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meu amor por voce

O Porto Seguro nas Mãos do Pai

Oscar acomodou Anna em seu colo com uma facilidade que só anos de dedicação poderiam proporcionar. O corpo da menina, quente pela febre, parecia se moldar perfeitamente ao peito do pai, como se ela finalmente tivesse encontrado a peça que faltava para seu equilíbrio. Ele a levantou sem esforço, ignorando completamente o fato de que havia deixado uma conferência multimilionária em suspenso no andar de cima. Para o CEO, o mundo corporativo não passava de ruído de fundo quando sua "ratinha" precisava dele.

Lily, observando a cena, sentiu uma mistura de alívio e ternura. Ela se aproximou, passando a mão pelas costas de Anna enquanto Oscar caminhava de volta para a cama king-size da suíte da menina.

— Sinto muito, Oscar — sussurrou Lily, a voz carregada de uma doçura melancólica. — Eu tentei distraí-la, mas ela estava tão inquieta... Eu só fui buscar o termômetro por um segundo.

Oscar parou por um instante e olhou para a esposa. Seus olhos claros, geralmente frios e calculistas em reuniões, estavam inundados de compreensão.

— Não se desculpe, Lily. Você sabe como ela fica quando os sentidos estão sobrecarregados pela gripe. O mundo fica barulhento demais para ela. Eu é que deveria ter descido antes.

Ele se sentou na borda da cama, mantendo Anna abraçada. A menina enterrou o rosto no pescoço dele, aspirando o perfume familiar de sândalo e a segurança que emanava de sua pele. O choro havia parado, substituído por uma respiração pesada e um pouco ruidosa devido ao nariz entupido.

— Papai... não vai — murmurou Anna, a voz rouca e minúscula.

— Eu não vou a lugar nenhum, meu amor — prometeu Oscar, beijando o topo da cabeça dela. — Hoje, meu único escritório é aqui, do seu lado.

Agatha apareceu na porta com a bandeja que havia sido deixada de lado. A governanta, sempre impecável e atenta, trocou um olhar cúmplice com Lily. Elas sabiam que, a partir daquele momento, a "operação cuidado" tinha um novo comandante.

— Senhor Piastri, a canja ainda está morna — disse Agatha suavemente. — E o suco de laranja natural está fresco. Ela precisa se hidratar.

Oscar assentiu, fazendo um sinal para que Lily se sentasse ao lado dele. Ele ajeitou os travesseiros para que Anna ficasse recostada, mas a menina se recusou a soltar sua mão. Lily pegou a tigela de porcelana, mas quando tentou levar a colher à boca de Anna, a menina virou o rosto, os olhos lacrimejantes procurando o pai.

Lily deu um sorriso pequeno e compreensivo, entregando a colher para Oscar.

— Acho que hoje o serviço é exclusivo, Oscar — brincou ela, embora houvesse um brilho de adoração em seus olhos ao ver o marido tão entregue.

Oscar aceitou a tarefa com a mesma seriedade com que assinaria um contrato de fusão. Ele soprou a canja com cuidado, testando a temperatura nas costas da mão antes de oferecer à filha.

— Vamos, Anna. Só uma colherada para o papai. Precisa de energia para expulsar esses bichinhos da gripe.

Anna olhou para a colher e depois para os olhos encorajadores de Oscar. Lentamente, ela abriu a boca e aceitou a comida. O silêncio no quarto era quebrado apenas pelo som suave da chuva que começava a cair lá fora, contra as vidraças de Mônaco, e pelo tilintar da colher na porcelana.

— Isso mesmo, querida. Mais uma — incentivou Oscar.

Lily aproveitou o momento para umedecer uma toalhinha em água fresca e lavanda, passando-a com delicadeza no pescoço e nos pulsos de Anna para ajudar a baixar a temperatura. A menina fechou os olhos, relaxando sob o toque coordenado dos pais. Para uma criança autista, a previsibilidade e a calma eram essenciais, e naquele momento, o quarto era uma bolha de serenidade absoluta.

— Ela está um pouco mais fresca — comentou Lily, checando o termômetro minutos depois. — Mas ainda precisa descansar muito.

— Eu vou ficar aqui até ela dormir profundamente — disse Oscar, enquanto terminava de dar o suco de laranja para a filha, limpando o canto da boca dela com um guardanapo de linho.

— Mas e a reunião com os investidores de Singapura? — Lily perguntou, preocupada com as responsabilidades dele.

Oscar deu de ombros, um gesto raro de descaso para alguém tão disciplinado.

— Eles podem esperar. O dinheiro deles não vai a lugar nenhum, mas o bem-estar da minha filha é imediato. Se eles não entenderem que a família vem primeiro, então não são as pessoas certas para fazer negócios comigo.

Lily sentiu o coração aquecer. Ela se lembrou de quantas vezes, antes de conhecer Oscar, ouviu que nunca encontraria alguém que a valorizasse ou que entendesse suas próprias inseguranças. E agora, ali estava ela, casada com um homem que pararia o mundo por ela e pela filha que construíram juntos.

Anna, sentindo-se alimentada e segura, começou a piscar devagar. O peso da doença e o conforto da presença de Oscar estavam finalmente vencendo a resistência dela.

— Papai... canta? — pediu ela, a voz sumindo.

Oscar sorriu de lado, um sorriso que raramente mostrava ao mundo exterior. Ele começou a cantarolar uma melodia antiga, uma canção de ninar australiana que seu próprio pai costumava cantar. Sua voz era um barítono suave, vibrando contra o peito onde Anna apoiava a cabeça.

Lily se encostou no ombro de Oscar, observando o rosto de Anna finalmente relaxar. Agatha, percebendo que a situação estava sob controle, retirou a bandeja e fechou as cortinas de seda pesada, deixando o quarto em uma penumbra acolhedora.

— Você é um pai maravilhoso, Oscar Piastri — sussurrou Lily, quando a respiração de Anna se tornou rítmica e profunda.

— Eu só estou devolvendo o amor que ela nos dá sem pedir nada em troca — respondeu ele, passando o braço livre pela cintura de Lily e puxando-a para perto. — E eu aprendi com a melhor mãe do mundo.

Eles ficaram ali por um longo tempo, no silêncio do apartamento de luxo, cercados por uma fortuna que não significava nada comparada ao calor daquela união. Oscar não voltou para o escritório naquela tarde. Ele permaneceu ali, servindo de travesseiro para sua princesa e de porto seguro para sua esposa, provando que, no império dos Piastri, o amor era a única moeda que realmente importava.

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