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Lovely Complex

Ouro, Sal e o Brilho do Sim

O sol mal havia começado a rasgar o horizonte, pintando o céu com tons de lilás e âmbar, quando Augusto se levantou da cama com uma agilidade que contrastava com o silêncio do quarto. Ele parou por um instante, apenas observando Rafaella. Ela dormia com o rosto parcialmente escondido pelos cabelos escuros, a respiração calma e profunda. Ele sentiu um aperto no peito, uma urgência que não tinha nada a ver com o campo de futebol. Era a urgência de garantir que ela nunca mais saísse do seu lado.

Ele vestiu uma camiseta qualquer e saiu do quarto na ponta dos pés. Cruzou o corredor do resort e parou diante da porta de Sofia e Bernardo. Não bateu; enviou uma mensagem curta no grupo que tinham: "Porta. Agora. É emergência."

Trinta segundos depois, um Bernardo descabelado e de olhos inchados abriu a porta, seguido por uma Sofia que já parecia estar em alerta máximo, apesar do pijama de seda.

— O que aconteceu? — sussurrou Bernardo, a voz falhando. — O ganso de toalha ganhou vida e te atacou?

— Eu vou pedir a Rafa em casamento — Augusto disparou, sem rodeios.

O silêncio que se seguiu foi quebrado apenas pelo arquejo dramático de Sofia, que quase deu um pulo no lugar.

— Meu Deus! — ela exclamou, tapando a boca para não gritar. — Augusto, finalmente! Eu achei que teria que desenhar um diagrama tático para você entender que ela é a mulher da sua vida.

— Eu já entendi, Sofi. Entendi ontem, entendi hoje quando acordei e vi que o mundo não faz sentido sem ela. — Augusto entrou no quarto e começou a andar de um lado para o outro. — Mas eu quero que seja perfeito. Nada de erros, nada de gansos com escoliose. Quero o pôr do sol, o mar e algo que ela nunca esqueça. Preciso da ajuda de vocês.

Bernardo, agora totalmente desperto, sorriu e bateu no ombro do amigo.

— Conte com a gente, Capitão. Se é para montar o esquema tático do "Sim", você tem os melhores assistentes técnicos da liga.

A operação começou ali mesmo. Enquanto Augusto cuidava da parte burocrática — incluindo a reserva de um espaço exclusivo na areia —, Sofia e Bernardo dividiram as tarefas. Sofia seria a responsável por distrair Rafaella e prepará-la para a noite, enquanto Bernardo ajudaria Augusto com a logística e a escolha do traje.

A manhã e a tarde passaram em um borrão de ansiedade controlada. Sofia arrastou Rafaella para um "dia de beleza intensivo" no spa do hotel, alegando que precisavam relaxar após a agitação dos dias anteriores.

— Sofi, a gente já teve massagem ontem — riu Rafaella, enquanto era levada para uma sessão de hidratação capilar. — Para que tudo isso de novo?

— Porque hoje o dia está com uma energia diferente, Rafa! — Sofia desconversou, piscando para a esteticista. — E eu quero que a gente esteja impecável para o jantar de despedida. É uma noite especial.

— Especial por quê? — perguntou Rafaella, desconfiada, mas gostando do mimo.

— Porque sim! Porque somos lindas e merecemos. — Sofia respondeu, fazendo Rafaella rir e finalmente relaxar.

Enquanto isso, na praia privativa, uma equipe trabalhava sob a supervisão de Augusto. Um pequeno altar rústico de madeira clara foi montado, decorado com orquídeas brancas e tecidos que balançavam suavemente com a brisa. O sol começava a descer, tingindo o oceano de um dourado quase místico.

— O anel está seguro? — perguntou Bernardo, observando Augusto ajustar o colarinho de uma camisa de linho branca impecável.

— No bolso interno — Augusto respondeu, tocando o tecido. — Eu sinto que vou entrar na final da Copa do Mundo, Be. O coração está saindo pela boca.

— Relaxa, cara. Você é o Augusto. O cara que não treme em pênalti. — Bernardo ajeitou o ombro da camisa do amigo. — E ela te ama. Só vai lá e marca esse gol.

Ao final da tarde, o cenário estava pronto. Sofia finalizava a produção de Rafaella, que usava um vestido longo de seda branca, com um decote profundo nas costas e uma fenda que revelava suas pernas bronzeadas.

— Você parece uma rainha, Rafa — disse Sofia, com os olhos marejados. — Sério. O Augusto não vai saber o que o atingiu.

Quando Rafaella caminhou em direção à praia, guiada por um caminho de tochas fincadas na areia, ela parou por um segundo. O som de um violão dedilhando uma melodia suave ecoava ao longe. Ela viu a silhueta de Augusto parado à beira da água, iluminado pelo brilho alaranjado do sol poente.

— Augusto? — ela chamou, aproximando-se lentamente.

Ele não disse nada de imediato. Apenas estendeu a mão e a ajudou a subir no pequeno tablado sobre a areia. Ele segurou as duas mãos dela, sentindo-as tremer levemente.

— Rafa — começou ele, a voz firme, mas carregada de emoção. — Eu passei a vida toda focado em vencer, em ser o melhor. Eu achava que a minha felicidade estava nos troféus. Mas aí você apareceu.

Rafaella sentiu a primeira lágrima escorrer, o coração batendo tão forte que ela podia ouvi-lo nos ouvidos.

— Você me mostrou que a maior vitória acontece no silêncio de um abraço. — Ele se ajoelhou lentamente, tirando a pequena caixa de veludo do bolso. — Eu não quero mais ser o capitão de um time se eu não puder ser o seu companheiro de vida. Rafaella, você aceita ser minha esposa?

Rafaella não conseguia falar. O soluço de felicidade ficou preso na garganta antes de sair em forma de um sorriso radiante.

— Sim! — ela exclamou, jogando-se nos braços dele enquanto ele se levantava. — Mil vezes sim, Augusto!

Ele a girou no ar, e ao fundo, escondidos atrás de algumas palmeiras, Sofia e Bernardo explodiram em aplausos. Augusto selou o compromisso com um beijo profundo, um beijo que carregava promessas de um futuro inteiro.

— Eu te amo tanto — sussurrou ele contra os lábios dela.

— Eu te amo mais, meu Capitão — ela respondeu, admirando o anel em seu dedo.

Após as comemorações com os amigos, Augusto guiou Rafaella de volta para o hotel. Ao abrirem a porta do quarto, ela parou, sem fôlego. O ambiente havia sido transformado em um santuário de romance. Centenas de velas criavam um caminho de luz, e pétalas de rosas brancas cobriam a cama.

— Augusto... isso é maravilhoso.

— Eu queria que a nossa primeira noite como noivos fosse exatamente como você merece. — Ele a abraçou por trás. — Sem interrupções. Só nós.

Eles se amaram com uma intensidade que parecia querer compensar todos os anos que passaram sem se conhecer. Augusto era lento, explorando cada centímetro do corpo de Rafaella como se estivesse memorizando um território sagrado. Ela respondia com a mesma entrega, as mãos percorrendo as costas dele, sentindo as marcas de paixão que agora pareciam medalhas de uma conexão avassaladora.

Horas depois, quando o cansaço finalmente venceu, eles ficaram deitados, pele contra pele.

— Você está feliz, minha noiva? — perguntou Augusto, puxando o lençol para cobri-los.

— Eu sou a mulher mais feliz do mundo, Guto. — Ela se aninhou no peito dele. — Esse foi o melhor "sim" da minha vida.

O quarto, em um silêncio sagrado, guardava o segredo daquela noite. O mar lá fora continuava seu eterno vai e vem, mas para Augusto e Rafaella, a maré havia finalmente encontrado o seu porto seguro.