Mugiwaras
O Elo de Prata sob a Chuva Eterna
O mar ao redor do Thousand Sunny havia mudado drasticamente nas últimas quarenta e oito horas. O azul vibrante do Novo Mundo deu lugar a um cinza profundo e chuvoso. Não era uma tempestade passageira ou um furacão furioso; era uma cortina constante, fina e persistente de água que caía do céu sem interrupção.
— Que lugar mais melancólico! — exclamou Brook, segurando um guarda-chuva que parecia pouco útil contra a umidade que penetrava até em seus ossos... embora ele não tivesse pele para sentir. — Yohohoho! Minha alma está ficando encharcada!
No centro do convés, ignorando completamente o clima, Luffy e Azuri estavam sentados no chão de grama molhada. Eles estavam competindo para ver quem conseguia dar o nó mais complexo em pedaços de corda que Franky lhes dera.
— Ganhei! — gritou Luffy, segurando um emaranhado de corda que parecia mais um ninho de pássaro do que um nó. — Olha, Azuri! É um nó de carne!
Azuri soltou uma gargalhada genuína, desfazendo o seu próprio nó, que estava tecnicamente perfeito.
— Luffy, isso não é um nó, é um desastre — disse ela, batendo de leve no ombro do capitão. — Mas admito que a sua criatividade para relacionar tudo a comida é impressionante.
Luffy sorriu de orelha a orelha e, de repente, jogou-se para trás, apoiando a cabeça no colo de Azuri como se fosse a coisa mais natural do mundo. Ela não hesitou; começou a passar a mão pelos cabelos pretos e bagunçados dele, retirando algumas gotas de chuva.
— Sabe, Azuri — murmurou Luffy, fechando os olhos enquanto aproveitava o carinho —, você tem cheiro de aventura. E de metal. Mas é um metal bom.
— E você tem cheiro de borracha e de problemas, capitão — respondeu ela com doçura.
Na varanda do aquário, Nami e Robin observavam a cena com sorrisos discretos.
— É impressionante a rapidez com que eles se conectaram — comentou Robin, fechando seu livro, já que as páginas estavam começando a umedecer. — Luffy sempre foi magnético, mas com a Azuri... parece algo mais profundo. É como se eles estivessem preenchendo vazios um no outro.
— Sim — concordou Nami, cruzando os braços. — Luffy perdeu o Ace e passou muito tempo longe do Sabo. Azuri perdeu o irmão dela na revolução de Kairus. Eles não são apenas capitão e subordinada. Eles agem como irmãos que se reencontraram depois de uma vida inteira. É... fofo, de um jeito estranho e barulhento.
— Ei, vocês duas! — gritou Usopp lá de baixo, interrompendo o momento sentimental. — O Jimbe disse que estamos chegando! Bem-vindos à Ilha de Pluvia!
A ilha surgiu através da névoa como uma montanha de esmeralda envolta em nuvens perpétuas. Em Pluvia, a chuva não era um fenômeno meteorológico, era o ecossistema. Árvores gigantescas com folhas em formato de funil canalizavam a água para rios suspensos, e a arquitetura da cidade portuária era toda feita de pedra polida e canais de escoamento.
Assim que o Sunny atracou, o bando se preparou para descer. Luffy, Azuri e Zoro foram os primeiros a pular no cais.
— Tudo bem, pessoal! — anunciou Luffy, ajustando o chapéu de palha, que agora tinha uma capa de plástico improvisada feita por Usopp. — Vamos explorar!
— Esperem — disse Zoro, desembainhando levemente a Wado Ichimonji. — Eu sinto algo. Tem muita gente forte escondida nessas vielas.
Azuri girou sua lança de prata, sentindo a vibração do metal sob a chuva.
— Zoro tem razão. O clima desta ilha é perfeito para emboscadas. A acústica da chuva abafa os passos.
Zoro olhou para Azuri de soslaio, um brilho desafiador em seus olhos.
— Já que estamos em solo firme e o capitão quer diversão... que tal uma disputa, lanceira?
Azuri arqueou uma sobrancelha, interessada.
— Que tipo de disputa, espadachim?
— Quem derrotar o maior número de inimigos até chegarmos ao topo daquela torre central — propôs Zoro, apontando para uma construção alta que se perdia nas nuvens.
— Eu topo! — gritou Luffy, intrometendo-se entre os dois. — Eu também quero participar!
— Espere, Luffy! — Nami tentou protestar. — Nós viemos buscar suprimentos e informações sobre o próximo Road Poneglyph!
— Deixe-os, Navegadora-san — disse Robin, descendo a prancha com elegância. — Um pouco de exercício fará bem para a integração da nossa nova companheira. E nós podemos cuidar da parte logística enquanto eles limpam o caminho.
— SUPER disputa! — Franky se juntou ao grupo. — Eu vou contar os pontos! Eu e o Brook seremos os juízes!
A notícia da disputa se espalhou pelo bando como fogo em palha seca. Sanji, querendo impressionar tanto Nami quanto a "beleza exótica" de Azuri, declarou que também participaria, mas apenas usando as pernas para não sujar as mãos na chuva. Até Chopper, em sua forma Heavy Point, decidiu que ajudaria a "limpar o lixo".
— No três! — gritou Usopp, segurando um cronômetro. — Um... dois... TRÊS!
O grupo explodiu em movimento. Luffy saiu na frente com um "Gomu Gomu no Rocket", lançando-se contra um grupo de mercenários que guardava a entrada da rua principal.
— Dez para o capitão! — gritou Brook, correndo sobre a água das poças com sua leveza esquelética.
Zoro e Azuri seguiam por caminhos paralelos, transformando a subida da cidade em um espetáculo de destruição coordenada. Zoro era um tufão de aço verde. Cada movimento de suas três espadas deixava um rastro de oponentes nocauteados.
— Santoryu: 1080 Pound Ho! — O canhão de ar comprimido limpou uma barricada inteira.
— Trinta e cinco! — contou Franky, voando logo atrás com seu General Franky em miniatura.
Do outro lado da rua, Azuri mostrava por que era uma capitã revolucionária. Ela não apenas batia; ela dançava. Sua lança era um borrão prateado que aproveitava a umidade do ar. Ela usava a haste para girar nos postes de iluminação e golpear de ângulos impossíveis.
— Estilo Yakamani: Dança da Garoa! — Com um movimento circular, ela desarmou cinco homens simultaneamente e os lançou contra uma fonte de água com a parte cega da lança.
— Quarenta e dois! — gritou Brook, impressionado. — A senhorita Azuri tem uma técnica muito refinada! Meus olhos saltariam se eu os tivesse!
Luffy, vendo que estava ficando para trás na contagem, decidiu apimentar as coisas.
— Gear Second! — Sua pele ficou rosada e o vapor começou a subir, misturando-se à chuva. — Gomu Gomu no Jet Gatling!
A velocidade de Luffy era tanta que os inimigos nem viam o que os atingia. Ele era um raio vermelho cruzando as escadarias de pedra da ilha.
Enquanto isso, Sanji mantinha o ritmo, desferindo chutes flamejantes que nem mesmo a chuva constante conseguia apagar.
— Diable Jambe: Collier Strike! — Ele derrubou um grupo de snipers que tentava atingir Azuri pelas costas. — Cuidado, Mademoiselle! Não deixe que esses brutos estraguem seu cabelo!
Azuri olhou por cima do ombro e deu um sorriso para Sanji.
— Obrigada, cozinheiro! Mas eu dou conta!
A disputa chegou ao seu ápice quando o grupo alcançou a praça diante da torre central. Ali, um batalhão de elite de caçadores de recompensa locais, conhecidos como "Os Guardiões do Dilúvio", os aguardava. Eram homens grandes, usando armaduras hidrodinâmicas e redes de contenção.
— Eles parecem durões! — comentou Usopp, que observava de longe com seus binóculos, enquanto Nami e Jimbe coletavam informações com os civis que se escondiam nas lojas.
Zoro e Azuri pararam lado a lado na entrada da praça. Ambos estavam encharcados, ofegantes e com sorrisos de pura adrenalina.
— Eu estou com cinquenta e oito — disse Zoro, limpando o sangue de um pequeno corte no braço.
— Sessenta e um — rebateu Azuri, girando a lança para retirar o excesso de água. — Parece que as espadas estão um pouco lentas hoje, Roronoa.
Zoro soltou um rosnado divertido.
— A luta de verdade começa agora.
Antes que pudessem avançar, Luffy pousou entre eles, esticando os braços para os lados.
— Ei! Eu quero terminar isso junto com vocês! No sinal da Azuri!
Azuri olhou para Luffy e sentiu aquele calor familiar no peito. No Exército Revolucionário, ela sempre tinha que ser a líder, a pessoa que tomava as decisões difíceis e carregava o peso das vidas perdidas. Ali, com Luffy, ela podia ser apenas uma guerreira lutando ao lado de sua família.
— Tudo bem, capitão — disse ela, seus olhos brilhando com Haki. — No meu sinal... AGORA!
Os três avançaram como uma força da natureza. Luffy no centro, Zoro à direita e Azuri à esquerda. Foi uma sinfonia de destruição. O "Gomu Gomu no Elephant Gun" de Luffy esmagava as defesas frontais, enquanto os cortes de Zoro abriam brechas nas armaduras e as estocadas precisas de Azuri desativavam os pontos de articulação dos inimigos.
O bando assistia do alto de um terraço próximo.
— Eles são incríveis juntos — comentou Chopper, com os olhos brilhando. — Parece que lutam juntos há anos!
Jimbe, que acabara de se juntar a eles após garantir os suprimentos, cruzou os braços com satisfação.
— A sincronia é impressionante. Azuri-san lê os movimentos de Luffy como se soubesse exatamente o que ele vai fazer. E Zoro... bem, Zoro finalmente encontrou alguém que consegue manter o passo dele em um combate de curto alcance sem reclamar da brutalidade.
Em poucos minutos, a praça estava silenciosa, exceto pelo som constante da chuva batendo nas pedras. Centenas de inimigos estavam espalhados pelo chão.
Luffy, Zoro e Azuri subiram o último degrau da torre central simultaneamente.
— E então? — perguntou Luffy, olhando para Franky e Brook, que vinham correndo com os resultados.
— Foi um empate técnico! — anunciou Franky, fazendo uma pose de frustração cômica. — O capitão destruiu mais gente, mas o Zoro e a Azuri tiveram os nocautes mais difíceis!
— Empate? — Zoro e Azuri disseram ao mesmo tempo, olhando um para o outro.
Eles ficaram em silêncio por um segundo, a chuva escorrendo por seus rostos, antes de ambos caírem na gargalhada.
— Você é boa, lanceira — admitiu Zoro, guardando suas espadas. — Eu não esperava que uma revolucionária tivesse tanto sangue nos olhos.
— E eu não esperava que um pirata tivesse tanta disciplina — respondeu ela, estendendo o punho para ele. Zoro hesitou por um milissegundo antes de bater seu punho contra o dela.
Luffy, não querendo ficar de fora, pulou no meio dos dois, abraçando-os pelos pescoços com seus braços de borracha.
— Shishishi! Eu disse que ia ser divertido! Agora somos o trio mais forte de todos!
— Ei! E eu? — gritou Sanji lá de baixo, chutando o ar com ciúmes.
A noite caiu sobre Pluvia, mas a chuva não parou. O bando decidiu passar a noite na torre, que na verdade era uma estalagem luxuosa para viajantes de alto nível. Sanji preparou um banquete com peixes locais que viviam na água doce da chuva, e o clima era de celebração total.
Depois do jantar, enquanto a maioria do bando jogava cartas ou ouvia as histórias exageradas de Usopp, Azuri saiu para a varanda da torre. A vista da ilha iluminada por lanternas subaquáticas era de tirar o fôlego.
— Você está bem? — A voz de Luffy veio de cima. Ele estava sentado no telhado, com as pernas balançando sobre a varanda.
— Estou sim, Luffy — disse ela, olhando para cima. — Só estava pensando no quanto minha vida mudou em tão pouco tempo. Há uma semana, eu achava que ia morrer naquela praça em Kairus. Hoje... hoje eu sinto que posso conquistar o mundo.
Luffy pulou para baixo, aterrissando silenciosamente ao lado dela. Ele a encarou por um longo tempo, com uma expressão seriamente cômica.
— Azuri.
— Sim, capitão?
— Você é minha irmã agora, certo? O Sabo é meu irmão, o Ace era meu irmão... e você também é.
Azuri sentiu as lágrimas se misturarem às gotas de chuva em seu rosto. Ela se ajoelhou para ficar na altura de Luffy e o abraçou com força.
— Sim, Luffy. Eu sou sua irmã. E eu vou te proteger até você chegar a Laugh Tale, não importa o que aconteça.
Luffy retribuiu o abraço, apertando-a com sua força de borracha.
— Eu também vou te proteger! Ninguém mexe com a minha irmã lanceira!
Eles ficaram ali por um tempo, dois órfãos de guerra que encontraram um no outro o laço que o destino havia lhes roubado.
Lá dentro, o resto da tripulação observava a silhueta dos dois contra a chuva.
— Sabe — disse Nami, limpando o canto do olho —, eu acho que a Azuri não entrou apenas para o bando. Ela entrou para a família.
— Sim — concordou Robin, servindo mais um pouco de chá. — E com o temperamento desses dois juntos, receio que o Governo Mundial terá muito mais do que apenas uma revolução para se preocupar.
A música de Brook começou a tocar novamente, uma melodia doce que parecia harmonizar com o ritmo da chuva eterna. O Thousand Sunny esperava no porto, pronto para levar sua nova e fortalecida família em direção ao desconhecido. E enquanto a chuva caía sobre Pluvia, o elo de prata entre o capitão e sua lanceira brilhava mais forte do que qualquer sol.