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Lute por isso

Alianças, Pixels e uma Promessa de Vingança

Três meses haviam se passado desde que o segredo de Mizi e Sua explodiu nos corredores da escola como uma granada de glitter e adrenalina. O Skyline azul de Mizi agora era uma visão comum no estacionamento, e a visão das duas caminhando de mãos dadas — Mizi com sua aura de estrela e Sua com sua nova confiança silenciosa — tornara-se parte da paisagem. No entanto, para Mizi, o título de "ficantes" ou "rolo" já não era mais suficiente. Ela queria algo definitivo.

Naquela tarde de sexta-feira, a casa de Mizi estava um caos controlado.

— Ivan, se você comer mais um desses bombons da cesta, eu juro que te jogo da varanda! — Hyuna exclamou, batendo na mão do garoto pálido que tentava surrupiar um chocolate belga.

— Eu estou aqui prestando serviço comunitário, Hyuna — Ivan resmungou, ajeitando a cesta de vime nos braços. — Chocolate é o meu pagamento. Além disso, a Sua vai estar ocupada demais chorando de emoção para notar que falta um bombom de avelã.

— Till, por favor, tente não parecer que está em um funeral — Luka pediu, ajustando os óculos e segurando um confete de papel picado. — É um pedido de namoro, não um sacrifício humano.

— Eu só acho que balões de coração são um pouco demais, sabe? — Till bufou, cruzando os braços e olhando para o teto da sala, que estava coberto de látex vermelho e rosa. — É a cara da Mizi ser cafona assim.

Mizi saiu do quarto, terminando de prender o cabelo rosa. Ela usava um vestido simples, mas que realçava cada curva, e seus olhos amarelos brilhavam com uma ansiedade que ela raramente demonstrava.

— Está tudo pronto? — Mizi perguntou, a voz levemente trêmula. — Ela mandou mensagem dizendo que já está subindo.

— Tudo no esquema, capitã — Hyuna disse, segurando o urso de pelúcia gigante e o buquê de flores. — Posições, pessoal!

O som da chave girando na fechadura fez o grupo congelar. Quando a porta se abriu, Sua entrou, carregando sua mochila e um livro de capa dura. Ela esperava uma tarde calma de filmes e carícias, mas o que encontrou foi uma cena que parecia saída de um dorama de alto orçamento.

— O que é... — Sua parou, os olhos roxos arregalados.

A sala estava transformada. Balões flutuavam por toda parte, e seus melhores amigos estavam ali, cada um segurando algo. Ivan mantinha a cesta de chocolates com uma expressão de tédio fingido; Till e Luka faziam o papel de uma plateia desajeitada; e Hyuna sorria de orelha a orelha com o urso e as flores.

No centro de tudo, Mizi deu um passo à frente. Ela não disse nada a princípio, apenas olhou para Sua com uma intensidade que fez os joelhos da garota menor fraquejarem. Mizi tirou uma pequena caixinha de veludo do bolso e a abriu, revelando duas alianças de prata que brilhavam sob a luz da sala.

— Sua — Mizi começou, e a tensão na sala subiu tanto que Till quase esqueceu de reclamar. — Nestes últimos meses, eu percebi que não quero mais que você seja apenas a garota que eu levo para casa. Eu quero que o mundo saiba que você é minha, de papel passado e aliança no dedo. Você aceita namorar comigo oficialmente?

O silêncio que se seguiu foi eterno. Sua olhou para Mizi, depois para os amigos, e sentiu as lágrimas quentes começarem a descer por seu rosto pálido. O choque deu lugar a uma felicidade tão pura que ela mal conseguia respirar.

— Sim! — Sua exclamou, a voz falhando. — É claro que sim, sua boba!

O grupo explodiu em assobios e aplausos. Mizi deslizou a aliança no dedo de Sua com as mãos levemente trêmulas e a puxou para um beijo que selou o compromisso. Hyuna entregou o buquê e o urso, Ivan entregou a cesta (com apenas um bombom a menos), e por alguns minutos, o apartamento foi preenchido por risadas e abraços coletivos.

— Certo, certo — Ivan disse, bocejando e guardando as mãos nos bolsos. — O show acabou. Vamos embora, pessoal. Eu sei ler o ambiente, e o ambiente está gritando que essas duas querem ficar sozinhas para... bem, vocês sabem.

— Ivan! — Sua protestou, o rosto queimando.

— Ele não está errado — Hyuna piscou, empurrando Till e Luka em direção à porta. — Divirtam-se, pombinhas. E Sua, tente não aparecer na escola amanhã andando como um pinguim de novo, ok?

A porta se fechou, deixando o silêncio e o cheiro de flores para trás.

Algumas horas se passaram. A noite caíra sobre a cidade, e as luzes neon refletiam nas janelas do quarto de Mizi. Sua estava deitada na cama, usando uma das camisetas largas de Mizi, cercada pelos presentes. Ela estava em um estado de expectativa doce. Depois de um pedido daqueles, ela tinha certeza de que a noite terminaria entre lençóis e sussurros ardentes, como tantas outras noites naqueles três meses.

No entanto, Mizi tinha outros planos.

— Só um segundo, amor — Mizi disse, sentando-se na cadeira gamer em frente ao computador. — O pessoal do time me chamou. É uma partida ranqueada de Valorant. Se eu não entrar agora, meu MMR vai pro lixo.

Sua piscou, confusa.

— Agora? Mizi, a gente acabou de ficar noivas... digo, namoradas oficiais.

— Eu sei, eu sei! — Mizi respondeu, já colocando o headset e ajustando o microfone. — É rapidinho. Vinte minutos e eu sou toda sua. Prometo!

Vinte minutos se transformaram em quarenta. Quarenta se transformaram em uma hora e meia.

Sua observava da cama, a frustração crescendo a cada "clique" do mouse e a cada grito de Mizi no chat de voz. Mizi estava completamente imersa no jogo, xingando os adversários e rindo com os companheiros de equipe, ignorando completamente a namorada que estava logo atrás dela, vestindo apenas uma camiseta e exalando desejo.

— Mizi — Sua chamou, a voz baixa.

— Agora não, Sua! — Mizi exclamou, os olhos fixos na tela. — Tem um cara na Phoenix, eu preciso dar o clutch! Vai, vai, vai!

Sua sentiu o sangue ferver. A melancolia habitual foi substituída por uma raiva fria e decidida. Ela se levantou da cama, caminhando silenciosamente pelo carpete. Mizi estava tão distraída que nem percebeu a sombra se aproximando.

Em um movimento rápido e certeiro, Sua esticou o braço e puxou o fio da tomada do computador.

A tela apagou instantaneamente. O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor.

Mizi ficou estática por um segundo, as mãos ainda no teclado e no mouse, olhando para o reflexo de seu próprio rosto chocado na tela preta. Ela girou a cadeira lentamente, o rosto começando a demonstrar indignação.

— Sua! O que você fez?! — Mizi gritou, tirando o headset. — Eu estava ganhando! Eu ia subir de elo! Você tem noção do que...

Ela não terminou a frase. Sua não recuou. Pelo contrário, ela deu um passo à frente, com a expressão mais brava e determinada que Mizi já vira. Sem dizer uma palavra, Sua sentou-se de uma vez no colo de Mizi, prendendo a namorada na cadeira gamer.

— Eu não quero saber do seu elo, Mizi! — Sua exclamou, as mãos segurando o rosto de Mizi com força, forçando-a a olhar nos seus olhos roxos que agora brilhavam de fúria. — Você me faz um pedido de namoro daqueles, me deixa toda sensível, me traz para o quarto e depois me troca por um bando de marmanjos atirando em pixels?!

— Mas, Sua... era uma ranqueada... — Mizi tentou argumentar, mas sua voz fraquejou diante da proximidade dos lábios de Sua.

— Cala a boca! — Sua sibilou. — Você é uma idiota, Mizi! Uma idiota insensível, egocêntrica e... e... viciada! Você acha que pode me dar um urso de pelúcia e achar que isso substitui o que eu quero agora?

Mizi engoliu em seco. A raiva de Sua era estranhamente atraente. A forma como ela respirava pesado e como suas coxas apertavam o quadril de Mizi na cadeira estava fazendo o foco de Mizi mudar muito rápido do Valorant para algo muito mais real.

— Você está reclamando da minha falta de atenção? — Mizi perguntou, um sorriso ladino e perigoso começando a surgir em seus lábios sedutores.

— Estou reclamando do seu descaso! — Sua continuou a xingar, batendo levemente no peito de Mizi. — Eu te odeio, sabia? Eu te odeio por ser tão perfeita e tão irritante ao mesmo tempo. Eu passei a noite inteira esperando por você e você me faz sentir como se eu fosse o segundo monitor do seu setup!

Mizi soltou uma risada baixa, as mãos descendo para a cintura de Sua, apertando a pele por baixo da camiseta.

— Então a minha bonequinha está carente? — Mizi provocou, a voz voltando ao tom rouco que Sua tanto amava. — E ela ficou tão brava que teve que desligar o brinquedo da mamãe?

— Não me chame assim quando eu estou tentando brigar com você! — Sua exclamou, embora seu corpo já estivesse começando a traí-la, amolecendo sob o toque de Mizi.

— Você fica tão linda quando está brava, Sua — Mizi sussurrou, aproximando o rosto do pescoço de Sua, inalando o cheiro de lavanda. — Mas você está certa. Eu fui uma péssima namorada nos últimos sessenta minutos.

Mizi deu uma mordida leve na clavícula de Sua, fazendo a garota soltar um arquejo que interrompeu seu próximo xingamento.

— Você acha que pode resolver tudo com um beijo? — Sua perguntou, a voz perdendo a força.

— Não — respondeu Mizi, levantando-se da cadeira com Sua ainda em seu colo, segurando-a pelas coxas com uma facilidade impressionante. — Eu acho que vou ter que passar o resto da noite provando que nenhum jogo no mundo é mais divertido do que você.

Mizi caminhou em direção à cama, jogando Sua sobre os lençóis onde as flores e os chocolates ainda estavam espalhados. Ela se posicionou por cima da namorada, os olhos amarelos brilhando com uma fome que fez o coração de Sua disparar.

— Você queria minha atenção, não queria? — Mizi perguntou, começando a descer a alça da camiseta de Sua. — Agora você tem 100% dela. E eu prometo que, até o amanhecer, a única coisa que você vai querer desligar é a sua própria voz, de tanto gritar o meu nome.

Sua puxou Mizi pelo colarinho, selando seus lábios em um beijo que misturava a raiva remanescente com um desejo explosivo.

— Menos conversa, Mizi — Sua ordenou entre os beijos. — E mais ação. Ou eu juro que jogo o seu computador pela janela na próxima vez.

Mizi riu contra a pele de Sua, aceitando o desafio. Naquela noite, não houve teclados mecânicos ou telas de LED. Houve apenas o som de suspiros, o brilho das alianças novas e a certeza de que, entre pixels e sentimentos reais, Sua sempre seria o prêmio final de Mizi. E Mizi, por sua vez, estava mais do que disposta a jogar aquele jogo para sempre.