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O Som da Explosão e o Brilho do Pop
O paddock de Baku sempre foi conhecido pelo caos. Entre as ruas estreitas da capital do Azerbaijão e a reta de dois quilômetros que fazia os motores gritarem em agonia, a tensão era a moeda local. Mas, naquela quinta-feira de mídia, o caos não vinha da telemetria ou da asa traseira móvel. Vinha de um vídeo vazado que estava derretendo os servidores das redes sociais.
George Russell estava sentado no motorhome da Mercedes, escondendo o rosto atrás de um iPad, enquanto Lewis Hamilton gargalhava ao seu lado.
— George, você precisa admitir — disse Lewis, limpando uma lágrima imaginária do canto do olho —, a edição ficou impecável. O tempo do refrão com a sua ultrapassagem em cima do Fernando foi cinema puro.
— Não é a edição que me preocupa, Lewis — resmungou George, a voz abafada. — É a trilha sonora. Por que Marina and The Diamonds? Por que "Bubblegum Bitch"?
— Porque você é a personificação da estética "clean girl" da Fórmula 1, George — brincou Lewis, pegando o celular para ver o vídeo pela décima vez. — E o Max... bem, o Max é a força bruta que ninguém esperava ver editada com pop chiclete.
O vídeo em questão era um "edit" de fã que havia viralizado em menos de uma hora. Nele, cenas de George e Max em momentos de extrema competitividade — olhares cerrados, toques de pneus e entrevistas ácidas — eram cortadas ritmicamente ao som de batidas pop vibrantes. Mas o que realmente quebrou a internet foi a segunda metade do vídeo: os "bastidores" que os fãs coletaram com olhos de águia. O reflexo do roupão, as mãos dadas no pódio de Suzuka e o olhar que Max lançava a George quando achava que ninguém estava filmando.
— Você já viu a reação do pessoal da Red Bull? — perguntou George, finalmente baixando o iPad com uma expressão de pavor.
— Eu vi o Christian Horner tentando manter a cara séria durante a coletiva de imprensa — respondeu Lewis. — Ele disse que, desde que o Max continue vencendo, ele pode ouvir até a trilha sonora de "Frozen" no rádio da equipe.
Enquanto isso, no lado oposto do paddock, o clima na Red Bull era de uma diversão perigosa. Max Verstappen estava sentado em sua sala privada, observando o vídeo no celular de Lando Norris.
— "I’m miss sugar pink, liquorice, liquorice" — cantarolou Lando, apontando para a tela no momento em que George aparecia ajeitando o cabelo. — Combina com ele, não acha, Max? Ele tem toda essa energia de "garota popular do colegial" que secretamente quer explodir tudo.
Max deu de ombros, mas havia um sorriso de canto no rosto.
— Ele é mais perigoso do que parece — disse Max, pegando o celular de Lando. — E essa música é irritantemente viciante.
— Ah, então você admite! — exclamou Lando. — O grande Max Verstappen, o destruidor de recordes, foi pego pelo feitiço da Marina!
— Eu não fui pego por nada, Lando. Mas o vídeo é engraçado. Especialmente a parte em que usaram a letra "I’ll chew you up and I’ll spit you out" quando eu fechei a porta para ele em Spa.
— É exatamente por isso que viralizou — explicou Lando, recuperando seu celular. — O contraste entre o George sendo todo polido e você sendo... bem, você, com essa música de fundo, criou um arquétipo. A internet agora chama vocês de "The Golden Boy and The Rebel Heart".
Max revirou os olhos, mas não pôde evitar o pensamento de que George odiaria cada segundo daquela atenção específica. E, para Max, irritar George era quase tão divertido quanto ganhar uma corrida.
A caminhada de mídia em Baku foi um campo minado. Cada repórter carregava um microfone e uma pergunta sobre a "trilha sonora do relacionamento".
— George! — gritou um jornalista da TV espanhola. — Se você tivesse que escolher uma música da Marina para descrever o estilo de pilotagem do Max, qual seria?
George parou, suspirou profundamente e olhou para as câmeras com a paciência de um santo.
— Eu acho que estamos gastando muito tempo discutindo música pop e pouco tempo discutindo o fato de que a curva 8 é um perigo para o assoalho do carro — respondeu ele, embora o canto de sua boca tenha tremido. — Mas, se você insiste... talvez "How to be a Heartbreaker"? Ele certamente quebrou o coração de muitos engenheiros de estratégia este ano.
A resposta foi postada instantaneamente. Dez minutos depois, Max estava sendo entrevistado pela mesma emissora.
— Max, George disse que você é um "Heartbreaker". O que você tem a dizer sobre isso?
Max inclinou-se para o microfone, os olhos brilhando com malícia.
— Ele só diz isso porque eu não deixo ele me ultrapassar. Mas se ele quer falar de Marina... eu acho que ele é mais para "Primadonna". Ele precisa que tudo esteja perfeito: o carro, o cabelo, a temperatura do chá. Se o rádio dele falha por um segundo, parece o fim do mundo.
O paddock entrou em êxtase. Era a guerra de narrativas mais inusitada da história do esporte. O que começou como um vídeo de fã tornou-se o tema central do fim de semana.
Na noite de sexta-feira, após os treinos livres, George e Max se encontraram no elevador do hotel. O silêncio durou apenas três andares.
— "Primadonna", Max? Sério? — perguntou George, olhando para o próprio reflexo no espelho do elevador.
— Você sabe que é verdade, George. Você tem uma lista de exigências para o seu café da manhã que é maior do que o manual técnico da FIA.
— É chamado de "padrões elevados" — rebateu George, virando-se para ele. — E, para sua informação, eu não sou uma "Primadonna". Eu sou apenas... meticuloso.
— Meticuloso — repetiu Max, aproximando-se e encurralando George contra a parede de metal. — É por isso que você estava ouvindo Marina and The Diamonds no fone de ouvido antes de entrar no cockpit hoje? Eu vi você cantarolando.
George sentiu o rosto esquentar instantaneamente.
— Eu não estava... a música fica na cabeça, Max! É um vírus auditivo!
— Admitir que você gosta é o primeiro passo para a cura, George.
Max riu, um som baixo e rouco que fez George esquecer por um momento que eles estavam em um hotel cercado por jornalistas. O elevador parou no andar de George, mas Max não se afastou.
— Sabe qual é a minha parte favorita daquela música? — sussurrou Max.
— Qual? — George perguntou, quase sem fôlego.
— A parte que diz que você vai me amar se eu te tratar como um rei. Mas na pista, George... na pista, eu sou o rei.
Max piscou, deu um passo para trás e deixou George sair do elevador, paralisado.
O sábado de classificação em Baku foi uma carnificina. Bandeiras vermelhas, batidas no muro do castelo e uma disputa frenética pelo vácuo. No final, George conseguiu a pole por uma margem de apenas dois centésimos de segundo sobre Max.
— "I’m the girl you’d die for" — postou Lando Norris nos Stories, marcando George e Max logo após o fim da sessão.
A resposta de George foi imediata. Ele postou uma foto de sua Mercedes na garagem com a legenda: "Primadonna girl, yeah."
A internet quebrou. Literalmente. O engajamento foi tão alto que a conta oficial da Fórmula 1 teve que fazer um post especial usando as cores da estética da Marina and The Diamonds para anunciar o grid de largada.
No domingo, a atmosfera no grid era elétrica. Quando os pilotos se alinharam para o hino nacional, o DJ do circuito, em um momento de pura audácia ou talvez subornado por algum piloto (todos suspeitavam de Daniel Ricciardo), tocou um remix instrumental de "Bubblegum Bitch" durante a preparação dos carros.
George, dentro do cockpit, fechou os olhos e respirou fundo. Ele podia ouvir a batida através do capacete. Ele olhou para o lado, onde o carro azul número 1 de Max estava posicionado. Max levantou o polegar para ele.
A corrida foi um caos absoluto. Ultrapassagens na reta principal, defesas suicidas nas curvas apertadas e uma batalha estratégica de paradas nos boxes. George liderou a primeira metade, mas Max, com um ritmo de corrida avassalador, colou na sua traseira nas voltas finais.
— George, você tem o Max a 0.6 segundos. Ele tem o DRS. Defenda a linha interna — disse a voz de Bono no rádio.
— Eu sei o que estou fazendo — respondeu George, os dentes cerrados.
Na última volta, na reta de dois quilômetros, Max abriu a asa traseira. O som do motor Honda era como um trovão. Ele emparelhou com George. Foi uma disputa de nervos. Quem frearia por último na curva 1?
George manteve o pé no acelerador até o último milissegundo. Ele travou os pneus dianteiros, criando uma nuvem de fumaça branca, mas conseguiu manter o carro na frente, cruzando a linha de chegada com uma vantagem de apenas meio carro.
Ao sair do carro, George estava exausto, suado e vitorioso. Max foi o primeiro a chegar até ele. Em vez de uma reclamação ou um olhar frio, Max o puxou para um abraço rápido e desajeitado.
— Você dirigiu como um louco hoje — disse Max, tirando o capacete.
— Eu tive uma boa motivação — respondeu George, tentando recuperar o fôlego.
— O troféu ou a música?
— Ambos.
No pódio, enquanto George levantava o troféu de vencedor, o sistema de som do circuito não tocou apenas o hino britânico. Durante a chuva de champanhe, as batidas de Marina and The Diamonds voltaram a ecoar por Baku. Os mecânicos da Mercedes e da Red Bull estavam rindo, jogando champanhe uns nos outros, e até Toto Wolff foi visto balançando a cabeça no ritmo da música.
Naquela noite, George postou uma última foto antes de deixar o Azerbaijão. Era uma foto polaroid dele e de Max, sentados no chão do aeroporto, cercados por sacolas de fast food e parecendo dois adolescentes exaustos após uma festa.
A legenda dizia: "Life is a soap opera, and we’re just the lead actors. See you in Miami."
Max comentou quase instantaneamente: "Eu ainda sou o diretor. Boa corrida, Primadonna."
A Fórmula 1 nunca mais seria a mesma. O esporte que orgulhava-se de sua seriedade e engenharia de ponta havia sido humanizado por um reflexo acidental, uma música pop e dois pilotos que descobriram que, entre a pressão de vencer e a pressão de esconder quem eram, a segunda era muito mais cansativa.
Enquanto o jato particular decolava, George olhou para Max, que já estava dormindo com o fone de ouvido caído no pescoço. George pegou o fone e colocou no ouvido. Estava tocando "Teen Idle".
Ele sorriu, ajeitou o cobertor sobre Max e fechou os olhos. O mundo poderia continuar reagindo, editando e criando teorias. Mas ali, no silêncio acima das nuvens, a única melodia que importava era a respiração tranquila do homem ao seu lado.
Afinal, na grande ópera da vida, George Russell tinha finalmente aprendido que não precisava ser perfeito para ser amado. Ele só precisava ser ele mesmo — com ou sem um roupão azul e uma trilha sonora pop.