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meu amor por voce

O Brilho da Proteção no Ninho de Serpentes

O espelho de cristal do closet principal refletia uma imagem que exalava perfeição, embora o coração de Lily Zneimer estivesse em um compasso acelerado de ansiedade. Ela ajustou as pregas do vestido de seda azul-marinho, uma peça sob medida que gritava elegância discreta. Hoje não era um dia comum. Hoje era o aniversário de setenta anos de seu avô, uma celebração que reuniria todo o clã Zneimer em uma propriedade luxuosa em Nice.

Para a maioria das pessoas, seria um evento social glamouroso. Para Lily, era entrar em um campo minado.

— Respira, meu amor. Você está deslumbrante. — A voz de Oscar ecoou pelo quarto, calma e profunda como o oceano.

Ele se aproximou por trás dela, vestindo um terno cinza-chumbo da Savile Row que realçava seus ombros largos e sua postura de autoridade natural. Oscar colocou as mãos nos ombros de Lily, e o simples toque dele pareceu drenar metade da tensão dela.

— Eu sei que não queria ir — continuou Oscar, encontrando os olhos dela pelo reflexo. — Mas faremos isso pela Lexi e pela sua mãe. Entramos, cumprimentamos, mostramos que somos felizes e saímos antes que o veneno deles comece a escorrer.

— Eu só não quero que eles digam nada que deixe a Anna desconfortável — confessou Lily, virando-se para ele. — Você sabe como eles são. Vão comentar sobre o fato de ela não falar muito, ou sobre a sensibilidade dela...

Oscar endureceu o maxilar, um sinal claro de que o CEO implacável estava apenas esperando um motivo para agir.

— Eu gostaria que eles tentassem — disse ele, com uma frieza protetora. — Ninguém toca na nossa menina. Nem com palavras.

Nesse momento, a porta do closet se abriu e Anna entrou, ou melhor, desfilou. Agatha a havia ajudado a se vestir, e a menina parecia uma verdadeira princesa de contos de fadas modernos. Ela usava um vestido de tule em tom de champanhe, com pequenas flores bordadas à mão no corpete, e uma tiara delicada prendia seus cabelos castanhos claros. Nos pés, sapatilhas de verniz que ela insistira em testar dando pequenos pulinhos.

— Papai! — Anna exclamou, correndo para os braços de Oscar.

Ele a pegou no colo instantaneamente, sem se importar se o tule amassaria seu terno caro.

— Você é a menina mais linda de toda a França, sabia disso? — Oscar beijou a bochecha da filha, que riu e escondeu o rosto em seu pescoço.

— Vamos, Anna? — Lily perguntou, forçando um sorriso encorajador. — A tia Lexi e a vovó Hannah estão morrendo de saudade.

— Sim! — Anna respondeu, embora tenha apertado mais a mão de Oscar assim que ele a colocou no chão.

A viagem de Mônaco a Nice foi silenciosa e confortável, dentro de um dos SUVs blindados da frota de Oscar. Quando chegaram à mansão dos Zneimer, o contraste era evidente. Onde a casa dos Piastri era um refúgio de paz e compreensão, aquela propriedade parecia exalar uma arrogância fria.

Assim que entraram no salão principal, as cabeças se viraram. Oscar Piastri não era apenas o marido de Lily; ele era um dos homens mais influentes do mundo, e sua presença ali era um evento por si só.

— Lily! Minha querida! — Hannah, a mãe de Lily, aproximou-se rapidamente, com os olhos brilhando. Ela abraçou a filha com força e depois se ajoelhou para ficar na altura de Anna. — E olhe para essa boneca! Anna, você está maravilhosa!

— Oi, vovó — sussurrou Anna, escondendo-se atrás da perna de Oscar, segurando firmemente o tecido de sua calça.

— Deixe-a no tempo dela, Hannah — disse Oscar, com um sorriso educado, mas firme. — Ela ainda está se acostumando com o barulho.

Lexi, a irmã mais nova de Lily e sua maior aliada na família, apareceu logo em seguida, trazendo um copo de suco natural para a sobrinha.

— Minha princesa favorita chegou! — Lexi piscou para Lily, transmitindo um apoio silencioso. — Lily, você está incrível. Oscar, obrigado por trazê-las.

O clima parecia bom até que o restante da família começou a se aproximar. Tios, primos e o próprio aniversariante, homens e mulheres que sempre olharam para Lily como o "elo fraco" da linhagem, agora tentavam bajular Oscar enquanto lançavam olhares críticos para a pequena Anna.

— Ela ainda é tão... reservada, não é? — comentou a tia Beatrice, com um tom de voz que fingia preocupação, mas carregava julgamento. — Meu neto, da mesma idade, já está tendo aulas de mandarim e mal para quieto. Anna parece sempre estar em outro planeta.

Lily sentiu o sangue ferver, mas antes que pudesse responder, a mão de Oscar pousou em suas costas, e sua voz cortou o ar como uma lâmina.

— Anna não está em outro planeta, Beatrice — disse Oscar, olhando diretamente nos olhos da mulher. — Ela apenas filtra o que vale a pena ouvir. É uma habilidade que muitos adultos aqui deveriam desenvolver.

O silêncio constrangedor que se seguiu foi quebrado pelo som da música clássica ao fundo. Beatrice recuou, intimidada pela aura de poder que Oscar emanava.

Anna, percebendo a tensão, começou a balançar o corpo levemente, um sinal de que o excesso de pessoas e o tom de voz das pessoas estavam começando a sobrecarregá-la. Ela puxou a mão de Lily.

— Mamãe... muito barulho — murmurou a menina.

Lily olhou para Oscar, que assentiu imediatamente.

— Vamos para o jardim, querida — sugeriu Lily. — Lá é mais calmo.

Eles se retiraram para a área externa, onde a brisa do mar suavizava o calor da tarde. Oscar não saiu do lado delas nem por um segundo. Ele era como um escudo humano, interceptando qualquer parente que tentasse se aproximar com comentários indesejados.

— Você não precisa ficar aqui fora conosco, Oscar — disse Lily, sentando-se em um banco de pedra enquanto observava Anna olhar para as flores. — Eu sei que o vovô quer falar com você sobre aquele fundo de investimento.

— O fundo de investimento dele não é mais importante do que o conforto de vocês — respondeu Oscar, ficando de pé ao lado delas, vigilante. — Eu vim para apoiar você e a Anna. Se eu quisesse fazer negócios, estaria no meu escritório em Mônaco, não ouvindo as bobagens da sua tia.

Lily sorriu, sentindo uma onda de gratidão. Ela se lembrou de como, anos atrás, ela teria enfrentado aquele ambiente sozinha, sentindo-se pequena e inadequada. Agora, ela tinha um homem que a tratava como uma rainha e uma filha que era o centro do seu universo.

De repente, o primo de Lily, um homem arrogante chamado Julian, saiu para o jardim com um copo de uísque na mão.

— Ora, o recluso e sua família — disse Julian, com um sorriso sarcástico. — Lily, ouvi dizer que você nem deixa a menina ir a festas normais. Não acha que está criando ela em uma bolha? Ela precisa enfrentar a realidade, ou nunca vai ser ninguém.

Anna se encolheu, tapando os ouvidos com as mãos. O tom de voz de Julian era agressivo e estridente.

Lily se levantou, pronta para o confronto, mas Oscar foi mais rápido. Ele deu um passo à frente, diminuindo a distância entre ele e Julian. Oscar era ligeiramente mais alto, mas sua presença parecia ocupar todo o jardim.

— Julian — disse Oscar, com a voz tão baixa que era quase um rosnado. — Vou dizer isso apenas uma vez. Você não tem autoridade, inteligência ou classe para comentar sobre a criação da minha filha. A "bolha" em que ela vive é feita de amor e respeito, algo que claramente falta nesta casa.

— Eu só estava dizendo que... — Julian tentou gaguejar, a cor fugindo de seu rosto.

— Você não vai dizer mais nada — interrompeu Oscar, com um olhar que faria diretores de empresas multinacionais tremerem. — Se você abrir a boca para se dirigir à minha esposa ou à minha filha novamente, eu garantirei que os empréstimos que sua empresa mantém com o meu banco sejam revisados com um rigor que você não pode suportar. Fui claro?

Julian engoliu em seco, olhou para Lily, que o encarava com um desprezo frio, e saiu quase correndo de volta para a mansão.

Oscar respirou fundo, relaxando os ombros, e voltou-se para Anna. Ele se ajoelhou na frente dela, removendo gentilmente as mãos da menina de seus ouvidos.

— Passou, ratinha. O barulho chato foi embora.

Anna olhou para o pai, seus olhos claros brilhando com confiança.

— Papai é forte — disse ela, abraçando o pescoço dele.

— O papai sempre vai proteger você, Anna — sussurrou ele.

Lily se aproximou e os abraçou, formando um pequeno círculo de segurança no meio daquele ambiente hostil.

— Acho que já cumprimos nossa cota social por hoje, não acham? — perguntou Lily. — Mamãe e Lexi entenderão se formos embora agora.

— Eu já chamei o motorista — disse Oscar, levantando-se com Anna no colo. — Vamos para casa. Podemos pedir pizza e assistir àquele filme das estrelas que a Anna gosta.

Enquanto caminhavam de volta para a saída, atravessando o salão, a família Zneimer observou em silêncio. Eles viam um bilionário, uma mulher deslumbrante e uma criança especial, mas o que realmente os incomodava era a óbvia felicidade e união daquele trio. Eles tentaram diminuir Lily por anos, mas ela havia construído algo que nenhum deles jamais teria: uma lealdade inquebrável.

Ao entrarem no carro, o luxo dos estofados de couro e o silêncio do isolamento acústico pareceram um abraço. Anna logo se acomodou entre os pais, pegando a mão de cada um.

— Lily — disse Oscar, enquanto o carro se afastava da mansão. — Você sabe que não precisa provar nada para eles, certo?

— Eu sei — respondeu ela, encostando a cabeça no ombro dele. — Mas ver você defendendo a Anna daquele jeito... me lembrou por que eu me apaixonei por você. Você não é apenas o homem mais rico que eu conheço, Oscar. Você é o homem com o maior coração.

Oscar sorriu, beijando a mão da esposa.

— Eu sou apenas um homem protegendo seu maior tesouro.

Anna, já meio sonolenta pelo cansaço emocional do dia, murmurou algo baixinho.

— Amo o papai. Amo a mamãe.

— Nós também amamos você, princesa — disseram os dois em coro.

A viagem de volta para Mônaco foi tranquila. Enquanto as luzes da Riviera Francesa passavam pela janela, Lily sentiu uma paz profunda. Ela não era mais a menina insegura dos Zneimer. Ela era Lily Piastri, e ao lado de seu marido protetor e de sua doce Anna, ela tinha tudo o que o dinheiro não podia comprar e que a maldade alheia jamais conseguiria destruir.

Quando chegaram ao apartamento de cinco andares, Agatha os recebeu com chá e um sorriso caloroso.

— Como foi a festa, senhora? — perguntou a governanta, pegando o casaco de Anna.

— Foi um lembrete, Agatha — respondeu Lily, olhando para Oscar, que já estava ajudando Anna a tirar as sapatilhas. — Um lembrete de que nossa casa é o único lugar onde realmente precisamos estar.

Naquela noite, não houve relatórios, reuniões ou intrigas familiares. Houve apenas três pessoas em uma cama enorme, cercadas por livros de ilustrações e o som de risadas suaves, provando que, no mundo dos ricos e amorosos, o maior luxo era, sem dúvida, o amor.

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