Música e Barulho
Sinfonia à Luz de Velas e Lençóis de Seda
A noite em Neverland tinha um silêncio próprio, uma quietude que parecia isolar o rancho do resto do planeta. No quarto principal, a iluminação era mínima, vinda apenas das chamas vacilantes da lareira e de algumas velas que Michael insistira em acender. O aroma de sândalo e baunilha flutuava no ar, misturando-se ao cheiro familiar e reconfortante de Rio — uma mistura de maresia, café e o perfume amadeirado que ele usava.
Rio estava sentado na beira da cama, descalço, com a camisa de linho entreaberta. Ele observava Michael, que caminhava pelo quarto com aquela agilidade silenciosa, quase felina. Fora dos palcos, os movimentos de Michael perdiam a precisão mecânica da dança e ganhavam uma fluidez suave, uma delicadeza que Rio achava hipnotizante.
— Você está muito quieto hoje — comentou Michael, aproximando-se por trás. Ele pousou as mãos nos ombros de Rio, os dedos longos massageando o trapézio tenso do músico. — Onde está sua cabeça, Alexander? Em Cabo Frio ou aqui comigo?
Rio soltou um suspiro longo, inclinando a cabeça para trás para encontrar o olhar de Michael.
— Aqui — respondeu Rio, a voz um pouco mais rouca que o normal. — Sempre aqui. Eu só estava pensando em como o tempo parece parar quando as luzes se apagam e só sobra a gente.
Michael sorriu, um sorriso que não era para as câmeras, mas um que carregava uma pitada de malícia e muito afeto. Ele deslizou as mãos dos ombros para o peito de Rio, sentindo a batida acelerada do coração do brasileiro sob a pele.
— Gosto quando você fica assim — sussurrou Michael contra o ouvido de Rio. — Sem a guitarra, sem o público. Só você.
Michael inclinou-se e beijou o pescoço de Rio, um toque leve que fez o guitarrista fechar os olhos e soltar um gemido baixo. Rio sempre fora o observador, o homem que controlava o ritmo da música e da própria vida, mas, nos braços de Michael, ele sentia uma vontade avassaladora de simplesmente se deixar levar. Ele gostava da forma como Michael assumia o controle com uma confiança mansa, mas absoluta.
— Michael... — Rio murmurou, virando-se para frente, permitindo que Michael ficasse entre suas pernas.
Michael segurou o rosto de Rio com as duas mãos, polegares acariciando as maçãs do rosto do outro. Havia uma intensidade no olhar de Michael que poucas pessoas conheciam — uma força que ia muito além do ídolo pop. Naquele momento, ele era apenas um homem desejando o homem que amava.
— Deixe-me cuidar de você hoje — pediu Michael, a voz baixa e firme. — Esqueça o mundo lá fora. Esqueça as turnês, os contratos. Seja apenas meu.
Rio assentiu, sentindo uma entrega doce percorrer sua espinha. Michael começou a desabotoar o restante da camisa de Rio, um botão de cada vez, com uma paciência quase torturante. Quando o tecido caiu pelos ombros de Rio, Michael parou para admirar a pele bronzeada, as cicatrizes leves de quem viveu sob o sol e as mãos que criavam melodias divinas.
— Você é uma obra de arte, Rio — Michael disse, passando a ponta dos dedos pelo abdômen definido do brasileiro.
— E você é o mestre — Rio brincou, tentando disfarçar o quanto sua respiração estava curta.
Michael riu baixinho e empurrou Rio gentilmente para trás, fazendo-o deitar sobre as colchas de seda negra. Michael subiu na cama, posicionando-se sobre ele, mas sem descarregar todo o peso. O contraste entre eles era lindo: a pele clara de Michael contra o tom oliva de Rio, os cachos negros de ambos espalhados pelo travesseiro.
O beijo que se seguiu foi profundo, exploratório. Michael guiava o ritmo, sua língua encontrando a de Rio em uma dança lenta e faminta. Rio envolveu a cintura de Michael com as pernas, puxando-o para mais perto, querendo sentir cada centímetro daquele corpo que o mundo idolatrava, mas que ali, era apenas dele.
— Você quer isso? — perguntou Michael, afastando-se apenas alguns milímetros, os olhos brilhando na penumbra.
— Mais do que qualquer coisa — respondeu Rio, a voz falhando.
Michael começou a descer os beijos pelo peito de Rio, parando para morder levemente sua clavícula, ouvindo os suspiros entrecortados que saíam dos lábios do brasileiro. Havia algo de sagrado na forma como Michael o tocava, como se Rio fosse o tesouro mais precioso de Neverland. E Rio, em sua passividade entregue, sentia-se mais poderoso do que nunca por ser o único capaz de desarmar Michael Jackson daquela maneira.
Com movimentos lentos e cuidadosos, Michael livrou Rio do restante de suas roupas. A vulnerabilidade de estar completamente exposto diante de Michael nunca incomodou Rio; pelo contrário, trazia uma sensação de liberdade que ele nunca encontrara em nenhum outro lugar. Michael, então, preparou-se e preparou Rio com uma dedicação quase ritualística, sussurrando palavras doces em inglês e algumas tentativas adoráveis de português que faziam o coração de Rio transbordar.
— Você está bem? — Michael perguntou, a voz carregada de preocupação e desejo, enquanto seus dedos exploravam e preparavam o caminho para o que viria a seguir.
— Sim... por favor, Michael... não para — Rio pediu, arqueando o corpo, as mãos agarrando os lençóis com força.
Quando Michael finalmente se uniu a ele, o mundo exterior deixou de existir por completo. Rio soltou um grito abafado contra o ombro de Michael, sentindo a plenitude daquela conexão. Era uma sinfonia de sensações: o calor, a pressão, o ritmo que Michael impunha — ora lento e profundo, ora urgente e possessivo.
Michael movia-se com uma graça atlética, os olhos fixos nos de Rio, buscando cada reação, cada sinal de prazer. Rio sentia-se como uma corda de guitarra sendo dedilhada por mãos mestras, vibrando em uma frequência que só Michael conhecia. A passividade de Rio não era submissão, era uma entrega de confiança absoluta. Ele se permitia ser levado por Michael, confiando que ele o conduziria ao ápice com a mesma perfeição com que conduzia um espetáculo.
— Olha para mim, Rio — Michael comandou baixinho.
Rio abriu os olhos, a visão levemente embaçada pelo suor e pelo prazer. Michael estava radiante, o rosto transfigurado pela emoção pura.
— Eu pertenço a você — Michael sussurrou, aumentando a intensidade dos movimentos. — Só a você.
Rio envolveu o pescoço de Michael com os braços, puxando-o para um beijo desesperado enquanto o clímax começava a tomar conta de seu corpo. Ele sentiu Michael pulsar dentro dele, um espasmo de prazer que os uniu de forma definitiva. Rio se desfez em ondas de êxtase, sua voz chamando pelo nome de Michael em um sussurro quebrado, enquanto o cantor se entregava logo em seguida, escondendo o rosto no pescoço de Rio, ofegante.
O silêncio voltou ao quarto, mas agora era um silêncio preenchido pelo som das respirações pesadas e pelo calor dos corpos suados que se recusavam a se separar. Michael não se afastou imediatamente; ele permaneceu sobre Rio, depositando beijos suaves em sua testa, em suas pálpebras, em seu nariz.
— Você está bem, meu Rio? — Michael perguntou depois de alguns minutos, a voz agora doce e protetora.
Rio sorriu, um sorriso cansado e imensamente feliz. Ele passou a mão pelos cabelos bagunçados de Michael, puxando-o para um abraço de lado enquanto se acomodavam sob os cobertores.
— Estou maravilhoso, moreno — Rio respondeu, usando o apelido carinhoso. — Acho que nunca me senti tão em casa quanto agora.
Michael se aninhou no peito de Rio, ouvindo o coração do brasileiro desacelerar gradualmente.
— Sabe — disse Michael, traçando círculos imaginários na pele de Rio —, as pessoas acham que Neverland é um lugar mágico por causa dos brinquedos ou dos animais.
— E não é? — perguntou Rio, divertido.
— Não — Michael levantou a cabeça e olhou profundamente nos olhos de Rio. — A magia só acontece quando você atravessa aqueles portões. Antes de você, isso aqui era só um parque vazio. Agora... agora é um lar.
Rio sentiu os olhos marejarem. Ele era o homem das notas musicais, das letras escritas em guardanapos, mas nenhuma melodia que já compusera chegava perto da beleza daquelas palavras.
— Eu te amo, Michael — disse Rio, a voz firme e carregada de verdade.
— Eu te amo, meu Rio — Michael respondeu, voltando a fechar os olhos.
Eles ficaram ali, entrelaçados, enquanto as velas terminavam de queimar e a lareira se transformava em brasas. Naquela noite, em um canto escondido da Califórnia, o Rei do Pop e o Garoto de Cabo Frio não eram lendas, não eram ícones, nem eram alvos de tabloides. Eram apenas dois homens que encontraram um no outro o silêncio e o som necessários para serem, finalmente, eles mesmos.
Rio adormeceu com o cheiro de Michael em sua pele, sentindo que, pela primeira vez em sua vida de nômade e estrela do rock, ele não precisava mais procurar por nada. Tudo o que importava estava ali, respirando calmamente contra seu peito, em uma sinfonia perfeita que apenas os dois sabiam tocar.