Voltar ao resumo

Mãe por 15 dias

O Jantar dos Espectadores

O silêncio do quarto foi quebrado pelo toque suave de um celular. Eu estava deitada no berço, sentindo o peso da fralda limpa e o leve frescor do talco, tentando processar a humilhação do passeio no condomínio. Giovana estava de pé junto à janela, de costas para mim, atendendo a chamada.

— Oi, Matheus! Sim, está tudo confirmado para as oito. Já falei com a Jamile e com a Luísa também. A pizza chega em meia hora. Vai ser ótimo, vocês precisam ver como ela está se comportando.

Meu coração deu um solavanco. Matheus era o namorado dela. Jamile e Luísa eram nossas amigas de faculdade, o grupo com quem costumávamos sair para beber e falar de garotos. Senti um suor frio escorrer pelas minhas têmporas.

— Sim, ela está uma fofura. A fraldinha está funcionando super bem, embora ela seja uma menina bem "produtiva" — Giovana riu, uma risada que me fez querer desaparecer sob o colchão. — Vejo vocês daqui a pouco. Beijo, amor.

Ela desligou e se virou para mim com um sorriso radiante. Eu me sentei no berço, as grades batendo no meu peito, e tirei a chupeta da boca com as mãos trêmulas.

— Gio... por favor, diz que eu ouvi errado. Você não chamou o Matheus e as meninas para virem aqui, chamou? Não com eu... assim.

— Chamei sim, querida — ela disse, caminhando até a cômoda e começando a separar uma roupa nova. — Eles já sabem de tudo. Na verdade, eles adoraram a ideia da trend e estão super ansiosos para ajudar a mamãe a cuidar de você.

— Não! — eu implorei, as lágrimas começando a embaçar minha visão. — Eu não posso ver eles assim! É humilhante demais! A Jamile vai rir da minha cara para sempre, e o Matheus... ele é seu namorado, Gio! Como eu vou olhar para ele depois de ele me ver de fralda? Por favor, cancela isso, eu faço o que você quiser, eu juro que não reclamo de mais nada!

Giovana parou o que estava fazendo e me olhou com uma expressão severa, cruzando os braços.

— Nathally, pare de graça. Você aceitou as regras. E a regra número um é que a mamãe decide tudo. Você vai amar o jantar de hoje, vai ser uma oportunidade de ser o centro das atenções, como todo bebê gosta. Agora, silêncio. Vamos te arrumar.

Ela me tirou do berço e me levou para o trocador. Mesmo que eu já estivesse limpa, ela insistiu em passar mais talco, fazendo a nuvem perfumada me envolver. Ela vestiu em mim um vestido azul bebê, extremamente rodado e curto, com uma anágua que deixava o volume da fralda ainda mais evidente. Prendeu uma faixa azul com um laço enorme no meu cabelo e colocou uma chupeta branca na minha boca.

— Perfeita — ela murmurou.

Giovana, por sua vez, vestiu um vestido branco curtíssimo e colado ao corpo, que realçava todas as suas curvas. Ela parecia uma mulher poderosa, enquanto eu parecia algo saído de um catálogo de bonecas bizarras.

Pouco tempo depois, a campainha tocou.

O som pareceu um veredito de morte. Giovana me pegou no colo e foi abrir a porta. Eu escondi o rosto no pescoço dela, desejando que a terra me engolisse.

— Oi, gente! Entrem! — a voz da Giovana estava animada.

— Amiga, eu não acredito! — ouvi a voz da Jamile, seguida por uma risadinha. — Olha só para isso!

Senti mãos tocarem minhas costas e meus cabelos.

— Ela está tão fofinha, Gio! — disse Luísa. — Parece mesmo um bebê de verdade.

— Oi, amor — a voz grossa do Matheus soou perto, seguida pelo som de um beijo entre ele e Giovana. — E aí, como está a nossa pequena hoje?

Giovana me colocou no chão, mas manteve a mão no meu ombro. Eu olhei para cima, vendo o rosto de todos eles. Matheus, Jamile e Luísa me olhavam com sorrisos que misturavam diversão e uma condescendência que me fazia querer gritar.

— Oi, Nathally — disse Matheus, inclinando-se e apertando minha bochecha. — Que bebê linda você está nesse vestidinho. A fraldinha está confortável?

Eu não conseguia responder. A chupeta estava na minha boca e a vergonha travava minha garganta.

— Ela está meio tímida com as visitas — explicou Giovana. — Mas logo ela se solta. Vamos comer? A pizza chegou agorinha.

Giovana me pegou novamente e me colocou no carrinho de bebê que estava na sala. Ela me prendeu com os cintos, garantindo que eu ficasse sentada ali, de frente para a mesa de jantar. Os quatro se sentaram e começaram a abrir as caixas de pizza. O cheiro de queijo derretido e calabresa inundou a sala, fazendo meu estômago roncar.

— Eu estou faminta — disse Luísa, pegando uma fatia.

Eu olhava para a comida com os olhos pidões. Eu não comia nada sólido desde o início daquela loucura.

— Mamãe... — tentei dizer, a voz saindo abafada pela chupeta. Tirei o bico da boca. — Eu posso ganhar um pedaço?

Os quatro pararam e olharam para mim. Matheus soltou uma risada curta.

— Ora, Nathally — disse Giovana, limpando o canto da boca com um guardanapo —, bebês não podem comer pizza. É muito pesado para o seu estômago sensível. Depois que a mamãe comer, eu dou o seu mama, está bem? Agora coloque a chupeta de volta.

Eu obedeci, sentindo as lágrimas de frustração caírem. Passei os próximos vinte minutos assistindo meus amigos comerem, rirem e conversarem sobre a faculdade, enquanto eu estava presa em um carrinho, usando fraldas, como se fosse um móvel da casa. Eles falavam de mim como se eu não estivesse ali, comentando sobre como a "brincadeira" estava sendo levada a sério e como eu parecia aceitar bem o papel.

Depois do jantar, eles se mudaram para o sofá. Giovana me tirou do carrinho e me colocou no chão, sobre um tapete de atividades com alguns brinquedos de borracha e mordedores.

— Brinca um pouquinho, querida, enquanto a gente conversa — disse ela.

Eu estava sentada ali, tentando ignorar a presença deles, quando senti. Uma pressão familiar e avassaladora no meu baixo ventre. O supositório que Matheus não sabia que eu estava usando, ou talvez soubesse, estava fazendo efeito novamente. Tentei me segurar, apertando as pernas, mas a posição sentada no chão facilitava tudo.

Meu rosto ficou vermelho pelo esforço de tentar conter o inevitável.

— Ih, olha a cara dela — disse Jamile, apontando para mim. — Acho que vem presente por aí.

— É — concordou Matheus, aproximando-se. — Ela está fazendo força.

Eu não aguentei. O som úmido e o estalo do plástico preenchendo-se foram audíveis para todos na sala. O cheiro subiu instantaneamente, pesado e quente.

— Nossa, Nathally! — Giovana exclamou, levantando-se. — De novo? Já é a terceira vez hoje! Você é mesmo um bebezão muito sujo.

Eu queria sumir. Matheus, Jamile e Luísa ficaram em volta, observando enquanto Giovana me pegava no colo e me deitava ali mesmo, no sofá da sala, bem no meio deles.

— Deixa eu ajudar a ver — disse Luísa, curiosa.

Giovana abriu as fitas da fralda na frente de todo mundo. A visão da minha intimidade e da sujeira exposta para os meus amigos foi o ponto mais baixo da minha vida. Eu cobri o rosto com as mãos, soluçando alto, enquanto ouvia os comentários.

— Caramba, ela encheu mesmo — comentou Matheus, sem desviar o olhar. — Você vai precisar de muitos lenços, Gio.

— Ela é muito produtiva, eu falei — Giovana riu, começando a me limpar. — Levanta as pernas para a mamãe, Nathally. Deixe os tios verem como você é bem cuidada.

Ela me limpou minuciosamente, passando os lenços gelados e depois a pomada, tudo sob o olhar atento e divertido dos meus amigos. Quando terminou, ela fechou uma fralda nova, bem apertada.

— Prontinho. Agora, acho que alguém está com fome depois de tanto esforço, não é?

Giovana sentou-se no sofá e me puxou para o seu colo. Sem a menor cerimônia, ela abriu o vestido branco e liberou o seio.

— Hora do mama.

Eu hesitei, olhando para Matheus e para as meninas. Mas a fome e o hábito que estava se formando falaram mais alto. Abocanhei o mamilo e comecei a mamar, sentindo o leite doce descer.

— É incrível como ela mama bem — comentou Jamile, sentada ao nosso lado. — Parece tão natural.

— Ela adora — disse Giovana, afagando meu cabelo. — É o momento preferido dela.

Eles continuaram conversando sobre assuntos aleatórios enquanto eu mamava no meio da sala. Matheus passava a mão pelo ombro da Giovana, e ocasionalmente tocava meu pé ou minha perna, como se eu fosse um acessório da relação deles.

Algum tempo depois, Jamile e Luísa se despediram.

— Tchau, bebê Nathally! — disse Luísa. — Comporte-se para a mamãe e para o papai.

Eu gelei. "Papai"?

Quando a porta se fechou, Matheus se virou para nós com um olhar diferente.

— Então, o papai vai dormir aqui hoje para ajudar a cuidar de você — disse ele, com um sorriso que me deixou desesperada.

— Isso mesmo — confirmou Giovana, colocando-me de pé no chão. — Dê um beijo no papai, Nathally. Chame ele de papai.

— G-gio... — tentei protestar.

— Papai, Nathally. Agora.

— P-papai... — sussurrei, a voz sumindo.

Matheus me pegou no colo e me ergueu no ar.

— Deixa eu ver como está essa fraldinha. — Ele apalpou o volume entre minhas pernas. — Nossa, Gio, ela fez bastante xixi enquanto mamava. Está bem pesada.

— Troca ela para mim, amor? — pediu Giovana, alongando os braços. — Vou aproveitar para tomar um banho rápido.

— Com prazer — disse Matheus.

Ele me levou para o quarto e me deitou no trocador. A sensação de ter o namorado da minha amiga me manipulando daquela forma era aterrorizante. Ele abriu a fralda com habilidade, como se tivesse treinado.

— Vamos deixar você sequinha para dormir — ele disse, limpando o xixi com os lenços.

Do banheiro, a voz da Giovana ecoou:

— Matheus! Não esquece do supositório! É para ela não ter surpresas durante a noite! E coloca o pijama de pezinho!

Matheus pegou a caixinha.

— Ouviu a mamãe, não é? — Ele me virou de lado.

Senti o toque invasivo do supositório sendo introduzido no meu ânus pelas mãos dele. Eu apertei o travesseiro, soltando um gemido de pura vergonha. Ele não pareceu se importar; apenas terminou o serviço, passou o talco e fechou a fralda. Depois, vestiu em mim um pijama de flanela azul com desenhos de ursinhos, que cobria até os meus pés.

Ele me pegou no colo e me levou para a cama de casal, deitando-me entre os travesseiros. Logo, Giovana saiu do banheiro, usando apenas uma camisola de seda curta. Ela se deitou do meu outro lado.

— Hora de dormir, Nathally — disse ela. — Você precisa descansar, porque a mamãe e o papai querem aproveitar a noite para ver se te dão um irmãozinho logo.

Minhas bochechas queimaram. Eu sabia exatamente o que ela queria dizer.

— Mas antes, o último mama do dia — disse ela, puxando-me para perto e oferecendo o seio novamente.

Ali, entre os dois, sendo amamentada por Giovana enquanto Matheus observava e acariciava minha perna por cima do pijama, eu senti o sono chegar. A exaustão física e mental era tanta que eu não conseguia mais lutar. Mamei até sentir meu corpo relaxar completamente.

Quando eu estava quase apagada, senti Matheus me pegar com cuidado e me depositar dentro do berço. Ele subiu a grade e travou o trinco.

— Durma bem, pequena — ele sussurrou.

Ele voltou para a cama e se juntou a Giovana. Eu estava deitada de lado, olhando através das grades. O supositório começava a dar as primeiras pontadas de desconforto, mas o sono era mais forte.

Enquanto eu fechava os olhos, ouvi os sons dos beijos deles se tornando mais intensos, seguidos pelos gemidos da Giovana e o ritmo da cama rangendo. Eu estava ali, presa no meu berço de fraldas, sendo a testemunha silenciosa da vida adulta que eu tinha perdido, enquanto a minha "mãe" e o meu "papai" se perdiam um no outro a poucos metros de mim.

A última coisa que senti antes de apagar foi o peso da fralda e a certeza de que, naquela casa, eu nunca mais seria Nathally. Eu era apenas o bebê deles.