Lovely Complex
Entre Lençóis e Sussurros no Refeitório
A porta ainda vibrava com o impacto da saída apressada dos meninos, mas o som das risadas abafadas no corredor parecia pertencer a outro universo. Rafaella sentia o sangue pulsar em suas bochechas, um calor que não vinha apenas da vergonha, mas da eletricidade que ainda percorria cada terminação nervosa de seu corpo. Ela olhou para Augusto, que ainda mantinha as mãos apoiadas na cômoda, cercando-a, com um sorriso de lado que misturava arrogância e um desejo indisfarçável.
— Eles são uns idiotas, Rafa. Não liga para isso agora — Augusto murmurou, sua voz descendo uma oitava, tornando-se aquele barítono grave que fazia as pernas dela fraquejarem.
Rafaella soltou um suspiro trêmulo, mas a intensidade dele era contagiosa. A vergonha, embora presente, começou a ser eclipsada por uma urgência muito mais forte. Ela não era de fugir de seus sentimentos; era intensa, romântica e, naquele momento, queria Augusto mais do que temia o julgamento de qualquer colega de classe.
Com um movimento fluido e decidido, ela deslizou para fora da cômoda. Seus pés tocaram o chão, mas ela não se afastou. Em vez disso, levou as mãos às laterais da saída de praia transparente. Com um olhar fixo nos olhos dele, ela desamarrou o nó delicado na cintura e deixou o tecido leve cair no chão, revelando o biquíni preto decotado em toda a sua glória.
— Onde paramos mesmo? — desafiou ela, com um brilho atrevido nos olhos.
Augusto não precisou de um segundo convite. Ele a pegou no colo com uma facilidade que a fez soltar um pequeno suspiro de surpresa e a levou para a cama. O colchão rangeu levemente quando ele se posicionou por cima dela, sustentando o peso nos antebraços para não esmagá-la, embora Rafaella quisesse exatamente sentir cada centímetro daquele corpo atlético contra o seu.
— Você vai me matar, Rafaella — ele sussurrou contra os lábios dela, antes de iniciar um beijo que parecia querer consumir todo o ar do quarto.
Desta vez, não havia pressa, apenas uma entrega absoluta. Augusto começou a trilhar um caminho de beijos lentos e úmidos pelo pescoço dela, fazendo-a arquear as costas. A pele de Rafaella parecia queimar sob o toque dele. Ele desceu para o colo, onde o decote do biquíni preto oferecia um convite perigoso. Cada beijo dele era carregado de uma adoração quase reverente, mas pontuado pela urgência de quem esperou tempo demais por aquele momento.
— Augusto... — ela gemeu, as mãos perdidas nos cabelos curtos dele, puxando-o para mais perto.
Ele continuou sua descida, beijando a curva da barriga dela, sentindo os músculos abdominais dela se contraírem sob sua língua. Quando ele chegou à cintura, as mãos dele apertaram a pele macia com uma possessividade que a fazia se sentir a única mulher no mundo. O tempo pareceu parar. Por cerca de trinta minutos, o mundo lá fora — a praia, os professores, a excursão escolar — deixou de existir. Eram apenas dois corpos em uma dança de descobertas e suspiros, uma intensidade que só dois corações românticos e fogosos poderiam sustentar.
Eventualmente, a realidade começou a bater à porta novamente, desta vez na forma de estômagos roncando e a consciência de que, se não aparecessem logo, alguém viria procurá-los.
— A gente... a gente realmente precisa comer — disse Rafaella, tentando recuperar o fôlego enquanto Augusto escondia o rosto na curva do seu ombro, dando um último beijo ali.
— Eu sei, eu sei — ele concordou, embora soasse relutante. Ele se afastou um pouco, olhando para ela com o cabelo bagunçado e os lábios inchados. — Você está maravilhosa, sabia?
Rafaella riu, dando um tapinha leve no ombro dele.
— E você é um problema, Augusto. Um problema muito grande.
Eles se arrumaram com certa pressa, embora a troca de olhares cúmplices no espelho do banheiro tornasse tudo mais lento. Rafaella vestiu um short jeans curto por cima do biquíni e, desta vez, amarrou a saída de praia com firmeza. Augusto vestiu uma camiseta regata que acentuava seus braços fortes e calçou os chinelos, tentando adotar sua postura habitual de capitão de time, embora o brilho em seus olhos o entregasse.
Ao chegarem ao refeitório do hotel, o barulho era ensurdecedor. O cheiro de café fresco e pão na chapa preenchia o ar, misturado com o som de talheres e conversas altas. Assim que cruzaram a entrada, o silêncio não aconteceu, mas uma reação muito específica sim.
Do lado esquerdo, na mesa dos jogadores de futebol, Thiago e Leo começaram a assobiar e a bater as mãos na mesa.
— OLHA ELE! O CAPITÃO CHEGOU! — gritou Thiago, fazendo metade do refeitório se virar. — E aí, Guto? O quarto estava confortável? A cômoda é resistente?
Augusto sentiu o rosto esquentar, mas não baixou a cabeça. Ele deu um sorriso de canto e balançou a cabeça negativamente, dirigindo-se à mesa dos amigos enquanto tentava ignorar as piadas de duplo sentido que começavam a surgir.
Enquanto isso, Rafaella tentou caminhar com a maior naturalidade possível até a mesa onde suas três melhores amigas, Bia, Carol e Gabi, já a esperavam com expressões que variavam entre o choque e a curiosidade mórbida.
— Rafaella Maria! — exclamou Bia, puxando a cadeira para a amiga sentar quase à força. — Pode começar a falar agora.
— Falar o quê? — Rafaella tentou se fazer de desentendida, pegando uma torrada, mas suas mãos levemente trêmulas a traíram.
— Não vem com essa! — Carol se inclinou sobre a mesa, baixando o tom de voz para um sussurro urgente. — Os meninos do time chegaram aqui há dez minutos parecendo que tinham visto um fantasma... ou um filme proibido! O Thiago disse que pegou vocês dois "em flagrante" em cima da cômoda!
Rafaella sentiu o rosto arder, mas a lembrança do toque de Augusto era forte demais para ela sentir apenas vergonha. Ela olhou para o lado, vendo Augusto ser cercado pelos amigos, e depois voltou-se para as meninas.
— Foi um erro no sistema, vocês sabem... — começou ela, mas logo desistiu da máscara. — Meninas, foi intenso. Ontem ele me viu no banho por acidente e hoje... bem, hoje as coisas simplesmente aconteceram. Ele é... meu Deus, ele é tudo o que dizem e mais um pouco.
As três amigas ficaram boqueabertas, os olhos arregalados.
— Espera — disse Gabi, a mais romântica do grupo. — Mas e o sentimento? Foi só... atração ou teve aquele clima de filme?
— Teve tudo — admitiu Rafaella, com um sorriso sonhador surgindo nos lábios. — Ele foi carinhoso, mas ao mesmo tempo tão... quente. A gente se perdeu no tempo. Se os meninos não tivessem entrado, eu não sei onde teríamos parado.
— A gente sabe onde teriam parado — brincou Bia, fazendo todas rirem. — Mas e agora? Como vai ser o resto da viagem? Vocês dois no mesmo quarto... isso é o paraíso ou o perigo?
Rafaella olhou novamente para a mesa de Augusto. Naquele exato momento, ele também olhou para ela. Em meio aos gritos e brincadeiras dos amigos, o olhar dele era suave, focado apenas nela, transmitindo uma promessa silenciosa de que aquilo não era apenas uma diversão de viagem escolar.
— Eu acho — disse Rafaella, voltando-se para as amigas com uma confiança renovada — que vai ser a melhor viagem da minha vida.
Do outro lado do refeitório, Augusto tentava conter a empolgação dos amigos.
— Calem a boca, seus animais — dizia ele, embora não conseguisse esconder o sorriso. — Respeitem a garota.
— A gente respeita, capitão! Só estamos admirados com a sua agilidade — riu Leo, dando um tapa nas costas de Augusto. — Mas fala sério, vocês estão namorando ou foi só o calor de Angra?
Augusto olhou para Rafaella, que ria com as amigas do outro lado do salão. Ela era linda, inteligente e tinha uma força que o fascinava desde o primeiro dia de aula, mas ele nunca teve coragem de se aproximar de verdade até aquele erro do hotel.
— Não foi só o calor — respondeu Augusto, com uma seriedade que fez os amigos finalmente ficarem quietos por um segundo. — Com a Rafaella, nunca seria "só" alguma coisa.
O café da manhã continuou sob olhares curiosos de outros alunos e cochichos que corriam pelas mesas, mas para os dois, o barulho era apenas um detalhe. Eles sabiam que, quando o sol se pusesse e a porta daquele quarto 204 se fechasse novamente, a tensão da praia daria lugar a algo muito mais profundo sob os lençóis. A viagem estava apenas começando, e o biquíni preto de Rafaella ainda teria muitas histórias para contar.