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Lovely Complex

Marcas de uma Noite Inesquecível

O sol da manhã de domingo não pedia licença; ele entrava pelas janelas com uma audácia que combinava perfeitamente com o clima daquele resort. Rafaella foi a primeira a despertar, sentindo o corpo leve, embora houvesse uma dormência gostosa em seus músculos. Ela se espreguiçou, sentindo o lençol de fios egípcios deslizar pela pele, e olhou para o lado. Augusto ainda dormia profundamente, o rosto sereno, uma imagem que contrastava drasticamente com o Capitão implacável que comandava o time em campo.

Ela não pôde evitar um sorriso ao lembrar da "invasão" de Bernardo e Sofia na noite anterior. O susto fora grande, mas a forma como ela e Augusto conseguiram rir daquilo depois provava que a conexão entre eles ia muito além da atração física. Havia uma leveza que ela nunca experimentara antes.

— Bom dia, linda — a voz de Augusto surgiu rouca, vinda de algum lugar entre o travesseiro e o edredom.

— Bom dia, Capitão. Dormiu bem, apesar dos sustos? — perguntou ela, aproximando-se para beijar o ombro dele.

— Dormi como se tivesse jogado uma final de campeonato com prorrogação — ele murmurou, virando-se para ela e abrindo aqueles olhos castanhos que sempre pareciam ler a alma dela. — Mas acho que a culpa não foi só do susto. Você me deixou exausto, Rafa.

— Eu? Você que insistiu na massagem "profissional" — ela provocou, rindo.

Eles ficaram ali, enrolados um no outro por mais alguns minutos, trocando carinhos preguiçosos até que a fome falou mais alto. Após um banho rápido e compartilhado — que quase os fez atrasar para o café da manhã —, eles se vestiram com roupas leves de praia. Rafaella optou por um biquíni de crochê sob uma saída de praia transparente, enquanto Augusto vestiu apenas uma bermuda tactel escura, deixando o peitoral à mostra, confiante como sempre.

Ao chegarem à área do buffet, o cenário era o de sempre: Bernardo e Sofia já estavam em uma mesa estratégica, cercados por frutas, pães e jarras de suco. O clima parecia normal, até o momento em que Augusto puxou a cadeira para Rafaella e sentou-se de costas para o casal de amigos.

— Bom dia para quem não tranca a porta! — Bernardo anunciou, com um sorriso de orelha a orelha e uma caneca de café na mão.

— Cala a boca, Bernardo — Augusto respondeu, sem agressividade, mas com o tom de quem já esperava a provocação. — Se você tivesse um pingo de educação, não entraria no quarto dos outros como se fosse o dono do resort.

— Eu já pedi desculpas, Guto! — Sofia interveio, embora estivesse segurando o riso. — O Bernardo que me arrastou. Mas, olha, vocês dois formam uma cena bem... artística sob a luz da lua.

Rafaella sentiu as bochechas esquentarem e escondeu o rosto atrás de um copo de suco de laranja.

— Artística é a minha mão indo de encontro à sua nuca se você não mudar de assunto — retrucou Augusto, pegando uma fatia de melancia.

Bernardo ia responder, mas suas palavras morreram no ar. Ele inclinou a cabeça para o lado, estreitando os olhos enquanto observava as costas de Augusto. O Capitão estava de costas para a luz, e as marcas eram evidentes.

— Caramba, Guto... — Bernardo soltou, a voz perdendo o tom de deboche e assumindo um tom de puro choque.

— O que foi agora? — Augusto perguntou, sem se virar.

— Cara, eu acho que você foi atacado por um jaguar — Bernardo apontou com o garfo. — Ou talvez a Rafaella tenha escondido garras de Wolverine e não contou para ninguém.

Sofia seguiu o olhar do namorado e soltou um "uau" baixinho, tapando a boca com a mão. Rafaella, curiosa, inclinou-se para ver o que eles estavam olhando. Nas costas largas e bronzeadas de Augusto, estendiam-se várias linhas avermelhadas, algumas mais profundas que outras, traçando um mapa de desejo e entrega que ia dos ombros até a linha da bermuda.

Augusto finalmente percebeu do que se tratava. Ele sentiu o rosto arder — algo raro para ele — e tentou se ajeitar na cadeira para esconder as marcas, mas era tarde demais.

— Pelo visto, a "partida" foi bem mais intensa do que eu imaginei — Bernardo continuou, agora rindo abertamente. — Capitão, você está literalmente marcado. Eu sempre soube que a Rafa era brava, mas isso aí é nível profissional.

— Bernardo, se você disser mais uma palavra sobre isso, eu juro que te suspendo do próximo amistoso — Augusto ameaçou, embora houvesse um brilho de orgulho mal disfarçado em seu olhar.

Rafaella, por sua vez, estava em silêncio, sentindo uma mistura de timidez e um poder secreto. Ela olhou para as próprias unhas e depois para as costas dele, lembrando-se exatamente dos momentos em que o prazer a fizera perder o controle.

— Não precisa ficar vermelha, Rafa — Sofia disse, piscando para a amiga. — Entre quatro paredes, a gente sabe quem manda de verdade.

— Chega de fofoca por hoje — Augusto decretou, levantando-se. — Eu e o Bernardo temos um plano. Terminem o café, meninas. Vamos levar vocês a um lugar.

— Um lugar? — Rafaella perguntou, curiosa. — Que tipo de lugar?

— Um segredo de estado — Bernardo respondeu, levantando-se também e dando um tapinha no ombro de Augusto (evitando as partes arranhadas, claro). — Vamos lá, o carro já está esperando.

O trajeto foi curto, mas cercado de mistério. Eles saíram da área principal do resort e entraram em uma trilha pavimentada que levava a uma parte mais isolada da costa. Quando o carro parou, elas se depararam com uma estrutura de madeira rústica e elegante, cercada por jardins tropicais e com uma vista infinita para o mar. Uma placa discreta dizia: *Summer Zen Spa & Sanctuary*.

— O que é isso? — Sofia perguntou, os olhos brilhando.

— É um spa de verão privativo — explicou Augusto, aproximando-se de Rafaella e segurando sua mão. — A gente sabe que as últimas semanas foram estressantes, e depois da... agitação de ontem, achamos que vocês mereciam um tempo só de vocês. Massagens, banhos de ervas, tratamentos faciais. Tudo por conta da casa. Ou melhor, por nossa conta.

— Vocês estão falando sério? — Rafaella olhou para Augusto, emocionada com o gesto. — Mas e vocês?

— Nós vamos ter uma conversa de "homens" — Bernardo disse, passando o braço pelos ombros de Augusto. — Temos muito o que discutir sobre táticas, futebol e, aparentemente, como sobreviver a ataques de felinos na calada da noite.

As meninas riram e, após serem recebidas por recepcionistas gentis que lhes entregaram roupões de seda, despediram-se dos rapazes.

Enquanto Rafaella e Sofia entravam no santuário de relaxamento, Augusto e Bernardo caminharam até um deck de madeira que avançava sobre as rochas, onde duas poltronas confortáveis e alguns drinks gelados os esperavam.

O silêncio reinou por alguns instantes, quebrado apenas pelo som das ondas. Augusto suspirou, sentindo a brisa bater em suas costas, o que causava um leve ardor, mas um ardor que ele não trocaria por nada.

— Ela é diferente, não é? — Bernardo perguntou, perdendo o tom brincalhão e soando como o amigo de longa data que realmente era.

Augusto olhou para o horizonte, pensativo.

— É. Eu nunca senti nada parecido, Be. Você me conhece. Eu sempre fui o cara que entrava em campo, fazia o que tinha que fazer e ia embora. Com a Rafa... eu sinto que nunca quero ir embora.

— Eu percebi. Quando eu vi aquelas marcas nas suas costas, eu brinquei, mas a verdade é que eu vi outra coisa antes disso. Eu vi o jeito que você olhou para ela quando acordou. Você está apaixonado até o pescoço, meu irmão.

Augusto deu um gole em sua bebida, um sorriso de canto surgindo.

— Estou. E o mais louco é que eu não sinto que estou perdendo o controle. Sinto que finalmente encontrei o equilíbrio. Ela me desafia, sabe? Ela não se impressiona com o título de capitão ou com as vitórias. Ela quer o Augusto, o cara real.

— A Sofia diz a mesma coisa — comentou Bernardo, recostando-se na poltrona. — Ela diz que a Rafaella nunca esteve tão radiante. Elas são parecidas. Fortes, decididas. A gente tirou a sorte grande, Guto.

— Tiramos mesmo. Mas e você e a Sofia? Ontem à noite, além de roubarem meu óleo de massagem, pareciam bem sintonizados.

Bernardo riu, balançando a cabeça.

— A gente se entende. A Sofia é o meu porto seguro. Eu sei que sou um idiota metade do tempo, mas ela me mantém no chão. Ver você e a Rafa juntos ontem... mesmo que tenha sido daquele jeito traumático para os meus olhos... me fez pensar que talvez esteja na hora de eu dar o próximo passo com a Sofi.

Augusto olhou para o amigo com surpresa e respeito.

— Você está falando sério? O eterno solteiro do time vai pedir reforços permanentes?

— Acho que sim, cara. A vida de artilheiro solitário cansa. Ter alguém para dividir a vitória é muito melhor.

Enquanto isso, dentro do spa, o clima era de puro êxtase. Rafaella e Sofia estavam submersas em uma banheira de hidromassagem repleta de pétalas de flores e óleos essenciais.

— Amiga, o Augusto realmente se superou — Sofia disse, com uma máscara de argila no rosto. — Isso aqui é o paraíso.

— Ele é incrível, Sofi. Eu ainda estou tentando processar tudo. Ele parece tão intenso em tudo o que faz, mas ao mesmo tempo tem uma doçura que ele só mostra quando estamos sozinhos.

— E as marcas, Rafa? — Sofia provocou, rindo baixo. — Você quase acabou com o nosso Capitão.

Rafaella escondeu o rosto nas mãos, rindo junto.

— Eu nem percebi, juro! Foi o momento. Ele me faz sentir coisas que eu nem sabia que existiam. É como se cada toque dele despertasse uma parte nova de mim.

— Isso é amor, sua boba. E eu estou muito feliz por vocês. O Augusto precisava de alguém como você para baixar a guarda. E você precisava de alguém como ele para se sentir valorizada como a mulher maravilhosa que é.

As duas passaram horas trocando confidências, relaxando sob as mãos de massagistas experientes e renovando as energias. Para Rafaella, aquele tempo com Sofia era precioso, mas sua mente sempre voltava para Augusto. Ela se sentia grata por ele ter proporcionado aquele momento, por entender que ela precisava de espaço para ser ela mesma, mesmo estando tão conectada a ele.

Ao final da tarde, quando o sol começava a baixar, os quatro se reuniram novamente no deck. As meninas estavam com a pele viçosa e um semblante relaxado, enquanto os rapazes pareciam ter tido uma conversa produtiva e revigorante.

Augusto se aproximou de Rafaella e envolveu sua cintura, beijando-lhe o topo da cabeça.

— Relaxou? — ele perguntou em um sussurro.

— Muito. Obrigada, Guto. Foi o melhor presente que você poderia ter dado.

— O melhor presente é ter você aqui — ele respondeu, e a sinceridade em sua voz fez o coração dela disparar.

Bernardo limpou a garganta, chamando a atenção de todos.

— Bom, agora que as madames estão devidamente descansadas e o Capitão já recuperou o fôlego, que tal a gente aproveitar o pôr do sol com um brinde?

Eles levantaram suas taças, o céu pintado de rosa e laranja refletindo a felicidade que sentiam. Naquele momento, não havia jogos, não havia pressão, não havia passado ou futuro. Havia apenas o agora.

— À nós — disse Augusto, olhando profundamente nos olhos de Rafaella.

— À nós — todos repetiram.

Enquanto brindavam, Rafaella sentiu a mão de Augusto descer suavemente pelas suas costas, por cima do tecido fino da saída de praia. Ela sabia que as marcas ainda estavam lá, e que novas seriam feitas, não apenas na pele, mas na alma. Eles eram intensos, eram fogo e mar, e estavam apenas começando a descobrir o quão longe aquela chama poderia levá-los.

A noite caiu sobre o resort, trazendo consigo a promessa de mais momentos compartilhados. E enquanto caminhavam de volta, de mãos dadas, Rafaella teve a certeza de que, não importa o que acontecesse, aquele verão seria o marco inicial da maior e melhor partida de suas vidas. E, desta vez, ela tinha certeza de que ambos sairiam vencedores.