Lovely Complex
Sal e Pele: O Convite das Ondas
O sol de Angra dos Reis não estava para brincadeira. Às dez da manhã, o céu era de um azul tão sólido que parecia pintado, e a areia da Praia do Forte brilhava como se estivesse cravejada de pequenos diamantes. Rafaella estava estirada sobre uma canga estampada, sentindo o calor penetrar em sua pele bronzeada. O biquíni preto, agora seco, parecia ainda mais justo ao seu corpo, e ela podia sentir os olhares furtivos de outros alunos que passavam por ali, mas sua mente estava presa em um único par de olhos castanhos.
Ao lado dela, suas amigas — Camila, Sofia e Isabel — não paravam de comentar sobre o "incidente" da manhã.
— Eu ainda não acredito que o Thiago viu vocês dois daquele jeito — comentou Camila, passando protetor solar nas pernas. — Ele não cala a boca sobre como o Augusto parecia um leão protegendo a presa.
— Não era uma presa, Camila — corrigiu Sofia, rindo. — Era a Rafa. E pelo que eu conheço dessa aí, ela não estava sendo caçada, estava era gostando da caçada.
Rafaella apenas sorriu, mantendo os olhos fechados atrás dos óculos escuros.
— Foi... inesperado — limitou-se a dizer, embora seu corpo ainda vibrasse com a lembrança das mãos de Augusto em sua cintura.
De repente, o som de risadas masculinas e o barulho de uma bola de futebol batendo na areia anunciaram a chegada deles. Augusto, Thiago, Pedro e Bernardo vinham caminhando em direção à beira da água, carregando um cooler e a energia caótica de quem era o centro das atenções da escola.
Augusto estava sem camisa, usando apenas um calção de banho azul-marinho que contrastava perfeitamente com sua pele dourada pelo sol. Os músculos de seu abdômen se moviam ritmicamente conforme ele caminhava, e o suor leve fazia seu peito brilhar. Quando o grupo passou exatamente ao lado da canga das meninas, ele diminuiu o passo.
Seus olhos encontraram os de Rafaella, que havia levantado os óculos para observá-lo. O olhar de Augusto percorreu o corpo dela, descendo pelas curvas acentuadas pelo biquíni preto e parando por um segundo a mais do que o socialmente aceitável em suas pernas e quadril.
— Uau — murmurou Augusto, alto o suficiente apenas para que ela e as amigas mais próximas ouvissem.
O comentário foi seguido por uma piscadela discreta e um sorriso de quem sabia exatamente o efeito que causava.
— Vai babar na areia, capitão! — provocou Bernardo, dando um empurrão no ombro de Augusto para que ele continuasse andando.
— Insuportável — murmurou Isabel, abanando-se com a mão. — Rafa, se você não pegar esse homem de jeito hoje, eu mesma pego.
— Tira o olho, Isabel — brincou Rafaella, levantando-se e sacudindo a areia da canga. — Vamos pro mar? O calor está ficando insuportável.
As quatro correram para a água, mergulhando nas ondas mansas e cristalinas. A água estava morna, o que não ajudava muito a esfriar os pensamentos de Rafaella, mas a diversão com as amigas serviu para aliviar a tensão por alguns minutos. Elas jogavam água umas nas outras, apostavam corridas e riam das tentativas frustradas de Sofia de fazer "stand-up paddle" em uma prancha alugada.
Depois de um tempo, o time de futebol decidiu entrar no mar também. Em poucos minutos, a diversão se tornou coletiva, com todos brincando de "briga de galo" e jogando vôlei dentro d'água. No meio da confusão, Rafaella sentiu um par de braços fortes envolverem sua cintura por trás, puxando-a para baixo da água por um breve segundo.
Quando ela emergiu, tossindo e rindo, deu de cara com Augusto. O rosto dele estava a centímetros do dela, e as gotas de água salgada escorriam por seus cílios.
— Você quer de novo? — ele sussurrou no ouvido dela, aproveitando que uma onda maior havia quebrado perto deles, encobrindo sua voz para os outros. — Aproveita que ninguém vai interromper a gente agora...
O hálito dele era quente, contrastando com a temperatura da água. Rafaella sentiu um arrepio percorrer sua espinha, um desejo súbito e avassalador que a fez esquecer completamente que estavam cercados por pelo menos trinta colegas de classe.
— Agora? — perguntou ela, a voz falhando levemente.
— Agora — afirmou ele, os olhos queimando com uma intensidade que não deixava dúvidas. — Eu dou um jeito. Me encontra na recepção em dois minutos.
Sem pensar duas vezes, Rafaella o puxou pelo pescoço para um beijo rápido e salgado antes de se soltar e começar a nadar em direção à areia. Ela saiu da água como um furacão, pegando sua canga e suas coisas sob o olhar confuso das amigas.
— Rafa? Onde você vai? — gritou Camila.
— Esqueci o protetor... e... meu estômago não está legal! — mentiu ela, já correndo em direção ao calçadão, sem olhar para trás.
No mar, Augusto se virou para os amigos com uma expressão de dor fingida, segurando a panturrilha.
— Ai, droga! — exclamou ele, atraindo a atenção de Thiago e Pedro.
— O que foi, Guto? — perguntou Pedro, preocupado.
— Cãibra. Das fortes. Acho que forcei demais no treino de ontem — disse ele, fazendo uma careta convincente. — Vou ter que subir pro quarto e passar uma pomada, senão não jogo amanhã.
— Quer ajuda, cara? — ofereceu Thiago.
— Não, não! Podem ficar aí. Eu me viro. Só preciso de um gelo e um descanso — disse Augusto, já se afastando e nadando para a areia com braçadas rápidas.
Eles se encontraram no corredor do segundo andar, ofegantes, não pelo esforço da corrida, mas pela antecipação. Augusto mal teve tempo de inserir o cartão magnético na porta antes de Rafaella o empurrar para dentro, fechando a tranca com um estalo definitivo.
Desta vez, não havia o constrangimento da manhã, nem a interrupção dos amigos, nem a barreira do "acidente". Era uma escolha mútua, deliberada e urgente.
— Você corre rápido — disse Augusto, prendendo-a contra a porta de madeira assim que entraram.
— Você mente melhor ainda — rebateu ela, passando as mãos pelos ombros molhados dele. — "Cãibra", Augusto? Sério?
— Foi a única coisa que pensei enquanto via você saindo da água com aquele biquíni — ele confessou, a voz rouca. — Eu não ia conseguir ficar lá mais um segundo sem te tocar.
Ele a beijou com uma ferocidade que fez Rafaella soltar um gemido baixo. O beijo tinha gosto de mar e de desejo reprimido. As mãos de Augusto desceram para as amarras laterais da calcinha do biquíni preto, desfazendo os laços com uma agilidade impressionante. Rafaella, por sua vez, não ficou atrás; seus dedos ágeis encontraram o cordão do calção de banho dele, livrando-o da peça molhada que caiu pesadamente no chão.
— Sem barreiras dessa vez — sussurrou Rafaella, afastando-se apenas o suficiente para olhar nos olhos dele.
— Sem barreiras — concordou ele.
Augusto a ergueu, e Rafaella entrelaçou as pernas em sua cintura. O contato da pele nua foi como um choque elétrico para ambos. Ele a carregou em direção à cama, mas o desejo era tão grande que eles mal chegaram ao colchão antes de se entregarem um ao outro.
Desta vez, o tempo não era um inimigo, mas um aliado. Augusto explorou cada centímetro do corpo de Rafaella com uma possessividade romântica, beijando desde a curva de seu pescoço até a ponta de seus pés. Ela, inteligente e intensa, guiava-o com sussurros e toques que mostravam exatamente o quanto ela o queria.
Não havia mais a proteção do biquíni preto, nem a timidez da garota gentil. Ali, entre os lençóis brancos do hotel, ela era apenas fogo, e ele era o combustível perfeito. A estatura baixa de Rafaella fazia com que ela se encaixasse perfeitamente sob o corpo alto e atlético de Augusto, criando uma simetria que parecia destinada a acontecer.
— Você é minha, Rafaella — ele murmurou entre beijos, a voz carregada de uma emoção que ia além do físico.
— E você é meu — respondeu ela, sentindo o coração dele bater contra o seu em um ritmo frenético.
O quarto, antes silencioso, foi preenchido por sussurros, suspiros e a melodia da pele se encontrando. Eles se amaram com a intensidade de quem sabia que aqueles momentos eram raros e preciosos. Augusto era quente e protetor, enquanto Rafaella era a entrega e a paixão em estado puro.
Quando finalmente a exaustão os atingiu, eles ficaram deitados, abraçados, sentindo a brisa marinha que entrava pela fresta da janela. O sol lá fora continuava a brilhar para os outros cinquenta alunos, mas ali dentro, o mundo pertencia apenas aos dois.
— Sabe que o Thiago vai fazer perguntas de novo, não sabe? — perguntou Rafaella, com a cabeça descansando no peito de Augusto.
Augusto riu, passando a mão pelos cabelos dela.
— Deixa ele perguntar. Ele pode ser o capitão do time nos campos, mas aqui... — ele deu um beijo no topo da cabeça dela — ...eu sou o homem mais sortudo desse hotel.
Rafaella sorriu, fechando os olhos. O erro no sistema do hotel, que antes parecia um desastre, agora parecia ter sido a melhor jogada que o destino já fizera por ela. E enquanto o som das ondas continuava a ecoar ao longe, ela soube que aquela viagem escolar seria lembrada não pelas aulas de biologia marinha, mas pelo calor de um encontro que mudaria tudo entre eles.