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Lute por isso

O Crepúsculo da Insaciabilidade

Eram 22h54 quando o computador foi desligado, mas o relógio na parede agora marcava 03h26 da manhã. O quarto de Mizi, antes um refúgio de luzes neon e mobília moderna, transformara-se em um campo de batalha desolado, onde o cheiro de suor, desejo e exaustão pairava como uma névoa espessa. Sua estava deitada de costas, o peito subindo e descendo em espasmos curtos, a pele pálida agora decorada com um mapa de marcas avermelhadas e suor. Ela estava exausta, "só o pó", como Ivan diria se visse seu estado, mas seus olhos roxos ainda brilhavam com uma brasa de ressentimento.

Mizi, sentada ao lado dela, parecia estranhamente revigorada, embora seus cabelos rosa estivessem colados à testa. Ela observou a expressão fechada da namorada e soltou um suspiro, passando a mão pelo braço de Sua.

— Você ainda está com raiva, não está? — Mizi perguntou, a voz rouca pelo esforço. — Eu já pedi desculpas pelo jogo, Sua. O que eu tenho que fazer para você voltar ao normal e parar de me olhar como se quisesse me morder?

Sua virou o rosto, encarando o teto. A vergonha lutava contra a raiva que ainda ardia em seu peito pelo descaso anterior. Ela queria ser carinhosa, mas o sentimento de ter sido trocada por pixels ainda a machucava. Ela queria que Mizi sentisse o quanto ela a desejava, o quanto aquela negligência fora imperdoável.

— Me fode direito — Sua sussurrou, as palavras saindo carregadas de uma agressividade vulnerável que ela nunca pensou ser capaz de expressar. — Se você quer que eu esqueça aquela droga de computador, me faz esquecer que eu tenho um nome. Me fode de verdade, Mizi. Sem delicadeza.

O ar no quarto pareceu congelar por um segundo antes de entrar em combustão. Mizi arqueou uma sobrancelha, um brilho sombrio e predatório cruzando seus olhos dourados.

— Ah, é assim? — Mizi murmurou, levantando-se da cama com uma determinação que fez o coração de Sua disparar. — Você quer que eu pare de ser gentil, Sua? Cuidado com o que você pede.

Mizi caminhou até o armário e, após uma breve busca, voltou com um cinto de couro preto. Sua arregalou os olhos, mas não recuou. Mizi subiu na cama com a agilidade de um felino, segurando os pulsos de Sua e puxando-os para cima da cabeça. Com movimentos rápidos e experientes, ela prendeu as mãos da namorada na cabeceira de metal da cama, apertando o cinto de forma que Sua não pudesse se soltar, mas sem cortar a circulação.

— Mizi... — Sua arquejou, sentindo a vulnerabilidade da posição.

— Silêncio — Mizi ordenou.

Ela se posicionou entre as pernas de Sua, puxando os joelhos da garota pálida para cima e apoiando-os firmemente em sua própria cintura. Sua estava completamente exposta, os braços presos, as pernas abertas, à mercê total da namorada. Mizi não perdeu tempo com preliminares doces. Ela cuspiu na própria mão, lubrificando os dedos com uma urgência bruta, e então, sem qualquer aviso, forçou a entrada.

Um dedo. Dois. Três. Quatro. E, com um empurrão final que fez a cama ranger, cinco dedos.

— AHHH! — O grito de Sua foi um som agudo que ecoou pelas paredes, uma mistura de dor excruciante e um prazer tão vasto que beirava o insuportável.

Sua nunca acreditou que aquilo fosse biologicamente possível. Ela sentia cada nervo de seu corpo gritar sob a pressão da mão inteira de Mizi dentro dela. Ela tentou fechar as pernas, tentou puxar as mãos para se segurar em algo, mas o cinto a mantinha presa e a cintura de Mizi era uma barreira inabalável. Ela só conseguia se contorcer, a cabeça balançando de um lado para o outro, o suor escorrendo por seu rosto enquanto ela soluçava.

— Mizi, por favor! — Sua implorou, as lágrimas começando a turvar sua visão. — Dói... dói muito! Solta minhas mãos, eu preciso segurar... diminui os dedos, por favor!

Mizi inclinou-se para frente, o rosto a centímetros do de Sua. Seus olhos dourados estavam frios, desprovidos da doçura habitual.

— Cala a boca — Mizi sibilou.

E, para enfatizar a ordem, Mizi levantou a mão livre e desferiu um tapa estalado na bochecha de Sua. O som do golpe foi seco, e o rosto de Sua virou para o lado com o impacto. O choque do tapa, misturado à invasão brutal lá embaixo, causou um curto-circuito na mente de Sua. Ela parou de protestar. Seus gemidos tornaram-se choro contínuo, um som de entrega total e desespero erótico.

Mizi começou a mover a mão, um ritmo implacável que não dava trégua. Ela sentia as paredes internas de Sua se contraírem desesperadamente ao redor de seus dedos, tentando expulsar e abraçar a invasão ao mesmo tempo.

— Olhe para mim — Mizi comandou, e Sua obedeceu, os olhos roxos marejados fixos nos dourados. — Você queria isso, não queria? Reclamou que eu estava distraída. Agora eu sou toda sua. Sinta cada centímetro.

Quando Mizi percebeu que Sua estava prestes a atingir o ápice, que seu corpo estava retesado ao máximo e seus gritos estavam perdendo a força, ela retirou a mão bruscamente. O vazio súbito fez Sua soltar um lamento de frustração.

Mizi não deu descanso. Ela mergulhou o rosto entre as pernas de Sua, começando a chupá-la com uma voracidade selvagem, enquanto suas mãos subiam para apertar e esmagar os seios de Sua com força.

— Mizi... ah, meu Deus... Mizi! — Sua gritava, a cabeça jogada para trás, o corpo tremendo em espasmos incontroláveis.

Não demorou muito. Sob a língua impiedosa de Mizi e a pressão em seus seios, Sua explodiu em um orgasmo devastador, gozando diretamente na boca da namorada. Mizi não se afastou; ela limpou cada gota com a língua, garantindo que Sua sentisse a extensão de sua posse.

Mizi se levantou, limpando o canto da boca com o polegar. Aquele fora o nono round. Sua estava um trapo humano, os olhos vidrados, a respiração saindo em estalos. Ela achou que finalmente teria paz, que Mizi a soltaria para que pudessem dormir. Mas Mizi olhou para o relógio e depois para Sua.

— Eu não gosto de números ímpares, Sua — Mizi disse, a voz voltando a ter aquele tom perverso. — Nove é um número incompleto.

— Mizi, eu não aguento... — Sua tentou dizer, mas sua voz era apenas um sussurro rouco. — Por favor, chega...

Mizi ignorou o apelo. Ela subiu novamente sobre Sua e, com uma mão, envolveu o pescoço da garota. Ela não apertou o suficiente para impedir a passagem de ar totalmente, mas o suficiente para causar pânico. Sua arregalou os olhos, as pernas se mexendo freneticamente enquanto ela tentava encontrar apoio, sentindo o sufoco começar a dominar seus sentidos.

Enquanto a enforcava, Mizi enfiou quatro dedos novamente, desta vez com uma força que parecia querer atravessar Sua. O gemido de Sua saiu abafado pelo sufoco, um som desesperado que misturava a luta pela vida com o prazer da submissão extrema. Quando Sua sentiu que ia desmaiar, que o mundo estava começando a escurecer nas bordas, Mizi soltou seu pescoço abruptamente e selou seus lábios em um beijo faminto, misturando o gosto do suor e da luxúria.

Ao se separarem do beijo, Mizi forçou os quatro dedos até a base, enquanto descia para morder o pescoço de Sua, bem em cima de onde seus dedos haviam deixado marcas.

— E agora? — Mizi perguntou contra a pele de Sua. — Ainda está com raiva de mim por causa do computador?

Sua não conseguia responder com palavras. Ela apenas balançou a cabeça negativamente, as lágrimas escorrendo livremente. Ela enterrou o rosto no ombro de Mizi e, para descontar a tensão insuportável que acumulava, deu uma mordida profunda na pele da namorada. Mizi soltou uma bufada de dor e surpresa, mas não parou o movimento interno.

— Isso... desconte em mim — Mizi incentivou, aumentando a velocidade dos dedos.

Sua atingiu o décimo orgasmo com um grito que finalmente acabou com o que restava de suas cordas vocais. Seu corpo desabou contra o colchão, os músculos tremendo de forma involuntária, a mente finalmente vazia de qualquer pensamento que não fosse a presença esmagadora de Mizi.

Mizi soltou o cinto dos pulsos de Sua. As mãos da garota caíram pesadamente ao lado do corpo, as marcas vermelhas do couro bem visíveis na pele pálida. Mizi deitou-se ao lado dela, puxando o edredom para cobri-las, e suspirou, sentindo o cansaço finalmente começar a cobrar seu preço.

— Pronto — Mizi murmurou, puxando Sua para o seu peito. — Dez rounds. Agora estamos quites.

Sua ficou em silêncio por um longo tempo, apenas ouvindo o bater do coração de Mizi. Ela estava exausta, dolorida e provavelmente não conseguiria andar direito no dia seguinte, mas a raiva havia sumido completamente, substituída por uma plenitude exaustiva.

— Mizi... — Sua chamou, a voz quase inexistente.

— Oi, amor.

— Eu dou um basta por hoje. Se você encostar em mim de novo... eu jogo seu Skyline num penhasco.

Mizi soltou uma risada genuína e cansada, beijando o topo da cabeça de Sua.

— Justo. Eu também não acho que meu corpo aguente um décimo primeiro round.

Mizi se aconchegou mais, passando o braço pela cintura de Sua.

— Ei, Sua? — Mizi chamou, com um tom de voz manhoso que contrastava totalmente com a dominatrix de minutos atrás. — Me faz um carinho? Eu fiz todo o trabalho pesado hoje, minhas costas estão doendo de ficar naquela posição na cadeira e agora na cama... eu mereço um pouco de cafuné, não mereço?

Sua soltou um risinho fraco, apesar de tudo. Ela moveu a mão com dificuldade, enterrando os dedos nos cabelos rosa de Mizi e começando um carinho lento e desajeitado.

— Você é inacreditável — Sua sussurrou. — Uma hora você me trata como se eu fosse um brinquedo, e na outra vira um bebê pedindo carinho.

— É o meu charme — Mizi bocejou, fechando os olhos. — Mas sério, o pedido de namoro foi real. Eu amo você, Sua. Mesmo que eu seja uma idiota viciada em games às vezes.

— Eu também te amo, Mizi — Sua respondeu, sentindo o sono finalmente arrastá-la para baixo. — Mas amanhã... você vai me levar para comer o que eu quiser. E você vai pagar.

— Combinado — Mizi murmurou, já quase dormindo. — Mas só se você prometer não desligar meu computador nunca mais.

— Sem promessas... — foi a última coisa que Sua disse antes de o silêncio da madrugada envolver as duas.

O Skyline azul descansava silencioso na garagem, e o computador permanecia desligado no canto do quarto. No centro de tudo, entre lençóis revirados e promessas de dor e prazer cumpridas, Mizi e Sua dormiam o sono dos insaciáveis, finalmente em paz uma com a outra. A briga terminara, o desejo fora saciado e, no fim das contas, a realidade de estarem juntas era o único jogo que realmente importava.