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Mugiwaras

O Eco do Passado e o Despertar da Lança Negra

A Ilha de Pluvia estava ficando para trás, envolta em sua névoa eterna, enquanto o Thousand Sunny cortava as águas revoltas do Novo Mundo. O clima no navio era de uma calmaria pós-tempestade, mas para Azuri Yakamani, o silêncio do oceano trazia ruídos que ela tentava ignorar há anos. Sentada na gávea, ela polia a ponta de sua lança de prata com uma obsessão quase rítmica. O metal brilhava, refletindo a cicatriz em seu olho esquerdo, uma marca que parecia pulsar sempre que o Log Pose apontava para o próximo destino.

— Você vai acabar desgastando o metal se continuar assim — disse uma voz calma vinda de baixo.

Azuri olhou para baixo e viu Robin subindo as cordas com a elegância de quem não temia a altura. A arqueóloga sentou-se ao lado da lanceira, observando o horizonte cinzento.

— Às vezes, polir a arma é o único jeito de polir os pensamentos — respondeu Azuri, sem parar o movimento. — Robin, você já sentiu que o passado está correndo atrás de você, apenas esperando o vento mudar para te alcançar?

— Todos os dias — admitiu Robin, com um sorriso enigmático. — Mas aprendi que, neste navio, o passado tem dificuldade em nos alcançar, porque o nosso capitão corre rápido demais em direção ao futuro. O que a preocupa?

Azuri parou o polimento. Ela hesitou, tocando a tatuagem tribal em seu pescoço.

— O próximo setor para onde estamos indo... é o Mar de Cinzas. Foi lá que a minha unidade foi dizimada antes de eu ser enviada para Kairus. Há um posto avançado da Marinha lá, comandado por um homem chamado Vice-Almirante Draken. Ele não é apenas um oficial. Ele é um colecionador de troféus. E ele tem a outra metade da minha lança.

Robin arqueou uma sobrancelha.

— A outra metade?

— Esta lança era um par — explicou Azuri, seus olhos escurecendo. — Chamavam-nas de "Os Gêmeos do Crepúsculo". Uma de prata, a minha, e uma de ébano, a do meu irmão. Quando ele caiu, Draken tomou a lança negra como prêmio. Eu sinto a presença dela. É como um chamado constante debaixo da pele.

Lá embaixo, no convés, o caos habitual reinava. Luffy estava tentando usar as pernas de borracha para catapultar Chopper e Usopp para dentro de uma cesta de basquete improvisada feita por Franky.

— VAI, CHOPPER! — gritava Luffy, rindo enquanto a rena voava pelos ares. — GOMU GOMU NO... ARREMESSO DE MÉDICO!

— EU NÃO SOU UMA BOLA, LUFFY! — berrava Chopper, embora estivesse rindo no meio do pânico.

Zoro, que treinava com seus pesos gigantescos perto do mastro, parou por um momento e olhou para cima, em direção à gávea. Seus instintos de espadachim captaram a mudança na aura de Azuri. Ele sabia que o próximo arco de sua jornada não seria apenas sobre navegação, mas sobre acerto de contas.

De repente, o céu escureceu de uma forma que não era natural. Não era chuva, mas fuligem. Flocos negros começaram a cair sobre o deck de grama do Sunny, como uma neve macabra.

— O que é isso? — perguntou Nami, saindo da cabine de navegação e limpando um floco preto do ombro. — Cinzas? O Log Pose está ficando louco!

— Entramos no Mar de Cinzas — anunciou Jimbe, assumindo o leme com uma expressão severa. — Mantenham-se alertas. A visibilidade vai cair para quase zero.

Azuri desceu da gávea em um único salto, aterrissando suavemente ao lado de Luffy. O capitão parou de brincar e olhou para ela. Ele não precisava de palavras para saber que algo estava errado; ele sentia a determinação fria que emanava de sua nova companheira.

— Azuri — disse Luffy, o tom de voz ficando sério —, tem alguém que você quer bater naquela direção, não tem?

— Tem — respondeu ela, apertando a lança de prata. — Um homem que roubou o que não lhe pertencia.

— Então vamos lá! — Luffy abriu um sorriso largo e desafiador. — Se é importante para você, é importante para o bando!

A névoa de cinzas se abriu para revelar uma visão formidável. Não era apenas um navio, mas uma fortaleza flutuante de aço negro, ancorada no meio de um redemoinho de correntes marítimas. No topo da torre de comando da fortaleza, uma bandeira da Marinha tremulava, mas abaixo dela havia um estandarte pessoal: uma lança negra cruzada com um chicote.

— Ali está ele — sussurrou Azuri.

O som de um megafone ecoou pelo mar, uma voz áspera e carregada de arrogância.

— Azuri Yakamani! Eu sabia que o cheiro de fracasso da Revolução me traria você mais cedo ou mais tarde. Vejo que se juntou a piratas. Que decadência para uma "Capitã".

— DRAKEN! — gritou Azuri, sua voz cortando o ar como uma lâmina. — Eu vim buscar o que é meu!

— Venha pegar, se puder! — respondeu o Vice-Almirante. — Mas saiba que sua lança negra agora serve a um propósito melhor: ela é a chave que fechará sua cela para sempre!

A fortaleza disparou seus canhões laterais. As balas não eram de ferro comum, mas de pedra vulcânica que explodia em chamas ao impacto.

— Franky! — gritou Luffy.

— Deixa comigo! — O ciborgue correu para os controles. — COUP DE BURST!

O Sunny saltou sobre a primeira salva de tiros, voando pelos ares e aterrissando com um estrondo no deck de metal da fortaleza inimiga. Antes mesmo do navio parar, Azuri já estava no ar.

— Estilo Yakamani: Estrela Cadente! — Ela desceu como um raio de prata, sua lança perfurando o deck de aço e criando uma onda de choque que lançou dezenas de marinheiros ao mar.

Luffy, Zoro e Sanji pularam logo atrás.

— Vão na frente! — gritou Zoro, interceptando um grupo de oficiais armados com espadas pesadas. — Nós cuidamos do exército. Azuri, pegue sua lança de volta!

— E não esqueça de dar um chute na cara dele por mim! — acrescentou Sanji, suas pernas já entrando em combustão.

Azuri correu pelos corredores da fortaleza, movendo-se com uma precisão letal. Ela não parava para lutar; ela apenas desviava e golpeava, um borrão de branco e prata contra o ambiente sombrio. Ela chegou ao salão central, uma câmara vasta decorada com troféus de guerra. No centro, sentado em um trono de ferro, estava Draken. Ele era um homem imenso, com cicatrizes de queimadura no rosto e uma armadura que parecia feita de escamas de dragão.

Em sua mão direita, ele segurava a Lança Negra. Ela era idêntica à de Azuri, mas feita de um metal obsidiana que parecia absorver a luz ao redor.

— Ela sentiu sua falta, Azuri — disse Draken, levantando-se. — A lança geme todas as noites, pedindo pelo sangue de um Yakamani.

— Ela vai ter o seu sangue, Draken — respondeu Azuri, assumindo sua postura de combate.

O duelo começou com uma explosão de energia. Draken era um mestre da força bruta, usando a lança negra para desferir golpes que rachavam o chão de metal. Azuri era a agilidade, a técnica e a fúria contida. O som do encontro das duas lanças — prata contra ébano — criava faíscas que iluminavam o salão como fogos de artifício.

— Você está mais fraca! — zombou Draken, desferindo um golpe descendente que Azuri bloqueou com dificuldade. — O Exército Revolucionário te amoleceu. E esses piratas... eles são apenas um peso morto!

— Você não sabe nada sobre eles — sibilou Azuri. — Eles não são um peso. Eles são o vento que me empurra!

Lá fora, a batalha rugia. Luffy estava enfrentando um dos gigantes da Marinha que servia como guarda-costas de Draken.

— GOMU GOMU NO... ELEPHANT GUN! — O soco gigante de Luffy nocauteou o gigante, mas ele parou por um segundo, olhando para o salão central. Ele sentia o Haki de Azuri oscilando.

— Azuri! — gritou Luffy, sua voz atravessando as paredes da fortaleza. — NÃO LUTE SOZINHA! NÓS ESTAMOS AQUI!

Dentro do salão, Azuri ouviu o grito. Ela sentiu a presença de seus novos companheiros — o calor de Sanji, a determinação fria de Zoro, a confiança de Robin. Ela percebeu que, por anos, ela lutou como se estivesse em um funeral eterno pelo irmão. Mas agora, ela era parte de algo vivo.

Seu Haki de Armamento fluiu pela lança de prata, tornando-a negro-azulada.

— Draken — disse ela, sua voz agora calma e mortal. — Meu irmão não morreu para que você usasse a arma dele como um troféu. Ele morreu para que o futuro pudesse nascer. E o futuro está aqui.

Ela avançou. Não foi um ataque direto, mas uma sequência de movimentos coreografados. Ela usou o ambiente, saltando pelas paredes, criando imagens residuais. Draken tentou golpeá-la, mas ele estava lutando contra um fantasma.

— Estilo Secreto Yakamani: O Eclipse dos Gêmeos!

Azuri girou no ar, e por um momento, a luz e a sombra pareceram convergir. Ela atingiu a mão de Draken com a haste de sua lança de prata, desarmando-o. A lança negra voou pelo ar. Azuri soltou sua própria lança por um segundo, saltou e agarrou a lança de ébano no ar.

Agora, ela tinha as duas.

— Isso... é impossível — gaguejou Draken, recuando. — Ninguém consegue manejar as duas simultaneamente... o peso do Haki é demais!

— Para você, talvez — disse Azuri.

Ela cruzou as duas lanças em forma de X.

— Pelo meu irmão, por Kairus e pelo meu bando... DESAPAREÇA!

Ela desencadeou uma rajada de energia em forma de cruz que atravessou Draken e a parede atrás dele, lançando o Vice-Almirante para fora da fortaleza e direto para o redemoinho do Mar de Cinzas.

O silêncio caiu sobre o salão. Azuri caiu de joelhos, segurando as duas lanças. Ela estava exausta, seu corpo tremendo pelo esforço, mas seu olhar estava limpo.

— Azuri! — Luffy entrou no salão, seguido pelos outros. Ele correu até ela e parou, vendo as duas lanças. — Uau! Agora você tem dois palitos gigantes! Isso é muito legal!

Azuri olhou para Luffy e começou a rir. Uma risada que começou pequena e se tornou um som libertador.

— Sim, Luffy. Dois palitos gigantes.

— Você está bem, Azuri-san? — perguntou Brook, aproximando-se. — Você parece ter visto um fantasma, embora eu seja o único fantasma legítimo por aqui... Yohohoho!

— Estou melhor do que nunca, Brook — disse ela, levantando-se com a ajuda de Zoro e Sanji.

Ela olhou para a lança negra. O metal parecia ter se acalmado em suas mãos.

— Eu vou levar a vontade dele comigo — sussurrou ela. — Para o fim do mundo.

— SUPER! — gritou Franky. — Agora temos uma lanceira de duas mãos! Isso vai ser de grande ajuda para as nossas próximas batalhas!

Enquanto o Thousand Sunny se afastava da fortaleza em chamas, as cinzas no céu começaram a se dissipar, revelando o primeiro raio de sol em dias. O bando se reuniu no convés para uma festa improvisada, celebrando a vitória e a recuperação do tesouro de Azuri.

Luffy estava sentado na cabeça do leão, olhando para o horizonte. Azuri aproximou-se e sentou-se ao lado dele, as duas lanças cruzadas em suas costas.

— Ei, Luffy — disse ela.

— Hum?

— Obrigada. Por me deixar ser livre.

Luffy ajeitou o chapéu de palha e sorriu, aquele sorriso que desafiava o próprio destino.

— Você sempre foi livre, Azuri. Só precisava de um navio que fosse rápido o suficiente para te mostrar isso.

Azuri olhou para as suas mãos. A cicatriz em seu olho não doía mais. O passado não a estava mais perseguindo; ele estava agora guardado em suas lanças, transformado em força. O Mar de Cinzas ficava para trás, e à frente deles, o Novo Mundo aguardava com todos os seus perigos e maravilhas. E para a lanceira dos Chapéus de Palha, o caminho nunca pareceu tão claro.

— Próxima parada? — perguntou ela.

— Onde o vento soprar mais forte! — gritou Luffy.

E assim, sob o brilho do sol e o som da música de Brook, os Chapéus de Palha seguiram viagem, mais fortes, mais unidos e com uma nova lenda gravada em suas velas: a lenda da Lança de Prata e Ébano, a guardiã do futuro Rei dos Piratas.