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Mamar

O Eco da Manhã e as Garras da Pequena Guardiã

A luz do sol não pediu licença ao atravessar as frestas da cortina de linho, pintando listras douradas sobre o tapete felpudo do quarto. Jimin acordou com a sensação de um peso morno sobre suas costelas. Não era Jungkook, cujo corpo ainda estava mergulhado no sono profundo ao seu lado, mas sim Minji. A filhotinha, de alguma forma, rastejara do berço para a cama do casal durante as primeiras horas da madrugada, instalando-se estrategicamente entre os dois como uma pequena barreira de cabelos ruivos e determinação alfa.

Jimin sorriu, sentindo o aroma de leite e xampu de bebê que emanava da filha. Ele tentou se mexer, mas Minji, mesmo dormindo, pareceu sentir a movimentação. Ela soltou um resmungo baixo e jogou uma perna gordinha por cima do braço de Jimin, prendendo-o. Era oficial: a pequena guardiã estava de plantão, mesmo no mundo dos sonhos.

Do outro lado da "barreira", Jungkook começou a despertar. O ômega soltou um suspiro longo, esticando os braços acima da cabeça, o que fez sua camiseta subir levemente, revelando a pele alva da cintura. Jimin sentiu um aperto familiar no peito. A conexão da noite anterior ainda vibrava em suas veias, um segredo compartilhado que tornava o brilho matinal de Jungkook ainda mais hipnótico.

— Bom dia, Mimi — sussurrou Jungkook, a voz grave e arrastada pelo sono. Ele tentou se inclinar para beijar o marido, mas seus lábios encontraram apenas o topo da cabeça de Minji.

— Bom dia, meu amor — respondeu Jimin, rindo baixo da frustração contida no rosto do ômega. — Parece que a alfândega abriu cedo hoje.

Jungkook acariciou os cabelos ruivos da filha, que eram exatamente do mesmo tom dos de Jimin.

— Ela é implacável. Às vezes acho que ela sonha que você está tentando me roubar dela.

— E eu estou — admitiu Jimin, os olhos brilhando com uma intensidade travessa. — Cada segundo que eu puder.

Minji abriu um dos olhos, piscando devagar. Ao ver os dois pais acordados e conversando por cima dela, ela imediatamente se sentou, esfregando o rosto com as mãos pequenas e bufando de forma adorável.

— Papai Jimin, você tá muito perto do papai Kook — decretou ela, a voz ainda rouca, mas cheia de autoridade.

Jimin levantou as mãos em sinal de rendição, embora seu coração estivesse derretendo.

— Eu só estava dando bom dia, pequena. Não pode?

Minji ponderou por um momento, olhando de um para o outro com uma seriedade cômica.

— Pode. Mas agora o papai Kook vai fazer panquecas comigo. Só comigo.

Jungkook soltou uma risada melodiosa, sentando-se e puxando a filha para um abraço apertado, enchendo o pescoço dela de beijos ruidosos que a fizeram gargalhar.

— Tudo bem, majestade. Panquecas de mirtilo?

— Com muito mel! — exclamou ela, já pulando da cama e correndo em direção à porta, esquecendo por um momento sua missão de guarda.

Jungkook aproveitou a distração da pequena e rapidamente se inclinou sobre a cama, selando os lábios de Jimin em um beijo rápido, mas carregado de promessas. O sabor de Jungkook era a única coisa que Jimin queria para o café da manhã, mas o som dos passos saltitantes no corredor indicava que o tempo de trégua havia acabado.

— Vá antes que ela volte com um exército de brinquedos — sussurrou Jimin, dando um tapinha carinhoso no quadril do ômega.

A manhã seguiu o ritmo caótico que definia a família Park-Jeon. Na cozinha, o cheiro de massa assando misturava-se ao som de desenhos animados e às perguntas incessantes de Minji. Jimin observava da porta, encostado no batente, admirando a forma como Jungkook lidava com tudo. O ômega tinha uma paciência infinita, virando panquecas com uma mão enquanto ajudava Minji a colorir um desenho com a outra.

Havia uma beleza crua naquilo. Jungkook, com o cabelo bagunçado e as bochechas coradas pelo calor do fogão, era a visão mais perfeita que Jimin já tivera. O alfa sentiu a necessidade de tocá-lo, de reafirmar o vínculo que fora tão intensamente alimentado na escuridão do quarto. Ele se aproximou por trás, envolvendo a cintura de Jungkook com os braços e enterrando o rosto na curva de seu pescoço.

Jungkook relaxou instantaneamente contra o peito do alfa, soltando um suspiro de contentamento.

— Você está manhoso hoje, Park Jimin — murmurou Jungkook, inclinando a cabeça para dar mais acesso ao marido.

— Estou com fome — respondeu Jimin, a voz vibrando contra a pele de Jungkook. — E não é de panquecas.

O ômega soltou um risinho, mas antes que pudesse responder, um grito agudo de protesto veio da mesa.

— Papai! O desenho tá ficando torto! Você não tá olhando!

Jimin soltou um suspiro dramático e se afastou, ganhando um olhar de desculpas de Jungkook.

— Eu disse — sussurrou o ômega. — Ela tem radar.

O dia passou entre brincadeiras no jardim e tentativas frustradas de Jimin de roubar mais beijos. Minji parecia ter dobrado a vigilância. Toda vez que Jimin tentava se sentar ao lado de Jungkook no sofá, ela aparecia com um livro de histórias ou um brinquedo quebrado que precisava de "conserto imediato" apenas pelas mãos do papai ômega.

À tarde, enquanto Jungkook preparava um lanche, Jimin conseguiu encurralá-lo na despensa. O espaço era pequeno, o ar estava carregado com o aroma de especiarias e, mais importante, era um ponto cego para a visão da sala.

— Finalmente — disse Jimin, prendendo Jungkook entre seus braços e a prateleira de farinha.

— Jimin, ela vai nos pegar... — Jungkook tentou protestar, mas suas mãos já estavam subindo pelo peito do alfa, agarrando a camiseta de Jimin com urgência.

— Ela está ocupada destruindo a torre de blocos — rebateu Jimin, atacando o pescoço de Jungkook com beijos vorazes. — Eu preciso de você, Jeon. A noite passada não foi suficiente.

Jungkook soltou um gemido baixo, fechando os olhos enquanto a mão de Jimin subia por baixo de sua blusa, encontrando a pele quente e macia. O vínculo entre eles latejava, uma conexão de alma que exigia proximidade física. Jimin sentiu o desejo de mamar novamente, de sentir a vida fluindo de Jungkook para ele, acalmando o fogo que ardia em seu peito.

— Por favor... — pediu Jimin, a voz rouca de necessidade.

Jungkook, sempre entregue aos desejos de seu alfa, começou a desabotoar a camisa, seus olhos brilhando com a mesma fome. Mas, no momento em que a pele rosada foi exposta, um som de passos rápidos ecoou no piso de madeira da cozinha.

— Papai? Cadê você?

Eles se separaram como se tivessem levado um choque. Jungkook abotoou a camisa com dedos trêmulos enquanto Jimin tentava recompor sua respiração, fingindo estar muito interessado em uma lata de conservas na prateleira de cima.

Minji apareceu na porta da despensa, os braços cruzados e uma expressão de pura suspeita.

— Por que vocês dois estão no escuro? — perguntou ela, estreitando os olhos.

— Estávamos... procurando o mel, querida — mentiu Jimin, forçando um sorriso que não chegou aos olhos.

Minji olhou para o pai alfa, depois para o pai ômega, cujas bochechas estavam num tom de vermelho escandaloso.

— O mel tá na mesa, papai Jimin. Você é muito esquecido.

Ela pegou a mão de Jungkook e o puxou para fora da despensa com uma força surpreendente para alguém do seu tamanho.

— Vem, papai Kook. O papai Jimin tá estranho.

Jungkook lançou um olhar por cima do ombro, um misto de riso e compaixão, deixando Jimin sozinho entre os potes de geleia e a frustração acumulada.

A noite caiu lentamente, trazendo consigo a esperança de um novo período de paz. Após um banho demorado e muitas histórias sobre dragões e fadas, Minji finalmente começou a ceder ao cansaço. Jimin a carregou até o berço, beijando sua testa com todo o amor do mundo. Apesar de ser sua pequena "adversária" durante o dia, ele a adorava mais do que a própria vida. Ela era a prova viva do amor entre ele e Jungkook.

— Durma bem, minha pequena guardiã — sussurrou ele, cobrindo-a.

Ele voltou para o quarto principal, onde Jungkook já o esperava. O ômega estava sentado na beira da cama, usando apenas uma calça de pijama leve. A luz da lua, mais uma vez, era a única testemunha.

Jimin não disse nada. Ele atravessou o quarto e se ajoelhou entre as pernas de Jungkook, apoiando as mãos nas coxas firmes do ômega.

— Ela dormiu? — perguntou Jungkook, a voz suave como veludo.

— Apagou. Acho que o plano de brincar de pega-pega no jardim por duas horas funcionou.

Jungkook sorriu e levou as mãos aos cabelos ruivos de Jimin, acariciando-os com ternura.

— Você é um alfa muito persistente, Park Jimin.

— Eu sou um alfa que ama o seu ômega — corrigiu ele, aproximando o rosto do peito de Jungkook. — E que sentiu falta de cada centímetro desse corpo hoje.

Jungkook inclinou-se para trás, apoiando-se nos cotovelos, permitindo que Jimin se aproximasse. O silêncio da casa era absoluto, quebrado apenas pelo som da respiração ritmada de ambos. Jimin sentiu a tensão deixar seu corpo no momento em que seus lábios tocaram a pele de Jungkook. Era como voltar para casa depois de uma longa viagem.

A conexão era profunda, transcendendo o físico. Jimin sentia as emoções de Jungkook — o amor, a entrega, o leve cansaço e a adoração infinita. Era um diálogo silencioso entre duas almas que se conheciam em níveis que ninguém mais poderia entender.

— Você me acalma tanto... — murmurou Jimin entre os toques, sentindo o aroma de lavanda envolver seus sentidos.

— E você me completa — respondeu Jungkook, a voz falhando levemente. — Eu sei que é difícil dividir a atenção, Jimin. Mas eu amo o jeito que você cuida de nós.

Jimin se afastou um pouco, olhando nos olhos de Jungkook.

— Eu não mudaria nada. Nem mesmo as interrupções da Minji. Ela só faz isso porque sente o quanto somos ligados. Ela quer fazer parte disso.

— Ela é exatamente como você — disse Jungkook, rindo baixo. — Feroz e protetora.

Eles ficaram ali por um longo tempo, abraçados na penumbra, aproveitando o calor um do outro. O desejo inicial havia se transformado em uma paz profunda, uma satisfação que preenchia todos os espaços vazios.

— Sabe — disse Jimin, deitando a cabeça no colo de Jungkook enquanto o ômega continuava a acariciar seus cabelos —, amanhã eu vou levar a Minji para visitar o vovô e a vovó.

Jungkook arqueou uma sobrancelha, um sorriso ladino surgindo em seu rosto.

— Ah, é? E por que essa generosidade repentina?

Jimin fechou os olhos, aproveitando o toque das mãos de Jungkook.

— Porque eu planejo ter uma tarde inteira onde o único guardião desta casa serei eu. E eu pretendo guardar meu ômega muito, muito bem. Dentro deste quarto.

Jungkook soltou uma risada alta, depois cobriu a boca, lembrando-se da filha dormindo no quarto ao lado.

— Você é impossível, Jimin.

— Eu sou um homem com um plano, Jungkook. E eu garanto que você vai gostar de cada parte dele.

Jungkook inclinou-se e deu um beijo demorado nos lábios de Jimin, um selo de concordância.

— Então é melhor descansarmos. Acho que vou precisar de toda a minha energia amanhã.

Jimin sorriu, sentindo-se o alfa mais sortudo do universo. Ele se acomodou ao lado de Jungkook, puxando o cobertor sobre eles. Enquanto o sono começava a chegar, ele ouviu um pequeno ruído vindo do corredor. Um segundo depois, a porta do quarto se abriu silenciosamente e uma pequena figura ruiva correu em direção à cama, escalando-a com agilidade.

Minji se enfiou debaixo do cobertor, exatamente no meio dos dois, soltando um suspiro de satisfação.

— O monstro do armário estava fazendo barulho — mentiu ela descaradamente, fechando os olhos e agarrando a mão de Jungkook.

Jimin olhou para Jungkook por cima da cabeça da filha. O ômega estava tentando segurar o riso, dando de ombros como quem diz "eu avisei".

Jimin suspirou, mas havia um sorriso em seu rosto. Ele esticou o braço por cima de Minji para segurar a mão de Jungkook.

— Tudo bem, pequena guardiã — disse ele baixinho. — O monstro não vai chegar perto do seu ômega enquanto estivermos aqui.

A paz voltou a reinar na residência Park-Jeon. O plano de Jimin para a tarde seguinte continuava de pé, mas, por enquanto, ele estava contente em estar ali, cercado pelo amor caótico e feroz de sua família. Porque, no final das contas, eram esses momentos — os roubados, os interrompidos e os compartilhados — que faziam sua vida ser perfeita.

Pelo menos até o sol nascer e a primeira panqueca ser exigida.

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