Magia errada, Lugar errado
Cinco Anos de Adaptação
O último vestígio de controle que Sunset Shimmer mantinha sobre a própria consciência evaporou como uma gota de água em uma chapa incandescente. O zumbido em seus ouvidos não era mais som; era uma frequência vibratória de puro impulso biológico, empurrando cada terminação nervosa na direção da garota encurralada à sua frente.
— Sunset, espere... nós precisamos... — a voz de Twilight Sparkle foi sumariamente cortada quando duas mãos firmes, calejadas e ardentes a agarraram pela cintura com força irresistível.
Sunset não pediu licença. Não havia espaço para hesitação. Em um puxão decidido, a ruiva trouxe o quadril de Twilight contra o seu, fazendo com que a princesa sentisse imediatamente a densidade assustadora daquele membro recém-formado e incandescente pressionando diretamente contra o tecido de sua saia. O choque térmico foi instantâneo, arrancando um arquejo agudo da garganta da garota arroxeada.
Antes que Twilight pudesse formular outro protesto racional, os lábios de Sunset colidiram contra os seus em um beijo abrasador, faminto e completamente despido de gentileza diplomática. Era uma invasão úmida e sufocante de gengibre, ferro e a doçura almiscarada da poção. Sunset aprofundou o beijo, usando a língua para abrir caminho com uma urgência predatória, enquanto suas mãos desciam sem qualquer cerimônia. Uma delas espalmou com autoridade na curvatura arredondada das nádegas de Twilight, apertando a carne macia através do tecido da saia com uma firmeza que fez as pernas da princesa tremerem.
Twilight tentou apoiar as mãos nos ombros largos de Sunset para empurrá-la, mas o contato físico direto parecia drenar sua força em vez de aumentá-la. A pele de Sunset irradiava um magnetismo tão brutal que os próprios sentidos de Twilight começaram a rodopiar. Quando os dedos da ruiva subiram pela lateral de seu tronco e se fecharam em torno de um dos seios de Twilight, amassando o bojo por cima da camisa azul com avidez, um gemido involuntário e trêmulo escapou pela boca compartilhada.
— Você é tão macia... — Sunset rosnou contra os lábios dela, os dentes arranhando de leve a pele sensível do queixo da princesa conforme descia beijos pesados até seu pescoço. — E cheira a papel velho e jasmim... tá me deixando doida, Twilight. Eu não consigo parar...
— Sunset... e-espere... ah! — Twilight tombou a cabeça para trás, cravando as unhas no couro da jaqueta descartada no chão.
O quarto se transformou em um turbilhão de tecidos rasgados, botões estalando no piso de linóleo e respirações curtas e quentes. Sunset era uma força da natureza destravada. Com uma facilidade aterradora, a ruiva ergueu Twilight do chão, sentando-a na borda da mesa e espalhando as dezenas de folhas de cálculo e livros arcanos em um estrépito esquecido. Entre as pernas agora abertas da princesa, Sunset se posicionou com um magnetismo quase reverente, descendo a saia laranja e as próprias roupas de baixo com um movimento impaciente.
Ali, à meia-luz do dormitório bagunçado, a realidade daquela mutação se revelou em toda a sua glória espantosa: uma anatomia masculina densa, avermelhada pela circulação furiosa, veias proeminentes desenhadas como raízes vivas ao longo de uma extensão monumental que pulsava ao ritmo acelerado do coração de Sunset. Era impossivelmente perfeita, carregada de um brilho tênue de magia equestre e uma gota translúcida de fertilidade concentrada brilhando na ponta intumescida.
Twilight arregalou os olhos por trás das lentes tortas dos óculos, sentindo a boca secar.
— Pelas... pelas estrelas... — balbuciou Twilight, sentindo o calor brutal emanar daquela visão a poucos centímetros de sua intimidade desprotegida. — A concentração molecular... é três vezes maior do que os parâmetros...
— Cala a boca, princesa... — murmurou Sunset em um tom rouco, autoritário e carregado de carinho bruto.
A ruiva segurou as coxas de Twilight, abrindo-as ainda mais, e alinhou a ponta latejante contra a umidade febril que a própria princesa não conseguia mais conter. No instante em que o calor se encontrou com o calor, ambas soltaram um suspiro entrecortado. Sunset empurrou os quadris para a frente com cuidado calculadamente lento no início, apenas o suficiente para sentir a resistência apertada se moldando ao seu novo formato, antes de mergulhar completamente no interior da amiga em uma estocada pesada e profunda.
Twilight gritou abafado, as mãos disparando para os cabelos ruivos e dourados de Sunset, puxando-os com força enquanto seu corpo se arqueava em resposta à plenitude esmagadora da invasão. Não havia dor, apenas uma sobrecarga sensorial de proporções cataclísmicas. Sunset começou a mover o quadril com ritmo constante e impiedoso, cada investida ecoando pelo quarto pequeno acompanhada pelo estalar do couro das botas e pelo atrito frenético de pele contra pele.
A noite se desfez em um borrão incandescente de horas sem fim. Sunset parecia incansável, impulsionada pelo catalisador arcano que não permitia que seu vigor vacilasse. Foram dezenas de posições, viradas sobre o colchão desgastado, gemidos enterrados no travesseiro e sussurros desesperados trocados na escuridão. O corpo de Twilight foi levado ao limite repetidas vezes, desmanchando-se em espasmos incontroláveis sob a força e o peso de uma Sunset completamente devotada a preencher cada fresta de sua parceira, despejando ondas densas e quentes de vida mágica até que ambas estivessem banhadas em suor, perfume almiscarado e exaustão absoluta.
***
Quando a luz pálida da manhã seguinte cortou as persianas tortas da quitinete, o silêncio finalmente reinava.
Sunset Shimmer abriu os olhos lentamente. O quarto cheirava intensamente a sexo, suor seco e café frio. Sua mente, antes anuviada por uma tempestade de feromônios primitivos, parecia límpida novamente. O calor sufocante e a sede insaciável haviam recuado, deixando para trás apenas a dor muscular familiar de quem havia corrido uma maratona inteira.
Ela soltou um longo suspiro, piscando contra a claridade.
— Uau... — murmurou a ruiva para si mesma, sentindo a garganta arranhada. — Que ressaca estranha...
Ela tentou se mexer sob os lençóis emaranhados, mas algo entre suas pernas parecia... incrivelmente pesado. Um volume denso, quente e macio descansava confortavelmente contra sua coxa interna.
Sunset congelou.
Ela ergueu o lençol com a ponta dos dedos e olhou para baixo.
Entre suas pernas, perfeitamente relaxado, mas ainda imponente e inegavelmente masculino, o membro continuava lá. Não havia encolhido. Não havia desaparecido. O saco escrotal descansava pesado contra a pele bronzeada, e a anatomia inteira parecia tão integrada ao seu sistema nervoso quanto seus próprios braços.
— Mas que porra... — sussurrou Sunset, com os olhos ciano arregalados em choque puro.
Ao lado dela, sob uma pilha de cobertores, um gemido fraco e dolorido quebrou o silêncio. Twilight Sparkle tentou virar de lado, mas parou no meio do caminho com um arquejo sôfrego. A garota de pele parda parecia ter sido atropelada por uma manada inteira de búfalos arcanos. Marcas arroxeadas adornavam sua clavícula e coxas, seus cabelos roxos estavam uma maçaroca indomável e seus óculos jaziam caídos no chão, com uma das hastes desencaixada.
— Twilight...? — chamou Sunset, a voz falhando em um tom hesitante.
— Não se mexa... — murmurou Twilight, com a voz abafada pelo travesseiro. — Cada músculo pélvico do meu corpo entrou em greve permanente. Acho que minhas vértebras lombares foram desintegradas pela força cinética.
— Twi... — Sunset engoliu em seco, puxando o lençol até o peito. — O negócio... a coisa... ainda tá aqui.
Twilight paralisou sob os lençóis. Lentamente, como uma máquina enferrujada, a arroxeada ergueu a cabeça. Ela piscou várias vezes, tateando a cabeceira até encontrar os óculos quebrados e colocá-los no nariz de forma torta. Seu olhar desceu até o volume volumoso sob o lençol de Sunset.
— O quê?! — Twilight esqueceu a dor por uma fração de segundo e tentou sentar-se na cama, apenas para cair de volta com um gemido agudo de dor nas ancas. — Ai! Pelas estrelas... não era para ter durado! O ciclo hormonal de indução deveria ter se dissipado com o término da energia fértil!
— Bom, ele não se dissipou! — exclamou Sunset, sentando-se com cuidado para não esmagar o próprio novo membro, sentindo a gravidade estranha puxando entre suas pernas. — Eu sinto ele aqui, Twilight! Está conectado a mim! O que diabos você colocou naquele suco falso?!
Twilight esfregou o rosto com as mãos trêmulas, entrando em pânico silencioso.
— Nós precisamos... nós precisamos de calma e método científico — declarou Twilight, respirando fundo em hiperventilação. — Primeiro: hoje é terça-feira. Temos prova de Biofísica Avançada às dez horas.
— Twilight, você não consegue nem esticar a perna sem chorar — rebateu Sunset, cruzando os braços e encarando a amiga com uma mistura de culpa genuína e choque pragmático. — E eu estou com um apêndice de trinta centímetros pendurado na minha virilha! Nenhum de nós dois vai pisar naquele campus hoje.
Twilight suspirou em derrota, pegando o celular na mesa de cabeceira com as pontas dos dedos doloridas.
— Eu vou conseguir um atestado médico pelo portal da universidade — murmurou ela, digitando com esforço. — Posso justificar como uma crise aguda de distensão muscular ciática e fadiga febril. Eles não vão questionar a aluna com as melhores notas do departamento. Mas enquanto eu faço isso... os cervos, Sunset! Os Cervos-da-Lua vão ser extintos se o composto não for entregue em Equestria até o fim do alinhamento lunar!
Sunset olhou para o chão da cozinha, onde o vidro quebrado e a poção derramada já haviam secado em manchas alaranjadas. A culpa pesou em seu estômago. Aquela confusão toda havia começado por causa de sua sede imprudente.
A ruiva se levantou da cama com movimentos desajeitados, ajustando o equilíbrio para acomodar o peso novo entre as pernas. Vestiu uma calça de moletom cinza folgada — sua saia curta habitual era uma impossibilidade absoluta naquela situação — e amarrou os cabelos em um coque alto e desgrenhado.
— Deixa comigo — disse Sunset, estalando os dedos com firmeza. — Eu sou tão maga quanto você, Sparkle. E fui assistente de Celestia antes mesmo de você aprender a lançar uma centelha. Fica nessa cama, toma um analgésico e não se mexa. Eu vou consertar a droga da sua poção.
Pelos três dias seguintes, a quitinete virou um laboratório clandestino de alquimia avançada. Enquanto Twilight se recuperava à base de compressas quentes, chás anti-inflamatórios e revisões lentas de seus trabalhos acadêmicos pelo laptop, Sunset assumiu o controle da bancada da cozinha.
A motoqueira e musicista trabalhou com uma disciplina implacável. Ela limpou o linóleo, resgatou os reagentes mágicos intactos e analisou os erros de Twilight. A princesa havia sido gananciosa na fórmula, criando um agente universal que reagia com qualquer matriz celular mamífera feminina.
Sunset redesenhou o composto do zero. Usando seu conhecimento intuitivo de magia do fogo e transmutação animal, ela isolou o genoma específico dos Cervos-da-Lua, criando uma trava enzimática mágica. O novo líquido brilhava em um tom verde-esmeralda sereno, sem feromônios voláteis no ar e completamente inerte para organismos humanos ou de pôneis.
— Pronto — declarou Sunset na noite de quinta-feira, erguendo um frasco de vidro lacrado com cera e selado com o brasão do sol de Equestria. — Esta versão só vai ativar na presença do RNA dos cervos. Se um humano beber, vai ter apenas um leve gosto de menta e uma ligeira indigestão. Os cervos estão salvos. Vou enviar pelo livro de espelho agora mesmo.
Twilight, que já conseguia caminhar pela quitinete com uma postura quase normal — embora ainda evitasse movimentos bruscos de quadril —, olhou para a amiga com admiração sincera.
— Você fez um trabalho brilhante, Sunset. Sério. O isolamento enzimático foi genial.
— É, eu sei — respondeu Sunset, abrindo um meio-sorriso confiante enquanto guardava as ferramentas. Mas o sorriso logo murchou quando ela ajustou a cintura do moletom, suspirando de forma pesada. — Agora... sobre o meu probleminha aqui embaixo. Você terminou de analisar a amostra do meu sangue?
Twilight mordeu o lábio inferior. O brilho triunfante em seus olhos arroxeados desapareceu instantaneamente, substituído por um olhar culpado, temeroso e visivelmente desconfortável.
— Twilight... — a voz de Sunset baixou uma oitava, soando perigosamente calma. — O que foi que você descobriu?
A princesa pigarreou, ajeitou a camisa azul e pegou um bloco de notas coberto de equações diferenciais e gráficos de decaimento molecular.
— Então... — começou Twilight, evitando contato visual direto. — Como eu disse antes, o organismo humano metaboliza a magia de Equestria em uma taxa diferente da dos seres nativos do nosso mundo. No seu caso, a flor de Fogo Estelar usada na base era de colheita pura, concentrada por três luas cheias...
— Twilight. Direto ao ponto. Quando ele vai embora? — interrompeu Sunset, apontando para a própria virilha com o polegar. — Quando eu volto a ter a minha anatomia original? Duas semanas? Um mês?
Twilight engoliu em seco. Ela ergueu a folha de papel para cobrir a metade inferior do rosto.
— Pelos meus cálculos da meia-vida de dispersão das células mutadas sob o fluxo hormonal humano normal... e considerando a quantidade absurda que você bebeu diretamente do frasco...
— Twilight Sparkle. Fala. Logo.
A princesa fechou os olhos com força e cuspiu as palavras:
— Cinco anos!
Um silêncio sepulcral engoliu a quitinete. O relógio de parede tic-tiqueava com uma lentidão quase cômica.
Sunset Shimmer piscou uma vez. Piscou duas vezes. Seus braços caíram inertes ao lado do corpo.
— Cinco... o quê?
— Cinco anos — repetiu Twilight em um sussurro estridente, abaixando a folha com as mãos trêmulas. — No mínimo! O processo de reversão celular espontânea em tecidos hipertrofiados por magia densa leva sessenta meses para esgotar as reservas proteicas sem desintegrar sua integridade vascular! Se nós tentarmos forçar um feitiço de reversão mágica rápida agora, seu sistema circulatório pélvico pode entrar em colapso hemorrágico total!
Sunset levou as duas mãos à cabeça, puxando as mechas ruivas e douradas com força. Seus olhos vagaram pelo teto em completo e absoluto desespero.
— Cinco anos?! — a ruiva gritou, a voz ecoando pelas paredes finas do dormitório. — Eu vou ter um pau gigante durante toda a minha faculdade?! Como é que eu vou usar biquíni na praia com as garotas?! Como é que eu vou vestir minha saia curta de couro sem parecer que estou contrabandeando uma garrafa de vinho nas pernas?!
— Nós podemos comprar calças mais largas! — tentou argumentar Twilight, gesticulando desesperada para apaziguar a ruiva furiosa. — Calças cargo estão na moda! Ou bermudas de corte reto! E você pode usar cintas de compressão suave, contanto que não aperte demais para não cortar a irrigação sanguínea!
Sunset olhou para Twilight com uma expressão que oscilava perigosamente entre a fúria homicida e o riso histérico.
— Uma cinta?! Twilight, você viu o tamanho daquela coisa! Você sentiu o tamanho daquilo! Não tem cinta no mundo humano que esconda aquele monstro sem me sufocar até a morte!
Twilight sentiu o sangue subir violentamente para suas bochechas, corando em um tom vermelho vivo até a ponta das orelhas pontudas. Suas pernas se fecharam instintivamente com a lembrança vívida da noite em que haviam sido tomadas por aquele "monstro" com uma intensidade que ainda fazia seu baixo ventre formigar de forma desconcertante.
— E-eu sei... — gaguejou a princesa, desviando os olhos com timidez constrangida, ajustando os óculos no nariz com a mão trêmula. — Eu tenho plena consciência das... dimensões envolvidas na mutação.
Sunset percebeu a hesitação da arroxeada. Ela cruzou os braços, arqueando uma sobrancelha ruiva enquanto a fúria inicial começava a dar lugar à sua típica ironia ácida.
— Ah, é? Tem plena consciência, é? — Sunset deu um passo largo em direção a Twilight, seu volume no moletom balançando de forma evidente com o movimento pesado. — E você lembra também de quem foi a culpa por aquilo ter acontecido em primeiro lugar?
— Foi... foi um acidente de armazenamento culposo! — defendeu-se Twilight, recuando até encostar as costas na parede da cozinha.
— Foi a sua poção — Sunset se aproximou, ficando cara a cara com a princesa, um sorriso torto, arrogante e ligeiramente perigoso curvando seus lábios enquanto ela se inclinava. — E pelos próximos cinco anos, Princesa Twilight Sparkle... você vai ter que me ajudar a lidar com todas as manutenções desse seu pequeno experimento. Afinal... com tanta fertilidade mágica acumulada, não seria nada saudável deixar as coisas entupidas por muito tempo, não acha?
O coração de Twilight disparou no peito com a proximidade daquele hálito quente e familiar. Ela engoliu em seco, olhando para os olhos ciano brilhantes da ruiva e sentindo um arrepio elétrico e contraditório descer por sua espinha dorsal.
Cinco anos inteiros.
Twilight ajustou os óculos pela terceira vez, percebendo com clareza aterrorizante e excitante que aquele seria, sem dúvida alguma, o semestre mais caótico — e perigoso — de toda a sua vida acadêmica.
— Eu... eu vou providenciar mais analgésicos para o dormitório — sussurrou Twilight.
Sunset soltou uma risada rouca e profunda, dando um tapinha afetuoso na bochecha corada da princesa antes de virar as costas para guardar os frascos na bancada.
— É uma excelente ideia, Sparkle. Vamos precisar.