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Lovely Complex

Ouro, Renda e o Despertar do Desejo

A luz do sol da manhã filtrava-se pelas frestas da persiana de madeira, desenhando listras douradas sobre o lençol de linho que cobria parcialmente o corpo de Rafaella. Ela despertou lentamente, sentindo o peso reconfortante e quente de Augusto às suas costas. O braço dele, pesado e musculoso, ainda a envolvia em um abraço protetor, mesmo durante o sono profundo.

Com um cuidado quase cirúrgico, ela se desvencilhou do aperto dele, deslizando para fora da cama sem fazer barulho. Ao se virar, ficou alguns segundos apenas observando-o. O capitão do time, o homem que comandava vinte e dois jogadores com punho de ferro e voz de comando, parecia um menino enquanto dormia. Os traços fortes do rosto estavam relaxados, o cenho não estava franzido em preocupação com táticas de jogo, e os cabelos escuros estavam bagunçados de um jeito que a dava vontade de acariciar.

Ela depositou um beijo casto e demorado na testa dele, sentindo o calor da pele de Augusto contra seus lábios.

— Dorme bem, meu anjo — sussurrou ela, quase de forma inaudível.

Rafaella caminhou em direção ao banheiro, sentindo a brisa leve que vinha da varanda. O dia prometia ser uma pintura. Ela sentia-se revigorada, o corpo ainda leve pela massagem da noite anterior e a alma cheia pela conexão que haviam compartilhado.

Abriu a mala e escolheu a dedo o que vestiria. O destino era a praia particular do hotel, e ela queria algo que estivesse à altura daquela viagem. Optou por um biquíni de renda branca, uma peça delicada e artesanal com detalhes em fios dourados que brilhavam discretamente sob a luz. O decote era generoso, valorizando suas curvas de forma elegante. Por cima, vestiu uma saída de praia de seda branca, transparente o suficiente para revelar o contraste da renda contra sua pele já levemente beijada pelo sol.

Ela parou diante do espelho da penteadeira para prender o cabelo em um coque alto e despojado, deixando alguns fios soltos para moldar o rosto. Enquanto subia os braços para ajustar os grampos, o tecido da saída de praia subiu ligeiramente, deixando suas pernas e parte de sua silhueta à mostra.

No reflexo do espelho, ela viu o movimento na cama. Augusto tinha despertado.

Ele não disse nada de imediato. Apenas se apoiou nos cotovelos, os olhos castanhos percorrendo a cena à sua frente com uma fome renovada. Para Augusto, aquela era, sem dúvida, a melhor visão que já tivera na vida. A luz da manhã emoldurava a figura de Rafaella, destacando a curva de sua cintura e a perfeição de seu corpo sob o tecido fino.

Ele se levantou da cama com a agilidade silenciosa de um predador, caminhando descalço pelo tapete até parar exatamente atrás dela.

Rafaella sentiu a presença dele antes mesmo de vê-lo se aproximar. O calor que emanava do corpo de Augusto era como um ímã. Sem aviso, as mãos grandes e calejadas dele encontraram o caminho. Uma mão deslizou com firmeza pela curva de sua bunda, sentindo a textura da renda por baixo da seda, enquanto a outra subiu possessivamente até envolver um de seus seios, o polegar roçando o tecido decotado.

— Você quer me matar logo cedo, Rafa? — a voz dele soou extremamente rouca, carregada de sono e desejo, vibrando contra a nuca dela.

Rafaella soltou um gemidinho baixo, a cabeça pendendo para trás, encontrando o ombro sólido dele. O contraste entre a pele bronzeada de Augusto e o branco de sua roupa era visualmente inebriante.

— Achei que você fosse dormir mais um pouco — disse ela, virando-se nos braços dele, as mãos encontrando o peito nu e definido do capitão.

Ela selou seus lábios nos dele em um beijo longo e profundo, que começou doce e rapidamente se tornou exigente. A língua dele explorou a dela com uma familiaridade deliciosa, e por um momento, o plano de ir à praia pareceu estar em sério risco de ser cancelado.

Rafaella, no entanto, interrompeu o beijo com alguns selinhos rápidos, recuperando o fôlego enquanto via o brilho de "quero mais" nos olhos dele.

— Hoje não podemos nos distrair e nem atrasar, senhor capitão — disse ela, com um sorriso travesso, ajeitando a gola imaginária do peito dele. — Eu quero aproveitar cada minuto. Quero nadar, caminhar e me bronzear bastante.

Augusto suspirou, fingindo uma derrota que claramente não sentia, já que apenas o fato de estar ali com ela já era uma vitória.

— Você é uma treinadora rigorosa, sabia? — brincou ele, apertando levemente a cintura dela.

— Só estou estabelecendo as regras do jogo — rebateu ela, pegando o frasco de protetor solar de cima da mesa. — E para começarmos bem... você me ajuda a passar o protetor?

Augusto arqueou uma sobrancelha, um sorriso ladino surgindo em seu rosto.

— Precisa perguntar? É óbvio que ajudo. Qualquer oportunidade de passar as mãos no seu corpo é válida e será aproveitada com o máximo de dedicação profissional. Vem aqui, meu amor.

Ele pegou o frasco da mão dela e indicou a poltrona perto da janela, mas Rafaella preferiu ficar de pé, de costas para ele, de frente para a vista do oceano.

Augusto espalhou o creme nas palmas das mãos, aquecendo-o antes de tocar a pele dela. Quando suas mãos finalmente entraram em contato com os ombros de Rafaella, ela sentiu um arrepio imediato percorrer sua espinha. Ele começou a espalhar o produto com movimentos lentos e circulares, descendo pelas costas, contornando as alças delicadas do biquíni de renda.

— Sua pele é tão macia — murmurou ele, a voz agora mais suave. — Às vezes eu esqueço como você é delicada, Rafa.

— Não sou tão delicada assim, Augusto — disse ela, fechando os olhos enquanto sentia os dedos dele pressionarem os músculos da base de sua coluna. — Eu aguento o seu ritmo.

— Eu sei que aguenta — ele riu baixo, a mão descendo agora para as pernas dela, subindo pelas coxas com uma lentidão torturante que a fazia segurar a respiração. — Mas gosto de cuidar de cada detalhe. Não quero que esse sol queime o que é meu.

A aplicação do protetor solar, que deveria ser uma tarefa funcional, transformou-se em um prelúdio sensorial. Cada toque de Augusto era carregado de uma intenção clara. Ele não tinha pressa. Passou o creme pelos braços dela, depois pediu que ela se virasse.

Com o rosto voltado para o dele, Rafaella observou a concentração de Augusto. Ele passava o protetor no colo dela, seus dedos roçando a borda da renda branca com uma precisão que a fazia estremecer. Os olhos dele subiram para encontrar os dela, e por um segundo, o tempo pareceu parar.

— Pronto — disse ele, a voz falhando levemente ao terminar de passar o produto nas bochechas dela. — Protegida.

— Obrigada — ela sussurrou, sentindo o coração bater acelerado contra o peito. — Agora é a sua vez. Mas seja rápido, ou o sol vai se pôr antes de chegarmos à areia.

Augusto riu, dando um tapa leve e carinhoso no quadril dela.

— Pode deixar, pequena. Vou vestir meu calção e pegar as toalhas. Mas não pense que escapou tão fácil. No mar, não tem protetor solar que me impeça de te segurar.

Rafaella pegou seu chapéu de palha e seus óculos escuros, sentindo uma felicidade vibrante correr por suas veias.

— É uma promessa, capitão?

— É um juramento — afirmou ele, pegando a bolsa de praia e estendendo a mão para ela.

Eles saíram do quarto em direção ao azul infinito do horizonte, prontos para escreverem mais um capítulo daquela história que, embora tivesse começado entre táticas e campos de futebol, agora encontrava sua verdadeira poesia no silêncio do mar e no calor de um amor que estava apenas começando a florescer sob o sol de verão.