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My patty

O Brilho da Festa e o Punho de Ferro

A noite de sábado no apartamento de cobertura de Bambam estava no auge. A música eletrônica pulsava através das paredes de vidro que ofereciam uma vista panorâmica de Seul, e o cheiro de bebidas caras e perfumes importados pairava no ar. Lalisa Manoban, vestida em uma calça de couro preta que acentuava suas pernas intermináveis e uma camisa de seda entreaberta, sentia-se um pouco deslocada. Ela segurava um copo de refrigerante — ordem expressa de Jennie para que ela permanecesse sóbria e "atenta" — enquanto observava a namorada.

Jennie estava deslumbrante em um vestido tubinho preto que parecia ter sido esculpido em seu corpo. Ela estava sentada em uma poltrona de veludo, agindo como a realeza, enquanto observava cada movimento de Lisa pelo salão.

— Olha só quem resolveu aparecer! — a voz de Jackson Wang ecoou, acompanhada por uma batida forte no ombro de Lisa. — A lenda! A mulher que foi impedida de jogar futebol por causa de uma máscara facial!

Lisa sentiu o rosto esquentar instantaneamente. Bambam se aproximou, rindo e segurando uma garrafa de cerveja.

— Cara, a gente quase fez um minuto de silêncio por você no domingo passado — provocou Bambam, aumentando o tom para garantir que Jennie ouvisse. — O "imprevisto doméstico" foi muito grave, Lisa? Ou o hidratante de cutícula demorou muito para secar?

— Parem com isso, seus idiotas — Lisa murmurou, lançando um olhar de soslaio para Jennie, que apenas arqueou uma sobrancelha, desafiadora.

— Não fica brava, Lili — Jackson continuou, sem notar o perigo. — A gente sabe que quem manda no 405 usa 35 de sapato. Mas sério, o time sentiu sua falta. Você é o nosso paredão de 1,80m, não dá para substituir por qualquer um.

Jennie se levantou da poltrona com uma elegância letal e caminhou até o grupo. O círculo de amigos se abriu imediatamente.

— Algum problema com a forma como eu gerencio o tempo da minha namorada, rapazes? — perguntou Jennie, cruzando os braços.

— Problema nenhum, Jennie! — Bambam levantou as mãos em sinal de rendição. — Só estávamos comentando como a Lisa é uma jogadora valiosa. Inclusive, tem uma mesa de pebolim ali no salão de jogos. O que acha de deixar ela jogar uma partida com a gente? Prometemos devolver ela inteira.

Jennie olhou para Lisa, que tinha os olhos brilhando com a menção ao jogo. A menor suspirou, fazendo um gesto de descaso com a mão.

— Dez minutos. E se eu ouvir um único grito ou se você suar essa camisa de seda, Lalisa, nós vamos embora na mesma hora.

— Obrigado, Nini! — Lisa exclamou, dando um beijo rápido na bochecha da namorada antes de ser arrastada pelos amigos para o salão de jogos.

Jennie ficou para trás, encostada no balcão do bar, observando Lisa se afastar. Ela confiava em Lisa, mas não confiava no mundo. E seu instinto raramente falhava.

— Ela é realmente impressionante, não é? — uma voz desconhecida surgiu ao lado de Jennie.

Era um homem alto, talvez um pouco mais que Lisa, vestindo um terno cinza sem gravata. Ele tinha um sorriso convencido e um copo de uísque na mão. Jennie o reconheceu vagamente como um dos primos distantes de Bambam que morava nos Estados Unidos, um tal de Kai.

— É — Jennie respondeu secamente, sem desviar o olhar da direção por onde Lisa tinha ido.

— Eu sou o Kai. E você deve ser a famosa Jennie — ele disse, diminuindo a distância entre eles. — O Bambam me contou que você é... difícil de agradar. Eu gosto de desafios.

Jennie finalmente virou o rosto para encará-lo. Seus olhos eram gelo puro.

— Eu não sou um desafio, sou um beco sem saída para pessoas como você. E se o Bambam te contou alguma coisa, deveria ter mencionado que eu não gosto de estranhos invadindo meu espaço pessoal.

Kai riu, achando a agressividade dela atraente.

— Além de linda, é brava. Me diga, o que uma mulher como você faz com uma "segurança" tão grande quanto aquela tailandesa? Você parece o tipo de mulher que precisa de um homem que saiba como lidar com esse seu temperamento, não de alguém que abaixa a cabeça para tudo o que você diz.

Enquanto isso, no salão de jogos, Lisa estava ganhando a terceira partida consecutiva de pebolim. Ela estava rindo, relaxada, até que o radar de "perigo para Jennie" apitou em sua mente. Ela olhou pelo corredor e viu o homem desconhecido se inclinando sobre Jennie no bar.

— Lisa? É sua vez de sacar — disse Jackson.

— Eu já volto — Lisa disse, a voz subitamente séria.

Ela caminhou pelo salão com passos largos. Sua estatura de 1,80m, que antes parecia desajeitada sob as provocações dos amigos, agora emanava uma aura de intimidação pura. Quando ela chegou ao bar, ouviu o final da frase de Kai.

— ...sabe, Jennie, se você se cansar de dar ordens para uma estátua, meu quarto no hotel tem uma vista muito melhor que essa.

Jennie estava prestes a jogar o drink na cara dele quando sentiu uma mão firme e grande pousar em seu ombro. A presença de Lisa era como uma sombra protetora que engoliu o espaço de Kai.

— Algum problema aqui, Nini? — a voz de Lisa saiu profunda, vibrando com uma autoridade que raramente usava.

Kai olhou para cima, encontrando o olhar gélido de Lisa. Ele tentou manter a pose, ajeitando o paletó.

— Nenhum, só estava tendo uma conversa agradável com a sua... dona. Ela é bem articulada.

Lisa deu um passo à frente, ficando a centímetros do rosto de Kai. A diferença de altura era pequena, mas a presença física de Lisa era esmagadora.

— O nome dela é Jennie. E a conversa acabou — Lisa disse, as palavras saindo pausadamente. — Eu sugiro que você encontre outro lugar para testar suas cantadas baratas antes que eu decida que você é um obstáculo no meu caminho.

Kai sentiu o peso do olhar de Lisa e a tensão nos ombros dela. Ele deu um passo para trás, forçando um sorriso nervoso.

— Relaxa, gigante. Foi só um papo. Vejo vocês por aí.

Assim que ele se afastou, Lisa virou-se para Jennie, a expressão de "alfa" desaparecendo instantaneamente para dar lugar à preocupação.

— Você está bem, amor? Ele te desrespeitou? Eu deveria ter chegado antes, eu sabia que não devia ter ido jogar...

Jennie, no entanto, não parecia grata. Ela estava com as bochechas vermelhas de raiva, mas não era contra Kai.

— Você demorou — Jennie sentenciou, a voz cortante. — Você estava lá, se divertindo com seus amiguinhos, enquanto aquele idiota achou que tinha o direito de encostar em mim.

— Nini, eu vim assim que vi! — Lisa tentou segurar as mãos de Jennie, mas a menor as puxou de volta.

— Não me toque agora, Lalisa. Você é lenta. Você é mole com os seus amigos e isso dá abertura para que as pessoas achem que eu estou disponível.

— Mas eu acabei de colocar ele no lugar dele! — Lisa protestou, sentindo a injustiça da acusação.

— Só depois que ele já tinha dito metade das baixarias que queria! — Jennie pegou sua bolsa sobre o balcão. — Nós vamos embora. Agora.

— Mas é o aniversário do Bambam, a gente acabou de chegar...

Jennie parou e olhou para Lisa com o olhar que a tailandesa mais temia. Era um olhar que prometia dias de silêncio e noites no sofá.

— Você quer ficar? Ótimo. Fique com o Bambam, com o Jackson e com o pebolim. Eu vou pegar um táxi.

— Não! Espera! — Lisa correu atrás dela, ignorando os chamados dos amigos que assistiam à cena de longe. — Eu vou com você. Claro que eu vou com você.

O trajeto no elevador foi um silêncio sepulcral. Lisa olhava para o visor dos andares, sentindo-se um gigante em uma caixa de fósforos. Jennie estava de braços cruzados, bufando de vez em quando.

Assim que entraram no apartamento e a porta se fechou, a discussão explodiu.

— Eu odeio quando você faz isso! — Jennie gritou, jogando os sapatos de salto em qualquer direção. — Você tem esse tamanho todo, Lisa! Você deveria impor respeito só de entrar em um lugar! Mas não, você entra e deixa o Jackson te chamar de "pau mandado", deixa o Bambam rir da sua cara... e aí outros homens acham que eu sou o quê? Um prêmio para quem for mais esperto que você?

Lisa parou no meio da sala, as mãos nos quadris, sua paciência finalmente chegando ao limite.

— Jennie, eu sou educada com os meus amigos porque eu gosto deles! E eu não imponho respeito com violência porque eu não sou um animal! Eu cuido de você, eu te obedeço em tudo, eu deixo de fazer as coisas que eu gosto só para não te deixar brava... e você ainda me culpa porque um idiota qualquer resolveu ser um babaca?

— Sim! Eu te culpo! — Jennie caminhou até ela, ficando na ponta dos pés para apontar o dedo no nariz de Lisa. — Porque você é minha! E quando você deixa as pessoas te zoarem, você está deixando elas zombarem da nossa relação! Você acha que eu gosto de ser a "mandona"? Eu sou assim porque se eu não for, você deixa o mundo pisar em você!

— Ninguém pisa em mim, Jennie! — Lisa aumentou o tom de voz, o que era raro. — Eu só escolho as minhas batalhas! E a minha maior batalha é tentar te fazer feliz, mas parece que nunca é o suficiente! Se eu jogo, eu sou irresponsável. Se eu não jogo, eu sou frouxa. Se eu te defendo, eu demorei. O que você quer de mim?

Jennie recuou um passo, surpresa com o raro surto de rebeldia de Lisa. Seus olhos se encheram de lágrimas, uma mistura de fúria e uma insegurança que ela raramente admitia.

— Eu quero que você seja minha! — Jennie gritou, a voz embargada. — Eu quero sentir que, se o mundo inteiro desabar, você vai estar lá segurando o teto e não deixando ninguém nem chegar perto da porta! Aquele cara... ele falou de você como se você fosse nada. E eu não aguento isso, Lisa. Eu não aguento que falem de você como se você fosse só um brinquedo meu, porque você é a pessoa mais importante da minha vida.

O coração de Lisa amoleceu no mesmo instante. A raiva evaporou, substituída por aquela necessidade avassaladora de proteger a pequena mulher à sua frente. Ela deu um passo à frente e envolveu Jennie em seus braços longos, puxando-a para um abraço apertado. Jennie resistiu por dois segundos antes de esconder o rosto no peito de Lisa e soluçar.

— Desculpa, Nini... — Lisa sussurrou, beijando o topo da cabeça dela. — Eu não queria gritar. Eu só fico frustrada porque eu tento tanto ser o que você precisa...

— Você já é o que eu preciso — Jennie disse contra o tecido da camisa de Lisa. — Só... não deixa eles falarem assim de você. Dói em mim.

Lisa afastou Jennie levemente, apenas o suficiente para olhar em seus olhos. Ela usou o polegar para secar as lágrimas da namorada.

— Eu prometo que vou ser mais firme. Mas você tem que prometer que não vai fugir de uma festa e me deixar falando sozinha só porque ficou com ciúmes de um idiota que não chega aos meus pés.

Jennie fez um biquinho, recuperando um pouco de sua postura habitual.

— Eu não estava com ciúmes. Eu estava marcando território. É diferente.

Lisa riu, uma risada leve que iluminou o ambiente.

— Claro, majestade. Marcando território.

Jennie deu um tapinha no braço musculoso de Lisa e se afastou, indo em direção ao quarto enquanto desabotoava o vestido.

— E por ter gritado comigo, você vai dormir no chão hoje — ela disse, sem olhar para trás.

Lisa paralisou.

— O quê? Nini, você acabou de dizer que eu sou a pessoa mais importante da sua vida!

— E pessoas importantes precisam aprender lições de etiqueta — Jennie parou na porta do quarto e lançou um olhar por cima do ombro, um sorriso ladino brincando em seus lábios. — Mas... como eu sou uma alma caridosa, talvez eu deixe você subir na cama se você fizer aquela massagem nas minhas costas por duas horas. Sem reclamar.

Lisa suspirou, balançando a cabeça. Ela tinha 1,80m, era forte, tinha enfrentado um cara abusado e acabado de ter uma discussão existencial, mas no fim das contas, o resultado era sempre o mesmo.

— Duas horas, senhora? — Lisa perguntou, já seguindo-a como um girassol segue o sol.

— Duas horas e meia agora, Lalisa. Por ter questionado — Jennie entrou no quarto, sabendo que a gigante estava logo atrás dela, pronta para obedecer a cada comando.

Lisa sorriu para o nada. Ela podia ser o "pau mandado" de Jennie Kim, mas enquanto estivesse sob o domínio daqueles olhos felinos, ela era a mulher mais feliz do mundo. Ela fechou a porta do quarto, pronta para começar seu turno de "trabalho escravo" mais prazeroso da história, reafirmando que, no campo de batalha do amor, Jennie Kim sempre seria a general, e Lisa, sua soldado mais leal e apaixonada.