Meu padrasto
Mar de Vidro e Chamas
A manhã em Mônaco surgiu com um brilho ofuscante, o tipo de luz que só o Mediterrâneo consegue refletir. No iate de luxo da família Al-Fayed, a música eletrônica suave misturava-se ao som das ondas e das risadas de jovens herdeiros. Lily Dimond estava sentada na popa, segurando uma taça de champanhe que mal tocara, tentando manter um sorriso educado enquanto Julian falava sobre sua última viagem de esqui em Courchevel.
— E então o instrutor disse que eu era o melhor amador que ele já tinha visto — Julian ria, passando a mão pelo cabelo perfeitamente penteado. — Você deveria vir conosco no próximo inverno, Lily. Minha mãe adoraria ter você por perto.
— Parece incrível, Julian — respondeu Lily, embora sua mente estivesse a quilômetros dali.
Especificamente, sua mente estava no corredor da cobertura de Lando naquela manhã. Antes de ela sair para o iate, ele a interceptara na cozinha. Hannah estava no telefone com um agente de modelos, e Lando aproveitou o segundo de distração para prensar Lily contra o balcão de mármore. O cheiro de café e do perfume cítrico dele ainda parecia impregnado em sua pele.
— Você vai mesmo se encontrar com aquele idiota? — Lando sussurrara no ouvido dela, sua mão descendo perigosamente pelas costas do vestido de verão de Lily. — Eu tenho planos muito melhores para nós hoje, pequena.
— Eu prometi para a minha mãe — Lily retrucou, a respiração já curta. — Ela quer que eu me socialize com pessoas da minha idade.
Lando soltou uma risada sombria, mordendo levemente o lóbulo da orelha dela.
— Pessoas da sua idade não sabem o que fazer com uma mulher como você. Divirta-se com os brinquedos, Lily. Mas não esqueça quem realmente manda em você.
O flash daquela memória fez Lily estremecer, e Julian percebeu.
— Está com frio? O sol está forte, mas a brisa do mar engana — disse ele, levantando-se. — Vamos dar um mergulho? O capitão parou o iate perto das grutas. A água está perfeita.
Lily olhou para o mar azul-turquesa. Ela precisava de um choque térmico para tirar Lando da cabeça.
— Vamos — disse ela, deixando a taça de lado.
Ela tirou a saída de praia, revelando um biquíni minúsculo que realçava cada curva de seu corpo violão. Julian ficou momentaneamente sem palavras, o que deu a Lily uma pontada de satisfação superficial. Ela mergulhou, sentindo a água gelada abraçar seu corpo. Por alguns minutos, foi revigorante. Ela nadou para longe do casco, querendo sentir o silêncio do oceano.
No entanto, a natureza é traiçoeira. Uma corrente inesperada, somada a uma cãibra súbita e violenta que travou sua perna direita, fez o pânico se instalar. Lily tentou subir, mas o ar parecia ter sumido de seus pulmões. Ela engoliu água salgada, tossindo e afundando.
— Julian! — ela tentou gritar, mas sua voz foi abafada por uma onda que a cobriu.
Ela lutou, os braços batendo freneticamente, mas o corpo não respondia. O azul claro do céu começou a escurecer enquanto ela afundava. A última coisa que passou por sua mente não foi sua mãe, nem a vida de luxo, mas os olhos claros de Lando Norris.
A próxima coisa que Lily sentiu foi uma pressão bruta em seu peito e o som de gritos distantes. Ela tossiu violentamente, expelindo água e ar, os pulmões ardendo como se estivessem em chamas. Quando conseguiu abrir os olhos, não viu Julian.
Viu Lando.
Ele estava encharcado, o cabelo castanho grudado na testa, a expressão de puro terror transformando-se em uma fúria protetora que ela nunca tinha visto. Ele a segurava nos braços, no convés do iate, ignorando Julian e os outros convidados que assistiam à cena em choque.
— Respire, Lily! Olhe para mim! — Lando ordenou, a voz rouca e trêmula.
— Lando... — ela sussurrou, a voz falhando.
— Eu estou aqui. Eu peguei você.
Lando a levantou como se ela não pesasse nada, caminhando em direção à lancha de apoio que ele mesmo tinha pilotado até ali em tempo recorde.
— Ei, o que você está fazendo? — Julian tentou intervir, tocando no ombro de Lando. — Ela estava comigo, eu...
Lando virou-se com uma velocidade predatória. Se os olhares pudessem matar, Julian estaria enterrado no fundo do Mediterrâneo.
— Se você chegar a um centímetro dela novamente, eu juro por Deus que você nunca mais vai dirigir nem um carrinho de golfe, quanto mais um Porsche — rosnou Lando. — Você quase a deixou morrer porque estava ocupado demais olhando para o próprio reflexo. Saia da minha frente.
O silêncio que se seguiu foi absoluto enquanto Lando descia com Lily para a lancha. Ele a envolveu em uma toalha grossa, mantendo-a pressionada contra seu peito aquecido enquanto acelerava em direção ao porto.
Assim que chegaram à cobertura, Hannah ainda não havia voltado. Lando carregou Lily escada acima, direto para o quarto dela, mas mudou de ideia no meio do caminho e a levou para a sua própria suíte luxuosa. Ele a colocou na cama imensa e começou a tirar as roupas molhadas dela com uma urgência que misturava cuidado e possessividade.
— Eu estou bem, Lando... — Lily tentou dizer, embora ainda estivesse tremendo.
— Você não está bem! — Ele explodiu, jogando a toalha de lado e ajoelhando-se na frente dela. — Você quase morreu. Por causa daquele... daquele moleque imbecil! Eu vi pelo binóculo do terraço, Lily. Eu sabia que algo ia dar errado. Eu senti.
Ele pegou o rosto dela entre as mãos, os polegares acariciando suas bochechas pálidas.
— Nunca mais — disse ele, a voz baixa e perigosa. — Você nunca mais vai sair com ele. Você nunca mais vai sair com ninguém que não seja eu. Você entendeu?
Lily olhou nos olhos dele e viu a possessividade nua e crua. Não era apenas o herói salvando a enteada. Era um homem reivindicando o que considerava dele.
— Você está sendo possessivo — ela sussurrou, embora seu coração estivesse disparado por um motivo que não era mais o afogamento.
— Eu sou o campeão mundial, Lily. Eu não perco o que é meu. E você é minha. Desde o primeiro dia em que entrou naquela sala com aquele vestido que me deixou sem sono por uma semana.
Lando não esperou por uma resposta. Ele a beijou com uma intensidade que fez o mundo de Lily girar novamente. Não era um beijo de conforto; era um beijo de domínio. Sua língua explorava a boca dela com uma fome desesperada, como se ele estivesse tentando sugar o resto da água salgada e substituí-la por ele mesmo.
Lily gemeu contra os lábios dele, suas mãos subindo para o pescoço de Lando, puxando-o para mais perto. O calor do corpo dele era o único antídoto para o frio que ela sentira no mar. Lando deslizou as mãos pelas curvas dela, apertando sua cintura com força, deixando marcas que ela sabia que durariam dias.
— Lando... a minha mãe... — ela tentou protestar entre beijos, mas sua voz era fraca.
— Hannah está em Nice para um desfile. Ela não volta até amanhã — Lando murmurou contra o pescoço dela, descendo os beijos para a curva do seu ombro, onde sua pele ainda tinha o gosto do sal. — Somos só nós dois. E eu vou mostrar para você exatamente o que acontece quando você tenta me substituir por um menino.
Ele a deitou nos travesseiros de seda, pairando sobre ela. A luz do entardecer entrava pelas janelas, banhando o quarto em tons de dourado e laranja. Lando tirou a própria camisa molhada, revelando o físico atlético e definido, as cicatrizes leves de quem vive a vida no limite.
— Você me assustou, Lily — ele confessou, a voz subitamente vulnerável, enquanto seus dedos traçavam a linha do biquíni dela. — Ver você sumir naquelas ondas... foi o pior momento da minha vida. Nem a batida mais feia na pista se compara a isso.
— Você veio me buscar — Lily disse, os olhos brilhando.
— Eu sempre vou buscar você. Mas agora, você vai ter que pagar pelo susto que me deu.
Lando baixou a cabeça, capturando o mamilo dela através do tecido fino do biquíni, fazendo Lily arquear as costas e soltar um grito abafado de prazer. Suas mãos grandes e firmes exploravam cada centímetro dela, subindo pelas coxas, apertando o quadril, reivindicando território.
— Você é tão linda, Lily — ele sussurrou, subindo novamente para encostar sua testa na dela. — Tão perigosa para mim quanto uma curva a trezentos por hora.
— Então não pise no freio, Lando — desafiou ela, puxando-o para outro beijo profundo.
Naquela noite, o luxo de Mônaco ficou do lado de fora das janelas de vidro duplo. Dentro da suíte, não havia títulos mundiais, casamentos de fachada ou regras morais. Havia apenas a respiração ofegante de dois corpos que haviam decidido que o risco de colisão valia a pena.
Lando era um piloto experiente; ele sabia exatamente onde tocar para fazer Lily perder o controle. Seus toques eram precisos, mas carregados de uma paixão bruta que ele vinha reprimindo há meses. Ele a explorou com calma, saboreando cada reação, cada gemido que escapava dos lábios dela.
— Diga meu nome — ele exigiu, enquanto sua mão deslizava para o centro da intimidade dela, encontrando-a pronta e desejosa.
— Lando... por favor... — ela implorou, os dedos cravados nos ombros dele.
— De quem você é, Lily?
— Sua... eu sou sua.
Ele sorriu, o sorriso de quem acabara de cruzar a linha de chegada em primeiro lugar.
As horas seguintes foram um borrão de sensações intensas. Lando não foi gentil, mas foi devoto. Ele a amou com a mesma determinação com que vencia corridas, garantindo que cada nervo do corpo de Lily soubesse a quem ela pertencia.
Quando a exaustão finalmente os venceu, Lily estava aninhada no peito dele, o som do coração de Lando sendo a única música que ela queria ouvir.
— O que vamos fazer agora? — perguntou ela, a voz sonolenta.
Lando beijou o topo da cabeça dela, envolvendo-a em um abraço protetor.
— Agora? Agora eu vou manter você trancada neste apartamento onde eu possa te ver. E se aquele Julian ligar de novo, eu pessoalmente vou jogar o celular dele no porto.
Lily riu baixinho, sentindo-se segura pela primeira vez desde que chegara a Mônaco.
— Você é um padrasto terrível, sabia?
Lando inclinou-se, dando-lhe um último beijo casto, mas com um brilho de malícia nos olhos.
— Eu nunca quis ser seu padrasto, Lily. Eu sempre quis ser o seu erro favorito. E pelo que vi hoje, eu sou muito bom nisso.
Lá fora, as luzes de Mônaco brilhavam, mas para Lily, o único brilho que importava era o fogo que Lando Norris havia acendido em sua alma — um fogo que nem todo o oceano Mediterrâneo seria capaz de apagar.