Música e Barulho
Seda, Pecado e Holofotes
O convite havia chegado em um envelope de papel artesanal, com o selo de uma das casas de alta costura mais exclusivas de Paris. Alexander "Rio" Valentino não era estranho ao mundo da moda; sua silhueta esguia e traços marcantes já haviam estampado capas da Vogue, mas este desfile era diferente. O conceito era a quebra da forma, a fluidez entre o masculino e o feminino. E, para o encerramento, o estilista queria ninguém menos que o homem que personificava a dualidade entre o silêncio e o furacão.
Michael, é claro, insistiu em ir. Ele estava disfarçado na primeira fila, usando óculos escuros, um chapéu de abas largas e uma máscara, mas sua energia era inconfundível para Rio. O brasileiro podia sentir o olhar de Michael queimando através das lentes escuras mesmo antes de pisar na passarela.
Nos bastidores, o caos era uma sinfonia de sprays de cabelo e ordens gritadas em francês. Rio estava parado enquanto três assistentes ajustavam a peça final. Não era apenas um vestido; era uma obra de arquitetura em seda branca e fios de prata. O decote em "V" descia profundamente, revelando o bronzeado de sua pele, enquanto a saia longa se fundia a uma cauda que parecia flutuar. Seus cachos negros foram deixados soltos, caindo em cascata pelas costas nuas, realçando a curva suave de sua coluna.
Quando a música mudou para um tom grave e pulsante, Rio deu o primeiro passo.
Ele não caminhava como uma modelo comum. Ele caminhava como se o palco fosse seu domínio natural, com a mesma confiança que demonstrava ao solar uma guitarra para cem mil pessoas. O vestido se movia com ele, abraçando seus quadris e revelando lampejos de suas pernas conforme ele avançava. A iluminação fria da passarela refletia nos fios de prata, fazendo-o parecer uma divindade lunar que acabara de descer à Terra.
Na primeira fila, Michael Jackson sentiu o ar abandonar seus pulmões.
Ele já tinha visto Rio de todas as formas — suado após um show, cozinhando arroz de madrugada, dormindo nu entre lençóis de algodão —, mas aquilo era diferente. A visão de Rio naquele vestido, com aquela expressão de indiferença aristocrática e beleza crua, atingiu Michael como um choque elétrico. Ele sentiu uma pressão imediata e dolorosa em seu baixo ventre. A forma como o tecido deslizava sobre o corpo de Rio, realçando a força de seus ombros e a delicadeza de sua cintura, era a coisa mais erótica que Michael já tinha visto.
Rio parou no final da passarela. Seus olhos encontraram o ponto exato onde Michael estava escondido. Por um segundo, a máscara de modelo caiu e um brilho de provocação surgiu no olhar do brasileiro. Ele deu meia-volta, a cauda do vestido chicoteando o ar, e retornou para o backstage.
Michael não esperou o desfile terminar. Ele se levantou, ignorando os olhares curiosos, e usou sua habilidade inata de se mover pelas sombras para alcançar a área restrita dos bastidores.
Rio estava em um corredor lateral, longe do tumulto principal, tentando soltar um dos fechos laterais do vestido que estava prendendo em sua pele. Ele ouviu os passos rápidos e reconheceu o ritmo.
— Você não deveria estar aqui, moreno — disse Rio, sem se virar, um sorriso brincando em seus lábios. — O desfile ainda tem os agradecimentos finais.
Michael não respondeu com palavras. Ele alcançou Rio e o empurrou contra a parede de gesso do corredor isolado, as mãos enluvadas segurando os braços de Rio acima da cabeça.
— Michael? — Rio arqueou as sobrancelhas, a respiração começando a falhar ao ver a intensidade nos olhos do outro.
— Você tem ideia do que fez comigo lá fora? — a voz de Michael era um sussurro rouco, perigoso. — Você parecia um anjo... mas o jeito que você me olhou... foi um pecado, Alexander.
Michael desceu o olhar pelo corpo de Rio, devorando cada detalhe do vestido. Ele soltou os pulsos de Rio e passou as mãos pela seda, sentindo a textura do tecido e o calor do corpo por baixo.
— O vestido... — Michael murmurou, puxando Rio para um beijo faminto, uma colisão de dentes e línguas que cheirava a urgência. — Ele foi feito para você. Ele mostra exatamente o quanto você é bonito. O quanto você é meu.
Rio gemeu contra a boca de Michael, sentindo a excitação do cantor pressionada contra sua coxa. O perigo de serem descobertos a qualquer momento, o som abafado da música do desfile ao longe e a visão de Michael tão descontrolado eram um coquetel inebriante.
— Michael, alguém pode vir... — Rio tentou dizer, mas suas palavras foram cortadas quando Michael se ajoelhou à sua frente, ainda entre as dobras da seda branca.
— Deixe que venham — Michael disse, os olhos fixos nos de Rio.
Com uma audácia que Rio raramente via fora do quarto, Michael puxou a saia do vestido para cima, revelando as pernas fortes do músico. Ele não tirou a roupa de Rio; ele apenas abriu o zíper da calça íntima que Rio usava por baixo da estrutura do vestido.
As mãos de Michael, sempre tão delicadas, agora eram firmes e decididas. Ele envolveu o membro de Rio, que já estava pulsando de antecipação. O contraste da luva de Michael contra a pele quente de Rio arrancou um grito sufocado do brasileiro.
— Michael... oh, Deus... — Rio jogou a cabeça para trás, o cabelo longo roçando a parede.
Michael começou um movimento rítmico, uma *handjob* técnica e intensa, seus olhos nunca deixando o rosto de Rio, assistindo ao prazer transformar as feições do homem que ele amava. Ele usava o polegar para estimular a ponta, ouvindo os gemidos de Rio se tornarem mais altos, mais desesperados.
— Você é tão lindo — Michael sussurrou, aumentando a velocidade. — Tão perfeito nesse vestido.
Rio sentiu o ápice chegando como uma onda gigante. Ele agarrou os ombros de Michael, os dedos cravando-se no tecido do casaco do cantor. Com um último movimento vigoroso de Michael, Rio se desfez, o prazer explodindo em cores atrás de suas pálpebras fechadas. Ele respirou pesadamente, o corpo tremendo, enquanto Michael limpava a bagunça com um lenço de seda, mantendo a calma de quem tinha o controle absoluto da situação.
Mas Michael ainda não tinha terminado. Ele se levantou, a ereção claramente visível em suas calças escuras.
— Agora — Michael disse, a voz tingida de uma autoridade sombria —, é a minha vez. E eu não quero tirar esse vestido de você.
Ele virou Rio de costas, pressionando-o contra a parede fria. Michael levantou a cauda do vestido, expondo a retaguarda de Rio, a seda branca agora servindo de moldura para a pele bronzeada. Rio sentiu o toque frio de um lubrificante que Michael sempre carregava, e então a pressão familiar e avassaladora.
Michael entrou nele com um impulso único, arrancando um gemido agudo de Rio que foi abafado pela mão do próprio brasileiro contra a boca.
O sexo era urgente, quase rústico. Michael segurava Rio pela cintura, os dedos afundando na seda e na carne, marcando seu território. O som do tecido roçando na parede e o estalo rítmico dos corpos se encontrando preenchiam o pequeno corredor. Rio sentia-se vulnerável e exaltado ao mesmo tempo; estar vestido daquela forma, sendo possuído por Michael em um lugar semi-público, despertava nele um tipo de luxúria que ele nem sabia que possuía.
— Michael, mais rápido — Rio pediu em português, a língua materna escapando no calor do momento. — Mais... por favor...
Michael entendeu o tom, se não as palavras exatas. Ele aumentou a frequência, seus movimentos tornando-se curtos e potentes. Ele inclinou-se para a frente, mordendo o ombro nu de Rio, deixando uma marca que o vestido não seria capaz de esconder.
— Você é meu — Michael rosnou perto do ouvido de Rio. — Em qualquer roupa, em qualquer lugar. Meu.
O clímax de Michael veio com uma intensidade que o fez tremer da cabeça aos pés. Ele se enterrou profundamente em Rio, soltando um som gutural de satisfação enquanto despejava tudo dentro do outro. Eles ficaram ali por um longo momento, dois corações batendo contra as costelas em um ritmo frenético, a seda do vestido agora amassada e marcada pela paixão clandestina.
Lentamente, Michael se afastou, ajudando Rio a se recompor. Ele arrumou o vestido com uma ternura súbita, alisando o tecido sobre os quadris de Rio e ajeitando o cabelo longo do brasileiro sobre as costas.
— Você está bem? — perguntou Michael, a máscara de timidez voltando a aparecer, embora seus olhos ainda brilhassem com o resquício da adrenalina.
Rio virou-se, encostando a testa na de Michael. Ele estava ofegante, as bochechas coradas, parecendo mais vivo do que nunca.
— Eu estou... — Rio soltou uma risada curta e incrédula. — Eu acho que acabei de descobrir que adoro usar vestidos, Michael. Mas só se você estiver por perto para amassá-los.
Michael riu, o som cristalino que Rio tanto amava.
— Eu vou comprar todos eles para você — prometeu Michael, dando um beijo casto nos lábios de Rio. — Mas este aqui... este eu quero guardar. Ele tem o nosso cheiro agora.
— O estilista vai me matar — Rio brincou, ajustando o decote.
— Deixe que ele tente — Michael disse, recuperando sua postura de estrela, mas segurando a mão de Rio por um segundo extra. — Eu sou o Rei, lembra? Eu protejo o que é meu.
Eles saíram do corredor separadamente. Rio voltou para o brilho das câmeras e para os aplausos finais, caminhando com uma nova confiança, a sensação de Michael ainda quente dentro dele. Michael voltou para as sombras, observando de longe, com um sorriso secreto no rosto.
Naquela noite, as manchetes falariam sobre a beleza revolucionária de Alexander Valentino e sua performance histórica na passarela. Ninguém saberia que, sob a seda branca e os fios de prata, havia a marca de dentes de um rei e a promessa de que, no silêncio de Neverland, a música deles era a única que realmente importava.