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Medo

O Calor que as Sombras não Apagam

A noite nas montanhas de Tsibeya era um deserto de gelo, mas dentro da pequena estalagem isolada onde haviam parado, o ar estava saturado com o cheiro de lenha queimada e algo muito mais denso. Luda dormia profundamente em um pequeno leito improvisado no canto do quarto, exausta pela viagem e protegida por um feitiço de silêncio que Aleksander lançara com uma delicadeza quase reverente.

Clara estava de pé junto à janela, observando a neve cair. Ela sentia a presença dele atrás dela. Não era mais a presença predatória que a assombrava em seus pesadelos, mas uma vibração constante, como o ronronar de uma fera que finalmente encontrou o caminho de casa. O silêncio entre eles não era desconfortável; era carregado, esticado até o limite, como uma corda prestes a arrebentar sob o peso de três anos de ausência.

— Você ainda olha para o escuro como se esperasse que ele te atacasse — disse Aleksander. A voz dele estava mais baixa, despojada da autoridade militar, soando apenas como o homem que ela conhecera na intimidade.

Clara não se virou. Ela sentiu o calor do corpo dele se aproximar, embora ele não a tocasse.

— O escuro nunca me atacou, Aleksander — respondeu ela, a voz firme. — Foi o homem que o comandava que me feriu. As sombras são inocentes.

Ela ouviu um suspiro pesado. Então, finalmente, sentiu as mãos dele. Ele as pousou em sua cintura, experimentando a curva generosa de seu quadril com uma hesitação que a surpreendeu. O toque atravessou as camadas de seu vestido de lã, enviando um choque elétrico diretamente para o seu ventre.

— Eu passei cada noite desses três anos tentando esquecer a sensação da sua pele — sussurrou ele, inclinando a cabeça para que seus lábios roçassem a curva do pescoço dela. — Tentei me convencer de que você era apenas uma peça no meu jogo. Mas o tabuleiro estava vazio sem você. Eu estava vazio.

Clara fechou os olhos, lutando contra o desejo que ameaçava desmoronar suas defesas. O corpo dela, que ela aprendera a amar e proteger sozinha, parecia reconhecer o toque dele instantaneamente. Suas curvas pareciam ansiar pelo encaixe das mãos dele, uma memória muscular que o ódio não fora capaz de apagar.

— Você mentiu para mim — disse ela, embora sua respiração estivesse começando a falhar.

— Eu menti para o mundo inteiro — ele virou-a lentamente para encará-lo. Os olhos de Aleksander queimavam com uma fome sombria, uma mistura de desespero e adoração pura. — Mas aqui, agora... não há generais. Não há exércitos. Há apenas o que restou de nós. E eu estou morrendo de sede, Clara.

Ele não esperou por uma permissão verbal. Ele a beijou com uma urgência que falava de séculos de solidão. Não era o beijo coreografado do sedutor que ele fingira ser; era um beijo faminto, cru, que exigia e entregava tudo ao mesmo tempo. Clara gemeu contra os lábios dele, suas mãos subindo para se enroscarem no cabelo negro e macio que ela tanto sentira falta de tocar.

O ódio, a mágoa e a desconfiança ainda estavam lá, mas naquele momento, eles foram submersos por uma necessidade biológica e espiritual. Ela o queria. Queria o calor que só ele conseguia despertar, queria a sensação de ser preenchida pela escuridão que, paradoxalmente, a fazia sentir-se mais viva do que qualquer luz.

Aleksander a conduziu até a cama de madeira maciça, seus movimentos ágeis e possessivos. Ele começou a desabotoar o vestido dela com dedos trêmulos, uma vulnerabilidade que Clara nunca imaginou ver no homem mais poderoso de Ravka. Quando o tecido caiu, revelando a brancura de sua pele e a suntuosidade de suas formas, ele parou por um momento, apenas observando-a sob a luz bruxuleante das velas.

— Você é magnífica — murmurou ele, passando as palmas das mãos pelos seus ombros, descendo pelos seios fartos até repousar na curva de sua barriga. — Mais bonita do que em todas as minhas lembranças. Você é a própria vida, Clara. E eu sou apenas um homem faminto diante de um banquete que não merece.

— Não fale — pediu ela, puxando-o para baixo. — Apenas me faça esquecer o mundo por uma noite.

Quando ele se despiu e se juntou a ela, o contraste era absoluto. Ele era pálido, magro e feito de ângulos severos; ela era calor, suavidade e curvas que pareciam feitas para acolhê-lo. Quando seus corpos finalmente se encontraram, o encaixe foi tão perfeito que ambos soltaram um suspiro de alívio.

O ato não foi apenas físico; foi uma batalha e uma reconciliação. Cada toque de Aleksander era um pedido de desculpas silencioso, cada carícia nas coxas dela, cada beijo nas marcas que a maternidade deixara em seu corpo, era um ato de adoração que Clara sentia em sua alma. Ele a explorava como se estivesse redescobrindo um território sagrado, demorando-se em cada centímetro, fazendo-a arquear as costas e clamar pelo seu nome.

— Aleksander... — ela soluçou, as unhas cravando-se nos ombros dele enquanto ele a possuía com uma intensidade que parecia querer fundir suas essências.

— Eu sou seu — ele sussurrou contra a pele dela, o suor brilhando em sua testa. — Eu sempre fui seu, mesmo quando era estúpido demais para entender. Use-me, Clara. Destrua-me, se for preciso. Mas não me deixe novamente.

O clímax os atingiu como uma tempestade de sombras e luz. Clara sentiu seu poder de cura expandir-se, envolvendo os dois em uma aura dourada, enquanto as sombras de Aleksander rodopiavam ao redor da cama em um abraço protetor. Por um instante eterno, não havia traição, não havia planos sombrios, apenas a verdade nua de dois seres que, contra todas as probabilidades, pertenciam um ao outro.

Depois, enquanto o fogo na lareira se transformava em brasas, eles ficaram entrelaçados sob os cobertores de pele. A respiração de Aleksander estava calma, seu rosto descansando no peito de Clara, ouvindo as batidas do coração dela.

— Você vai embora pela manhã? — perguntou ele, a voz rouca.

Clara acariciou o cabelo dele, observando a filha dormindo do outro lado do quarto. Ela sabia que o caminho à frente seria difícil. Sabia que Aleksander ainda tinha demônios a enfrentar e que ela teria que vigiá-lo a cada passo para garantir que ele não voltasse a ser o monstro que a ferira.

— Eu não posso fugir para sempre, Aleksander — disse ela suavemente. — E Luda precisa saber quem ela é. Mas não pense que uma noite de paixão apaga o passado.

Ele levantou a cabeça e olhou nos olhos dela. Não havia o brilho calculista de antes, apenas uma determinação sombria.

— Eu sei. Eu passarei cada dia da minha eternidade provando que este homem que está aqui agora, este "cachorrinho" que você diz que eu fingi ser... ele é a única parte de mim que é real quando estou com você.

— Então prove — disse ela, puxando o cobertor para cobri-los. — Comece por nos levar para casa. Mas desta vez, Aleksander, eu não serei uma convidada no seu palácio. Eu serei a fundação.

Ele beijou a testa dela, um gesto de submissão que não tinha nada de fingido.

— Você sempre foi a fundação, Clara. Eu apenas demorei muito tempo para perceber que o meu império não valia nada se você não estivesse nele.

Lá fora, a neve continuava a cair, cobrindo as pegadas do passado. Dentro do quarto, o calor daquela união permanecia, uma promessa frágil, mas poderosa, de que até a escuridão mais profunda pode ser transformada quando encontra a luz certa para refletir. Clara fechou os olhos, sentindo o peso reconfortante do homem que amava e a presença da filha que era o seu mundo. O futuro era incerto, mas naquela noite, nas montanhas geladas, ela finalmente se sentiu aquecida.