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Lovely Complex

Resgates e Risadas Sob a Luz de Velas

O chuveiro do quarto ainda guardava o vapor da última ducha quando Rafaella terminou de se arrumar. Ela escolhera um vestido de seda cor de pérola que abraçava suas curvas de forma sutil, mas perigosa, caindo com fluidez até o meio das coxas. A pele, ainda levemente bronzeada pelo sol da tarde, parecia brilhar sob a luz quente do abajur. Ela finalizou com um perfume de notas florais e um batom nude, olhando-se no espelho com um sorriso satisfeito. Ela sabia que estava bonita, e gostava do efeito que isso causava em Augusto.

Augusto, por sua vez, estava encostado no batente da porta do banheiro, terminando de abotoar uma camisa de linho azul-marinho. As mangas estavam dobradas até os cotovelos, revelando os antebraços fortes que Rafaella conhecia tão bem. Ele parou o que estava fazendo apenas para observá-la, seus olhos castanhos percorrendo o corpo dela com uma intensidade que quase a fazia perder o equilíbrio.

— Se você continuar me olhando assim — começou Rafaella, ajeitando um brinco de argola —, nós nunca vamos chegar a esse restaurante.

— E quem disse que eu estou com pressa de sair daqui? — Augusto deu um passo à frente, envolvendo a cintura dela com as mãos e puxando-a para perto. O calor que emanava dele era instantâneo. Ele inclinou a cabeça, aspirando o perfume no pescoço dela. — Você está maravilhosa, Rafa. De verdade.

— Você também não está nada mal, Capitão — ela brincou, passando as mãos pelo peito dele, sentindo a batida firme do seu coração. — Mas promessa é promessa. E se o Bernardo reservou mesmo aquele lugar que a Sofia comentou, eu não quero perder a lagosta por causa dos seus instintos.

Augusto soltou um suspiro fingido de derrota, mas deu um beijo rápido e estalado nos lábios dela antes de soltá-la.

— Tudo bem. Vamos enfrentar o comitê de recepção. Mas eu já aviso: se o Bernardo estiver usando aquele chapéu de palha dentro do restaurante, eu vou fingir que não o conheço.

Eles saíram do quarto, caminhando pelos corredores elegantes do hotel resort. O restaurante ficava em um terraço aberto, com vista para o mar que agora brilhava sob a luz da lua cheia. O som das ondas quebrando suavemente na areia formava a trilha sonora perfeita para a noite. Assim que cruzaram a entrada, não foi difícil localizar os amigos. O riso escandaloso de Sofia e os gestos largos de Bernardo eram como um farol.

— Finalmente! — exclamou Sofia, levantando uma taça de vinho branco assim que eles se aproximaram. Ela estava deslumbrante em um conjunto de linho verde-água, com o cabelo preso em um coque despojado. — Achei que teríamos que pedir a entrada e o prato principal sem vocês.

— Culpa do Augusto — mentiu Rafaella, sentando-se na cadeira que o namorado puxou para ela. — Ele resolveu que precisava de dez minutos extras para decidir qual sapato combinava mais com o humor dele.

— Mentira deslavada — Augusto rebateu, sentando-se ao lado dela e lançando um olhar de aviso para Bernardo, que já abria a boca para comentar. — Nem comece, Be. Como está a reserva?

— Impecável, meu caro — Bernardo respondeu, estufando o peito. Ele, felizmente, havia trocado o chapéu de palha por uma camisa social bem cortada, embora o brilho travesso nos olhos continuasse o mesmo. — Escolhi a mesa com a melhor vista e já garanti que o garçom não traga nenhum cisne de toalha para a mesa. A menos que você peça, claro.

— Engraçadinho — Augusto murmurou, mas acabou rindo. A tensão da noite anterior realmente tinha se dissipado, dando lugar a uma camaradagem que era o alicerce da amizade deles.

O jantar transcorreu em uma mistura deliciosa de fofocas, lembranças de jogos passados e planos para o futuro. Rafaella observava como Augusto relaxava na presença dos amigos. O homem intenso e às vezes fechado dava lugar a alguém que ria com facilidade, que provocava o melhor amigo com piadas internas e que, a cada cinco minutos, buscava a mão de Rafaella por baixo da mesa, apenas para garantir que ela estava ali.

— Sabe, Rafa — disse Sofia, inclinando-se para frente após o prato principal ter sido servido —, eu estava contando para o Bernardo que nunca vi o Augusto tão... entregue. No vestiário, ele só fala de tática e de como o time precisa melhorar. Mas agora? O homem está em órbita.

— Ei, eu ainda estou aqui — Augusto interrompeu, embora estivesse sorrindo.

— Deixa ela falar, Guto — Rafaella incentivou, dando um gole em seu vinho. — Eu gosto de saber os segredos do capitão.

— O segredo é simples — Bernardo interveio, assumindo um tom falsamente solene. — O Augusto sempre foi o cara que queria controlar o vento. Aí você chegou, Rafa, e ele percebeu que é muito mais divertido aprender a velejar do que tentar mandar na natureza.

— Isso foi inesperadamente profundo, Bernardo — comentou Augusto, surpreso. — Você andou lendo aqueles livros de autoajuda da Sofia?

— Talvez um ou dois capítulos — admitiu Bernardo, fazendo todos rirem.

Enquanto a sobremesa — um petit gâteau de doce de leite com sorvete de coco — era servida, a conversa tomou um rumo mais tranquilo. Eles falavam sobre a beleza do lugar e como era raro conseguirem um tempo juntos longe da rotina exaustiva de treinos e compromissos.

— Eu estava pensando — começou Rafaella, olhando para o horizonte escuro do mar —, que a gente podia fazer isso mais vezes. Não precisa ser uma viagem grande. Só... momentos assim.

— Eu concordo totalmente — Sofia disse, segurando a mão de Bernardo. — A vida passa rápido demais pra gente só focar no trabalho.

Augusto olhou para Rafaella, e a admiração em seus olhos era quase palpável.

— Onde você quiser ir, Rafa, eu vou. Desde que o Bernardo não seja o responsável pela decoração do quarto.

— Prometo que da próxima vez contrato um profissional — brincou Bernardo, levantando as mãos em sinal de rendição.

Após o jantar, o grupo decidiu caminhar um pouco pela orla antes de subir. A brisa noturna estava fresca e o cheiro de salitre era revigorante. Sofia e Bernardo acabaram ficando para trás, parando para tirar fotos em frente a uma fonte iluminada, deixando Augusto e Rafaella caminharem um pouco à frente.

Eles caminharam em silêncio por alguns minutos, apenas aproveitando a proximidade física. Augusto passou o braço pelos ombros dela, protegendo-a do vento mais forte que vinha do oceano.

— Você está feliz? — ele perguntou de repente, parando a caminhada e virando-a para frente dele.

Rafaella olhou para ele, sentindo o coração transbordar. A luz da lua refletia nos olhos dele, criando pontos de luz que a hipnotizavam.

— Muito, Guto. Mais do que eu achei que seria possível em tão pouco tempo.

— Eu sei que eu sou um pouco... demais às vezes — ele confessou, a voz descendo para aquele tom rouco e sincero que ele só usava com ela. — Intenso, focado demais. Às vezes eu esqueço de respirar. Mas com você, parece que o ar entra mais fácil.

Rafaella esticou a mão, acariciando o rosto dele, sentindo a textura leve da barba por fazer.

— Eu gosto da sua intensidade, Augusto. É o que faz você ser quem é. Só não esqueça que, às vezes, o capitão também pode descansar.

Ele sorriu e a puxou para um beijo profundo, um beijo que carregava toda a gratidão e o desejo daquela noite. Não havia pressa, não havia interrupções, apenas o som do mar e a certeza de que estavam exatamente onde deveriam estar.

— Ei, pombinhos! — a voz de Bernardo ecoou à distância. — A gente vai subir para o bar do lobby tomar uma saideira. Vocês vêm?

Augusto se separou de Rafaella, mas manteve a testa encostada na dela por um segundo a mais.

— O que você acha? — ele perguntou em um sussurro.

Rafaella sorriu, o brilho travesso voltando aos seus olhos.

— Acho que eles podem tomar a saideira sozinhos. Eu ainda estou esperando a continuação daquela massagem que você não terminou ontem.

Augusto deu uma risada curta e vitoriosa, pegando a mão dela e começando a caminhar de volta para o hotel, acelerando o passo.

— Bernardo! — gritou Augusto por cima do ombro. — Aproveitem o drink. A gente tem uma "partida" importante para terminar!

— Eu sabia! — ouviram Bernardo gritar de volta, seguido pelo riso alto de Sofia.

Ao entrarem no elevador, o clima mudou instantaneamente. O espaço confinado parecia carregar a eletricidade entre eles. Augusto a pressionou levemente contra a parede espelhada, as mãos encontrando o caminho para a nuca dela.

— Você tem noção do que faz comigo usando esse vestido? — ele murmurou, a respiração quente contra a pele dela.

— Tenho uma pequena ideia — ela respondeu, passando as mãos pelo cabelo dele, puxando-o para mais perto.

Quando as portas se abriram no andar deles, eles quase correram para o quarto. Assim que a porta foi trancada, o mundo exterior deixou de existir. Não havia mais amigos, nem futebol, nem gansos de toalha. Havia apenas a pele, o toque e a intensidade de um amor que parecia crescer a cada segundo.

Augusto a pegou no colo, levando-a para a cama que ainda guardava o perfume de baunilha da noite anterior. Ele a deitou com cuidado e, cumprindo a promessa, começou a beijar cada centímetro de sua pele, começando pelo pescoço, descendo pelos ombros e seguindo a linha do vestido.

— Você é perfeita, Rafa — ele disse, olhando-a nos olhos. — Cada detalhe seu.

— E você é teimoso, Capitão — ela sorriu, puxando-o para cima dela. — Eu já disse que a perfeição é superestimada. Mas o que a gente tem... isso é real.

E naquela noite, sob o teto de um hotel à beira-mar, eles provaram que a realidade, quando vivida com a pessoa certa, pode ser muito melhor do que qualquer sonho perfeito. O amor deles não precisava de ensaios ou de cenários impecáveis; ele se alimentava da risada compartilhada, do apoio mútuo e daquela chama que, sabiam agora, nunca se apagaria tão cedo.

Horas depois, quando o silêncio voltou a reinar e apenas a respiração ritmada dos dois era ouvida, Augusto a puxou para a conchinha habitual. Rafaella se aninhou nele, sentindo-se protegida e completa. Antes de fechar os olhos, ela pensou no dia seguinte, no sol que voltaria a brilhar e nas novas memórias que iriam construir.

— Boa noite, Guto — ela sussurrou, já entregue ao sono.

— Boa noite, minha Rafa — ele respondeu, beijando o alto da cabeça dela e fechando os olhos, finalmente permitindo que o capitão descansasse no porto mais seguro que já encontrara.