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meu amor por voce

Refúgio nas Nuvens

O sol de Mônaco filtrava-se suavemente pelas enormes janelas de vidro do apartamento de cinco andares da família Piastri. Embora a vista para o Mediterrâneo fosse de tirar o fôlego, o clima dentro da residência era de pura quietude e preocupação. Oscar Piastri, geralmente o CEO implacável que comandava impérios com um olhar, não tinha ido à sede da empresa naquele dia. O motivo era pequeno, tinha cabelos castanhos claros e estava, no momento, enrolada em um edredom de seda no terceiro andar.

Anna estava doente. Uma gripe persistente havia se instalado no corpinho delicado da menina, deixando-a com o nariz avermelhado, os olhos úmidos e uma necessidade avassaladora de contato físico. Para Anna, que processava o mundo com a sensibilidade aguçada do seu autismo, o desconforto físico da febre era como um ruído alto e incessante que só o abraço do pai parecia silenciar.

No quinto andar, Oscar estava trancado em seu escritório particular. Ele tinha reuniões globais que não podiam ser adiadas, mas sua mente estava a dois lances de escada de distância. Ele observava atentamente um dos monitores de seu sistema de segurança privada, que mostrava o quarto de Anna em tempo real. Era sua forma de estar presente mesmo quando precisava estar em silêncio.

— Sim, entendo os termos da fusão — disse Oscar ao microfone, sua voz baixa e controlada, enquanto seus olhos não saíam da imagem da filha no monitor. — Mas quero a cláusula de rescisão ajustada até amanhã.

Enquanto isso, no quarto de Anna, Lily Zneimer tentava, com toda a sua doçura, oferecer conforto à filha. Agatha, a governanta de longa data que era quase parte da família, estava ao lado com uma bandeja de prata contendo chá morno e uma tigela de canja leve.

— Vamos, meu amor... só um pouquinho do chá — pediu Lily, passando a mão suavemente pelos cabelos de Anna. — Vai ajudar a garganta a não doer tanto.

Anna, porém, apenas se encolheu mais no ninho de travesseiros. Seus lábios tremeram e ela soltou um gemido baixo, quase um lamento.

— Papai... — sussurrou a menina, a voz embargada. — Quero o papai.

Lily sentiu um aperto no coração. Ela sabia que, nos dias em que Anna se sentia sobrecarregada ou doente, o "porto seguro" definitivo era Oscar. Havia algo na calma quase imperturbável dele que ancorava Anna.

— O papai está trabalhando um pouquinho lá em cima, querida — explicou Lily com paciência, beijando a testa quente da filha. — Ele prometeu que desce assim que terminar. A mamãe está aqui, a Agatha também. Quer que eu leia aquele livro sobre as estrelas?

Anna negou com a cabeça, fechando os olhos com força. As lágrimas começaram a escorrer. O ambiente parecia "errado" para ela sem a presença física de Oscar.

— Agatha, você pode preparar uma compressa fria? — Lily perguntou em voz baixa. — A febre parece estar subindo um pouco de novo.

— Com certeza, senhora Piastri — respondeu Agatha com um aceno respeitoso, saindo rapidamente do quarto para buscar o que era necessário.

Lily continuou tentando distrair Anna, cantando baixinho uma música que costumavam ouvir juntas, mas a menina estava inquieta. Lily precisou se levantar por um momento para pegar um termômetro novo no banheiro adjacente, confiando que Anna ficaria quietinha por alguns segundos.

— A mamãe já volta, meu anjo. Vou só pegar o termômetro.

No entanto, a mente de Anna, nublada pela febre e pela saudade, só conseguia focar em uma coisa: alcançar o pai. No momento em que Lily entrou no banheiro, Anna reuniu as poucas forças que tinha. Ela se desenrolou das cobertas, seus pés pequenos tocando o tapete felpudo. Ela se sentia tonta, o mundo parecia girar um pouco mais rápido do que o normal.

No quinto andar, Oscar travou. Ele viu pelo monitor Anna se levantando.

— Tenho que desligar — disse ele abruptamente aos sócios, sem dar explicações, fechando o notebook com um estalo.

Anna caminhou vacilante em direção à porta do quarto. Ela queria subir. Queria o cheiro do terno de Oscar, o som dos batimentos cardíacos dele. Mas, ao chegar perto do corredor, suas pernas, enfraquecidas pela falta de apetite e pelo mal-estar, cederam. Ela não caiu com força, mas o impacto de seus joelhos no chão e a frustração de não conseguir caminhar foram o limite para ela.

Um choro sentido, agudo e carregado de angústia ecoou pelo corredor silencioso.

— Papai! — ela soluçou, o som quebrando o silêncio da mansão.

Lily saiu correndo do banheiro, o coração disparado.

— Anna! Oh, meu Deus, querida!

Mas antes que Lily pudesse chegar ao chão para pegá-la, o som de passos rápidos e pesados vindo das escadas de serviço ecoou. Oscar não esperou o elevador privativo; ele desceu os degraus quase saltando.

Ele surgiu no corredor como um furacão de preocupação, ainda vestindo a camisa social branca com as mangas dobradas. Ao ver a filha sentada no chão, chorando, o rosto de Oscar se transformou em pura agonia paternal.

— Eu estou aqui, minha pequena. O papai está aqui — disse ele, a voz subitamente suave, mas firme.

Ele se ajoelhou no chão instantaneamente, ignorando o luxo do tapete ou qualquer protocolo, e envolveu Anna em seus braços fortes. No momento em que o rosto dela tocou o peito dele, o choro desesperado começou a diminuir para soluços curtos.

— Shhh... eu peguei você, ratinha — sussurrou Oscar, usando o apelido carinhoso que só usava nos momentos mais íntimos. — O papai está aqui. Ninguém vai deixar você cair.

Lily se aproximou, colocando a mão no ombro de Oscar, o rosto demonstrando alívio e uma ponta de culpa.

— Ela sentiu tanto a sua falta, Oscar. Eu tente

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