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My patty

O Campo de Batalha de Jennie Kim

A tarde de domingo em Seul estava ensolarada, o tipo de clima que convidava qualquer pessoa normal a sair, respirar ar puro e, talvez, participar de alguma atividade social. Para Lalisa Manoban, aquele era o dia sagrado do futebol. O grupo de amigos da faculdade, liderado por Bambam e Jackson, havia alugado uma quadra de society e o convite brilhava na tela do celular de Lisa como um bilhete dourado.

O único problema — e era um problema de um metro e cinquenta e cinco de altura — estava sentado no sofá da sala, lixando as unhas com uma calma que Lisa sabia ser puramente superficial.

Lisa, com seus impressionantes um metro e oitenta, estava parada no meio da sala, alternando o peso do corpo de uma perna para a outra. Ela já estava vestida com o calção de treino e uma camiseta regata que deixava seus ombros largos e braços definidos à mostra, mas por cima usava um casaco de moletom fechado até o queixo, na esperança de que Jennie não percebesse o traje esportivo de imediato.

— Nini... amor? — Lisa começou, sua voz saindo um pouco mais aguda do que o normal.

Jennie nem sequer levantou os olhos da lixa de unha.

— Diga, Lalisa.

— Sabe o Bambam? Então... ele me ligou. Os meninos estão organizando aquele jogo de futebol, sabe? Aquele que acontece uma vez por mês... — Lisa deu um passo cauteloso em direção ao sofá. — Eu pensei que, talvez, se você não tivesse planos para nós agora à tarde... eu pudesse ir? Por favor?

O som da lixa parou abruptamente. O silêncio que se seguiu foi tão denso que Lisa jurou que podia ouvir as batidas do próprio coração. Jennie levantou a cabeça devagar, seus olhos felinos percorrendo Lisa de baixo para cima, parando no casaco de moletom.

— Futebol, Lisa? — Jennie perguntou, a voz perigosamente suave. — Com "os caras"?

— É, amor. Só o pessoal de sempre. O Jackson, o Mark, o Bambam... — Lisa tentou exibir seu melhor sorriso de cachorrinho que caiu do caminhão de mudança. — Eu volto rapidinho. Duas horas, no máximo. Eu juro!

Jennie deixou a lixa sobre a mesa de centro e cruzou as pernas, recostando-se no sofá. Ela fez um gesto com o dedo, chamando Lisa para mais perto. A mais alta obedeceu instantaneamente, ajoelhando-se no tapete aos pés da namorada, o que as deixava quase na mesma altura.

— Deixe-me ver se eu entendi direito — disse Jennie, passando a mão pelos cabelos curtos de Lisa, um carinho que parecia mais uma inspeção. — Você quer sair de casa, sob este sol, para ficar correndo atrás de uma bola, suando, enquanto um bando de homens e, possivelmente, algumas "amigas" que eu não conheço, ficam olhando para você com essa regata apertada que eu sei que você está usando por baixo desse casaco?

— Não tem nenhuma garota, Nini! É só o time dos meninos — Lisa protestou, sentindo o suor frio brotar em sua testa. — E eu vou de casaco! Eu nem tiro o casaco se você não quiser!

Jennie soltou uma risadinha anasalada, mas seus olhos não sorriam.

— Você acha que eu sou boba, Lalisa? Eu sei como esses jogos funcionam. Depois do jogo, alguém sugere uma cerveja. Depois da cerveja, alguém sugere um churrasco. E, de repente, você está lá, rindo com o braço em volta do pescoço de alguém, enquanto eu estou aqui, sozinha, esperando minha namorada que prometeu voltar em "duas horas".

— Eu não vou beber nada! — Lisa uniu as mãos em sinal de prece, os olhos grandes e úmidos. — Amor, deixa eu ir ver o jogo com os caras, por favor... Eu sinto tanta falta de jogar. Eu prometo que lavo a louça a semana toda. Eu limpo o banheiro! Eu faço aquela massagem nos seus pés por uma hora todas as noites!

Jennie inclinou a cabeça para o lado, parecendo considerar a proposta. Por um segundo, Lisa sentiu um lampejo de esperança.

— Massagem por uma hora? — Jennie repetiu.

— Sim! Com óleo de lavanda, do jeito que você gosta! — Lisa exclamou, esperançosa.

— E você vai atender o celular sempre que eu ligar? No viva-voz, para eu ouvir o que está acontecendo ao redor? — Jennie arqueou a sobrancelha.

— Sim, sim! Eu coloco o celular do lado da trave! — Lisa estava quase comemorando.

— Pois eu tenho uma ideia melhor — Jennie disse, levantando-se e fazendo Lisa se levantar também. — Você não vai a lugar nenhum.

O sorriso de Lisa murchou instantaneamente.

— Mas Nini...

— Sem "mas", Lalisa! — O tom de Jennie subiu um oitava, e ela apontou o dedo para o peito de Lisa. — Eu planejei uma tarde de cuidados para nós. Eu comprei máscaras faciais novas, encomendei aquele sushi que você gosta e eu quero assistir àquela série de romance histórico que você disse que era "chata", mas que agora você vai assistir comigo, do início ao fim, sem reclamar.

Lisa baixou os ombros, a figura imponente de 1,80m parecendo se dobrar sob o peso da vontade de Jennie.

— Os meninos vão ficar me zoando para sempre... — Lisa resmungou baixinho, olhando para os próprios pés.

— O que você disse? — Jennie deu um passo à frente, obrigando Lisa a recuar até bater as costas na parede.

— Nada! Eu disse que... os meninos vão entender que eu prefiro ficar com a minha rainha — Lisa corrigiu-se rapidamente, o medo da retaliação sendo maior que o desejo de chutar uma bola.

Jennie sorriu vitoriosa, aproximando-se o suficiente para que Lisa sentisse o perfume de baunilha que ela sempre usava. Ela agarrou as lapelas do moletom de Lisa e o abriu com um puxão firme, revelando a regata branca que marcava os músculos do peito e do abdômen da intersexual.

— Olha só para isso... — Jennie passou as mãos pelo abdômen de Lisa, um toque que era metade possessivo e metade admirado. — Você realmente achou que eu deixaria você sair assim? Para o mundo todo ver o que é só meu? Você é muito ingênua, Lili.

— Eu só queria jogar um pouco, Nini... — Lisa sussurrou, sentindo a respiração falhar enquanto Jennie subia as mãos para o seu pescoço.

— O único jogo que você vai jogar hoje é o meu — Jennie sentenciou, puxando Lisa pelo colarinho para um beijo profundo e mandão.

Lisa gemeu contra os lábios de Jennie, suas mãos grandes encontrando a cintura pequena da namorada e a puxando para mais perto. Era sempre assim. Ela podia ser a melhor jogadora do time, a mais forte, a mais alta, mas nas mãos de Jennie Kim, ela era apenas argila, moldada exatamente da forma que a menor desejava.

De repente, o celular de Lisa, que estava no bolso do moletom, começou a vibrar freneticamente. Era uma chamada de vídeo do grupo dos amigos. Jennie se afastou apenas o suficiente para pegar o aparelho.

— Não atende, Nini... por favor... — Lisa pediu, sabendo que o que viria a seguir seria sua ruína social.

Jennie ignorou o pedido e deslizou o dedo pela tela, aceitando a chamada. Imediatamente, as vozes de Bambam, Jackson e outros três amigos preencheram a sala.

— E aí, Manoban! Cadê você? Já estamos no aquecimento! — gritou Jackson, aparecendo na tela suado e animado. — Não vai me dizer que a patroa não deixou?

Jennie virou a câmera para si mesma, exibindo um sorriso gélido que fez o silêncio reinar instantaneamente do outro lado da linha.

— Olá, rapazes — disse Jennie, sua voz destilando uma autoridade calma. — Sinto informar que a Lisa teve um... imprevisto doméstico. Ela está muito ocupada cuidando das necessidades da namorada dela hoje. Não é mesmo, Lisa?

Jennie virou o celular para Lisa. A tailandesa acenou timidamente para a câmera, com uma expressão de quem estava pedindo socorro silenciosamente.

— Oi, gente... é... eu não vou poder ir. Divirtam-se aí — disse Lisa, a voz quase sumindo.

— Lisa, você é inacreditável! — Bambam riu ao fundo. — Jennie, deixa a garota respirar um pouco! É só futebol!

— "Só futebol", Bambam? — Jennie estreitou os olhos. — Da próxima vez que você quiser que a minha namorada saia de casa, mande um requerimento por escrito com pelo menos um mês de antecedência. E, mesmo assim, a resposta provavelmente será não. Tenham um bom jogo.

Ela encerrou a chamada antes que qualquer um pudesse responder. Lisa enterrou o rosto nas mãos, soltando um suspiro dramático.

— Eles nunca mais vão me deixar esquecer isso.

— Deixe que falem — Jennie disse, jogando o celular de Lisa no sofá e voltando sua atenção total para a namorada. — Agora, tire esse tênis. Nós temos uma série para maratona e eu quero que você me carregue até o quarto para pegarmos os cobertores.

Lisa olhou para a mulher à sua frente. Jennie parecia tão pequena, tão delicada com seus 1,55m, mas a aura de comando que ela emanava era absoluta. Lisa sabia que, se quisesse, poderia simplesmente sair pela porta; Jennie não teria força física para impedi-la. Mas a verdade era que Lisa não queria ir. O poder que Jennie exercia sobre ela não vinha do medo, mas de uma devoção profunda que a fazia querer agradar a namorada em cada detalhe, mesmo que isso custasse sua dignidade diante dos amigos.

— Sim, senhora — Lisa respondeu, esboçando um sorriso rendido.

Ela se abaixou, retirou os tênis de marca e, em seguida, pegou Jennie no colo sem o menor esforço, como se ela não pesasse mais que uma pluma. Jennie entrelaçou as pernas ao redor da cintura de Lisa e os braços em volta de seu pescoço, sentindo-se a rainha de seu domínio particular.

— Você é uma boa menina, Lili — sussurrou Jennie no ouvido de Lisa, mordiscando o lóbulo de sua orelha. — Talvez, se você se comportar muito bem durante a série, eu deixe você jogar... mas só no videogame. E eu vou estar sentada no seu colo o tempo todo.

— Parece um acordo justo — Lisa disse, caminhando em direção ao quarto com sua "chefe" particular pendurada em seu corpo.

Enquanto atravessavam o corredor, Lisa passou pelo espelho e viu sua própria imagem: uma mulher de 1,80m, atlética, imponente, sendo completamente levada pelos dedos de uma mulher que mal chegava ao seu ombro. Ela riu internamente. O mundo podia ver Lalisa Manoban como uma gigante, mas para Jennie Kim, ela era apenas o seu "pau mandado" favorito.

E, honestamente? Lisa não trocaria aquele domingo de "prisão" por nenhum gol do mundo.

— Nini? — Lisa chamou, já a deitando na cama larga.

— Sim?

— Depois da série... você ainda vai querer a massagem de uma hora?

Jennie sorriu, aquele sorriso de gato que indicava que ela tinha exatamente o que queria.

— É claro que sim, Lalisa. E não se atreva a cansar as mãos antes disso.

Lisa balançou a cabeça, derrotada e feliz, preparando-se para mais uma tarde sob o domínio absoluto do olhar felino de Jennie Kim. O futebol poderia esperar; o império de Jennie, no entanto, exigia atenção imediata e total submissão. E Lisa estava mais do que pronta para servir.