamente. Ela começou a passar os dedos longos pelos cabelos curtos de Sua, traçando o contorno de suas orelhas e descendo para a nuca. Era uma sensação estranha e nova para Mizi. Normalmente, as pessoas queriam dela a imagem inalcançável, a sedução agressiva ou o sarcasmo protetor. Mas Sua queria apenas o toque, o dengo, a presença silenciosa.

Sua começou a emitir pequenos sons de satisfação, quase como um ronronar. Ela se esfregava em Mizi com uma insistência adorável, movendo as pernas por cima das de Mizi, buscando envolver-se completamente nela.

— Você está muito dengosa hoje — comentou Mizi, sentindo um calor diferente aquecer seu peito. — Onde foi parar aquela Sua ácida que me manda buscar chiclete?

— Ela foi dormir — murmurou Sua, fechando os olhos. — Agora só tem essa aqui. Cuida dela.

Mizi sentiu um aperto de ternura. Ela nunca imaginou que a garota mais introspectiva e melancólica da escola pudesse ser tão... carente. Era um contraste fascinante. Enquanto Sua se perdia naquele dengo, Mizi começou a descer as mãos, não com a urgência sexual de antes, mas com uma curiosidade apreciativa.

Suas mãos encontraram os seios de Sua, pequenos e firmes, que subiam e desciam com a respiração calma. Mizi começou a brincar com eles de forma distraída, circulando os mamilos com as pontas dos dedos e sentindo a textura da pele sob o toque. Sua soltou um suspiro longo, não de excitação, mas de puro relaxamento.

— Gosta disso? — perguntou Mizi em um sussurro.

— Gosto... — respondeu Sua, a voz sumindo. — Gosto de tudo o que você faz.

Mizi sorriu, sentindo-se estranhamente poderosa, mas de um jeito protetor. Ela começou a massagear os seios de Sua com as palmas das mãos, sentindo a maciez e o peso leve. Era um momento de intimidade pura, longe dos olhares da Anakt, longe das provocações de Ivan ou das observações cínicas de Luka. Ali, no silêncio do apartamento de vidro, elas eram apenas duas garotas exaustas descobrindo que o afeto podia ser tão intenso quanto o desejo.

Sua começou a distribuir beijos fofos pelo pescoço de Mizi, subindo para o queixo. Eram beijos lentos, úmidos e carregados de uma gratidão silenciosa. Ela parecia querer fundir seu corpo ao de Mizi, buscando uma segurança que as palavras nunca poderiam proporcionar.

— Você é tão macia — murmurou Mizi, inclinando a cabeça para dar mais acesso ao pescoço. — E cheira a menta e... a mim.

Sua soltou uma risadinha abafada.

— É o seu gosto. Você não limpou a boca direito.

— E por que eu limparia? — Mizi retrucou, voltando a focar nos seios de Sua, apertando-os levemente e vendo como a pele reagia ao seu toque. — É o melhor gosto do mundo.

Sua se aninhou ainda mais fundo nos braços de Mizi. Ela estava tão dengosa que Mizi começou a se sentir um pouco perdida sobre como reagir a tanta doçura. A Mizi que todos conheciam saberia soltar uma piada suja, mas a Mizi que estava ali, naquela cama, só queria proteger aquela vulnerabilidade.

— Mizi, canta pra mim? — pediu Sua, a voz quase um fio.

— Cantar? Agora? — Mizi riu, surpresa. — Minha voz está um lixo, nanica.

— Eu não me importo. Só um pouco.

Mizi suspirou, derrotada pela fofura da menor. Ela começou a cantarolar uma melodia baixa, algo sem letra, apenas um som vibrante que reverberava em seu peito, onde a cabeça de Sua estava apoiada. Era uma canção de ninar improvisada, um eco das estrelas que brilhavam lá fora.

Enquanto cantava, Mizi continuava suas carícias lentas nos seios de Sua, sentindo como o corpo da outra relaxava completamente sob seu comando gentil. Sua estava entregue, desarmada, uma criatura de veludo nos braços de uma leoa que havia aprendido a ser mansa.

— Eu amo você — sussurrou Sua, tão baixo que Mizi quase achou que tinha imaginado.

O coração de Mizi falhou uma batida. O sarcasmo morreu na garganta. Ela parou de cantarolar e apenas apertou Sua com mais força, enterrando o rosto naqueles cabelos pretos que cheiravam a shampoo barato e a tudo o que Mizi agora chamava de lar.

— Eu também, sua nanica insuportável — respondeu Mizi, a voz embargada. — Eu também amo você.

Sua não respondeu mais; o sono finalmente a havia vencido. Ela adormeceu ali mesmo, no colo de Mizi, com um pequeno sorriso nos lábios e a mão descansando sobre o abdômen da rosada.

Mizi ficou acordada por mais algum tempo, apenas observando Sua. Ela pensou em Rose, pensou na escola, pensou em como sua vida costumava ser um labirinto de aparências vazias. Mas ali, com o peso de Sua sobre si, com o rastro do prazer ainda vibrando em seus dedos e a doçura do dengo aquecendo sua alma, Mizi soube que o labirinto finalmente tinha uma saída.

Ela fechou os olhos, deixando-se levar pelo cansaço, protegida pelo silêncio e pela certeza de que, na manhã seguinte, ela ainda seria a rainha da Anakt, mas teria uma dona que a conhecia em cada suspiro, em cada mordida e em cada momento de paz. E isso, para Mizi, era o único mito que realmente importava.

Entrar com Telegram

Confirme o login no bot.