Mãe por 15 dias
O Passeio da Vergonha e o Aroma do Condomínio
A tarde no Rio de Janeiro estava quente, mas o ar-condicionado do apartamento mantinha a temperatura agradável, criando uma bolha de irrealidade onde a Giovana reinava absoluta. Após o ritual matinal, eu esperava que pudéssemos apenas ficar no sofá assistindo a filmes, mas a minha "mãe" tinha planos muito mais elaborados para a sua boneca viva.
Ela caminhou até a cômoda e retirou um vestido curto, de um tecido leve e rodado, com estampas de pequenas flores miúdas. Era uma peça infantilizada, feita para alguém muito menor do que eu, mas que, por algum milagre da elasticidade ou do corte, cabia perfeitamente no meu corpo de 22 anos.
— Vamos ficar bem bonitinha para o nosso passeio, Nathally — disse ela, deslizando o vestido por cima da minha cabeça.
O tecido caiu sobre a fralda volumosa, mas o corte rodado não escondia nada; pelo contrário, parecia enfatizar o volume plástico entre as minhas pernas a cada movimento que eu fazia. Giovana pegou dois laços de fita rosa e, com uma delicadeza que beirava o sadismo, prendeu duas chiquinhas altas no meu cabelo.
— Olhe só no espelho, querida. Você não está uma gracinha? — Ela me virou para o reflexo.
Eu não conseguia encarar a imagem por mais de dois segundos. As chiquinhas, o vestido curto e o volume óbvio da fralda por baixo da barra rodada formavam uma imagem que destruía qualquer resquício da minha dignidade.
— Agora, o toque final — murmurou ela, pegando uma chupeta de bico ortodôntico, presa a uma correntinha de prendedor.
Ela pressionou o bico contra meus lábios. Eu cerrei os dentes por instinto.
— Nathally... — O tom de advertência dela foi imediato. — Não me obrigue a usar o castigo logo cedo. Abra a boca.
Com um suspiro de derrota, abri a boca e aceitei o silicone frio. O prendedor foi fixado na gola do meu vestido. Giovana então se afastou e puxou um objeto que eu não tinha visto até então: um carrinho de bebê de tamanho especial, reforçado e largo, provavelmente alugado em alguma loja de artigos terapêuticos ou de fetiche extremo.
— Vamos dar uma voltinha no condomínio. O dia está lindo lá fora.
O pânico subiu pela minha garganta, fazendo a chupeta quase cair.
— Não! — eu exclamei, a voz saindo abafada pelo bico da chupeta, que eu logo tirei para protestar. — Gio, por favor! Todo mundo vai ver! A fralda... ela faz barulho, ela aparece! As pessoas vão achar que eu sou louca ou que você é!
Giovana se aproximou e me pegou no colo com uma facilidade que já não me surpreendia mais. Ela me ajeitou no carrinho, apertando os cintos de segurança sobre o meu colo, prendendo-me firmemente ao assento acolchoado.
— Crianças precisam de fraldas, Nathally. E bebês passeiam de carrinho — disse ela, recolocando a chupeta na minha boca com firmeza. — Não há nada do que se envergonhar. Se alguém olhar, é apenas porque você é uma menina muito fofa.
Ela nem esperou que eu tentasse formular outro protesto. Destrancou a porta do apartamento e empurrou o carrinho para o corredor. O som das rodas no piso de porcelanato parecia um trovão nos meus ouvidos. Quando o elevador chegou e as portas se abriram, eu quis me fundir ao estofado do carrinho.
Havia um morador lá dentro, um homem de meia-idade segurando uma pasta de couro. Ele olhou para mim, depois para a Giovana, e seus olhos demoraram um tempo desconfortável na minha fralda, que ficava exposta pelo vestido que subira um pouco quando me sentei.
— Boa tarde — disse Giovana, com a voz mais natural do mundo, como se estivesse apenas levando um Shih-tzu para passear.
O homem apenas assentiu, visivelmente confuso, e saiu no andar seguinte apressando o passo. Meu rosto queimava em um tom de vermelho que eu nem sabia ser possível.
Saímos para a área comum do condomínio. Era um complexo luxuoso na Zona Sul, com jardins bem cuidados, fontes e áreas de convivência. O sol batia no meu rosto, mas eu só conseguia olhar para os meus próprios pés calçados com meias de babados. Giovana empurrava o carrinho com confiança, passando por funcionários e outros moradores que paravam o que estavam fazendo para observar a cena bizarra.
Ela escolheu um banco em uma área movimentada, perto da fonte, onde várias pessoas passavam para ir à academia ou à piscina. Giovana travou as rodas do carrinho, sentou-se no banco ao lado e abriu um livro, agindo como se tudo estivesse perfeitamente normal.
Eu estava ali, exposta, com a chupeta na boca e as pernas para fora, sentindo cada olhar como se fosse uma brasa. Mas a humilhação psicológica logo deu lugar a um desconforto físico urgente.
O supositório que ela havia colocado antes de sairmos decidiu que era hora de agir.
Senti uma cólica forte, um movimento intestinal que me fez contrair os dedos dos pés dentro das meias. Tentei respirar fundo, apertando os músculos, lutando contra a natureza do meu próprio corpo. "Aqui não", eu pensava desesperadamente. "Na frente de todo mundo, não".
— Mmmph! — tentei chamar a atenção dela, apontando para a minha barriga com as mãos presas pelos cintos.
Giovana olhou por cima do livro, deu um sorriso encorajador e voltou a ler.
— Relaxe, querida. Aproveite o sol.
Outra onda de contração me atingiu, muito mais forte que a primeira. O supositório de glicerina era implacável. Eu sentia o suor frio brotar na minha testa. Forcei as pernas uma contra a outra, mas o carrinho as mantinha em uma posição que facilitava a evacuação. Meu estômago soltou um ronco audível.
Eu não consegui mais segurar.
Com um som úmido e abafado pelo plástico, senti a fralda se expandir. O calor pastoso e pesado preencheu o espaço entre minhas nádegas e se espalhou, subindo pelas costas. O alívio físico foi imediato, mas a destruição da minha moral foi completa. Eu tinha acabado de fazer cocô na fralda, no meio de um condomínio de luxo, à vista de todos.
O cheiro não demorou a aparecer. O aroma forte e característico de um bebê que acabou de ser alimentado com leite doce e supositórios tomou conta do ar ao redor do carrinho.
Giovana fechou o livro lentamente e cheirou o ar, fazendo uma careta teatral.
— Alguém fez uma arte muito grande para a mamãe, não foi?
Ela se levantou e, para o meu absoluto horror, inclinou-se sobre o carrinho. Ela levantou a barra do meu vestido na frente de duas pessoas que passavam e puxou a parte de trás da fralda para verificar.
— Nossa, Nathally! Que sujeira! — disse ela em voz alta, atraindo ainda mais olhares. — A mamãe vai ter que trocar você rapidinho, mas primeiro vamos esperar esse restinho sair, está bem?
Ela me deixou ali, sentada na minha própria sujeira, e voltou a se sentar. Eu queria morrer. Eu queria evaporar. O peso quente sob mim era um lembrete constante do que eu tinha me tornado.
Poucos minutos depois, uma senhora elegante, segurando um cachorrinho de colo, sentou-se no banco oposto. Ela olhou para mim com uma mistura de pena e estranhamento, até que o cheiro a atingiu.
— Minha jovem — disse a senhora, dirigindo-se à Giovana —, eu não quero me intrometer, mas acho que a sua... filha... está com a fralda bem suja. O cheirinho está bem forte.
Giovana fechou o livro e sorriu gentilmente para a mulher.
— Ah, eu sei, obrigada por avisar. Ela acabou de fazer, sabe como é, não dá para controlar esses bebês grandes. Vou levá-la para trocar agora mesmo.
Eu fechei os olhos, sentindo as lágrimas escorrerem por trás da chupeta. Ouvir a Giovana me descrever daquela forma para uma estranha era o prego final no caixão da minha dignidade.
Giovana destravou o carrinho e começou a empurrar em direção à área infantil do condomínio. Entramos em um pavilhão colorido, com brinquedos de plástico e um chão emborrachado. No fundo, havia uma sala de apoio para pais, com trocadores acolchoados e pias.
Lá dentro, havia uma mulher, provavelmente uma babá ou uma mãe jovem, que parecia ter a minha idade, cerca de 22 ou 23 anos. Ela estava organizando algumas bolsas de fraldas em um canto.
Giovana não hesitou. Ela me tirou do carrinho, ignorando o peso extra e o cheiro, e me colocou deitada no trocador de vinil.
— Vamos deixar esse bumbum limpinho, Nathally — disse ela, começando a abrir os adesivos laterais da fralda.
O som do plástico abrindo revelou a extensão do desastre. Eu estava imunda. O cocô pastoso tinha se espalhado por toda a parte de trás e até pelas laterais das minhas coxas. A outra mulher na sala parou o que estava fazendo e olhou, boquiaberta, para a cena de uma mulher adulta sendo trocada como um recém-nascido.
Giovana agia como se estivéssemos sozinhas. Ela pegou os lenços umedecidos e começou a me limpar com uma eficiência brutal.
— Fique quietinha, Nathally. Levante as pernas para a mamãe.
Eu obedeci, o corpo tremendo de vergonha sob o olhar da outra mulher, que agora desviava o rosto, claramente desconfortável com a situação. Giovana limpou cada vinco da minha pele, usando quase um pacote inteiro de lenços. A sensação do ar frio na pele suja, seguida pelo toque úmido e gelado dos lenços, era uma tortura lenta.
Depois de garantir que eu estava impecável, ela aplicou uma camada generosa de pomada branca e talco, fazendo uma nuvem perfumada subir no ar da sala.
— Prontinho. Fraldinha nova e sequinha — anunciou ela, fechando os adesivos com um estalo firme.
Ela me ajeitou o vestido, colocou-me de volta no carrinho e prendeu os cintos.
— Dê tchau para a moça, Nathally.
Eu não dei tchau. Apenas afundei no carrinho, com a chupeta firmemente presa na boca, enquanto Giovana nos guiava de volta para a saída da área infantil.
O caminho de volta para o elevador foi um borrão. Eu não conseguia mais olhar para ninguém. O mundo exterior parecia hostil e perigoso, e, por mais louco que parecesse, o apartamento — aquele berçário improvisado onde a Giovana mandava em tudo — começou a parecer o único lugar seguro para alguém no meu estado.
Quando as portas do elevador se fecharam e ficamos sozinhas, Giovana se inclinou e acariciou meu rosto.
— Você foi muito corajosa hoje, meu bebê. A mamãe está muito orgulhosa de como você usou sua fraldinha em público.
Eu não respondi. Apenas fechei os olhos, sentindo o balanço do carrinho, aceitando que a Nathally que eu conhecia tinha ficado em algum lugar daquele jardim, e que agora, eu pertencia inteiramente aos caprichos da minha melhor amiga.
Ao entrarmos no apartamento, Giovana trancou a porta e me tirou do carrinho, levando-me direto para o berço.
— Agora, vamos descansar um pouco. A mamãe vai preparar um mama bem quentinho para você compensar todo esse esforço.
Ela me deitou, e enquanto eu ouvia o som dela na cozinha, olhei para as grades do berço. Eu estava exausta, limpa e, de uma forma assustadora, esperando ansiosamente pelo momento em que ela voltaria para me alimentar. O jogo tinha se tornado a minha única realidade.