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Lovely Complex

Sol, Sal e o Brilho do Sim

O sol daquela segunda-feira parecia ter nascido com uma intensidade diferente, como se o próprio universo estivesse celebrando o novo status do casal. Rafaella acordou com a luz filtrada pelas cortinas de seda, mas o que realmente a despertou foi o peso reconfortante do braço de Augusto sobre sua cintura e o brilho metálico no seu dedo anelar esquerdo. Ela levou a mão ao rosto, observando como o diamante capturava os primeiros raios da manhã. Não era um sonho.

— Já acordou, minha noiva? — a voz de Augusto surgiu rouca, rente ao seu ouvido, enviando um calafrio delicioso por sua espinha.

— Eu não queria perder nem um segundo desse primeiro dia oficial — respondeu ela, virando-se nos braços dele. — Ainda parece surreal. Ontem à noite foi...

— Foi só o começo — interrompeu ele, beijando a ponta do nariz dela. — Hoje o dia é nosso. Sem cronogramas, sem pressões, apenas nós dois e o mar.

Eles demoraram a sair da cama. A manhã foi preenchida por beijos lentos e planos sussurrados sobre o casamento, entremeados por risadas sobre como contariam para o resto da família. Quando finalmente se levantaram e se prepararam, o resort já estava em pleno movimento, mas para eles, o mundo parecia girar em uma frequência particular.

Ao descerem para o café da manhã, o "comitê de boas-vindas" já estava a postos. Bernardo e Sofia ocupavam a mesma mesa de sempre, mas a energia era vibrante.

— Olhem só para eles! — exclamou Bernardo, levantando-se e batendo palmas, atraindo a atenção de alguns hóspedes próximos. — O Capitão finalmente oficializou a transferência mais importante da carreira!

— Deixa eles sentarem, Bernardo! — Sofia riu, correndo para abraçar Rafaella. — Deixa eu ver de perto! Meu Deus, Guto, você tem bom gosto. É maravilhoso!

Rafaella estendeu a mão, rindo da empolgação da amiga, enquanto Augusto recebia um abraço de "urso" de Bernardo, que dava tapinhas vigorosos em suas costas.

— Cuidado com as costas dele, Be — provocou Rafaella, piscando para o agora noivo. — Ele ainda está em recuperação.

Augusto soltou uma risada curta, puxando a cadeira para Rafaella.

— Engraçadinha. Mas hoje nada estraga meu humor. Nem mesmo o Bernardo sendo o Bernardo.

— E qual é o plano para o primeiro dia dos noivos? — perguntou Sofia, servindo-se de mais suco. — Nós vamos para a ilha deserta que vocês comentaram ou vamos dominar a praia do hotel?

— Decidimos ficar por aqui, mas em uma área mais reservada — explicou Augusto. — Quero que a Rafa aproveite o sol sem ter que lidar com paparazzi ou curiosos. Só queremos paz.

Após um café da manhã farto e cheio de piadas sobre quem seria o padrinho mais bem vestido (Bernardo já estava se candidatando ao posto com veemência), o grupo seguiu para a praia. O hotel havia preparado um bangalô exclusivo para o casal, afastado da área comum, com cortinas brancas que dançavam ao vento e almofadas enormes espalhadas sobre o deck de madeira.

Assim que chegaram à areia, Rafaella sentiu a liberdade de estar noiva. Ela tirou a saída de praia, revelando um biquíni que realçava seu corpo bronzeado, e correu em direção à água. Augusto não ficou atrás. Ele a alcançou antes que ela mergulhasse, envolvendo-a pela cintura e levantando-a no ar enquanto as ondas quebravam em seus pés.

— Você está tão linda hoje, Rafa — disse ele, observando-a sob a luz do sol. — Tem um brilho diferente em você.

— É a felicidade, Guto — ela respondeu, passando as mãos pelos ombros largos dele. — Eu me sinto leve. Como se tudo tivesse se encaixado.

Eles mergulharam juntos, aproveitando a água cristalina e morna. No mar, a dinâmica era de pura entrega. Augusto a puxava para beijos salgados, e eles nadavam para longe da margem, onde o silêncio era interrompido apenas pelo som das ondas. Era o refúgio perfeito.

Mais tarde, enquanto relaxavam no bangalô, Sofia e Bernardo se aproximaram com um cooler cheio de bebidas geladas e uma energia contagiante.

— Viemos trazer o suprimento oficial de celebração! — anunciou Bernardo, abrindo uma garrafa de espumante com um estalo festivo. — Um brinde aos noivos!

Eles se sentaram à sombra, os quatro amigos compartilhando histórias e risadas. O clima era de absoluta cumplicidade.

— Sabe, Guto — começou Sofia, olhando para o horizonte —, eu sempre soube que você precisava de alguém que te desafiasse. Alguém que não tivesse medo da sua "marra" de capitão.

— E eu encontrei — Augusto olhou para Rafaella, que estava encostada em seu peito. — Ela é a única que me faz pedir tempo técnico só para admirar a paisagem.

— E eu sou a única que aguenta as metáforas de futebol dele vinte e quatro horas por dia — completou Rafaella, fazendo todos rrirem.

— Mas falando sério — Bernardo interveio, assumindo um tom mais sóbrio por um momento —, fico feliz por vocês. O futebol é uma pressão louca, a vida pública é exaustiva... ter um porto seguro como esse é o que mantém a gente são.

— Com certeza — concordou Augusto, apertando a mão de Rafaella.

O dia seguiu entre mergulhos, petiscos de frutos do mar servidos no bangalô e conversas profundas. Em um determinado momento, Sofia e Bernardo decidiram fazer uma caminhada pela orla, deixando o casal sozinho novamente.

Rafaella estava deitada de bruços, sentindo o sol aquecer suas costas, quando sentiu as mãos de Augusto começarem uma massagem suave.

— Outra massagem, Capitão? — perguntou ela, sorrindo contra o braço. — Você está ficando viciado nisso.

— É que agora eu tenho que cuidar do meu patrimônio — brincou ele, os dedos pressionando os pontos de tensão nos ombros dela. — E eu gosto de ver você relaxada assim. Sem nenhuma preocupação.

— Eu estou tão relaxada que sinto que poderia flutuar — confessou ela. — Obrigada por ontem, Guto. Por cada detalhe. Eu sei que você se esforçou para que fosse perfeito.

— Não foi esforço, Rafa. Foi desejo. Eu queria que você soubesse, sem sombra de dúvidas, que você é a prioridade na minha vida. A partir de agora, o "nós" vem antes de qualquer troféu.

Rafaella se virou, sentando-se de frente para ele. Seus olhos brilhavam com uma intensidade que rivalizava com o reflexo do sol no mar.

— E você sabe que eu estarei na arquibancada, né? Em todos os sentidos. Torcendo, apoiando e, se precisar, te dando um puxão de orelha quando você for teimoso demais.

— Eu conto com isso — ele riu, puxando-a para um beijo que começou doce e rapidamente se tornou urgente.

A paixão entre eles parecia renovada pelo compromisso. No bangalô, protegidos pelas cortinas que balançavam, eles se perderam um no outro por um tempo, esquecendo que havia mais alguém no resort. O toque de Augusto era firme e proprietário, mas carregado de uma ternura que só Rafaella conhecia. Ele mapeava cada curva dela com a ponta dos dedos, como se estivesse assinando um contrato de exclusividade eterna.

— Você é minha — sussurrou ele contra a pele do pescoço dela.

— E você é todinho meu — respondeu ela, a voz embargada pelo desejo.

Quando o sol começou a baixar, tingindo o céu de rosa e violeta, eles decidiram caminhar até a beira da água para ver o pôr do sol pela primeira vez como noivos. De mãos dadas, eles caminhavam pela areia molhada, deixando pegadas que as ondas logo tratavam de apagar, mas que na memória de ambos seriam eternas.

— O que você está pensando? — perguntou Augusto, percebendo o olhar distante de Rafaella.

— Estou pensando que a perfeição não é superestimada quando estamos com a pessoa certa — disse ela, encostando a cabeça no ombro dele. — Ontem eu disse que a perfeição não importava, mas hoje eu percebo que cada pequeno erro, cada interrupção do Bernardo, cada risada... tudo isso tornou o nosso momento perfeito.

— A vida é um jogo de improviso, né? — Augusto comentou, observando o sol tocar o horizonte. — A gente faz o plano, mas o que vale é como a gente reage quando a bola desvia. E com você, eu sinto que posso ganhar qualquer partida, não importa o adversário.

Eles pararam ali, no limite entre a terra e o mar, enquanto o céu se tornava um espetáculo de cores. Augusto a abraçou por trás, envolvendo-a em seu calor, e ambos ficaram em silêncio, apenas sentindo a batida do coração um do outro.

— Sabe de uma coisa? — disse Augusto, quebrando o silêncio. — Eu ainda vou fazer o Bernardo pagar por ter entrado no quarto ontem.

— Ah, não! — Rafaella riu alto. — Deixa o coitado em paz, Guto. Ele só queria o óleo de massagem.

— Não interessa. O capitão não perdoa invasão de campo — ele brincou, mas logo seu tom suavizou. — Mas talvez eu o deixe ser o padrinho. Só talvez.

— Ele vai ficar radiante — disse ela. — E a Sofia já está planejando o chá de panela, o chá de lingerie e provavelmente o batizado dos nossos filhos.

Augusto riu, beijando a têmpora dela.

— Um passo de cada vez, noiva. Vamos focar no agora. E o "agora" me diz que eu sou o homem mais sortudo desse litoral.

Eles voltaram para o bangalô para pegar suas coisas enquanto a primeira estrela aparecia no céu. O dia de praia havia sido exatamente o que precisavam: uma transição suave da euforia do pedido para a realidade doce do compromisso. Eles se sentiam mais fortes, mais unidos e, acima de tudo, prontos para o que viria a seguir.

Ao passarem pelo bar da piscina a caminho do quarto, encontraram Sofia e Bernardo já devidamente instalados com drinks coloridos.

— E aí, sobreviventes do sol? — gritou Bernardo. — Estão prontos para o jantar de celebração parte dois?

— Só se você prometer que não vai tentar fazer nenhum discurso — avisou Augusto, apontando o dedo de forma brincalhona.

— Eu? Discurso? Jamais! — Bernardo colocou a mão no peito, ofendido. — Mas a Sofia escreveu um poema de dez estrofes.

— Mentira dele! — Sofia deu um tapa no braço de Bernardo. — Mas eu tenho algumas sugestões de destinos para a lua de mel que vocês precisam ver.

Rafaella sorriu para Augusto. A vida deles a partir de agora seria assim: cercada de amigos, risadas e um pouco de caos, mas sempre com aquele núcleo sólido que haviam construído entre mares e lençóis.

— Vamos subir, tomar um banho e nos encontramos aqui em uma hora — decidiu Augusto. — Hoje o jantar é por minha conta.

— Como se você não fosse o dono do time todo — murmurou Bernardo, rindo enquanto os via se afastar.

No elevador, o clima mudou novamente. Augusto pressionou Rafaella contra a parede de metal, seus olhos escuros fixos nos dela.

— Um banho, você disse? — perguntou ela, arqueando uma sobrancelha.

— Um banho — confirmou ele, a voz descendo uma oitava. — Mas eu não disse que seria um banho rápido.

Rafaella enlaçou o pescoço dele, sentindo o cheiro de sal e sol que emanava de sua pele.

— Você é insaciável, Capitão.

— Só por você, Rafa. Só por você.

As portas se abriram no andar deles e eles caminharam em direção ao quarto, cientes de que cada passo era agora uma construção de algo muito maior. O pedido de casamento não tinha sido o fim de uma fase, mas o apito inicial de uma jornada que prometia ser a mais emocionante de suas vidas. E enquanto a porta do quarto se fechava e o trinco era finalmente acionado (desta vez com toda a atenção de Augusto), eles sabiam que, entre aquelas quatro paredes, o mundo era exatamente como deveria ser: cheio de amor, intensidade e a promessa de muitos outros amanheceres dourados.