Meus amigos viraram vampiro (BTS)
O Eclipse de Neon e a Fome do Amanhã
O silêncio que se seguiu à partida do mensageiro não era de paz, mas de vigília. O apartamento, agora com as janelas protegidas por tábuas e o vento assobiando pelas frestas, parecia uma fortaleza sitiada no coração de uma Seul que continuava a pulsar lá fora, alheia ao horror que se desenrolava entre aquelas paredes.
Eu estava sentada no meio do tapete, observando os sete. A transformação deles parecia ter atingido um novo patamar após o confronto. Havia uma fluidez em seus movimentos, uma graça predatória que tornava difícil lembrar dos jovens que, semanas atrás, reclamavam de ensaios exaustivos e sonhavam com o próximo show.
— O sol vai nascer em duas horas — disse Namjoon, consultando um relógio de pulso que parecia minúsculo em seu braço agora mais musculoso. — Precisamos nos organizar. Não podemos ficar aqui para sempre. Se eles sabem onde moramos, este lugar virou uma armadilha.
— Para onde iríamos? — perguntou Hoseok, andando de um lado para o outro com uma energia nervosa que fazia as lâmpadas do teto piscarem. — Somos o grupo mais famoso do planeta. Se desaparecermos, o mundo entra em colapso. Se aparecermos, somos caçados ou por esses monstros ou pelo governo.
— O governo é o menor dos nossos problemas agora — Yoongi interveio, sentado em cima do balcão da cozinha, observando uma das bolsas de sangue vazias. — Aquele "Mestre" não vai parar. Ele não quer apenas soldados; ele quer troféus. E ele quer a S/N para provar que pode nos quebrar.
Senti um calafrio, mas não era de medo por mim mesma. Era a percepção de que eu era a única vulnerabilidade deles.
— Eu não sou um troféu — eu disse, minha voz soando mais firme do que eu me sentia. — E não sou um fardo. Vocês viram o que aconteceu lá embaixo no porão. O meu sangue não é apenas comida, é o que mantém vocês conectados ao que eram. Se o Mestre quer me usar para quebrar vocês, vamos usar essa conexão para destruí-lo primeiro.
Jungkook se aproximou de mim, ajoelhando-se para ficar na altura dos meus olhos. Seus olhos ainda mantinham um brilho avermelhado nas bordas das pupilas, um vestígio da luta.
— S/N, você não entende a gravidade disso — disse ele, segurando minhas mãos com uma delicadeza que contrastava com a força que eu sabia que ele possuía. — Quando aquele homem falou em "banquete", eu senti um ódio que quase me fez perder a razão. Se algo acontecer com você porque estamos tentando ser heróis, eu nunca vou me perdoar.
— Então não tente ser um herói sozinho, Jungkook — respondi, apertando seus dedos. — Somos oito. Sempre fomos.
— Ela tem razão — disse Jimin, aproximando-se e sentando-se ao meu lado. — O vínculo que criamos... eu consigo sentir a determinação dela. É como um calor que abafa o frio da nossa nova natureza. Se formos lutar contra essa "Nova Corte", temos que fazer do nosso jeito.
— E qual é o nosso jeito? — perguntou Taehyung, que estava parado diante da janela tapada, tentando enxergar através das frestas.
— O jeito que sempre fizemos — Jin respondeu, cruzando os braços. — Com estratégia, trabalho em equipe e uma pitada de loucura. Namjoon, qual é o plano?
Namjoon suspirou, a mente brilhante de líder trabalhando em alta velocidade.
— Primeiro, precisamos de um lugar seguro. Yoongi, entre em contato com aquele seu produtor novamente. Se ele é quem diz ser, ele deve ter um refúgio, um lugar longe dos olhos do público e dessa seita de vampiros. Segundo, precisamos estocar suprimentos. Não podemos depender apenas da S/N, isso a mataria em poucos dias.
— Eu posso conseguir mais bolsas — disse Yoongi. — Mas o preço está subindo. O mercado negro de sangue está agitado. Parece que não somos os únicos "recém-nascidos" na cidade.
— Isso significa que o Mestre está criando um exército — concluiu Hoseok, o rosto empalidecendo ainda mais.
— Exatamente — confirmou Namjoon. — E, por último, precisamos treinar a S/N.
Eu pisquei, surpresa.
— Me treinar? Mas eu sou humana. Eu não tenho supervelocidade ou força.
— Não, mas você tem a nós — disse Taehyung, virando-se com um sorriso enigmático. — E descobrimos algo no porão, lembra? Quando você está em perigo, nós reagimos instantaneamente. Se aprendermos a canalizar essa reação, você não será apenas a nossa protegida. Você será a nossa bússola em combate.
— Além disso — acrescentou Jimin, com um olhar travesso —, você precisa aprender a se defender de humanos. Vampiros não são a única ameaça. Se a notícia vazar, caçadores de recompensas virão de todos os cantos.
Passei o restante da madrugada em um estado de exaustão e adrenalina. Enquanto os meninos preparavam mochilas com o essencial, eu tentava processar a magnitude da mudança. Minha vida de assistente e amiga do grupo havia se transformado em uma crônica de sobrevivência sobrenatural.
Por volta das cinco da manhã, Yoongi recebeu um sinal.
— O lugar está pronto — anunciou ele. — É uma antiga propriedade rural na província de Gyeonggi. Pertenceu a uma família de linhagem antiga que se extinguiu. É protegida, isolada e, o mais importante, tem um porão reforçado que nem a luz do sol nem intrusos podem penetrar facilmente.
— Vamos nos mover agora — ordenou Namjoon. — Antes que a cidade acorde por completo.
Saímos pelos fundos, usando as sombras dos becos que eles agora conheciam tão bem. Ver o BTS se movendo na escuridão era como assistir a um balé de sombras. Eles não faziam barulho. Onde antes havia o som de risos e conversas altas, agora havia apenas o sussurro do vento e o ocasional clique de uma arma que Yoongi insistiu em levar, "por precaução".
A viagem até a propriedade foi tensa. Eu dirigi o furgão de vidros fumê, enquanto eles se acomodavam na parte de trás, protegidos da claridade incipiente do amanhecer. Pelo retrovisor, eu via Jungkook e Taehyung dividindo uma bolsa de sangue, a expressão de ambos era de pura concentração, como se estivessem recarregando baterias para uma guerra iminente.
Chegamos à propriedade quando os primeiros raios de sol começaram a beijar o horizonte. Era uma casa tradicional coreana, um Hanok, mas com modificações modernas e muros altos. O ar ali era mais limpo, mas a sensação de isolamento era opressiva.
Assim que entramos e trancamos os portões, os meninos pareceram relaxar minimamente. O sol, embora ainda fraco, era um inimigo natural que os deixava desconfortáveis.
— Entrem logo — eu disse, segurando a porta para eles.
— Você vem com a gente — disse Jin, puxando-me suavemente para dentro. — Nada de ficar andando pelo jardim sozinha, mesmo de dia.
O interior da casa era luxuoso, mas frio. Descemos para o nível inferior, que havia sido transformado em uma espécie de bunker sofisticado. Havia telas de monitoramento, camas confortáveis e uma cozinha equipada.
— Este será o nosso quartel-general — declarou Namjoon. — Yoongi e eu vamos monitorar as redes sociais e os contatos no submundo. Jin e Hoseok, vocês cuidam da segurança do perímetro interno. Jimin, Taehyung e Jungkook... vocês ficam com a S/N.
— Por que três para mim? — perguntei, sentando-me em uma das poltronas de couro.
— Porque você está pálida, S/N — disse Jimin, ajoelhando-se ao meu lado e tocando minha testa. — Você deu muito de si ontem à noite. Precisa descansar.
— Eu estou bem, só um pouco cansada.
— Não está — Jungkook interveio, sua voz carregada de uma preocupação possessiva. — Eu consigo ouvir seu coração. Ele está mais lento. Você precisa de ferro, comida de verdade e sono.
Eu ia protestar, mas a exaustão finalmente me venceu. Meus olhos pesaram e, antes que eu percebesse, Taehyung estava me pegando no colo com uma facilidade desconcertante.
— Durma, pequena guerreira — sussurrou ele no meu ouvido. — Nós estaremos aqui quando você acordar.
Dormi por o que pareceram horas, mas foram provavelmente apenas algumas. Meus sonhos foram povoados por morcegos de olhos vermelhos e o som de presas rasgando o silêncio. Quando acordei, o quarto estava na penumbra.
— Acordou finalmente — disse uma voz suave vinda do canto.
Era Jimin. Ele estava sentado em uma cadeira, lendo um livro sob uma luz fraca.
— Quanto tempo eu dormi? — perguntei, sentando-me na cama.
— Oito horas. Os meninos estão lá fora, no salão principal. Estamos tentando rastrear o sinal daquele mensageiro.
— E vocês? Estão com fome? — Minha primeira preocupação era sempre essa agora.
Jimin fechou o livro e se aproximou da cama. Ele parecia mais calmo, mas havia uma intensidade em seu olhar que sempre me deixava sem fôlego.
— As bolsas ajudam, S/N. Mas elas são como comer papelão. A sede... ela nunca desaparece de verdade. Ela apenas se torna um ruído de fundo.
— Jimin... — eu comecei, estendendo a mão para ele.
Ele pegou minha mão e a levou aos lábios, mas não para morder. Ele apenas beijou os nós dos meus dedos.
— Não hoje. Você precisa se recuperar. Não somos monstros, apesar do que aquele homem disse. Não vamos tirar de você até que não reste nada.
— Eu sei que não vão.
Saímos para o salão principal, onde o clima era de guerra. Namjoon estava cercado por mapas digitais de Seul.
— Encontramos algo — disse ele, sem desviar os olhos da tela. — Há um aumento incomum de desaparecimentos na zona industrial de Incheon. Todos jovens, todos sem histórico de problemas.
— O Mestre está se alimentando — disse Yoongi, surgindo das sombras com um tablet. — Ou transformando. Ele está criando uma colônia.
— E se ele está em Incheon, ele está perto do porto — observou Hoseok. — É o lugar perfeito para contrabandear... bom, qualquer coisa. Inclusive sangue ou pessoas.
— Precisamos atacar antes que ele se torne forte demais — disse Jungkook, socando a palma da mão.
— Não — Namjoon interrompeu. — É isso que ele quer. Ele quer que vamos até ele, em seu território. Temos que atraí-lo para fora. Temos que fazer com que ele queira algo tanto que cometa um erro.
Todos os olhos se voltaram para mim.
— Eu sou a isca — eu disse, a conclusão óbvia pairando no ar.
— Nunca — rosnou Jungkook.
— É a única forma, Kook — eu disse, levantando-me e caminhando até o centro do grupo. — Ele me quer. Ele acha que eu sou o ponto fraco. Se usarmos isso, podemos pegá-lo desprevenido.
— É perigoso demais — disse Jin, balançando a cabeça. — Um segundo de atraso da nossa parte e você morre.
— Então não atrasem — respondi, olhando para cada um deles. — Vocês são os seres mais rápidos e fortes que eu conheço. Se eu não puder confiar na minha família, em quem vou confiar?
Houve um longo silêncio. Namjoon olhou para os outros, buscando consenso. A dor da escolha estava estampada em seu rosto, mas a lógica da guerra era implacável.
— Se fizermos isso — começou Namjoon —, faremos com regras estritas. Você nunca estará a mais de cinco metros de pelo menos dois de nós. Usaremos transmissores e você terá um sinal de pânico.
— Aceito — eu disse.
— E — acrescentou Yoongi — você vai precisar de algo para se proteger se um deles chegar perto demais antes de chegarmos.
Ele foi até uma caixa e tirou uma adaga pequena, com a lâmina brilhando em um tom prateado fosco.
— Prata com essência de verbena — explicou ele. — Não mata um vampiro original, mas causa uma dor infernal e queima a pele. Use apenas se não houver outra escolha.
Peguei a adaga, sentindo o peso da responsabilidade.
Nas noites seguintes, o treinamento se intensificou. Eles me ensinaram a identificar os sinais de um vampiro se aproximando: a queda súbita na temperatura, o cheiro de ozônio e terra, o silêncio antinatural dos animais ao redor.
Eu também aprendi a "chamar" por eles através do vínculo. Descobrimos que, se eu focasse intensamente em um deles enquanto estava sob estresse, esse membro do grupo sentia uma espécie de puxão magnético.
— É como se você estivesse gritando no meu cérebro — explicou Taehyung após um dos testes. — É impossível ignorar.
Enquanto nos preparávamos, a fome deles parecia oscilar. Havia momentos em que a camaradagem voltava, e ríamos de alguma bobagem que o Jin dizia, apenas para sermos lembrados da realidade quando ele se recusava a provar a comida que eu preparava.
Uma noite, enquanto eu estava no terraço observando as estrelas, Namjoon se aproximou. Ele não fez barulho, mas eu senti sua presença.
— Você está arrependida? — perguntou ele, olhando para o horizonte.
— De ter salvado vocês? Nunca.
— De ter se tornado parte disso. Você poderia ter fugido. Poderia ter nos deixado naquele apartamento e tentado uma vida normal.
Virei-me para ele. A luz da lua refletia em seus olhos, tornando-os prateados.
— Namjoon, minha vida normal acabou no momento em que conheci vocês, anos atrás. Ser amiga do BTS nunca foi normal. Isso é apenas um novo capítulo. Um capítulo mais escuro, talvez, mas ainda é a nossa história.
Ele sorriu, um sorriso triste que mostrava suas presas.
— Você é mais forte do que todos nós juntos, S/N. Nós temos o poder, mas você tem a vontade.
— Vamos vencer, Nam. E depois, vamos descobrir como viver com isso.
— Eu espero que sim — ele sussurrou. — Porque eu não consigo imaginar a eternidade sem você.
O momento foi interrompido pelo bipe do computador de Yoongi lá embaixo.
— Eles se moveram! — gritou Yoongi. — O Mestre enviou um sinal. Ele está nos convidando para um encontro.
Descemos correndo. Na tela, havia uma mensagem simples enviada para o e-mail oficial da empresa, que Yoongi estava monitorando.
"O banquete está servido no antigo teatro de Incheon. Tragam a convidada de honra, ou a cidade começará a sangrar ao amanhecer."
— Ele está nos forçando a mão — disse Jin, a voz tensa.
— Então vamos dar a ele o que ele quer — disse Namjoon, seus olhos brilhando com uma determinação feroz. — Vamos dar a ele o BTS.
A preparação final foi silenciosa e mortal. Eles se vestiram com roupas táticas pretas, escondendo armas e bolsas de sangue extras. Eu coloquei a adaga no cinto, escondida pelo meu casaco.
Antes de sairmos, todos se reuniram em um círculo.
— Ninguém fica para trás — disse Namjoon. — Protegemos a S/N com nossas vidas. E destruímos qualquer coisa que se coloque entre nós e a nossa liberdade.
— Pelo sangue e pela alma — disse Jungkook, uma frase que havíamos adotado nos últimos dias.
— Pelo sangue e pela alma — repetimos em coro.
Saímos para a noite, rumo a Incheon. O ar estava carregado, como se a própria natureza soubesse que um confronto épico estava prestes a acontecer. O teatro antigo era uma ruína de arquitetura neoclássica, cercada por armazéns abandonados.
Estacionamos a uma distância segura e avançamos a pé. Eu ia na frente, conforme o plano, com os sete espalhados pelas sombras ao meu redor, invisíveis aos olhos humanos, mas presentes em cada batida do meu coração.
Ao entrar no teatro, o cheiro de sangue era avassalador. O palco estava iluminado por velas negras, e no centro, sentado em uma poltrona que parecia um trono, estava o Mestre. Ele era mais velho do que o mensageiro, com uma aura de poder que fazia meus joelhos fraquejarem.
— Finalmente — disse ele, sua voz ecoando pelas paredes descascadas. — A pequena humana e seus cães de guarda.
Eu parei no meio do corredor central.
— Eu estou aqui — eu disse, minha voz firme. — Deixe a cidade em paz. Seu problema é com a gente.
O Mestre riu, um som que parecia ossos se quebrando.
— Meu problema? Minha querida, vocês são a minha maior criação. O ápice da evolução vampírica misturado com a adoração das massas. Vocês serão os deuses deste novo mundo. Mas primeiro...
Ele se levantou, movendo-se com uma velocidade que nem meus olhos treinados puderam acompanhar. Em um segundo, ele estava a poucos metros de mim.
— Primeiro, precisamos remover a distração.
Ele saltou em minha direção, as garras estendidas.
— AGORA! — gritei, focando toda a minha mente em Namjoon e Jungkook.
O impacto não veio. Namjoon interceptou o Mestre no ar, colidindo com ele com uma força que criou uma onda de choque, quebrando as cadeiras de madeira ao redor. Jungkook apareceu ao meu lado, envolvendo-me com um braço enquanto usava o outro para repelir um dos lacaios que surgiu das sombras.
O teatro explodiu em caos. Taehyung e Jimin eram vultos de destruição, movendo-se entre os seguidores do Mestre com uma precisão letal. Hoseok e Jin formavam uma barreira intransponível à minha frente, enquanto Yoongi usava sua percepção aguçada para neutralizar ameaças antes mesmo que elas se aproximassem.
Mas o Mestre era forte. Ele jogou Namjoon longe e se virou para mim, os olhos amarelos brilhando com um ódio insano.
— Você! — ele gritou. — Você é o veneno deles!
Ele se moveu mais rápido do que qualquer um de nós esperava. Jungkook tentou entrar na frente, mas foi atingido por um golpe que o lançou contra o palco. O Mestre estava em cima de mim, sua mão gelada apertando meu pescoço, levantando-me do chão.
— Morra, pequena praga.
Eu mal conseguia respirar, mas minha mão foi instintivamente para o cinto. Puxei a adaga de prata e verbena e, com o último resto de força, cravei-a no ombro dele.
O grito que ele soltou não era humano. A pele dele começou a borbulhar e soltar fumaça onde a prata tocava. Ele me soltou, cambaleando para trás, tentando arrancar a lâmina.
Foi o segundo de que os meninos precisavam.
Os sete se reuniram ao redor dele em um círculo perfeito. Não havia mais hesitação, não havia mais medo. Havia apenas a alcateia protegendo o seu coração.
— Você cometeu um erro — disse Namjoon, sua voz soando como o julgamento final. — Você achou que éramos monstros como você.
— Mas nós somos algo muito pior para os seus planos — continuou Yoongi, os olhos vermelhos brilhando intensamente.
— Nós somos uma família — finalizou Jungkook, levantando-se dos destroços, o rosto sujo de poeira mas os olhos focados no inimigo.
O que se seguiu foi uma demonstração de poder que desafiava a realidade. Eles atacaram em sincronia, um borrão de força e velocidade que o Mestre, enfraquecido pela prata, não pôde repelir. Em um esforço final, Namjoon e Jungkook seguraram os braços do monstro enquanto os outros desferiam golpes que faziam o teatro tremer.
Com um rugido final, Namjoon quebrou o pescoço do Mestre, enquanto Yoongi cravava uma estaca de madeira antiga, trazida do refúgio, diretamente em seu coração.
O corpo do Mestre se desintegrou em cinzas negras, que foram levadas pelo vento frio que entrava pelas janelas quebradas. Seus seguidores, vendo o líder destruído, fugiram para a noite, dispersando-se como ratos.
O silêncio voltou, mas desta vez era um silêncio de vitória.
Caí de joelhos, tentando recuperar o fôlego. Imediatamente, sete pares de mãos estavam sobre mim, verificando se eu estava bem, limpando meu rosto, abraçando-me.
— Acabou — sussurrou Jimin, encostando a testa na minha. — Acabou, S/N.
— Por enquanto — eu disse, olhando para as cinzas no chão.
— Por enquanto é o suficiente — disse Namjoon, ajudando-me a levantar. — Vamos para casa. Para o nosso novo lar.
Saímos do teatro enquanto os primeiros sinais do verdadeiro amanhecer começavam a pintar o céu de Incheon. O sol estava nascendo, e embora eles tivessem que se esconder dele, não havia mais o medo de serem caçados por um mestre cruel.
Entramos no furgão. Eu estava exausta, mas sentia uma força nova. Olhei para os sete homens ao meu redor. Eles eram vampiros, sim. Eram predadores da noite, seres de sede e sombras. Mas, acima de tudo, eles eram meus. E eu era deles.
— S/N? — chamou Jungkook, encostando a cabeça no meu ombro enquanto eu dirigia para longe das ruínas.
— Sim, Kook?
— Eu estou com fome.
Eu ri, uma risada leve que quebrou a tensão da noite.
— Eu sei, Kook. Eu também. Vamos parar em um hospital no caminho e "pedir emprestado" algumas bolsas de sangue. E depois, eu vou fazer o maior café da manhã que vocês já viram, mesmo que vocês só possam cheirar o bacon.
Eles riram, e naquele momento, sob o céu que clareava, fomos apenas o BTS novamente. Uma família unida pelo destino, marcada pelo sangue, mas guiada por um amor que nem a eternidade poderia apagar.
A noite havia passado, mas a nossa história estava apenas começando. E, com o sol nascendo, eu sabia que, enquanto estivéssemos juntos, não haveria sombra grande o suficiente para nos devorar.