Love or obssesion?
O Eclipse de Ouro e o Fantasma de Veludo
A tensão no quarto de Sua era palpável, uma mistura de fumaça emocional e o cheiro doce de baunilha que parecia emanar da pele de Mizi. O cartão de Rose, agora reduzido a confetes inúteis sobre o tapete, era o símbolo do sacrifício que Mizi estava disposta a fazer. Mas para Sua, palavras e gestos simbólicos não eram suficientes. Ela precisava sentir a submissão de Mizi, precisava de uma prova física de que o trono que a rosada ocupava no colégio pertencia, naquele momento, apenas ao chão do seu quarto.
— Você acha que rasgar um papel apaga o jeito que você olhou para ela? — perguntou Sua, sua voz saindo fria, mas carregada de uma promessa perigosa.
Sua levantou-se da cama com uma lentidão calculada. Seus olhos roxos estavam fixos nos dourados de Mizi, que pareciam brilhar com uma mistura de culpa e expectativa. Sem desviar o olhar, Sua levou as mãos ao quadril e desabotoou a saia do uniforme, deixando-a escorregar pelas pernas pálidas até atingir o chão.
— Mizi — chamou Sua, apontando para o espaço à sua frente. — No chão. Agora.
Mizi engoliu em seco. O sarcasmo que costumava usar como armadura havia derretido. Ela entendeu exatamente o que Sua queria. Sem dizer uma palavra, a garota mais popular da Anakt ajoelhou-se entre as pernas de Sua, que se sentou em uma cadeira de madeira próxima à escrivaninha.
— Mostre-me que você esqueceu o gosto dela — ordenou Sua, inclinando-se para trás e fechando os olhos.
Mizi não hesitou. Ela enterrou o rosto na intimidade de Sua, usando a boca e a língua com uma urgência desesperada. Sua agarrou os cabelos rosa e azul de Mizi, puxando-os com força enquanto soltava gemidos curtos que ecoavam pelo quarto silencioso. Ela sorria entre os suspiros, sentindo o poder fluir de volta para suas mãos. Mizi trabalhava com uma devoção quase religiosa, ignorando o desconforto dos joelhos no chão duro, focada apenas em levar Sua ao limite.
De repente, Mizi parou. Ela levantou o olhar, o rosto úmido e as pupilas dilatadas. Com um movimento ágil, ela se levantou, agarrou Sua pela cintura e a jogou sobre a cama, subindo por cima dela antes que a menor pudesse protestar.
— Minha vez de ditar o ritmo, nanica — sussurrou Mizi, a voz vibrando de desejo.
Mizi não foi delicada. Ela enfiou três dedos de uma vez, bombeando com uma força implacável que fez Sua arquear as costas violentamente. Sua já estava falando coisas sem nexo, frases desconexas de prazer e súplica que faziam o ego de Mizi inflar.
— Mizi... por favor... mais rápido... — implorava Sua, as mãos enterradas nos lençóis.
Mizi inclinou-se e selou os lábios de Sua em um beijo devastador. No meio do contato, Mizi desferiu uma mordida firme na língua de Sua. O gosto metálico do sangue inundou a boca de ambas, misturando-se à saliva e ao calor. Elas continuaram se beijando, o sangue agindo como um combustível para a luxúria que consumia o quarto.
Mizi trabalhava lá embaixo com uma maestria cruel, observando as reações de Sua. Quando sentiu que a garota estava prestes a explodir, adicionou o quarto dedo.
O grito de Sua foi abafado contra o pescoço de Mizi. Ela gemeu de uma forma tão bonita e vulnerável que Mizi sentiu um aperto no peito. Sua se agarrou a ela com um desespero quase infantil, a boca aberta buscando ar e os olhos revirando para o fundo das órbitas. Ela gozou com uma intensidade que a deixou sem forças, tremendo nos braços de Mizi.
Minutos depois, ainda ofegante, Sua começou a se esfregar em Mizi, buscando o calor e o conforto que só ela podia dar. A tensão de Rose parecia ter sido exorcizada através do suor e do prazer.
***
No dia seguinte, a Escola Preparatória Anakt parecia ter sido amaldiçoada pela repetição. Como se fosse uma praga enviada para testar a sanidade de todos, Rose estava lá novamente. Ela estava encostada em um pilar do corredor principal, usando um conjunto de alfaiataria que gritava dinheiro e poder.
Assim que viu Mizi se aproximar com o grupo, Rose desencostou-se do pilar e caminhou em direção a eles com a elegância de uma pantera.
— Mizi, querida — disse Rose, ignorando solenemente os outros. — Eu estive pensando na nossa conversa de ontem. Você esqueceu de me dizer se ainda tem aquele disco que ouvíamos em Paris.
Rose deu um passo para dentro do espaço pessoal de Mizi, estendendo a mão para ajeitar uma mecha do cabelo rosa da garota. Era o mesmo jogo de ontem: a dominação sutil, a lembrança de um passado glamouroso, a tentativa de diminuir todos ao redor.
Sua, que estava ao lado de Mizi, sentiu o sangue ferver. Ela olhou para a namorada, esperando o momento em que Mizi cederia, o momento em que o olhar dourado ficaria nublado pelo fantasma de Rose. Sua já estava pronta para soltar a mão de Mizi e caminhar para longe, convencida de que não tinha conseguido prendê-la de verdade.
Mas Mizi não se moveu. Ela nem sequer olhou para a mão de Rose perto de seu rosto.
— Rose — disse Mizi, sua voz soando clara e fria, sem nenhum traço da hesitação do dia anterior. — Eu não tenho o disco. Eu não tenho nada que me lembre de você. E, sinceramente, eu estou ocupada.
Mizi simplesmente "cagou" para a presença da mulher. Ela deu um passo para trás, contornando Rose, e posicionou-se atrás de Sua. Diante de todo o corredor, Mizi abraçou Sua por trás, enterrando o rosto na curva do pescoço da garota de cabelos pretos e depositando ali um beijo demorado e sonoro.
— Você está pronta para a aula, nanica? — perguntou Mizi, ignorando Rose como se ela fosse um móvel velho.
Rose ficou estática. O sorriso de superioridade desapareceu, substituído por uma expressão de choque puro. Ela nunca fora tratada com tamanha indiferença, especialmente por Mizi.
Sua, sentindo o calor de Mizi e a firmeza de seu abraço, virou o rosto para encarar Rose.
— Acho que ela foi bem clara — disse Sua, com um sorriso pequeno e vitorioso. — Você é o passado, Rose. E o passado não tem lugar aqui. Pode ir embora agora.
Rose abriu a boca para retrucar, mas ao olhar para o grupo, viu que não tinha aliados. Hyuna estava com os braços cruzados, um sorriso de "eu te avisei" no rosto. Ivan parecia se divertir imensamente com a humilhação da mulher, e Till apenas observava com um desdém silencioso.
— Isso foi... inesperado — murmurou Rose, recuperando a compostura com dificuldade. — Aproveite enquanto dura, Mizi. Garotas como ela costumam cansar rápido de brinquedos como você.
— Ela não é um brinquedo — disparou Mizi, apertando o abraço em Sua. — Ela é a minha dona. Agora sai daqui antes que eu perca a minha educação.
Rose girou nos calcanhares e saiu caminhando pelo corredor, seus saltos estalando com fúria contra o chão. O silêncio que se seguiu foi quebrado pelo assobio de Hyuna.
— Caramba, Mizi! — exclamou Hyuna, aproximando-se. — Eu achei que você fosse desmaiar só de ver a Rose de novo. O que aconteceu com você desde ontem?
— Eu percebi que prefiro o que eu tenho agora — respondeu Mizi, olhando para Sua com uma adoração que beirava o ridículo. — O passado é muito cansativo.
— Você foi incrível — sussurrou Sua, virando-se nos braços de Mizi para dar-lhe um selinho rápido.
Ivan soltou uma gargalhada, batendo no ombro de Till.
— Viu só? Eu disse que a Sua tinha garras. A Mizi está oficialmente domesticada.
— Cala a boca, Ivan — resmungou Mizi, mas ela estava sorrindo.
O grupo começou a se dispersar para as salas de aula. Hyuna ainda balançava a cabeça, impressionada. Ela sabia melhor do que ninguém o quanto Rose tinha destruído Mizi anos atrás, e ver a amiga tratar a ex-modelo como um incômodo qualquer era a prova final de que Sua tinha feito um trabalho profundo no coração da rosada.
Enquanto caminhavam para a aula de literatura, Mizi inclinou-se para o ouvido de Sua.
— Eu ganho uma recompensa por ter sido uma boa garota hoje? — perguntou Mizi, o tom sedutor voltando com força total.
Sua olhou para ela, os olhos roxos brilhando com uma diversão maliciosa.
— Talvez. Se você carregar meus livros o dia todo e não reclamar de nenhuma poesia russa.
— Fechado — disse Mizi, pegando a pilha de livros das mãos de Sua sem hesitar.
Naquele corredor da Escola Anakt, as hierarquias haviam sido reescritas. A rainha tinha uma dona, o rebelde tinha um ponto fraco, e a garota melancólica tinha encontrado a melodia perfeita para o seu silêncio. E enquanto Mizi caminhava orgulhosamente atrás de Sua, todos sabiam que, para ela, não havia trono maior do que o chão aos pés daquela garota.